Dia: 23 de março de 2024

  • Temporal deixa 7 mortos no estado do Rio de Janeiro

    Temporal deixa 7 mortos no estado do Rio de Janeiro

    O temporal que atingiu o estado do Rio de Janeiro nesta sexta-feira (22) deixou sete mortos. Em Petrópolis, os bombeiros resgataram cinco pessoas com vida no desabamento de uma edificação residencial no bairro Independência, mas quatro óbitos foram confirmados.

    Em Arraial do Cabo, um homem morreu depois de ser atingido por um raio no Pontal do Atalaia. Em Santa Cruz da Serra, Duque de Caxias, um homem se afogou depois que o caminhão que dirigia caiu num rio.

    Em Teresópolis, o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro atua nas buscas por uma vítima que estaria soterrada sob os escombros de uma casa que desabou, na Comunidade da Coreia. Duas pessoas foram resgatadas com vida pelos bombeiros, mas um óbito foi confirmado.

    Os bombeiros já resgataram mais de 90 pessoas com vida de ocorrências envolvendo deslizamentos, desabamentos, inundações e alagamentos provocados pelas chuvas, em todo o estado.

    Os bombeiros militares foram acionados para mais de 100 ocorrências relacionadas às fortes precipitações que atingem o território fluminense.

    O prefeito do Rio, Eduardo Paes, pediu para as pessoas não se deslocarem neste sábado (23) à noite pois há previsão de chuva forte. Ele lembrou que a população seguiu as recomendações de ficar em casa na sexta-feira o que ajudou no deslocamento das equipes dos serviços públicos pela cidade.

    A capital fluminense registrou uma sexta-feira atípica com movimentação muito abaixo da habitual. Depois dos alertas e da mobilização para a chegada de chuvas fortes, a capital registrou uma queda de 63% no número de pessoas nas ruas quando comparado com dias normais.

    Em dia de chuva forte, capital fluminense tem ruas vazias.

    Desde ontem, a prefeitura do Rio têm orientado o fechamento de escolas e empresas, e dito que o cenário ideal para minimizar riscos de ocorrências graves é ter a cidade esvaziada.

    Agência Brasil

  • Lula determina que Defesa Civil fique à disposição da região Sudeste

    Lula determina que Defesa Civil fique à disposição da região Sudeste

    O presidente Lula (PT) determinou que a Defesa Civil Nacional fique à disposição da região Sudeste, principalmente o Rio de Janeiro, estado mais atingido pelas fortes chuvas que tiveram início, com maior intensidade, no fim desta sexta-feira (22).
    O ministro Waldez Góes (Integração e do Desenvolvimento Regional) entrou em contato com o governador do Rio de Janeiro e com os prefeitos de cidades fluminenses. “Liguei há pouco para o governador Cláudio Castro, e o prefeito de Petrópolis, Rubens Bomtempo, para reafirmar nosso compromisso de somar esforços no socorro ao povo petropolitano, que sente os impactos das chuvas no estado”, destacou.
    Há previsão de forte chuva para regiões dos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro no fim de semana.
    O secretário Nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, já está no Rio de Janeiro. Integrantes do Grupo de Apoio a Desastres chegam neste sábado (23) na capital para ajudar o estado e as cidades a solicitarem situação de emergência ou estado de calamidade pública.
    Técnicos da Defesa Civil Nacional vão atuar no município. Profissionais vão auxiliar membros das cidades afetadas pelas fortes chuvas a fazerem os planos de trabalhos necessários para obter recursos do governo federal, seja para assistência humanitária, restabelecimento ou reconstrução.
    Chuvas devem se prolongar até domingo (24). A Defesa Civil Nacional indica que a população cadastre os telefones celulares, enviando mensagens de texto para o número 40199 com o CEP da região onde mora, para passar a receber alertas por SMS.
    ESTADO DO RIO DE JANEIRO REGISTRA 4 MORTES
    A cidade de Petrópolis está em estado de alerta por chuvas intensas que atingem a região desde a quinta-feira (21). Um deslizamento no bairro Independência, nesta sexta-feira (22), deixou três pessoas mortas.
    Os bombeiros ainda buscam por outras duas pessoas vítimas do desabamento, informou o Comitê de Chuvas do RJ. Outras quatro pessoas foram resgatadas com vida no mesmo bairro.
    A operação de buscas conta com 40 militares especializados em salvamento em desastres. Cães farejadores do Corpo de Bombeiros auxiliam a ação.
    A Defesa Civil do município contabilizou 109 registros de ocorrências por conta da chuva desde quinta até às 19h45 desta sexta, sendo 75 deslizamentos. Houve registros de deslizamento nos bairros Araras, Independência, São Sebastião, Itamarati, Quitandinha, Estrada da Saudade e Castelanea.
    Mais cedo, um homem morreu em Arraial do Cabo. Um vendedor ambulante foi atingido por um raio enquanto recolhia seu material de trabalho no Pontal do Atalaia, segundo a Defesa Civil.
    CUIDADOS QUE POPULAÇÃO DEVE TOMAR
    Defesa Civil orienta população. Em coletiva de imprensa, a Defesa Civil Nacional e o Ministério da Integração indicaram cuidados que a população das áreas afetadas deve tomar:
    Obedeça sirenes, deixar sua casa caso seja pedido e seguir orientações de autoridades. Vale o mesmo para carros de som e mensagens de SMS.
    Obedeça ordens de autoproteção e pense na vida em primeiro lugar.
    Envie seu CEP para o número 40199 e receba alertas da Defesa Civil em seu celular.
    Entre em contato com a Defesa Civil local para se informar quais são os refúgios mais próximos e sobre riscos.
    Busque abrigo em áreas seguras e aguarde até que a chuva pare.
    Evite atravessar regiões alagadas. A exposição e o contato com a água contaminada podem causar doenças como hepatites virais, leptospirose, diarreias e verminoses.
    Se informe em fontes oficiais. Leia a cartilha de deslizamentos da Defesa Civil e a de enchentes do Ministério da Saúde.

