Dia: 6 de outubro de 2025

  • Saúde bucal na menopausa: riscos e cuidados essenciais

    Saúde bucal na menopausa: riscos e cuidados essenciais

    Quando o assunto é menopausa, certamente você deve associá-la ao fim da menstruação e ao calor intenso. Mas, essa fase da vida vai além para as mulheres, já que é caracterizada por muitas transformações na produção hormonal, sobretudo do estrogênio, com diminuição do desejo sexual e, até mesmo, modificações na saúde bucal. O cirurgião-dentista Leonardo Carvalho explica que pouca gente faz essa associação, mas a menopausa pode ainda afetar os dentes e outras partes da boca devido à perda natural da massa óssea.

    “No âmbito odontológico, essas alterações hormonais podem causar problemas na dentição e na mandíbula por conta da perda de cálcio; retração, inflamação e mudança na cor da gengiva; oscilações no paladar, ardência, surgimento de doenças periodontais e diminuição da produção de saliva, o que pode desencadear mau hálito e o aparecimento de cáries”, detalha Leonardo Carvalho, que é especialista em Implantodontia.

    O dentista faz algumas recomendações às mulheres que estão na menopausa. “Além de idas rotineiras a cada seis meses ao consultório odontológico, durante esse período é mais do que fundamental que as mulheres procurem um especialista para buscar prevenção e saber quais os cuidados que devem ser reforçados. Além disso, cabe destacar que uma boa higienização bucal, sempre após as refeições e o consumo de doces, é imprescindível, não esquecendo o uso do fio dental e de enxaguantes bucais”, conclui.

  • Cozinha Show, Vila do Chocolate e pratos promocionais: saiba o que vai rolar no Festival Sabores de Itacaré

    Cozinha Show, Vila do Chocolate e pratos promocionais: saiba o que vai rolar no Festival Sabores de Itacaré

    Em sua 11ª edição, evento contará com grandes chefs e programação recheada de sabores com o tema Cacau e Chocolate

    Começa no dia 14 e se estende até o dia 26 de outubro a programação oficial da 11ª edição do Festival Sabores de Itacaré. O celebrado evento gastronômico, que contempla da alta gastronomia ao street food, tornou-se um dos mais esperados do calendário do paradisíaco município baiano de pouco mais de 27 mil habitantes e deve abranger diversas cadeias produtivas que movimentam a economia da região, além de receber milhares de turistas para a ocasião.

    “A geração de renda direta e indireta é a principal linha de crescimento econômico por meio do evento, que se consolida em sua 11ª edição. Esperamos um aumento entre 20% e 30% na taxa de ocupação hoteleira, além de impulsionar as vendas de produtos, artesanato e insumos nos estabelecimentos participantes”, destacou Marcos Souza, Secretário de Turismo de Itacaré.

    Realizado em duas etapas – 14 a 23 com Festival Gastronômico e 24 a 26 com a Feira Gastronômica e Cozinha Show – o Festival mantém o escopo original do projeto com a permanência de ações como lançamentos de pratos promocionais – que neste ano terão 24 restaurantes participantes e 34 pratos inscritos que estarão disponíveis durante todo o evento, entre as opções estão entradas, pratos principais, sobremesas, drinks e lanches inspirados no tema Cacau e Chocolate. Além de Feira Gastronômica e Vila do Chocolate, com exposições de produtos e produtores da agricultura familiar, e atrações musicais e culturais que ainda serão definidas.

    Um dos momentos mais aguardados pelo público, a Cozinha Show contará com grandes chefs como Lucas Corazza, apresentador, palestrante e pesquisador da confeitaria brasileira, eleito duas vezes Melhor Confeiteiro do Ano pela Prazeres da Mesa, Cadu Moura que conquistou os paladares mais exigentes em sua participação no reality Mestre do Sabor e Mirian Rocha, Mestre Chocolatier e única sommelière de chocolate do Brasil.

    Outros nomes confirmados são Marly Katarina (Café com Cacau), Dani Façanha (Morro dos Navegantes), Chef Mia Carazoli (Restaurante Uçá – Hotel Aldeia do Mar), Thiára Novas (Mirante Marina), Suélio Nascimento (São José Beach Club), Nena (Txai Resort), Léia Tavares e Léa Batiston (Coco Pimenta Gastrobar) e Deia Lopes (Restaurante da Fazenda Dengo – Grupo Origem). O evento ainda terá Cozinha Kids com o palhaço Shampoo (Sorveteria Show de Bola), Mia Carazoli (@verdeverdinho).

