Dia: 10 de abril de 2026

  • Compra de terras por estrangeiros no Brasil: o problema real pode estar no processo, não na lei

    Compra de terras por estrangeiros no Brasil: o problema real pode estar no processo, não na lei

    * Leandro Mirra

    A discussão sobre compra de imóveis rurais por estrangeiros no Brasil costuma focar na lei e nas disputas judiciais. Mas, na prática, o maior desafio pode ser outro: a dificuldade para conseguir aprovação dos projetos.

    Hoje, a legislação impõe algumas regras importantes. Dependendo do caso, empresas estrangeiras (ou brasileiras controladas por estrangeiros) precisam de autorização do INCRA — e, às vezes, até do Congresso Nacional — para comprar ou arrendar terras.
    Isso, por si só, não seria um problema se o processo fosse rápido e previsível. Mas os dados mostram um cenário diferente.
    Entre 2014 e 2023:
    • Foram feitos apenas 38 pedidos formais de aprovação;
    • Só 4 chegaram ao Congresso;
    • Nenhum desses foi concluído;
    • A maioria está parada há mais de 5 anos.
    Ou seja: o sistema praticamente não anda.

    Na prática, isso gera quatro impactos diretos para o ambiente de negócios:
    1. Demora excessiva. Projetos ficam anos aguardando análise, o que trava decisões empresariais.
    2. Menos investimentos. Investidores evitam países onde não há previsibilidade. Terra é insumo básico para agro, energia e indústria.
    3. Insegurança jurídica. Sem resposta do poder público, aumenta o risco de questionamentos e disputas.
    4. Perda econômica. Projetos que não saem do papel significam menos emprego, menos produção e menos desenvolvimento regional.
    O ponto central é simples: não adianta discutir apenas se a lei deve ser mais rígida ou mais flexível. Se o processo não funciona, o investimento não acontece.

    Hoje, o INCRA virou um gargalo relevante. E isso impacta diretamente a competitividade do Brasil.
    Para destravar esse cenário, o caminho passa por:
    • reduzir burocracia,
    • dar mais previsibilidade aos prazos,
    • aumentar a transparência nas decisões.

    O Brasil tem enorme potencial no setor rural. Mas, sem um processo eficiente, esse potencial fica parado — literalmente — na fila de aprovação.

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    * Advogado – Especialista em Agro Negócio

  • Conmebol apoia possível reeleição de Gianni Infantino para novo mandato na Fifa: “Obrigado pelo compromisso”

    Conmebol apoia possível reeleição de Gianni Infantino para novo mandato na Fifa: “Obrigado pelo compromisso”

    A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) se antecipou ao cenário eleitoral da Fifa e declarou apoio “de maneira unânime” a uma possível reeleição de Gianni Infantino para a presidência da entidade máxima do futebol mundial. O anúncio foi feito pelo presidente Alejandro Domínguez, em uma publicação no X, na última quinta-feira (9).

    “O Conselho da CONMEBOL manifestou de maneira unânime seu respaldo à gestão de Gianni Infantino à frente da FIFA, ante uma eventual postulação à reeleição para o período 2027–2031. Presidente, obrigado por seu compromisso permanente com o desenvolvimento do futebol sul-americano e pelo liderança impulsionada a nível global”, escreveu Domínguez.

    Apesar de ainda não ter oficializado candidatura, o dirigente suíço-italiano é considerado favorito para disputar um quarto mandato consecutivo nas eleições previstas para 2027.

    O posicionamento da Conmebol marca o primeiro respaldo público de uma confederação continental ao atual presidente da Fifa. A decisão foi tomada após reunião do Conselho da entidade sul-americana, que reúne dez federações, incluindo Brasil e Argentina.

    Infantino é presidente da Fifa desde 2016, quando assumiu a função após o escândalo conhecido como “Fifagate”. Desde então, foi reconduzido ao posto por aclamação nas eleições de 2019 e 2023.

