Gleisi Hoffmann fala sobre os novos desafios do PT e a crise política brasileira

Postado em 03/07/2017 5:00
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Confira entrevista exclusiva concedida pela senadora da República e presidente nacional petista, Gleisi Hoffmann

Por Thais Tosta

O feriado da Independência da Bahia teve caráter nacional este ano em Salvador. O Partido dos Trabalhadores da Bahia em parceria com a Central Única dos Trabalhadores convidaram a senadora e atual presidente nacional do PT, Gleise Hoffmann, para participar do cortejo cívico do Dois de Julho na Bahia.

Após marchar ao lado de lideranças políticas pelas ruas da Lapinha e sentir a energia do povo baiano, a senadora concedeu entrevista as jornalistas Thais Tosta e Aline Damázio e falou sobre os desafios do Partido dos Trabalhadores na Bahia e no Brasil pós golpe, fez uma análise do cenário político nacional e estadual, uma avaliação sobre as decisões do judiciário brasileiro nos processos da Lava-Jato e parabenizou o trabalho desenvolvido nas grandes mobilizações estaduais, de repercussão nacional protagonizadas pela CUT-BA, conduzidas pelo presidente estadual Cedro Silva; bem como; a força e o protagonismo do movimento sindical no estado.
A senadora destacou também a força das mulheres baianas na construção destas lutas, que, segundo ela, “são inspiradas em grandes guerreiras como Maria Quitéria e Felipa”. A senadora finalizou fazendo uma avaliação sobre o governo de Rui Costa (PT), e os desafios do partido para o futuro.
Confira a entrevista na integra

Thais Tosta- É a primeira vez que o partido tem uma mulher na presidência e a nova direção já foi iniciada com grandes desafios. Como a senadora pensa a condução da agenda política do principal partido de oposição do país, pós golpe?
Gleisi Hoffmann- Com uma grande responsabilidade. A sociedade está novamente depositando as suas esperanças e confiança no PT. No processo do golpe, na destituição do governo Dilma, no final do governo Dilma, muita gente acreditava que o PT estava morto; o PT; o Lula as lideranças petistas… Passado um ano, um ano e meio, vemos acontecer o contrário, ou seja; o PT ressurge como um partido de esperança do povo brasileiro. Faz pesquisas e o PT tem a maior intenção de votos entre os brasileiros que tem preferência partidária, faz pesquisas e o presidente Lula continua sendo o candidato em primeiro lugar em intenção de votos… Qual a leitura que nós temos que fazer disso? É que a população quer uma resposta do PT e está depositando suas esperanças no partido, então nós temos muitas, muitas responsabilidades. Eu tenho, os dirigentes do partido tem, a nossa militância também tem. Acho que não podemos errar com a sociedade brasileira. Nós temos que estar do lado do povo defendendo os direitos, defendendo as conquistas, defendendo a democracia.

Pergunta – Qual a sua avaliação sobre o retorno do senador Aécio Neves ao cargo, ele que é alvo de investigações com base na delação premiada de executivos da JBS.
Gleisi Hoffmann- Do ponto de vista jurídico a sentença do ministro Marco Aurélio está absolutamente correta. O problema é que as outras sentenças dadas a outras pessoas em situações absolutamente parecidas foram diferente dessas, não se pautaram pelo devido processo legal e o que diz a Constituição. Tanto em relação ao Delcínio, ao próprio ex-presidente da Câmara e a outros companheiros do PT que ficaram presos e não tiveram sua soltura. Então, nós vemos que a justiça muitas vezes atua ou tem atuado no caso da Lava Jato de acordo com o investigado, com o denunciado; o que é muito ruim para a democracia brasileira. Eu espero que daqui pra frente a gente reconstitua o devido processo legal, o estado democrático de direito e que todas as decisões do judiciário sejam baseadas no que a Constituição e a legislação determina.