    Bahia Notícias

  • Espécies nativas de mamíferos silvestres são vistas em parques do Rio

    Espécies nativas de mamíferos silvestres são vistas em parques do Rio

    Pesquisa feita por professores do curso de Ciências Biológicas da Universidade Veiga de Almeida (UVA) constatou a presença de espécies nativas de mamíferos silvestres em circulação entre os parques naturais Chico Mendes e Marapendi, usando o Corredor Verde do Canal das Tachas, ligação criada entre as duas áreas, no Recreio dos Bandeirantes, zona oeste do Rio.

    Anteriormente, havia apenas suposições, por análises históricas, sobre a existência dos animais no local. Pela primeira vez, as imagens registraram a presença de pacas (Cuniculus paca) nos parques naturais urbanos.

    O monitoramento durou um ano e conseguiu flagrar, por meio de armadilhas fotográficas, no período de 2020 e 2021, outros animais como tatus-galinha (Dasypus novemcinctus), capivaras (Hydrochoerus hydrochaeris), gambás (Didelphis aurita), mãos-peladas (Procyon cancrivorus), no Parque Chico Mendes, onde se concentrou a pesquisa.

    A professora da graduação de biologia e do mestrado profissional em ciências do meio ambiente da universidade, Cecilia Bueno, pesquisadora e coautora do levantamento, destacou a importância dos corredores ecológicos para garantir que as espécies continuem em seu habitat, mesmo em áreas urbanas e, dessa forma, reduzam a ameaça de extinção.

    A paca, por exemplo, corre sério de risco de extinção, devido à caça para aproveitamento de sua carne. O mesmo ocorre em relação ao tatu-galinha.

    Conexão

    Cecilia trabalha há muito tempo com a biodiversidade do Rio de Janeiro e tinha muita vontade de entender a fauna residual dos parques urbanos.

    “O Corredor das Tachas, associado ao plantio, foi feito há uma década, aproximadamente”, disse à Agência Brasil a professora da UVA. Ela tinha curiosidade de saber se além dos saguis de tufo branco e tufo preto (callithrix), que conseguiram sair da Lagoa de Marapendi e passar, pela conexão, para o Parque Chico Mendes, e se espécies terrestres, não arborícolas, estavam fazendo o mesmo.

    As armadilhas fotográficas foram colocadas nos dois parques e, também, na conexão Corredor das Taxas.

    “Nste trabalho, focamos em Chico Mendes, que era o que tinha menos dados. E, surpreendentemente, observamos que as espécies também estavam passando pelo corredor. Por um lado, eu fico feliz, porque o Corredor das Tachas amplia a área de circulação das espécies entre os dois parques. Por outro lado, é mais um canal para a invasão antrópica (ocupação de zonas terrestres pelo homem). Infelizmente, as pessoas também circulam.”

    Cecilia lamentou que no parque Chico Mendes, a pressão antrópica é contínua e extremamente forte. No local, existe ocupação quase dentro do parque, sinalizou. A professora defendeu uma maior fiscalização no parque e, também, uma ampliação das áreas protegidas por meio da desocupação social equilibrada e sensata, com a transferência dos humanos que invadiram os parques para outros locais.