    O apoio ocorre em meio a articulações políticas no cenário do futebol internacional. O próprio Domínguez tem defendido a ampliação da Copa do Mundo de 2030, sugerindo o aumento de 48 para 64 seleções como forma de celebrar o centenário do torneio.

    A proposta, no entanto, ainda não conta com o respaldo público de Infantino e enfrenta resistência de outras lideranças do futebol mundial.

    A edição de 2030 terá jogos distribuídos em diferentes continentes. Paraguai, Uruguai e Argentina receberão partidas comemorativas, enquanto Espanha, Portugal e Marrocos serão os principais anfitriões do torneio.
    Bahia Notícias

  • Com grande vitória na estreia, Adriano Souza valoriza desempenho do Treze e mira sequência positiva na Série D

    Com grande vitória na estreia, Adriano Souza valoriza desempenho do Treze e mira sequência positiva na Série D

    Adriano Souza teve uma estreia marcante no comando técnico do Treze. No último sábado (4), a equipe paraibana venceu o Retrô por 3 a 0, em casa, pela 1ª rodada da Série D do Campeonato Brasileiro. O resultado expressivo fez do Treze o único time do Grupo 9 a conquistar a vitória, garantindo a liderança inicial da chave.

    Contratado no início de março, após um Campeonato Paranaense de destaque à frente do Foz do Iguaçu, Adriano celebrou o desempenho da equipe e ressaltou a importância de começar a competição com o pé direito.

    “Fico muito feliz com essa estreia. Sabíamos da responsabilidade e da importância de iniciar a Série D com um bom resultado, principalmente diante da nossa torcida. A equipe mostrou organização, intensidade e muita entrega durante os 90 minutos. Essa vitória é fruto do trabalho que vem sendo desenvolvido desde a nossa chegada e nos dá confiança para a sequência da competição”, destacou o treinador.

    O bom início anima o Treze na busca pelo acesso à Série C, competição que o clube não disputa desde 2020. Para Adriano Souza, manter a regularidade será fundamental ao longo do campeonato.

    “A Série D é uma competição muito equilibrada e exige constância. Conseguimos um resultado importante, mas sabemos que é apenas o primeiro passo. Precisamos manter o foco, a humildade e seguir evoluindo a cada partida para que possamos alcançar o nosso grande objetivo, que é recolocar o Treze em uma divisão superior”, completou.

    O próximo compromisso do Treze será neste sábado (11), às 16h, fora de casa, contra o Lagarto, pela 2ª rodada da Série D do Campeonato Brasileiro.

  • Projeto de reajuste dos professores proposto pela Prefeitura é aprovado na Câmara

    Projeto de reajuste dos professores proposto pela Prefeitura é aprovado na Câmara

    A proposta de reajuste salarial para os professores da rede pública municipal, elaborada pela Prefeitura de Camaçari, foi aprovada pela Câmara Municipal nas 3ª e 4ª sessões extraordinárias realizadas nesta sexta-feira (10), de forma virtual. O texto original do Projeto de Lei do Executivo n° 1195/2026 foi aprovado na íntegra, com 20 votos favoráveis.

    A aprovação do projeto representa um importante passo no fortalecimento das ações voltadas à melhoria das condições de trabalho dos profissionais da rede pública municipal, reafirmando o compromisso da gestão com o diálogo institucional e a responsabilidade na condução das políticas públicas de educação. A medida agora seguirá para sanção do prefeito Luiz Caetano.

    A proposta votada e aprovada na Câmara já havia sido validada pela categoria em assembleia do Sindicato das Professoras e Professores da Rede Pública (Sispec), realizada no dia 10 de março.

    O texto prevê reajuste de 5,4% a 10,36%, variando conforme a letra e o nível de cada profissional. Esses percentuais, baseados em estudos realizados pelo Sispec junto com o DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), foram pensados para o início da recomposição da carreira do magistério, corrigindo quase uma década de desvalorização dos professores, representam a soma da recomposição da tabela do Plano de Cargos, Carreira e Vencimentos (PCCV) e do percentual do piso do magistério.