    Após mais de uma década de realização do festival, esta edição traz novidades, uma delas é a mudança do local do evento para a Praça das Mangueiras, a iniciativa visa melhorar a circulação e o contato com o trade turístico. A curadoria retorna às mãos do chef Júnior França (Restaurante Mandio – Hotel Resende Imperial), defensor da culinária regional e contemporânea.

    “Já trabalhamos com o tema cacau em outras edições. Desta vez, pensamos inicialmente em chocolate, mas por sua complexidade em pratos salgados, optamos por ampliar para ‘Cacau e Chocolate’, dando mais liberdade criativa aos chefs”, explicou o curador.

    O XI Festival Sabores de Itacaré é uma realização da Carambola Produções e Prefeitura Municipal de Itacaré, através da Secretaria de Turismo de Itacaré com apoio do Comtur Itacaré, Câmara de Vereadores, SPHA, Sebrae, CAR, SDR, CESOL, SETRE, Secretaria de Turismo da Bahia e Governo do Estado da Bahia.

    SERVIÇO

    Programação da 11ª edição do Festival Sabores de Itacaré

    Quando: 14 a 26 de outubro de 2025

    Onde: Itacaré/Bahia

    Entrada: gratuita

     Fotos: Tárek Roveran

    Programação

    De 15 a 26/10/2025 Venda dos pratos inscritos nos 24 estabelecimentos participantes do Festival

    Cozinha Show

    24/OUTUBRO – SEXTA-FEIRA

    ▪ 19:00 – Chef Marly Katarina (Café com Cacau)

    Tema: Encantos Café com Cacau

    ▪ 20:00 – Chef Dani Façanha (Morro dos Navegantes)

    Tema: Mini Burguer de catado de siri com chutney de cacau verde

    ▪ 21:00 – Chef Lucas Corazza (Confeiteiro e apresentador GNT)

    Tema: Sablé Breton (tortinha de chocolate)

    ▪ 22:00 – Chef Thiára Novaes (Restaurante Mirante Marina)

    Tema: Costelinha suína ao molho de mel de cacau e mostarda em grãos com Risoto de gorgonzola.

    25/OUTUBRO – SÁBADO

    ▪ 19:00 – Chef Nena (Txai Resort)

    Tema: Peixe com Mel de Cacau

    ▪ 20:00 – Chef Cadu Moura (Grupo Origem)

    Apresentação do prato: Tagliata do Sol com Roti de Chocolate, pirão de queijo coalho e saladinha crocante de coentro.

    ▪ 21:00 – Chef Deia Lopes (Toca da Tapioca)

    Tema: Terra e mar

    ▪ 22:00 – Chef Junior França (Curador)

    Tema: Costela Imperial

    26/OUTUBRO – DOMINGO

    ▪ 19:00 – Chef Léa Baptiston / Chef Léia Tavares (Coco Pimenta Gastrobar)

    Tema: Do mar ao cacau.

    ▪ 20:00 – Chef Mia Pettinati (Aldeia do Mar)

    Tema: Ceviche de cacau em água

    ▪ 21:00 – Chef Mirian Rocha – Sommeliere de chocolate, chocolatier

    Tema: Chocolateria moderna – Cores, texturas e sabores

    ▪ 22:00 – Subchef Suélio Nascimento (São José Beach Club)

    Tema: Peixe da Bahia

    COZINHA KIDS

    25/OUTUBRO – SÁBADO

    16:30 – Chef Mia Carazoli (Verde Verdinho @verdeverdinho)

    Tema: Comer Bem, Viver Bem

    26/OUTUBRO – DOMINGO

    16:30 – Palhaço Shampoo (Sorveteria Show de Bola)

    Sorteio do prêmio dia 26/10/2025 no palco que será instalado na Praça da Mangueira, a partir das 23:00 mesmo horário da abertura do show musical

    FEIRA GASTRONÔMICA (PRAÇA DA MANGUEIRA) – 24 a 26/10/25

    • Feira Gastronômica – 24, 25 e 26/10 17:00h às 23:00h

    • Apresentação Cultural – 24/10 após abertura, Vila do chocolate / cozinha show

    • Apresentação Cultural – 25/10 18:00h Arrastão Cultural – saindo do Maré Alta

    • Apresentação Cultural – 26/10 18:00h Arrastão Cultural – saindo do Maré Alta

    • Atrações Musicais – 24/10 À 26/10 – 23:00h à 1h00

    VILA DO CHOCOLATE

    (AV. Pau Brasil – Estacionamento externo do Hotel Ecoporan)