    “Na verdade, a ideia é fazer com que toda a área do parque fique essencialmente para a fauna, sem a presença humana”, explicou.

    Remoção

    Governos municipal e estadual devem proceder à remoção das comunidades carentes que habitam os parques, porque não há opção de um local melhor, e a água da lagoa é poluída.

    Com a ampliação da área protegida dos parques, deve ser feita também a revegetação da restinga. Com isso, a profesora Cecília acredita que se conseguiria dar, de fato, “esperança para a fauna residual persistir, pelo menos, a médio e longo prazo”. Outra coisa importante para que isso se efetive é a manutenção correta das áreas de interligação naturais, além da criação de mais áreas que sejam interligadas de forma correta.

    A professora afirmou que estudos como esse são importantes porque comprovam que, mesmo em um ambiente urbanizado, os animais têm capacidade de persistir quando são criadas condições favoráveis.

    “Eu acho que precisa, realmente, melhorar o ordenamento desses parques para a via pública, porque ali temos duas avenidas de alto tráfego, onde circulam muitos carros: a Avenida das Américas e a Avenida Lucio Costa. A gente precisa melhorar a segurança para essas espécies circularem, para não morrerem atropeladas. Elas não sabem que existe um limite entre elas e a pista e, eventualmente são expostas a risco.”

    A pesquisa deverá ser apresentada à administração do Parque Natural Municipal Chico Mendes, cuja administração está a cargo da Fundação Riozoo e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, ambos ligados à prefeitura do Rio.

    Agência Brasil

  • Corredor da Vitória: homem morre após ser espancado

    Corredor da Vitória: homem morre após ser espancado

    Um homem morreu após ser espancado na madrugada deste sábado (23), no Corredor da Vitória, bairro nobre de Salvador. Segundo a Polícia Militar, quatro pessoas suspeitas de envolvimento no crime foram levadas para o Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).

    A vítima foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas não resistiu aos ferimentos. As identidades dela e dos suspeitos ainda não foram divulgadas pela polícia.

    A PM afirma que foi acionada por conta de uma briga e, no local, constatou o espancamento. No local, foi informada de que o suspeito teria furtado turistas. A ocorrência foi registrada no DHPP.

    G1

  • Fortaleza x Vitória

    Fortaleza x Vitória

    Em situação complicada na Copa do Nordeste e vindo de derrota por 2 a 1 para o Bahia, na última quarta-feira (20), o Vitória faz um jogo decisivo contra Fortaleza, neste sábado (23), às 20h30, no Castelão, pela 7ª e penúltima rodada da fase de grupos do maior regional do Brasil. Na Lampions League, o Rubro-Negro soma oito pontos, com duas vitórias, dois empates e duas derrotas, ocupando a 7ª colocação entre oito times do Grupo A. No momento, a chave é liderada por CRB, Sport e Maranhão, que somam 11 pontos. O River-PI é o 4° com 10, seguido pelo Ceará, com nove. No 6° lugar vem o Botafogo-PB, também com nove pontos e o América-RN é o 8° com sete.

     

    Em caso de derrota,  o Leão baiano pode até ser eliminado já nesta rodada. Para isso, teria que acontecer uma combinação de resultados com pelo menos uma vitória de River-PI, Ceará ou Botafogo-PB mais CRB, Sport e Maranhão não perderem os seus jogos. Em caso de empate com o Leão cerarense, atual vice-campeão da Copa Sul-Americana, a combinação de resultados que tira o Vitória do Nordestão são triunfos de CRB, Sport, Maranhão e River-PI. Em compensação, uma vitória rubro-negra pode igualar a equipe em pontos com os atuais líderes CRB, Sport e Maranhão.

     

    Pelo regulamento da Copa do Nordeste, os times dos Grupos A enfrentam os times do Grupo B e vice-versa. Sendo assim, todas as equipes da chave podem pontuar na mesma rodada. Os quatro melhores classificados de cada chave avançam para as quartas de final da competição.

     

    Para o decisivo duelo, o Vitória não poderá contar com o lateral-direito Raúl Cáceres, o volante Dudu, o meia Daniel Júnior e o atacante Iury Castilho, todos vetados pelo Departamento Médico rubro-negro. Além disso, Mateus Gonçalves fica de fora após a expulsão diante do Bahia. 

     

    A novidade no time rubro-negro fica por conta da presença do meio-campista Jean Mota na lista de relacionados. O jogador, que estava no Inter Miami e tem passagens por Fortaleza e Santos, fica à disposição pela primeira vez desde que foi anunciado como reforço, no último dia 5 de março. 

