Anvisa pode aprovar regra que aumenta venda de remédios sem receita

Postado em 07/03/2016 2:59

Uma nova regra da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pode dispensar a receita médica para medicamentos tarja vermelha. Desta forma, tais substâncias serão vendidas como OTCs – over the counter, ou “em cima do balcão”, são aqueles para dor em geral, relaxamento muscular, gripes e resfriados, entre outros. À Folha, o presidene da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Isentos de Prescrição (Abimip), Jonas Marques, afirmou que a resolução, se aprovada, pode aumentar o número de OTCs vendidos. Além de acelerar a entrada de novos medicamentos sem prescrição no mercado, já que a legislação prevê a aprovação do princípio ativo – então, não seria necessário que as fabricantes entrassem com um pedido diferente.

Para o professor titular da Unifesp e presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, Antonio Carlos Lopes, o crescimento do mercado de OTCs é reflexo do sistema de saúde oferecido, por não haver médicos para atender a todos. “Se o médico receitou, a pessoa pode usar. Mas é fundamental se consultar de tempos em tempos para garantir que os medicamentos sem prescrição que são usados regularmente podem ser ingeridos sem risco”, recomendou. A indústria, por outro lado, avalia como um “autocuidado” do paciente, que conhece seu próprio corpo e é capaz de tomar decisões, como a escolha de um analgésico para dor de cabeça.

“A classe médica se incomoda com a divulgação de informações sobre remédios para o consumidor, e nós seguimos as regras da Anvisa de que o tom tem que ser muito mais explicativo do que vendedor”, opinou Cesar Bentim, diretor da unidade de medicamentos isentos de prescrição do Aché Laboratórios. De acordo com a publicação, os riscos à saúde são baixos, mas são mais minimizados ainda quando são tomados alguns cuidados: ler a bula, tomar o medicamento enquanto houver sintoma e nunca tomar dois remédios com o mesmo princípio ativo. Se os sintomas piorarem e houver surgimento de dores agudas ou de efeitos colaterais, o uso deve ser interrompido.

Bahia Notícias

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