Por que a China se viu obrigada a negar que vende carne humana

Postado em 25/05/2016 8:16
carne humana china

“É uma acusação totalmente maldosa, vil e inaceitável para nós.” Foi com essas palavras – pouco ouvidas no mundo da diplomacia – que o Ministério das Relações Exteriores da China, através da figura do seu embaixador na Zâmbia, reagiu à onda de notícias e comentários em redes sociais sobre acusações de que a China exporta carne humana para a África – na forma de carne enlatada.

A imprensa estatal chinesa responsabiliza tabloides da Zâmbia pela divulgação dos rumores, dizendo que “pessoas com motivos espúrios tentam destruir a arraigada cooperação entre Zâmbia e China.”

Polêmica

Os rumores vieram de um jornal do país africano. A publicação cita uma mulher zambiana que trabalha em uma fábrica de processamento de carnes na China, cujo nome não foi divulgado.

Essa mulher alerta consumidores africanos a deixarem de comprar carne enlatada (chamada “corned beef”) da China. O “corned beef” é um tipo de carne de vaca cozida tratada com salmoura.

A entrevistada assegura ao jornal que empresas chinesas recolhem cadáveres para usar a carne em produtos enlatados para o mercado africano.

Na reportagem do diário zambiano, outras pessoas afirmam que o uso de carne humana se difundiu “porque a China reserva a carne de melhor qualidade para mercados de países poderosos”.

Insatisfação

O embaixador Youming solicitou ao governo da Zâmbia que investigue o tabloide em questão “para limpar o nome do povo chinês”.

As fotos que circularam nas redes sociais e que mostrariam a “carne humana”, segundo os rumores, seriam imagens criadas para uma campanha publicitária de um jogo de computador, segundo o site Snopes.com, que se dedica a investigar rumores que circulam pela internet.

O vice-ministro da Defesa da Zâmbia, Christopher Mulenga, disse, por sua vez, que as autoridades do país investigarão as fontes que originaram a notícia e “lamentou o incidente”.

“O governo da Zâmbia lamenta esse incidente, levando em consideração a estreita relação que existe entre nosso país e a China”, pontuou.

A China financia projetos de infraestrutura importantes na Zâmbia em troca de recursos naturais do país africano.

Mas o poderio chinês na economia da Zâmbia também tem gerado insatisfação da população local, segundo a imprensa zambiana.

Alguns trabalhadores acusaram empresas chinesas de não zelarem pela segurança dos trabalhadores africanos e de pagar salários muito baixos.

O investimento chinês na África entre 2005 e 2014 chegou a aproximadamente US$ 32 bilhões (R$ 114,6 milhões), segundo cifras divulgadas pelo Ministério do Comércio da China e citadas pela revista The Economist.

 

Escândalos

A China se viu envolvida em uma série de escândalos relacionados a segurança alimentar nos últimos anos.

Em 2015, a imprensa chinesa anunciou o confisco de mais de 100 mil toneladas de carne contrabandeada – boa parte dela tinha sido congelada havia mais de 40 anos.

O escândalo do leite em pó contaminado com substância química melanina teve grande repercussão em 2008 – assim como a prisão de pessoas que vendiam carne de rato como sendo carne de carneiro.

Em 2014, um repórter chinês filmou trabalhadores de uma processadora manipulando carne sem nenhuma condição de higiene.

A gravação mostrava os empregados da produtora Husi Food em Xangai, subsidiária do Grupo OSI com sede nos Estados Unidos, cortando carne sem luvas e pegando pedaços do chão, enquanto reclamavam que o produto cheirava “podre”.

A fábrica em questão era até então uma das fornecedoras da rede McDonald’s, que tem mais de 2 mil restaurantes na China.

As autoridades municipais de Xangai investigaram a fábrica e encontraram milhares de produtos vencidos reempacotados com novas datas de validade.

Do Uol

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