     

    Após enfrentar o Leão cearense, o Vitória entra em campo na próxima quarta-feira (27), às 21h30, contra o Treze-PB, pela última rodada da fase de grupos do Nordestão. Depois, no domingo (31), às 16h, o Rubro-Negro faz o clássico com o Bahia, no Barradão, pelo jogo de ida da final do Campeonato Baiano.

     

    DE OLHO NO TABU

     

    O Vitória não vence o Fortaleza desde 2007, quando as duas equipes se enfrentaram pela Série B daquele ano. Na ocasiação, o Leão baiano venceu por 6 a 0, com gols de Alysson, Vanderson, Chicão, Joãozinho, Índio e Faioli. Depois desse confronto, foram cinco vitórias do Fortaleza e um empate.

     

    No geral, Vitória e Fortaleza já se enferntaram 23 vezes, com nove vitórias rubro-negras, oito vitórias tricolores e seis empates. 

     

    FORTALEZA

     

    O Fortaleza também vem de derrota para o maior rival. Na última quarta-feira, o time de Juan Pablo Vojvoda foi derrota pelo Ceará por 1 a 0, em duelo válido pela Copa do Nordeste. Apesar de estar com os mesmos oito pontos do Vitoria, o Leão cearense atualmente é o vice-líder do Grupo B do Nordestão e está atrás apenas do já cassificado Bahia, que tem 15. 

     

    No Campeonato Cearense, o Fortaleza está classificado para a final. Após enfrentar o Vitória, a equipe começará a decidir contra o Ceará quem ficará com a taça estadual. As finais estão marcadas para os dias 30 de março e 4 de abril. Na temporada, os comandados de Vojvoda também estão classificados para a 3ª fase da Copa do Brasil após passar por Fluminense do Piauí e Retrô-PB, nos pênaltis.

     

    Para a partida deste sábado, o lateral-direito e capitão Tinga será desfalque após sofrer uma lesão na coxa no último jogo e deve ser substituído por Dudu. Thiago Galhardo e Pedro Augusto, machucados há algum tempo, também seguem como desfalques. Outra baixa é o goleiro Santos, afastado por um quadro viral. Por outro lado, o Fortaleza contará com o retorno do zagueiro Brítez, que cumpriu suspensão na última partida. 

     

    FICHA TÉCNICA

     

    Fortaleza x Vitória

    Copa do Nordeste – 7ª rodada

    Local: Castelão, em Fortaleza

    Data: 23/03/2024 (sábado)

    Horário: 20h30

    Árbitro:  Marcio dos Santos Oliveira

    Assistentes: Maxwell Rocha Silva e Esdras Mariano de Lima Albuquerque

    Transmissão: SBT e Nosso Futebol

     

    Fortaleza:  João Ricardo, Dudu, Brítez, Titi e Bruno Pacheco; Lucas Sasha, Pochettino e Kauan; Machuca, Pikachu e Lucero. Técnico: Juan Pablo Vojvoda.

     

    Vitória: Lucas Arcanjo, Zeca, Camutanga, Wagner Leonardo e Patric Calmon; Willian Oliveira, Rodrigo Andrade e Léo Naldi; Matheusinho, Osvaldo e Alerrandro. Técnico: Léo Condé. 

    Bahia Notícias

  • Orquestra em Brasília revive Pixinguinha pouco reconhecido

    Orquestra em Brasília revive Pixinguinha pouco reconhecido

    Garantem os etimólogos que a palavra orquestra vem do grego orkhéstra e na língua portuguesa foi usada pela primeira vez no século 18. Muito antes, na Grécia antiga, o vocábulo nomeava o espaço em frente ao palco, onde havia instrumentistas e coristas e bailarinos dançavam. Desde o berço da civilização ocidental, portanto, as orquestras corporificam a música na dança.

    Esse enlace helênico renasce toda vez que os 13 músicos da Orquestra Pizindim, de Brasília, sobem aos palcos para reviver os arranjos musicais elaborados por Alfredo da Rocha Vianna Filho, o Pixinguinha (1897-1973). Os músicos tocam, os ouvidos escutam, o coração sente e o corpo quer dançar as 25 canções do repertório formado por composições autorais e arranjos originais de Pixinguinha para sambas, choros e maxixes.

