Chicossauro Rex: O day after ou o Brasil de cabeça inchada!

Postado em 09/07/2014 10:34

Chicossauro Rex: O day after. O Brasil de cabeça inchada!

Impensável a tragédia ocorrida ontem no Mineirão. Impossível até que alguém tenha acertado algum bolão por todo o País. Só um louco varrido, bêbado e revoltado com o mundo marcaria o placar de 7×1 para a Alemanha. Acumulou!

Todo mundo já falou de tragédia, massacre, decepção, humilhação. E foi isso mesmo. Por mais que se tente explicar, foi um evento sem explicação, sem lógica, mesmo para o tão imprevisível futebol.

O que nos salva é que o Brasil inteiro foi dormir atônito e acordou hoje de cabeça inchada. Não foram torcedores de times que temeriam as gozações dos adversários. São 200 milhões de brasileiros incrédulos, tentando entender o que foi que aconteceu.

Vai doer na nossa história da mesma forma que a Guerra das Malvinas dói até hoje na história dos hermanos argentinos. Vai manchar a nossa história da mesma forma que a II Guerra Mundial mancha a história dos simpáticos alemães que – tiraram o pé no segundo tempo, diga-se de passagem – aplicaram uma das maiores goleadas em Copa do Mundo, contra o dono da casa e chegaram a ficar constrangidos em comemorar – simpáticos e educados.

A Globo, e a maior parte da mídia, fizeram o possível para engrandecer a Seleção de Felipão. Tentaram, de todas as formas, transformar Neymar no craque do time, quando na verdade o principal jogador vinha sendo David Luiz, que mesmo assim falhou em pelo menos três gols durante a Copa. Não é pisar no morto lembrar que o Brasil era um bando em campo desde o início. Malmente, alguns minutos de lucidez na primeira etapa contra a Colômbia, mas nunca chegou a ser uma equipe, um conjunto. Mas, daí, perder da forma que perdeu…

O pior de tudo: se fosse um campeonato nacional, regional… O sofrimento duraria um ano. Man, é uma Copa do Mundo, serão quatro anos para lembrar ou para esquecer. A Copa no Brasil vai ser lembrada como a Copa do 7×1, assim como a Copa de 50 ficou lembrada como a do Maracanaço, com a vitória na final do Uruguai, por 2×1.

O Brasil não é mais o País do futebol, celeiro de craques, onde o futebol é magia, arte. É apenas o País onde as pessoas mais gostam de futebol, vivem esse esporte gostoso, insuperável. Uma coisa é fácil de notar: fomos o tempo todo produtores de commodities, fornecemos matéria prima para o Primeiro Mundo moldar, transformar em bons produtos. Por mais que tenha produzido talentos, o Brasil não teve gerência sobre eles. Isso mesmo, faltam bons técnicos – repito, técnicos – no Brasil. Entregadores de camisa temos aos montes.

Analisando friamente, o Brasil venceu a Copa de 2002 no estilo Família Felipão. Já naquele ano não apresentou novidades em tática. Era um conjunto que jogava bem à base do amor, da empolgação. Mesmo com todo amor e empolgação, a atual geração sob o comando do mesmo Felipão não passou de um bando em campo.  Faltou estratégia, possibilidades de mudança. Parece até que tudo dependia de Neymar e olha que Neymar jogou bem apenas alguns momentos na estreia e contra o Camarões. No mais, foi mais um em campo, por mais que Galvão Bueno tenha se esforçado e a mídia carregado em cima do garoto.

A lição que fica é que, apesar de o Brasil ser o maior campeão do mundo, tendo por cinco vezes carregado a tão sonhada taça, já não é mais o celeiro, já não produz qualidade em série, já não faz há muito tempo o futebol arte, é carente de um esquema tático, não tem bons centroavantes (vejam o exemplo de Fred e tentem descobrir quem poderia estar no lugar dele), tem um calendário de futebol desarrumado, valoriza os grandes clubes, desvaloriza o trabalho de formação de atletas… E, o pior de todos os pecados: acha que esporte é apenas o futebol.

Vem aí mais um campeão de audiência: Rio 2016, onde certamente não seremos os melhores, mas temos uma grande oportunidade de aprender com os melhores.

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