    O Projeto de Lei do Executivo nº 1195/2026, altera a Lei n.º 873, de 04 de abril de 2008, que instituiu o Plano de Carreira, Cargos e Vencimentos dos Servidores do Magistério Público do Município de Camaçari, alterada pelas Leis n°.1084/2010, n.º1746/2022, n.º 1747/2022 e n.º 1932/2025, que reajusta os vencimentos e dá outras providências.

  • Justiça mantém liminar que derruba imposto na exportação de petróleo

    Justiça mantém liminar que derruba imposto na exportação de petróleo

    Governo havia recorrido de decisão que beneficia multinacionais
    O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) negou recurso da União e manteve a decisão liminar, ou seja, de caráter provisório, que proíbe a alíquota de 12% de imposto de exportação de petróleo.

    A decisão é da desembargadora federal Carmen Silvia Lima de Arruda, da Quarta Turma Especializada, em despacho assinado pouco antes das 22h da quinta-feira (9).

    A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), órgão jurídico vinculado ao Ministério da Fazenda, havia interposto o recurso, chamado de agravo de instrumento, contra uma decisão de primeira instância, tomada na terça-feira (7).

    A decisão liminar atendia o pleito de cinco empresas multinacionais de petróleo: Total Energies (França), Repsol Sinopec (Espanha e China), Petrogal (Portugal), Shell (anglo-holandesa) e Equinor (Noruega).

    Ao analisar o agravo de instrumento, a desembargadora Carmen Lima de Arruda entendeu que a Fazenda Nacional “falhou em demonstrar o risco de perigo concreto, grave e atual emergente da manutenção da decisão agravada, não se vislumbrando prejuízo em aguardar o julgamento final”.

    O TRF2 ainda não marcou a data do julgamento definitivo da questão.

    Entenda o caso
    A cobrança de 12% de Imposto de Exportação consta na Medida Provisória (MP) 1.340/2026, publicada em 12 de março.

    A MP foi editada pelo governo como uma tentativa de conter à escalada no preço de derivados de petróleo no país, notadamente o óleo diesel, em meio à guerra no Oriente Médio, que levou distúrbios à cadeia produtiva do petróleo, diminuindo a oferta do óleo.

    O imposto de exportação compensaria a queda de arrecadação provocada pela zeragem das alíquotas do PIS e da Cofins, tributos federais que incidem sobre o óleo diesel. Com alíquota zero, os preços poderiam chegar mais baratos ao consumidor final. Outro efeito seria o desestímulo para que as exportadoras vendessem petróleo para fora do país.

    O governo promoveu também subvenção (espécie de reembolso) para incentivar importadores e produtores de diesel que não vendessem aqui no país o diesel a preços maiores que os determinados.

    As companhias exportadoras de petróleo que se sentiram prejudicadas alegam que o imposto tinha finalidade “meramente arrecadatória”, ferindo o princípio da anterioridade, que proíbe a cobrança de tributos sem um tempo mínimo determinado.

    Em primeira instância, o juiz federal Humberto de Vasconcelos Sampaio, da 1ª Vara Federal do Rio de Janeiro, atendeu o pedido das cinco multinacionais.

    Recurso
    Ao recorrer da decisão, a Fazenda Nacional argumentou, entre outros pontos, que a cobrança questionada não incorreu em qualquer desvio de finalidade, estando justificada no cenário internacional da guerra deflagrada no Oriente Médio, “diante do aumento drástico do preço do barril de petróleo e da escassez deste produto, com potenciais efeitos deletérios sobre a economia nacional”.

    “Tem como função primordial a regulação do comércio exterior e a proteção do mercado interno”, sustenta a Fazenda Nacional.