    A orquestra faz releitura de clássicos, composições menos conhecidas e até de canções nunca gravadas, com a participação de cantores da cidade. “A proposta é renovar e atualizar os arranjos geniais de Pixinguinha e a formação quase extinta de orquestra de choro dos anos [19]50 a partir da introdução de composições autorais e também da execução deste repertório por músicos da nova geração”, diz o saxofonista Bruno Patrício, diretor musical da Orquestra Pizindim, no portifólio da banda.

    Bruno Patrício conheceu os arranjos de Pixinguinha no site do Instituto Moreira Salles, que detém o acervo do músico, inclusive partituras originais em edições digitalizadas de músicas gravadas para os discos Carnaval Da Velha Guarda (1955) e Assim É que É (1957), com arranjos de Pixinguinha, e que fazem parte das apresentações de Orquestra Pizindim – iniciadas em 23 de abril do ano passado, Dia Nacional do Choro e aniversário de Pixinguinha.

    A veia de arranjador de Pixinguinha é tão fundamental para a música brasileira quanto as suas canções CarinhosoRosaLamentos e Um a Zero, assegura Bruno Patrício. “O Pixinguinha é muito conhecido como flautista, saxofonista e compositor, mas esse lado de arranjador, tão genial quanto todas as outras coisas que ele fez, é pouco conhecido”, complementa o diretor musical em entrevista à Agência Brasil.

    “Essa história é pouco falada e pouco absorvida pelos músicos”, concorda Fernando César, renomado violonista da cena brasiliense e docente da Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello. “O trabalho de arranjador de Pixinguinha foi muito importante para a música popular brasileira.”

    Segundo o músico e professor, Pixinguinha em seus arranjos levou para as partituras “a música de rua, a música do carnaval, a música da sala de concerto e a música orquestrada.”

    Experiência diferente

    Assistir e ouvir a Orquestra Pizindim possibilita conhecer a orquestração de choro, geralmente executado por regionais – grupos musicais menores e com menos instrumentos como violão, bandolim, cavaquinho, pandeiro e flauta.

    A experiência reaviva a memória de André Lindolpho, um dos músicos mais tarimbados da Orquestra Pizindim. Ele era adolescente e estudante de música e, no fim dos anos 1960, costumava passar na Rua da Assembleia, no centro do Rio de Janeiro, para ver Pixinguinha e outros artistas que se reuniam semanalmente em um restaurante no local.

    “Músicos veteranos, pessoas já renomadas, tanto de televisão como da rádio, ficavam por ali. Eu ouvia conselhos como: ‘sempre vá pela cabeça dos mais antigos. Pergunte a eles quando tiver dúvidas’. Tudo isso serviu de aprendizagem”, lembra.

    Nessas ocasiões, André Lindolpho via de perto Pixinguinha, mas nunca o abordou. Ele garante que Pixinguinha “era humilde, simpático, mas na dele” e “geralmente conversava com os músicos com quem tocava. Àquela altura, Pixinguinha tocava saxofone e André Lindolpho já tocava tuba. Tímido quando menino, ele nunca encontrou assunto para abordar o músico consagrado.

    Na orquestra Pizindim, André Lindolpho toca um instrumento da família das tubas: o sousafone, patenteado na segunda metade do século 19 nos Estados Unidos pelo compositor de John Philip Sousa, de família de origem portuguesa.

    A peça feita em acrílico branco pesa cerca de dez quilos, cinco a menos do que a tuba tradicional de metal. Conforme André Lindolpho, o sousafone faz o papel do contrabaixo na orquestra. “Se fosse um time de futebol, seria o goleiro. Não pode vacilar, pois compromete o grupo.” Na mesma analogia, o papel do arranjador exercido por Pixinguinha é como de técnico de futebol que faz um esquema tático para “distribuir as vozes dos instrumentos.”

    O diretor musical Bruno Patrício toca sax tenor na Orquestra Pizindim. A função pode ser comparada com a do volante, o meio campista que defende mas leva a bola ao ataque, “costurando a harmonia, dando os caminhos harmônicos.”

    Para explicar o papel do arranjador de Pixinguinha para o repórter leigo, Bruno Patrício prefere falar em “paleta de cores”, que os pintores utilizam para combinar tintas enquanto pintam. “Ele vai colorindo aquilo ali aos poucos. Cada naipe de instrumentos tem o seu momento dentro da música. Uma hora ele está acompanhando alguém, mas daqui a pouco ele vira o protagonista. Aí ele desce de cena e vem outro. É tudo muito bem construído, muito lindo.”