    • 24/10 de 18:00h às 23:00h

    • 25 e 26/10/25 de 16:30h às 23:00h

    FESTAS DOS CHEFS

    • 15/10/25 (Quarta-Feira) às 19h ÀS Restaurante Uçá  (Hotel Aldeia do Mar)

    • 16/10/25 (Quinta-Feira) às 15h – Restaurante Mirantes Marina (Praia da Costa)

    • 18/10/25 (Sábado) às 19h Restaurante Alamaim (Pituba)

    • 19/10/25 (Domingo) às 19h – Maré Alta (Orla Marítima)

    • 21/10/25 (Terça-feira) às 19h – Blue Ocean Chopp (Praia da Concha)

    • 22/10/25 (Quarta-Feira) às 19h – Restaurante Mandio (Hotel Resende Imperial)

    • 23/10/25 (Quinta-Feira) às 19h – Restaurante Sabores da Terra – Ecoporan Hotel

    Programação sujeita a alteração

    SOBRE O FESTIVAL SABORES DE ITACARÉ

    O Festival Sabores de Itacaré é nacionalmente conhecido como um dos maiores eventos de gastronomia, negócios e turismo da Bahia.

    Lançado em 2014, já promoveu inúmeros encontros entre produtores, chefs, estudiosos da área, jornalistas, formadores e artistas com o público geral.

    Em sua 11ª edição, o Festival segue atraindo visitantes de todos os lugares, gerando uma conexão entre alimentação, cultura e turismo e consolidando Itacaré como um dos principais destinos gastronômicos do país, valorizando os sabores e saberes da culinária local.

    SOBRE JÚNIOR FRANÇA

    O chef Júnior França, 45, é natural de Jequié/BA, mas foi em Itacaré/BA onde construiu e consolidou sua carreira de mais de vinte e quatro anos na cozinha. Especialista em comida contemporânea e regional, atualmente comanda a cozinha do Hotel Resende Imperial, além de prestar consultorias e curadorias pelo Brasil.

    Incentivador da agricultura familiar, França assume, pela quarta vez, a curadoria do Festival Sabores de Itacaré, que está em sua 11ª edição, após uma longa trajetória de participações e contribuições como coordenador na realização do evento.

  • Livro do jornalista e escritor Wilson Midlej resgata a saga dos sírios e libaneses no sudeste da Bahia

    Livro do jornalista e escritor Wilson Midlej resgata a saga dos sírios e libaneses no sudeste da Bahia

    Quando memória e jornalismo se encontram, nascem obras que resgatam o passado e reorganizam o presente. É o que propõe A saga dos sírios e libaneses no sudeste da Bahia, o mais recente livro do jornalista e escritor Wilson Midlej, um trabalho que mistura apuro documental, narrativas de família e o cuidado literário de quem passou a vida garimpando histórias. A obra, que será lançada no próximo dia 17 de outubro, às 17h, na Livraria LDM do Shopping Bela Vista, em Salvador, recupera histórias de famílias que, vindas do Oriente Médio no início do século XX, ajudaram a construir a identidade social e econômica de municípios da microrregião.

    O livro, fruto de pesquisas iniciadas em 2019 e revisado com rigor técnico, percorre a trajetória de famílias como Hagge, Maron, Midlej, Salomão e Thiara, imigrantes do fim do século XIX e início do XX que se instalaram em municípios da microrregião do sudeste baiano, entre sertões, rios e pequenas cidades. Midlej não se limita a levantar fatos; busca contar “como” essas vidas se entrelaçaram com a terra, o trabalho e as tradições locais, as vitórias e os ruídos, os amores e as perdas.

    O autor traz ao livro uma história pessoal que explica parte de sua dedicação ao tema. “Exatamente em razão de minhas origens. Meu avô materno é libanês, natural da cidade de Kaituly e minha avó é egípcia, nascida em Alexandria”, conta ele, explicando que as memórias domésticas – os sabores, falares, encontros familiares – foram o gatilho para a investigação.

    De repórter esportivo em 1969 a chefe de sucursal e editor, a trajetória profissional de Midlej é longa e diversa. Nascido na Ponta do Humaitá, em Salvador (4 de dezembro de 1945), estudou em escolas públicas e concluiu o bacharelado em Direito em Jequié (BA). Ele integra a Assembleia Geral da Associação Bahiana de Imprensa e já trabalhou em veículos como A Tarde e Correio da Bahia, dirigiu a extinta revista Bahia em Foco e assinou livros de crônicas, contos e um romance histórico antes deste volume.

