O preço da beleza — quanto custa ficar bonita?

Postado em 06/06/2018 9:36

A indústria da beleza cresce a passos largos no Brasil, quer estejamos em crise ou não. Os parcelamentos a perder de vista trouxeram à classe média a possibilidade de, digamos assim, comprar os atributos físicos que não vieram de fábrica.

Em matéria de cirurgias plásticas, só ficamos atrás dos Estados Unidos, que detêm o primeiro lugar há muitos anos. E, falando em Estados Unidos, os filmes de Hollywood têm grande influência sobre a imagem da mulher em todo o mundo.

Em junho de 2018 vai estrear aqui no Brasil o filme “Sexy por Acidente” (título original “I Feel Pretty”), com a atriz americana Amy Shumer. A história é sobre uma mulher que não se acha nada bonita e vive insegura por estar alguns quilos acima do “peso ideal”. Em dado momento, ela sofre um pequeno acidente, bate a cabeça e, quando volta a si, passa a se achar linda, magra e poderosa.

Algumas ativistas americanas não estão nada felizes por causa do filme e dá mesmo para entender o motivo, afinal de contas, será que uma mulher que está acima do peso ideal (definido sabe-se lá por quem) só vai se achar bonita depois de bater a cabeça? É algo para se pensar…

Outra coisa sobre a qual devemos pensar é: o que é ser bonita afinal? E quem define os padrões de beleza a serem seguidos?

Ao longo do tempo, várias mulheres com biótipos totalmente diferentes vêm sendo consideradas ícones de beleza. Com isso, a cada década, nós, mulheres, nos vemos diante de um padrão diferente e que, segundo dizem por aí, devemos seguir para manter nossa autoestima em alta.

Em 1950, o corpo curvilíneo era considerado ideal e usar manequim 40-42, como Marilyn Monroe, era o que toda mulher desejava. Na década seguinte, o sucesso do filme “Bonequinha de Luxo”, estrelado por Audrey Hepburn, definiu como ideal a imagem da mulher bem magra, afinal, Audrey tinha 1,70m de altura e pesava apenas 47 quilos.

Em 1980 as curvas voltaram a ser interessantes e Madonna estava com tudo. Seus 53 quilos distribuídos em 1,64m de altura ditavam as novas regras para um corpo ideal e as brasileiras se saíram um pouco melhor nessa década. Mas, hoje, o ideal de beleza é Gisele, com o mesmo peso da Madonna dos anos 1980 – 53 quilos –, mas “ostentando” 1,80 de altura.

O que a indústria da beleza irá determinar como ideal nos próximos 10 ou 20 anos ainda não se sabe. Mas uma coisa é certa: muitas mulheres que hoje gastam o que podem e o que não podem para serem “giseles”, correm o risco de, amanhã, não estarem mais de acordo com os novos “padrões ideais”.

Por isso, antes de se submeter aos padrões hollywoodianos, pense bem. Será que vale a pena mudar quem você é para seguir um filme que, amanhã, não passará de lembrança? Seja você a roteirista da sua história, sem se deixar levar por modismos que mudam de tempos em tempos.

R7

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