    Inflação de combustíveis
    A alta no preço dos combustíveis, pano de fundo da discussão na Justiça Federal, teve uma face revelada nesta sexta-feira pelo termômetro do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a chamada inflação oficial do país.

    A inflação de março foi de 0,88%, puxada principalmente pelo grupo transportes. O item combustíveis subiu 4,47%. A gasolina, que em fevereiro tinha 0,61%, subiu 4,59% em março. O diesel passou de aumento de 0,23% em fevereiro para 13,90% em março.

    Na última segunda-feira (6) o governo lançou um pacote de medidas para conter a alta no preço dos combustíveis. As medidas tratam de subsídios para diesel e gás de cozinha, além da redução de impostos e apoio ao setor aéreo.

    Agência Brasil

  • Ex-Avaí, Eduardo Kunde dá assistência em vitória importante fora de casa e foca em regularidade para reta final do Campeonato do Azerbaijão

    Ex-Avaí, Eduardo Kunde dá assistência em vitória importante fora de casa e foca em regularidade para reta final do Campeonato do Azerbaijão

    Após uma sequência de dez jogos sem vencer, o Qabala voltou a conquistar os três pontos com uma importante vitória por 2 a 0 sobre o Kapaz, fora de casa, no último domingo (5), pela primeira divisão do Campeonato do Azerbaijão. O zagueiro brasileiro Eduardo Kunde teve participação decisiva no resultado ao entrar no segundo tempo e contribuir com uma assistência para o segundo gol da equipe.

    O triunfo ganhou ainda mais relevância na luta contra o rebaixamento, já que o resultado reduziu para apenas dois pontos a distância do Qabala para o próprio Kapaz, primeiro time fora da zona, reacendendo as esperanças do clube na reta final da competição.

    “Foi uma vitória muito importante para todos nós. Vínhamos de uma sequência difícil, e conseguir esse resultado fora de casa nos dá confiança para a continuidade do campeonato. Fico feliz por poder ajudar com a assistência e contribuir diretamente para o sucesso da equipe em um momento tão decisivo”, destacou Eduardo Kunde.

    O defensor também ressalta a importância de manter esse bom desempenho para que o objetivo seja concluído no final da temporada. “Sabemos que ainda há muito trabalho pela frente, mas essa vitória mostra a força do nosso grupo. O objetivo agora é manter a regularidade e seguir pontuando para sair da zona de rebaixamento”, completou o zagueiro, que tem mais de 70 partidas disputadas no futebol internacional, com passagens por clubes do Japão, Bulgária e Indonésia antes de chegar ao Qabala.

    Agora, o foco do Qabala está no próximo compromisso da temporada. A equipe enfrenta o Imisli no domingo (12), às 8h30 (horário de Brasília).

  • Praia de Guarajuba será sede da Copa do Mundo de Jet Waves em maio

    Praia de Guarajuba será sede da Copa do Mundo de Jet Waves em maio

    A praia de Guarajuba foi o lugar escolhido para sediar a Copa do Mundo de Jet Waves 2026, entre 8 e 10 de maio. O evento, que acontece pela primeira vez em Camaçari, reunirá 30 atletas de 10 países, com júri internacional, consolidando o município no roteiro das grandes competições aquáticas internacionais.

    A disputa de jet ski freeride acontecerá na praia localizada nas imediações do Vila Galés Marés Guarajuba, e promete entregar um verdadeiro show em técnicas e manobras arrojadas.

    Além de atletas do Brasil, participam da competição representantes dos Estados Unidos, França, Guiana, Uruguai, Argentina, Portugal, Espanha, Reino Unido e Austrália. A delegação brasileira é formada por atletas da Bahia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Espírito Santo, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás e Distrito Federal, num total de 20 participantes.

    Além da etapa brasileira, que pela segunda vez acontece na Bahia, a competição ainda contará com edições no fim de maio na Austrália, em setembro nos Estados Unidos e finalizando em Portugal, em outubro.

