Chicossauro Rex: A revolução de um selinho ou "Será que eu salguei a Santa Ceia?"

Postado em 01/02/2014 1:14

Nunca na história recente do País (já ouvi isso em algum lugar) uma novela teve tantos núcleos, tantas histórias paralelas, tanto rebuliço, quanto a finalizada Amor à Vida, que na noite desta sexta-feira levou ao ar o “primeiro beijo gay” de novela. Bem, não foi lá um chupão, um beijo apaixonado. Estava mais para pitoque envergonhado, mas era a novela do horário nobre com dois marmanjos colando boca com boca. É uma novidade, uma mudança de paradigma tal qual o primeiro beijo de casal da TV, ocorrido em 1952, com Walter Foster e Lia Aguiar, em Sua Vida me Pertence. Também não passou de um selinho. Ah! Era uma novela ao vivo, ainda (obrigado São Google).

Bem, como disse antes, nunca na história… (deixa pra lá) uma novela brasileira teve tantos núcleos. Parece que todos os personagens tinham uma história, um segredo. Figurante uma ova! todo mundo era protagonista, ou foi em algum momento. Não sei se dou parabéns ao autor Walcyr Carrasco, ou o chamo de maluco. A novela tinha núcleos para todos os gostos: rico, pobre, gay, BBB, espalhafatoso, obeso, artístico, piriguete, funkeiro, autista, médico, alcoólatra… Cansa até de pensar. Ah! Teve também o núcleo “atrás das grades” já nos capítulos finais. Aliás, tá na hora de a Globo trocar o cenário da penitenciária que é a mesma em todas as novelas. Essa agora incluíram uma cerca elétrica (foi o toque ridículo do final, com a personagem “mais mauzinha de todas” sendo eletrocutada – churrasco de vilã). Tinham que matar ela, como o fazem como todo “vilão do mal” (desculpem a redundância, mas essa Aline foi o Ó do borogodó total.

Voltando ao beijo gay, não foi o primeiro que aconteceu na Globo. Lembro de um episódio de Ó Paí Ó em que, no final, em pleno Pelourinho, o personagem travesti pega um sujeito no meio da praça e taca-lhe um chupão de enfiar linga na garganta. O que aconteceu entre Niko e Félix (Mateus Solano magistral mostrando que finalmente encontraram um substituto para o galã de todos os tempos Tarciso Meira) foi o start de uma revolução.

Nunca na história recente do País (já ouvi isso em algum lugar) uma novela teve tantos núcleos, tantas histórias paralelas, tanto rebuliço, quanto a finalizada Amor à Vida, que na noite desta sexta-feira levou ao ar o “primeiro beijo gay” de novela. Bem, não foi lá um chupão, um beijo apaixonado.

Outro fato interessante foi a discussão em torno da obesidade de uma personagem. A coitada sofreu bullyng de tudo quanto é tipo e teve um final feliz ao lado de um médico que gosta de gordinha e desfilando plus size (uma nova revolução, o reconhecimento de que a maioria das mulheres brasileiras tão longe de se encaixar dentro de um vestido usado pela Gisele Bundchen). Um viva a galera acima do peso.

Perdi meu tempo em frente a TV na noite desta sexta-feira. Adoro final de novela, com crianças nascendo, casamento, morte de vilões, revelações finais (afinal de contas toda a história teve partida a partir de um crime da “boazinha de doer” Pilar). Tudo de direito de uma novela do horário nobre.

Agora, vem aí mais uma Helena, de Manoel Carlos. Podem esperar uma história leve, de dramas familiares, música de qualidade, muito MPB, papo cabeça.

Ah!, recadinho com endereço, histórias têm que ter malvadezas, vilões… Se não, não tem história.

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