TT- Nos viemos de uma Greve Geral que parou o centro econômico de Salvador, além de inúmeras manifestações e ações como a greve geral; são promovidos atos políticos, caminhadas com grande adesão popular no estado… A Bahia é o quarto maior colégio eleitoral do país e um centro estratégico de grandes decisões políticas. A senhora tem acompanhado as ações das centrais e movimentos sociais no estado em defesa dos direitos dos trabalhadores baianos e brasileiros?
Gleisi Hoffmann – Primeiro, meu respeito ao povo baiano. O Dois de Julho é uma referência na história nacional do povo brasileiro, nós só temos a independência do Brasil porque foi consolidada aqui com a luta dos baianos, com o enfrentamento, a resistência aos portugueses, a valentia da população, isso foi muito legal. Participar hoje do Dois de Julho teve um significado especial… Estamos em um importante momento da história brasileira, estamos vivendo um momento de retrocesso, de golpe; em que forças conservadoras se apropriam do poder e o povo brasileiro tem que tomar as ruas, pelas suas forças, pelos seus braços, tem que recompor a situação da democracia e os baianos são grandes inspirações nossas, aliás, a luta aqui é muito importante. Além da Greve Geral que parou a Bahia, recentemente vocês fizeram um grande ato pelas Diretas Já, uma mobilização muito grande aqui. Isso mostra o nível de politização da Bahia e, também, a visão do povo baiano de ter que resistir e lutar. Isso para nós é muito legal, porque estimula, anima, incentiva os outros estados a fazerem o mesmo.

Fotos: Luis Teixeira

Fotos: Luis Teixeira

TT- Na sua avaliação, qual tem sido o papel do movimento sindical nas grandes lutas pós golpe.
Gleisi Hoffmann- Do ponto de vista do movimento sindical, a força no movimento sindical como protagonista do processo de rua é fantástica. Um papel fundamental.Vemos a construção coletiva de todos os sindicatos e centrais sindicais, especialmente da CUT que tem se destacado muito ai no enfrentamento do que está acontecendo… Eu recentemente fui à posse dos sindicatos dos metalúrgicos do ABC, em São Paulo, fui junto com o presidente Lula e fiquei impressionada com a mobilização e quantidade de pessoas que estavam por lá. Ai eu lembrei daquela resistência que o sindicato dos metalúrgico fizeram no regime militar… A luta pelos direitos em que o presidente Lula despontou, eu pensei assim… Olha de novo o movimento sindical, esses sindicato aqui, principalmente a CUT, que foi criada no calor dessa disputa são referências de luta, de enfrentamento do povo brasileiro e eu fico muito feliz de ver que o movimento sindical está vivo, apesar de muitos decretarem que não estariam. A CUT é uma central que orgulha a todos nós.

TT- O protagonismo das mulheres baianas…
Gleisi Hoffmann- O que me impressionou muito nessa minha passagem por Salvador foi perceber o protagonismo das mulheres ao longo dos anos na Bahia, a história… Maria Quitéria, Maria Felipa, quando eu estava lendo e ouvindo sobre essa história eu fiquei muito impressionada… Porque aquela época era um momento muito difícil das mulheres terem protagonismo, ainda mais numa luta armada e absolutamente masculina, mas elas foram fundamentais, foram âncoras de resistência ali para ajudar a consolidar a independência. Então eu quero deixar aqui o meu reconhecimento as mulheres baianas, muito legal o papel que tiveram e ainda possuem.
Pergunta – Sobre a força do movimento sindical no estado e o governo Rui Costa…
Gleisi Hoffmann- O movimento sindical da Bahia é um movimento que contagia o Brasil inteiro. Nós temos aqui um governo do PT que tem tido papel importante nas conquistas do povo baiano, é um governo bem conceituado, tem referência social mas, sobretudo, temos um movimento social muito empoderado, um movimento muito dono de sí mesmo, um movimento que tem demonstrado vontade de lutar e um protagonismo fantástico. Meus parabéns a Central Única dos Trabalhadores da Bahia.

TT- Quais serão os grandes desafios do PT nacional para aglutinar o partido nos estados e estar em sintonia com o projeto nacional petista?
Gleisi Hoffmann- Um grande desafio nosso é estar muito presente nos estados, um partido não se faz só no Diretório Nacional, o partido se faz nos estados e municípios, na vivência, na luta diária, na nossa militância. Nós vamos ter agora dia 06; a primeira reunião do Diretório nacional e uma das primeiras deliberações do diretório nacional é a realização de um planejamento estratégico da executiva com foco em consolidar e fortalecer o partido nos estados. Então, com certeza, teremos muitas propostas aqui para o fortalecimento da nossa militância na Bahia.

TT- Voltemos o nosso olhar para o futuro… É lula de novo?
Gleisi Hoffmann- Lula está sendo de novo conclamado para ser o presidente do Brasil. Com certeza pela sua experiência, pelo legado que deixou e vamos aproveitar muitas coisas desse legado, vamos reconstruir o país e, com certeza, vamos avançar muito, porque agora temos a nossa experiência. A candidatura do Lula é algo muito real..É e o nosso plano A, B e C.

*Créditos das fotos: Luis Teixeira

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