    Paradigma musical

    O pesquisador musical Jairo Severiano (1927-1922), em seu livro Uma História da Música Popular Brasileira, afirma que Pixinguinha, junto com Radamés Gnattali, definiu “os padrões básicos de arranjo para a música popular brasileira, servindo seus trabalhos de paradigmas para os músicos nacionais que pontificaram nas décadas de 1930 e 1940. Pixinguinha mais chegado aos metais; Radamés, às cordas.”

    “Ele [Pixinguinha] aplicou à arte do arranjo a experiência que ganhou na escola do choro, resultando seu trabalho em orquestrações impregnadas de sabor brasileiro, que os arranjadores da época – vários deles estrangeiros aqui radicados – não podiam oferecer”, opina o pesquisador no livro.

    O jornalista Sérgio Cabral, autor de Pixinguinha: Vida e Obra, assinala que “Pixinguinha abrasileirou as orquestras de forma tão nítida e radical que se pode dizer, sem qualquer medo de errar, que foi ele o grande pioneiro da orquestração para a música popular brasileira. A canção carnavalesca deve a ele uma boa parcela do seu êxito, ao escrever arranjos com destacada participação da orquestra criando introduções que ficaram famosas (…) e encontrando soluções inventivas para as músicas mais simples, ao utilizar muito bem a percussão e ao variar a base de modulações.”

    Em seus livros, Severiano e Cabral tratam da trajetória de Pixinguinha em diferentes orquestras. Os autores destacam a passagem do músico pela Orquestra Victor Brasileira entre julho de 1929 a dezembro de 1940. A orquestra pertencia à gravadora Victor Talkin Machine Company, subsidiária da Radio Corporation of America (RCA), que mais tarde se chamaria de RCA Victor.

    Naquele período de 11 anos na RCA Victor, Pixinguinha organizou três orquestras. Além da Orquestra Victor Brasileira, que gravou cerca de 200 discos (geralmente de duas faixas em 38 rpm) com canções mais lentas (samba-canção); havia o Grupo Guarda Velha que participou de 50 discos com choros, marchas e sambas de carnaval; e a orquestra Diabos do Céu que tocou músicas carnavalescas em 240 discos.

    O contrato com a RCA Victor, assinado quando Pixinguinha tinha 32 anos, permitia uma certa onipresença do músico. A gravadora tinha exclusividade das orquestras, “mas Pixinguinha tinha liberdade para atuar como instrumentista e arranjador em outros lugares como as emissoras de rádio Transmissora, Mayrink Veiga, Nacional e Tupi; em dancings da cidade do Rio de Janeiro, na Guarda Municipal, e até em outras orquestras e conjuntos como grupos musicais das gravadoras Columbia e Odeon.

    Neste sábado (23), a Orquestra Pinzindim se reúne pela nona vez para tocar músicas com arranjos de Pixinguinha. O espetáculo, com a participação da cantora Ana Reis e do cantor Breno Alves será na Mundo Vivo Galeria (413 Norte), a partir das 20h. [FAZER LINK: https://www.instagram.com/orquestrapizindim/}

    Agência Brasil

  • Patrimônio imaterial do Rio, Passinho carrega influência africana

    Patrimônio imaterial do Rio, Passinho carrega influência africana

    Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do estado do Rio de Janeiro nesta semana, a dança do passinho, originária do funk carioca, tem entre seus grupos pioneiros, chamados relíquias, o Imperadores da Dança (IDD).

    O grupo foi criado em 2008, por Baianinho, um dos precursores do passinho, no Jacaré, zona norte do Rio de Janeiro, e conta, atualmente, com 50 dançarinos, sendo 30 ativos, conforme informou à Agência Brasil Iguinho Imperador, líder do IDD.

    “Depois, ele [Baianinho] virou MC e passou a liderança do grupo para mim e para mais três dançarinos que têm um treino aqui em Manguinhos toda quinta-feira, onde pegamos essa garotada e ensinamos ela a entrar no mercado de trabalho através do passinho”.

    Iguinho participava com Baianinho do grupo de funk Muleque Piranha. “Tinha bastante duelo de passinho dentro dos bailes e ele era um dos melhores na época. Tinha outro grupo que se denominava Os Reis da Dança”.

    Como sempre ganhava as disputas, Baianinho procurou um nome para seu grupo que ficasse um pouco acima dos Reis da Dança. Daí surgiu o Imperadores da Dança. Iguinho relatou que o grupo de dança passinho também mistura outras danças. “Acabou virando uma família, porque todo mundo queria participar”.

    Linha de frente

    O Imperadores da Dança é também um grupo que deixa pessoas não dançantes participar. “São parte da família, de outras áreas, mas podem usar o nome também”.

