UFBA abre sua participação no Fórum Social Mundial refletindo sobre a sobrevivência da cultura indígena

Postado em 13/03/2018 11:32

Isolados da civilização no Vale do Javari, na selva amazônica, os índios Korubos vivem sob a ameaça constante da exploração de seu território por madeireiras, mineradoras e até por construtores de hidrelétricas. Essa “denúncia social” é feita pelo fotógrafo mineiro Sebastião Salgado com a exposição “Índios Korubo: Vale do Javari”, que abriu na tarde de ontem, no prédio da Reitoria, no Canela, a participação da Universidade Federal da Bahia no Fórum Social Mundial. O evento acontece de 13 a 17 de março em Salvador, ocupando inúmeras unidades da UFBA, especialmente o Campus de Ondina. A exposição está aberta à visitação pública de hoje até sábado (13 a 17/03), das 09 às 17 horas.

Composta por 15 fotografias, a mostra evidencia a dificuldade dos Korubos, que não falam português e têm costumes e códigos sociais próprios, em preservar a sua cultura frente às pressões econômicas que chegam de todos os lados. Isso sem falar na ameaça dos vírus e bactérias, trazidos pelos “invasores” e contra os quais os índios, por força de seu isolamento, não têm resistência nenhuma. “ Esta mostra, além da natural qualidade do trabalho de Salgado, questiona a falta de preocupação da sociedade para com a cultura indígena, e se insere dentro de uma preocupação maior do fotógrafo com esses povos isolados”, opina Maria Hilda Paraiso, diretora da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA e uma das responsáveis pela vinda da exposição à Bahia.

Como explica o pesquisador Rafael Silva, oriundo da tribo Xucuru Kariri, formado pela UFBA em Ciências Sociais e também envolvido com a mostra, os Korubos vivem um processo avançado de perda de identidade por conta de não serem compreendidos na sua complexidade cultural e étnica. “Se houve um entendimento da Funai (Fundação Nacional do Índio) no sentido de lutar pela imunidade biológica da tribo (que conta hoje com cerca de 300 indígenas), mantendo-a em seu território, há um poder que afronta: o das chamadas “fronteiras”, representadas pelas investidas econômicas que exploram os territórios indígenas”, observa.

Com Mestrado em Ciência Politicas e atuando agora como pesquisador através de um convênio de cooperação técnica com a UFBA, Rafael Xucuru Kariri, como prefere ser chamado, lamenta que os Korubos estejam conhecendo o pior lado da civilização brasileira. O trabalho de Salgado, segundo ele, coloca luz sobre esta questão, promovendo uma discussão sobre a situação dos indígenas, chamando a atenção da sociedade para o que vem acontecendo.

Outra exposição com temática indígena, intitulada “ Resistência”, será aberta nesta terça-feira, dia 13 de março, pela artista plástica Arisana Patoxó, da etnia Pataxó. Egressa do curso de Artes Plásticas da Escola de Belas Artes da UFBA, ela irá expor 10 quadros no hall de entrada do Pavilhão Glauber Rocha (antigo PAF III). Mesas de discussão, intervenções artísticas e culturais, e diferentes manifestações culturais e políticas das principais lideranças indígenas do país e do mundo completam a programação.

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