Em 2017, municípios produtores de grãos na Bahia recuperam perdas e voltam a subir no ranking do valor da produção agrícola nacional

Postado em 13/09/2018 3:14
** Após cair do 1º para o 11º lugar, entre 2015 e 2016, São Desidério voltou ao “pódio” em 2017, com o 3º maior valor total da produção agrícola do país: R$ 2,4 bilhões. O município é o 2º maior produtor de soja e o 3º maior produtor de algodão do Brasil;** Formosa do Rio Preto (do 17º para o 8º lugar), Barreiras (do 42º para o 24º) e Luís Eduardo Magalhães (do 61º para o 28º) também tiveram importantes ganhos de posição no ranking do valor da produção agrícola brasileira, entre 2016 e 2017;

** Aumentos nos valores de produção da soja (+52,5%) e do algodão (+62,3%) na Bahia, entre 2016 e 2017, foram decisivos para a ascensão dos municípios do Oeste do estado;

** Apesar disso, a Bahia teve queda de 1,6% no valor total da sua produção agrícola, que chegou a R$ 15,4 bilhões em 2017. Por isso, foi o único estado do Nordeste a ter uma leve perda de participação no valor total da agricultura nacional (de 4,9% do total em 2016 para 4,8% em 2017);

** Ainda assim a Bahia se manteve com o sétimo maior valor de produção agrícola do país, no ano passado;

** Queda do valor da agricultura baiana de 2016 para 2017 foi puxada pelas lavouras permanentes (dentre as quais predominam as frutas), com redução de 23,7% no valor da produção no período. As lavouras temporárias (onde predominam os grãos) tiveram alta de 13,3% no seu valor total de produção entre 2016 e 2017;

** Apesar da queda no valor das culturas permanentes, o bom desempenho de algumas frutas levou municípios como Juazeiro, Casa Nova e Bom Jesus da Lapa a subir no ranking do valor da fruticultura nacional.

Em 2017, apesar de a Bahia ter tido uma leve perda de participação no valor total da produção agrícola brasileira, municípios baianos, sobretudo os produtores de grãos, ganharam importantes posições no ranking nacional da agricultura.

A ascensão foi resultado principalmente dos avanços em valor e volume das safras de soja e algodão herbáceo no estado.

O principal destaque foi São Desidério, no Oeste da Bahia, que voltou, em 2017, ao “pódio”, com o terceiro maior valor total da produção agrícola do país: R$ 2,4 bilhões, 49,7% maior que o verificado em 2016 e menor apenas que os de Sorriso (R$ 3,3 bilhões) e Sapezal (R$ 2,6 bilhões), ambos em Mato Grosso.

Em 2016, ainda sentindo os efeitos da seca, São Desidério havia perdido a liderança no valor da produção agrícola nacional e caído para a 11ª posição nesse ranking.

No município, do total de R$ 2,4 bilhões gerado pela agricultura em 2017, 61,1%, ou R$ 1,5 bilhão, vieram da soja, que teve uma produção de 1,4 milhão de toneladas, 76,3% maior que a de 2016. Com aumentos na área colhida e na produtividade, o valor arrecadado pelos produtores de soja do município em 2017 foi 72,7% maior do que em 2016.

A produção de soja de São Desidério foi a segunda maior do país em 2017 tanto em toneladas quanto em valor, perdendo apenas para Sorriso (MT), que colheu 2,2 milhões de toneladas do grão, num valor de R$ 2,2 bilhões.

O resultado de 2017 mostrou uma recuperação importante em relação a 2016, quando São Desidério havia caído para a 11ª posição na produção de soja (em toneladas) e para a 10ª posição em valor do grão.

Já o algodão herbáceo contribuiu com 28,9% do valor gerado pela agricultura em São Desidério, em 2017 – o equivalente a R$ 681,9 milhões. Embora esse valor tenha aumentado 51,3% em relação a 2016, a produção de algodão no município teve um recuo de 15,6%, levando São Desidério a cair de segundo para terceiro maior produtor de algodão do país, superado por Campo Verde (MT), que colheu 320,8 mil toneladas em 2017.

Também no Oeste da Bahia, Formosa do Rio Preto foi outro município que subiu de forma significativa no ranking do valor nacional da produção agrícola, entre 2016 e 2017, passando do 18º lugar para o 9º e chegando a R$ 1,78 bilhão.

O município teve a quarta maior produção de soja do Brasil no ano passado (1,3 milhão de toneladas) com o terceiro maior valor arrecadado com o grão (R$ 1,36 bilhão).

Os cinco municípios baianos com maior valor da produção agrícola em 2017 são grandes produtores de grãos, sobretudo soja. Todos tiveram aumento tanto na produção quanto no valor desse produto frente a 2016 – o que foi determinante para que voltassem a subir no ranking nacional do valor agrícola.

 

Mesmo com esses importantes aumentos de produção e no valor da soja, a Bahia se manteve, em 2017, como o sétimo maior produtor do grão no país, colhendo 5,1 milhões de toneladas de soja (57,9% mais que em 2016). No ano passado, a Bahia também continuou como segundo principal produtor de algodão herbáceo no país, apesar da redução de 7,3% na safra, que chegou a 814,6 mil toneladas, num valor de R$ 1,9 bilhão.

Entre 2016 e 2017, Bahia foi o único estado do Nordeste a perder participação no valor da agricultura brasileira

Entre 2016 e 2017, a Bahia teve uma leve redução no valor da sua produção agrícola, de -1,6%, passando de R$ 15,7 bilhões para R$ 15,4 bilhões. O recuo levou o estado a ser o único do Nordeste a perder participação no valor da agricultura nacional, de 4,9% em 2016 para 4,8% em 2017.