    O processo de pesquisa, conta Midlej, não foi simples. “Penoso. As famílias já se encontram na terceira ou quarta geração. Os imigrantes ou descendentes diretos, em primeiro grau, já haviam falecido ou já se encontravam em idades provectas, o que dificultava as lembranças de fatos, nomes, datas…”, lembra o autor, que recorreu a cruzamentos entre relatos orais, fotos antigas, memórias de contemporâneos e registros cartoriais (o chamado “modelo 19”), documento de controle de estrangeiros que ajudou a ancorar datas e locais.

    O equilíbrio entre rigor acadêmico e narrativa agradável foi uma das preocupações do autor. A obra contou com revisão técnica de Jussara Midlej e edição do professor Sérgio Mattos, que também assina o prefácio. Midlej ressalta que seu objetivo principal foi contar histórias humanas de maneira fiel e documentada.

    “A saga dos sírios e libaneses no sudeste da Bahia” chega, portanto, como um esforço de resgate memorial e como instrumento para futuros estudos sobre imigração e identidade regional. Para leitores interessados em genealogia, história local, economia do cacau e do café, ou simplesmente em boas histórias de vida, o livro oferece tanto dados quanto relatos que nutrem a imaginação e a pesquisa.

    Assim como ocorreu no lançamento em Jequié, em agosto, na sessão de autógrafos de Salvador, Midlej espera ver reunidos jornalistas, historiadores, representantes da comunidade sírio-libanesa e o público que acompanha sua trajetória, em uma noite de celebração de memória que materializa o que ele sempre fez: transformar vidas em palavras e, com isso, preservar parte fundamental da história da Bahia.

    SERVIÇO

    Lançamento: “A saga dos sírios e libaneses no sudeste da Bahia”

    Data: 17 de outubro, às 17h

    Local: Livraria LDM do Shopping Bela Vista (L2 – Asa Sul), Alameda Euvaldo Luz, 92 – Horto Bela Vista, Salvador-BA

  • Uma em cada seis crianças de até 6 anos foi vítima de racismo no país

    Uma em cada seis crianças de até 6 anos foi vítima de racismo no país

    Dados são da Pesquisa Panorama da Primeira Infância

    Uma em cada seis crianças de até 6 anos de idade foi vítima de racismo no Brasil. As creches e pré-escolas são os locais onde ocorreu a maior parte desses crimes. Os dados são do Panorama da Primeira Infância: o impacto do racismo, pesquisa nacional encomendada ao Datafolha pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal – organização da sociedade civil que trabalha pela causa da primeira infância -, divulgada nesta segunda-feira (6).

    A pesquisa ouviu 2.206 pessoas, sendo 822 responsáveis pelo cuidado de bebês e crianças de 0 a 6 anos. Os dados foram coletados em abril deste ano, por meio de entrevistas presenciais realizadas em pontos de grande fluxo populacional.

    Os dados coletados mostram que 16% dos responsáveis por crianças de até 6 anos afirmam que elas já sofreram discriminação racial. A discriminação é maior quando os responsáveis são também pessoas de pele preta ou parda. Entre elas, esse índice chega a 19%, enquanto entre crianças com responsáveis de pele branca a porcentagem é 10%.

    Separados por idade, 10% dos cuidadores de crianças de até 3 anos de idade afirmam que os bebês e crianças sofreram racismo e 21% daqueles com crianças de idade entre 4 e 6 anos relatam que elas foram vítimas desse crime.

    Onde ocorreram os casos

    A pesquisa revela ainda que creches e pré-escolas foram os ambientes mais citados como locais onde crianças já sofreram discriminação racial – 54% dos cuidadores afirmam que as crianças vivenciaram situações desse tipo em unidades de educação infantil, sendo 61% na pré-escola e 38% nas creches.

    Pouco menos da metade dos entrevistados, 42%, afirmam que o crime ocorreu em espaços públicos, como na rua, praça ou parquinho; cerca de 20% dizem que ocorreu no bairro, na comunidade, no condomínio ou vizinhança; e 16% contam que ocorreu na família. Espaços privados, como shopping, comércio e clube, aparecem entre os locais citados por 14% dos entrevistados, seguidos por serviços de saúde ou assistenciais (6%) e por igrejas, templos e espaços de culto (3%).

    Segundo a CEO da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, Mariana Luz, a escola é o primeiro espaço de socialização da criança, é onde ela passa grande parte do tempo é que deveria ser de proteção.