    O grupo tem mulheres, como a relíquia Marcelle Bebê, que está na ativa e tem um espetáculo próprio; Vitorinha Destemida IDD que, “além de ser menina, é representante LGBTQIA+ dentro do grupo, que abrange todas as opções sexuais. É um dos poucos grupos que faz isso”, salientou Iguinho Imperador. “A gente está na linha de frente”.

    Os integrantes do Imperadores da Dança se dividem em vários grupos de acordo com os locais para os quais são convidados a se apresentar. Iguinho, por exemplo, participa de uma companhia de dança, dá oficinas de passinho, tem o seu próprio espetáculo, presta consultoria sobre a história do passinho, dá aulas de dança e faz direção de movimento. “A gente faz um pouquinho de tudo. Chamando para trabalhar dentro do nicho do passinho, a gente abrange várias possibilidades”, afirmou.

    Registro

    O passinho foi tema do trabalho de graduação do pesquisador Hugo Oliveira na Unicarioca e também tese de mestrado na Universidade Federal Fluminense (UFF).

    Diretor do Sindicato dos Profissionais da Dança, Oliveira revelou que a entidade foi a primeira a reconhecer o passinho como parte do rol das modalidades artísticas e, assim, conseguir que esses dançarinos fossem reconhecidos como profissionais.

    “Qualquer trabalho que você vai realizar precisa ter o registro da Delegacia Regional do Trabalho do estado (DRT). Sem esse registro, você não tem como realizar trabalhos profissionais. O sindicato foi um dos incentivadores e também o que realizou a parte do reconhecimento, da estruturação, organização da prova”.

    Três caminhos podem ser a origem do passinho e eles se confluem, isto é, se reúnem, segundo Hugo Oliveira. Um dos caminhos é na cidade, nos bailes funk, nas favelas, com seus becos e vielas; outro é através das redes sociais, da tecnologia, do uso das plataformas digitais; e a própria estruturação dos movimentos do corpo que também trazem, nas suas reminiscências uma herança africana com o samba, o lundu e o frevo.

    “Essas práticas culturais que acontecem na cidade, a meu ver, foram o que confluiu para o surgimento dessa dança. A teoria que prevalece, entretanto, é que ela surgiu nos bailes funk das favelas do Rio de Janeiro. É muito simplório dizer que uma cultura tão complexa como essa simplesmente surgiu de uma manifestação quase despretensiosa. Na verdade, tem por trás toda uma carga de envolvimento desses jovens, que hoje são adultos, e investiram muito tempo, muito trabalho técnico e muitas horas de estudo para conseguir organizar os seus passos, colocar em um formato que conferisse a identidade que o passinho carrega e que o distingue de outras danças”, avaliou Oliveira.

    Raízes

    Hugo Oliveira confirmou que, da mesma maneira que o samba, o passinho tem raiz na África. “Porque tudo vem da África. Esses corpos têm muitos trabalhos videográficos que conseguem colocar movimentações dos jovens que são muito características de práticas dos rituais religiosos. Na parte estética, por exemplo, no uso dos cabelos, quando você tem um descoloramento, ou quando tem aquele cabelo todo pintadinho, aquilo também remete a um fazimento da cabeça de práticas no candomblé. Percebe-se então que não só no teor estético, artificial, mas tem também uma profundidade de uma herança grande da cultura africana nessa movimentação”.

    Embora nascido no Rio de Janeiro, o passinho já se espalhou para todo o Brasil e, inclusive, para o exterior. O pesquisador chamou a atenção, porém, para o fato de que quando ele sai de sua afluência, ele vai carregar a territorialidade de cada local.

    Isso significa que o passinho do Recife vai ter características daquela cidade, por exemplo. Para ter uma leitura mais ampla, a mídia costuma colocar todas essas vertentes em um único guarda-chuva, criticou. Para ele, no entanto, cada local tem a sua especificidade, seus passos característicos, sua forma de se movimentar, que permitem reconhecer de onde é aquela dança, de onde está vindo aquele passo.

    Para Hugo Oliveira, o passinho ‘foda’, como é conhecido no Rio, tem as características identitárias dos becos e vielas das favelas locais, que se distinguem de São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco ou Pará, por exemplo.

    Conquista

    A participação crescente de mulheres nos grupos de dança de passinho significa, para o pesquisador, uma forma de o sexo feminino se fazer presente e demonstrar que essa não vai ser uma prática dominada por homens.