Foi a segunda perda de participação consecutiva, já que em 2015 a Bahia respondia por 6,5% do valor total da produção agrícola brasileira.

Mesmo assim, em 2017, o estado ainda se manteve com a sétima maior participação no valor total da agricultura brasileira, estimado em R$ 319,6 bilhões (0,6% menor que o de 2016). São Paulo continuou em primeiro lugar, com 16,6% do valor da produção agrícola nacional, seguido por Mato Grosso (13,6%) e Paraná (11,9%).

Os cinco principais estados responderam por 63,5% do valor da produção agrícola do país em 2017, e não houve, em relação a 2016, nenhuma alteração nas dez primeiras posições do ranking.

A área total colhida com lavouras também caiu na Bahia, entre 2016 e 2017, de 4.348.815 para 3.820.962 hectares (-12,1% ou menos 527.853 hectares em um ano). Foi a segunda redução consecutiva, que levou a área colhida no estado a ser a menor desde 2001 (3.727.758 hectares).

No Brasil, por outro lado, a área colhida total chegou a 78,2 milhões de hectares em 2017, um aumento de 3,6% em relação ao ano anterior. Porém, o principal fator que impulsionou a agricultura brasileira, em geral, foi o aumento de produtividade de várias lavouras, beneficiadas pelas boas condições climáticas observadas ao longo do ano passado.

Na Bahia, só 13 dos 45 produtos investigados tiveram aumento no valor de produção e 21 tiveram ganho de produtividade entre 2016 e 2017

Na Bahia, houve incremento de produtividade em pouco menos da metade (21) dos 45 produtos investigados (considerando-se os dois tipos de café separadamente). E somente 13 produtos tiveram aumento do valor de produção entre 2016 e 2017.

Neste último caso, os destaques, em termos absolutos, ficaram com a soja, cujo valor de produção subiu de R$ 3,492 bilhões para R$ 5,326 bilhões, o algodão herbáceo (de R$ 1,193 bilhão para R$ 1,937 bilhão), o café canephora (de R$ 304,655 milhões para R$ 616,638 milhões) e a manga (de R$ 233,159 milhões para R$ 424,324 milhões).

Dos 13 produtos com alta no valor entre 2016 e 2017, 9 se beneficiaram também de um incremento na produtividade. Mais uma vez a soja (com aumento de 53,2% no rendimento médio), o algodão (+29,1%), o café canephora (+79,1%) e a manga (+10,8%) estão entre os destaques positivos, conforme mostra o quadro a seguir.

Juazeiro, Bom Jesus da Lapa e Casa Nova sobem no ranking da fruticultura nacional

Em 2017, três municípios baianos passaram a figurar entre os 20 com maior valor de produção de frutas no país: Juazeiro, que subiu da 10ª para a 9ª posição entre 2016 e 2017, Bom Jesus da Lapa, que passou de 23º para 10º, e Casa Nova, que saiu do 38º para 11º. Todos tiveram expressivos aumentos na área colhida e no valor da fruticultura, de um ano para o outro.

Entre 2016 e 2017, o valor da produção da fruticultura em Juazeiro cresceu 48,1%, passando de R$ 240,1 milhões para R$ 355,4 milhões; e a área colhida com frutas mais que dobrou (+135,2%), de 6.132 para 14.425 hectares.

Bom Jesus da Lapa teve um aumento de 75,5% no valor da fruticultura (de R$ 159,8 milhões para R$ 280,5 milhões) e de 4,1% na área colhida (de 9.304 para 9.683 ha).

Em Casa Nova, por sua vez, o valor da produção de frutas mais que duplicou (+123,0%), subindo de R$ 122,5 milhões para R$ 273,2 milhões, enquanto a área colhida quase dobrou (+91,0%), indo de 3.356 para 6.430 hectares.

Com esse incremento, Casa Nova ultrapassou Juazeiro e se tornou o segundo município brasileiro em volume e valor de produção de mangas, com R$ 150 milhões e uma safra estimada em 150 mil toneladas. Ficou atrás apenas de Petrolina (PE), que colheu 173,4 mil toneladas a um valor de R$ 164,7 milhões.

Apesar de também ter tido expansão da lavoura de manga, em 2017 Juazeiro caiu para o terceiro lugar, tanto na produção da fruta quanto no seu valor, com 144,8 mil toneladas e R$ 144,8 milhões, respectivamente.

Já Bom Jesus da Lapa se manteve, em 2017, com o maior produtor de bananas do país, com 180 mil toneladas. Tornou-se também o município com maior valor de produção de banana, chegando a R$ 270 milhões e superando Wenceslau Guimarães, que teve, em 2017, um ano de perdas na safra de bananas.

Em relação a 2016, Wenceslau Guimarães apresentou queda de 43,9% na produção de banana (de 115,9 mil para 65 mil toneladas) e recuo de 59,6% no valor da safra da fruta (de R$ 207,9 milhões para R$ 83,9 milhões).

Dentre os dez municípios baianos com maior valor de produção da fruticultura em 2017, também se destaca Rio Real. Apesar de ter tido redução tanto na quantidade produzida quanto no valor da produção de laranja em relação a 2016, foi o único município fora de São Paulo entre os dez maiores produtores da fruta no país, ocupando o 9º lugar no ranking nacional, com 270,0 mil toneladas colhidas em 2017, a um valor de R$ 94,5 milhões.

 

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