    “É um espaço social que, pelas nossas peças legislativas, deveria ser um dever nosso, da sociedade, que a escola seja um espaço de proteção e de desenvolvimento. É muito crítico a gente combater o racismo desde o berço, desde uma mulher grávida, na verdade, para que ela não sofra racismo na gravidez. Agora, com o bebê, com uma criança pequena, é ainda mais contundente a necessidade de combate ao racismo estrutural, para que ele não aconteça nunca, mas sobretudo nessa fase da vida que é onde o maior pico de desenvolvimento está acontecendo”, diz.

    Quando perguntados sobre como percebem o racismo praticado contra bebês e crianças, a maior parte dos responsáveis entrevistados (63%) acredita que pessoas pretas e pardas são tratadas de forma diferente por causa da cor da pele, do tipo de cabelo e de outras características físicas. Outros 22% acreditam que, embora exista racismo, é raro que crianças na primeira infância, ou seja, com idade até 6 anos, sejam vítimas desse crime. Na outra ponta, 10% acreditam que a sociedade brasileira praticamente não é racista e 5% desconhecem o assunto.

    “O primeiro passo em qualquer grande desafio é a gente reconhecer que é uma sociedade racista e combater isso com veemência”, diz Mariana Luz. Segundo ela, as escolas devem ter protocolos para lidar com essas situações, que incluam a formalização das denúncias e a formação de todos os profissionais que atuam na instituição.

    “Para todo mundo saber o que fazer, cada escola, primeiro, tem que qualificar o corpo dos professores, dos diretores, dos supervisores, dos auxiliares, de toda essa rede que lida no dia a dia com as crianças. Também a gestão, desde a secretaria municipal de Educação, à estadual, até o Ministério da Educação. Precisa ser um conjunto grande de todo mundo atuando nessa mesma direção”, acrescenta.

    Impactos do racismo

    O estudo mostra que o racismo sofrido por bebês e crianças tem impacto no desenvolvimento delas. “O racismo é um dos fatores que compõem as chamadas experiências adversas na infância, vivências que expõem a criança ao estresse tóxico, que interferem em sua saúde física e socioemocional e no seu desenvolvimento integral”, afirma o texto.

    Segundo a pesquisa, creches e pré-escolas são os espaços de maior oportunidade de prevenção e proteção contra a discriminação. Para isso, é fundamental que a educação infantil conte com profissionais preparados e materiais adequados para a educação das relações étnico-raciais. 

    “É dever de toda a sociedade reconhecer e combater o racismo e promover uma educação antirracista desde cedo, como determina a Lei nº 10.639/2003, garantindo proteção às crianças na primeira infância contra qualquer forma de discriminação e violência”, diz o estudo.

    A Lei 10.639/2003 estabelece que os conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira sejam ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, ou seja, em todas as etapas de ensino, da educação infantil ao ensino médio. A lei, no entanto, não é cumprida. Uma pesquisa divulgada em 2023 mostra que sete em cada dez secretarias municipais de Educação não realizaram nenhuma ação ou poucas ações para implementação do ensino da história e da cultura afro-brasileira nas escolas.

    Mariana Luz complementa que os dados revelam a importância de uma educação antirracista desde a primeira infância, tanto para proteger as crianças negras e indígenas, quanto para educar as crianças brancas desde pequenas.

    “O fato de a primeira infância ser a maior fase de desenvolvimento, também precisa ser um momento inicial de combate ao racismo e de proteção dessas crianças, mas também de educação de crianças brancas e do corpo docente, de todo o corpo de professores, para que a gente consiga combater o racismo estrutural”.

    Racismo é crime

    De acordo com a Lei nº 7.716/1989, racismo é crime no Brasil. A lei regulamenta trecho da Constituição Federal que tornou o racismo inafiançável e imprescritível.

    A Lei nº 14.532, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em janeiro de 2023, aumenta a pena para a injúria relacionada à raça, cor, etnia ou procedência nacional. Com a norma, quem proferir ofensas que desrespeitem alguém, seu decoro, sua honra, seus bens ou sua vida poderá ser punido com reclusão de 2 a 5 anos. A pena poderá ser dobrada se o crime for cometido por duas ou mais pessoas.

    As vítimas de racismo devem registrar boletim de ocorrência na Polícia Civil. É importante tomar nota da situação, citar testemunhas que também possam identificar o agressor. Em caso de agressão física, a vítima precisa fazer exame de corpo de delito logo após a denúncia e não deve limpar os machucados, nem trocar de roupa – essas evidências podem servir como provas da agressão.

    Agência Brasil