    “É uma conquista individual delas. Porque se fosse esperar pelos meninos, isso não seria possível”. O principal polo de encontros do passinho hoje no Rio de Janeiro é Manguinhos, bairro da zona norte do Rio e, também, a Pavuna

    Agência Brasil

  • Urias se apresenta no Coke Studio no Lollapalooza

    Urias se apresenta no Coke Studio no Lollapalooza

    Após um ano apoteótico de muitos lançamentos, shows e potência, a cantora Urias mostra sua força com apresentação no Coke Studio, arena imersiva dentro do festival Lollapalooza, nesta sexta (22).

    A artista levou para o público presente um show repleto de sucessos com muita dança junto ao seu ballet. Com seu mais recente lançamento, o álbum “Her Mind – Blossom Edition” – lançado em novembro de 2023, Urias adentrou na turnê “Her Mind” com shows por todo o país e nesta sexta-feira foi a vez do Lollapalooza receber a magnitude de Urias para uma apresentação especial.

     

    Ao longo de 2023, a artista mineira saiu em turnê com o disco “Her Mind”, levando um show repleto de muita coreografia, conceito e representatividade. Entre as apresentações, estão o Festival The Town, no palco Factory e o lançamento de seu álbum deluxe que contou com um  LP e um merch com a estilista Magá Moura que teve seu drop esgotado em poucos dias de lançamento.

    Foto: Crédito: Gabriel Renné

  • Lavagem do Parque da Cidade terá Babado Novo e convidados neste domingo (24)

    Lavagem do Parque da Cidade terá Babado Novo e convidados neste domingo (24)

    A programação especial e gratuita que celebra o aniversário de 475 anos de Salvador continua neste fim de semana. No Parque da Cidade, no Itaigara, a festa vai ser animada com a realização da ‘Lavagem do Parque’, que vai receber a banda Babado Novo e convidados como Pierre Onassis, Márcia Freire, Guga Meyra e Duas Medidas. As atividades ocorrem no domingo (24) a partir das 9h.
    Além da programação musical, o espaço vai reunir opções de lazer para todas as idades com a presença do animador Tio Paulinho, a realização da Feira de Arte, Cultura e Gastronomia, apresentação de capoeira e outras ações culturais.
    Para a lavagem oficial do espaço, como manda a tradição na capital, haverá um cortejo de baianas desfilando pelo Parque da Cidade às 10h. O desfile, assim como o banho de alfazema que será promovido por elas, será acompanhado por uma fanfarra.
    A anfitriã da festa, a cantora Mari Antunes, afirmou que vai animar o público presente relembrando os maiores sucessos do Babado agitando as comemorações. “Salvador é uma cidade que tem um espaço muito especial no meu coração, e poder fazer parte das comemorações aos seus 475 anos, torna tudo ainda mais especial. Estamos preparando um repertório muito lindo, com grandes sucessos e ainda vamos receber amigos queridos, para animar ainda mais a festa”, comentou a cantora.
    Tio Paulinho, que há décadas proporciona momentos de alegria para a criançada, falou sobre a programação especial para celebrar a capital e o povo. O artista destacou que fica feliz porque a Prefeitura tem se preocupado em promover espaços de entretenimento para as crianças e suas famílias nas programações especiais da cidade.
    “A expectativa para a festa é grande por ser um espaço arborizado para abraçar a nossa festa inclusiva. O Parque da Cidade é um espaço gostoso da nossa cidade que deve ser desfrutado mais pela população baiana. É uma alegria participar desta iniciativa tão maravilhosa da Prefeitura. Vou animar muito a criançada!”, contou Tio Paulinho.
    Festa em todo canto – O festival da Cidade, que este ano trouxe como tema “Viva Salvador – 475 anos”, vai promover ações regadas a muita música, arte, lazer, esporte e gastronomia em toda a capital baiana até 7 de abril. A programação completa pode ser consultada em https://festivaldacidade.salvador.ba.gov.br/programacao-completa/.
  • Primeiro planetário de Salvador é inaugurado no Campus de Ondina da UFBA

    Primeiro planetário de Salvador é inaugurado no Campus de Ondina da UFBA

    O primeiro planetário, criado pelo Instituto de Astronomia Brito Castelo Branco, foi inaugurado nesta sexta-feira (22) no Campus de Ondina da Universidade Federal da Bahia (Ufba).

     

    O equipamento está aberto ao público a partir deste sábado (23), com funcionamento todos os dias das 8h às 22h. No ambiente, o público poderá observar a variedade de fenômenos celestes através de telescópios que possibilitam a visualização direta ao ar livre.

     

    De acordo com a UFBA, estarão disponíveis dez sessões semanais gratuitas para alunos de escolas públicas de Salvador e da Região Metropolitana.

    Bahia Notícias