Torcedor vai ver a Copa em casa e gastar mais com comida e bebida

Postado em 14/06/2018 8:57

Mais do que camisa da seleção brasileira ou decoração verde-amarela, brasileiro gosta mesmo é de comer e, acima de tudo, beber durante as partidas da Copa do Mundo. Melhor ainda se a festa rolar em casa ou na casa de amigos, onde dá pra gastar menos.

Assim vai ser o Mundial da nutricionista Gabriela Donha Veron, de 34 anos. Ela já adiantou a compra de enfeites para decorar a casa de uma amiga para o próximo domingo (16), onde cinco famílias assistirão à estreia da seleção brasileira na Rússia. Mas o carro-chefe mesmo serão as bebidas, que representam o maior gasto e ainda serão compradas no final de semana.

— Não tem como economizar, porque o pessoal vai mesmo é pra beber. Os preços no mercado subiram, mas vamos comprar bebida do mesmo jeito.

Ao menos 60 milhões de brasileiros terão despesas extras por causa da Copa do Mundo, segundo pesquisa do SPC Brasil e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas. A estimativa é que R$ 20,3 bilhões sejam injetados na economia nos próximos 30 dias, considerando gastos com alimentos, bebidas, bares, restaurantes, eletroeletrônicos, roupas, acessórios, serviços de TV e internet e os bolões.

Realizado em todas as capitais do país, o levantamento também mostra que o lugar preferido dos torcedores para assistir aos jogos é a própria casa (81%), seguida da casa de amigos e parentes (44%) e bares e restaurantes (22%). Para se ter uma ideia, pesquisa semelhante feita em 2014 (apenas nas cidades-sede da Copa) colocava a própria casa como preferência de 58% dos entrevistados.

Como mais pessoas preferem agora a Copa caseira, quem mais se beneficia são os supermercados, que irão concentrar os gastos dos torcedores, explica Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil.

De acordo com a pesquisa, os supermercados são o local preferido de compras para 68% dos torcedores. Em seguida aparecem lojas de rua e de bairro (35%), camelódromos (28%), shopping popular (27%) e shopping center (25%).

— Quando estamos em momento de abundância, a Copa acaba movimentando também os eletroeletrônicos, pela compra de aparelhos de televisão. Mas esse ano a economia ainda está muito fraca, então as compras serão de petisco, cerveja e refrigerante, que é o que as pessoas têm dinheiro para fazer.

Outro fator que contribui para aquecer as vendas do comércio no período são as festas juninas, explica o economista Thiago Berka, da Associação Paulista de Supermercados.

— Festa junina, Copa do Mundo e inverno impulsionam vendas de cerveja, pipoca, amendoim, petiscos e derivados de carne. Com a sinergia dessas três datas, a gente espera um crescimento de 3,5% nas vendas em comparação com junho do ano passado. Isso é um bom valor, já que na Páscoa, por exemplo, crescemos 4%.

Inflação

alta nos preços identificada neste mês após a paralisação dos caminhoneiros, que afetou principalmente os alimentos in natura, não será capaz de frear os gastos dos consumidores, diz Berka.

— Alguns produtos estão mais caros e outros mais baratos, então o consumidor pode fazer substituições, principalmente dos produtos in natura. Mas esse ano o brasileiro vai assistir à Copa em casa, e o mercado é mais barato. Se a inflação vem subindo nas primeiras semanas de junho, ela está muito pior para bares e restaurantes.

A economista do SPC também aposta que os segmentos de consumo na Copa não estão entre os mais afetados pela inflação. Vai sentir quem pensa em fazer churrasco, preferência de 49% dos torcedores, segundo a pesquisa.

— Cerveja, petisco e salgadinho não têm impacto tão grande pela greve dos caminhoneiros. Itens com muito impacto são os produtos in natura, como proteína animal. A carne do churrasco deve ser impactada, mas como é uma fase que as pessoas vão comprar carne, então talvez o consumidor troque um produto por outro. Mas o consumo será elevado mesmo assim.

Apesar da boa expectativa, o gasto médio por pessoa durante o Mundial, de R$ 338, “não é considerado elevado”, diz Kawauti, porque vai se diluir nos 30 dias da Copa.

Como comparação, se o Mundial vai injetar R$ 20 bilhões na economia, só o Dia das Mães movimentou R$ 17 bilhões em torno de uma única data, diz a economista do SPC, assim como o Dia dos Namorados, que girou R$ 15,6 bilhões extras.

— É como se fosse mais uma data comemorativa no ano. Isso é bom porque a gente vê que é um ano em que o comércio continua sofrendo o impacto da recessão.

Apesar de não serem os itens mais importantes da festa, a decoração e os acessórios estarão presentes na Copa de Gabriela. Ela e a amiga gastaram R$ 34 para preparar a casa para as três crianças de 5 e 6 anos que acompanharão seu primeiro Mundial.

— Vai ser temático, todos vestidos de Brasil Junino. Vai ser festa junina da Copa.

R7

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