Insegurança Pública

Postado em 27/02/2018 3:11

Chico Araújo

Sobre essa intervenção no Rio de Janeiro e a criação de um Ministério Extraordinário da Segurança Pública tenho uma opinião segura: vão dar em nada!
Talvez, de imediato, na bucha, aparente um paliativo. O povo vai ter uma ideia de que a violência e criminalidade foram freadas.
No entanto, a bandidagem vai continuar crescendo, vai apenas se adaptar, talvez mudar de Cidade, Estado. Não existe um planejamento para frear seu crescimento.
Segurança pública no Brasil é sinônimo de policiamento. Policiamento é uma das colunas. Educação, cultura e esportes seriam os outros pontos que formariam uma base possível para criar uma estrutura favorável ao avanço da cidadania e ao desenvolvimento do País.
Não basta colocar as Forças Armadas, armadas, nas ruas. Vão deter bandidos, matar, evitar, talvez, alguns crimes, mas o formigueiro continuará crescente. Na Série Alien, do cinema (quem lembra?) os perversos alienígenas de sangue ácido somente deixam de se multiplicar quando os mocinhos acabam com o mal pela raiz, chegando ao local onde se multiplicam, o ninho – no caso do filme, matando a Rainha.
Vamos entender que o ninho da bandidagem hoje se fortalece justamente pela educação precária – que só faz piorar, mesmo com o crescimento do número de jovens nas universidades -, a falta de educação doméstica (o mínimo que se espera de um moleque adolescente é que dê o lugar no trem/ônibus/metrô para os mais velhos, ou grávidas), a falta de políticas que fortaleçam laços de cultura – vamos dançar mais, representar, pintar, criar – e que apresentem à população uma alternativa ao funk e pagofunk (de qualidade ruim, apelativa, que insuflam a violência).
Da mesma forma, políticas que permitam que crianças e adolescentes tenham acesso ao esporte amador (do atletismo natação, passando por canoagem, lutas e outros), tirando as disputas dos morros e favelas para quadras, pistas e piscinas – formando talvez uma boa geração de atletas olímpicos que não sejam patrocinados pelos pais ou pela sorte.
O combate à criminalidade não é tão simples como quer fazer parecer o Governo. Aumenta o efetivo policial; armas mais pesadas; vistoriar mochilas de crianças, fechar ruas… Segurança é um conjunto de ações que passa pelo fortalecimento da cidadania.
Enquanto se intensifica o policiamento, prendendo bandidos em bairros mais carentes, os bandidos do andar de cima continuam à solta, se proliferando como ratazanas de esgoto, roubando bilhões, matando milhares de inocentes ao desviar recursos da educação, saúde e saneamento. Quem mata mais? Bandido xulé ou bandido de terno?
Já fui uma pessoa otimista. Acreditava no Brasil. Mas, serão precisos pelo menos 20 anos para começar a mudar a realidade (uma geração) se a mudança começasse agora.
Vou ficar na minha, continuar a ouvir rock’n roll dos anos 1980, tomando uma cervejinha, lendo revista em quadrinhos, assistindo filmes onde o mundo é destruído por ETs, atiçando besteira no FB e envelhecendo numa boa. Isso é só o fim!

(Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)
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Chico Araújo é jornalista e professor
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