    A realização do evento é assinada pela Federação Baiana de JetSki (FBJS), com apoio do Governo do Estado e da Prefeitura de Camaçari, através da Secretaria de Turismo (Setur). A entrada é gratuita.

    Confira a programação completa, a seguir:

    8 de maio (sexta-feira)

    9h – Cerimônia de abertura

    10h – Palestra ambiental Projeto Tamar

    10h30 – Ação social

    11h – Treinos livres

    13h – Briefing pilotos

    14h – Pré-qualifying

    17h – Encerramento das atividades

    9 de maio (sábado)

    8h – Briefing pilotos

    9h – Qualifying

    13h – Last Chance

    14h – Oitavas de finais

    17h – Encerramento das atividades

    10 de maio (domingo)

    8h – Briefing pilotos

    9h – Quartas de finais

    11h – Semifinais

    12h – Finais

    13h – Premiação

  • Mais comodidade: Estado amplia acesso à cidadania com ação para emissão gratuita da nova carteira de identidade em Salvador

    Mais comodidade: Estado amplia acesso à cidadania com ação para emissão gratuita da nova carteira de identidade em Salvador

    Quem mora ou transita pela região dos Barris, na capital baiana, e deseja realizar a emissão da nova Carteira de Identidade Nacional (CIN), conta com a comodidade de uma ação social realizada na unidade da Ferreira Costa, situada naquele bairro. A iniciativa, coordenada pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT), possibilita a emissão gratuita do documento e se estende até o próximo dia 20 de abril.

    A ação integra a estratégia do Governo do Estado de ampliar o acesso à identificação civil, oferecendo mais comodidade à população em um espaço de fácil acesso. Os atendimentos são realizados de segunda a sexta-feira, das 9h às 16h, com distribuição de senhas a partir das 8h. A estimativa é que sejam realizados 100 atendimentos diários.

    De acordo com o diretor adjunto do Instituto de Identificação Pedro Mello, Jorge Ressureição, a iniciativa busca aproximar o serviço da população e facilitar a emissão do novo documento. “Estamos aqui sem necessidade de agendamento, oferecendo mais comodidade. A expectativa é atender mais de mil pessoas nesse período”, destacou.

    A nova carteira de identidade utiliza o número do CPF como registro único nacional e conta com recursos de segurança, como biometria facial e digital. Para emitir o documento, é necessário apresentar a certidão de nascimento ou casamento original e o número do CPF. Outros documentos, como Carteira Nacional de Habilitação, título de eleitor, carteira de trabalho e certificado de reservista, podem ser incluídos de forma opcional. A entrega da CIN ocorre em até 30 dias e pode ser retirada no SAC Shopping Barra.

    Além de ampliar o acesso ao serviço, a escolha do local também tem sido um diferencial para a população. Moradores destacam a facilidade de acesso e a organização do atendimento. “Achei super interessante essa ação, principalmente por ser perto da minha casa. Cheguei cedo, mas foi tudo tranquilo e bem organizado”, afirmou o aposentado Luiz Carlos dos Santos, de 75 anos.

    Já o morador Joel Santiago da Silva, de 64 anos, destacou a praticidade do atendimento. “Pra mim foi muito bom, porque moro aqui perto e o atendimento está sendo 100%, muito bom mesmo”, disse.

  • Publicadas leis que ampliam combate à violência contra as mulheres

    Publicadas leis que ampliam combate à violência contra as mulheres

    Normas definem casos de vicaricídio e monitoramento de agressores

    Mulheres de todo o país passam a contar nesta sexta-feira (10) com leis de proteção mais abrangentes para casos de violência. O Diário Oficial da União desta sexta-feira (10) traz publicadas normas que tipificam crimes e ampliam a vigilância sobre agressores.

    As medidas foram sancionadas nessa quinta-feira (9) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e atualizam a legislação sobre o tema.

    A Lei 15.382/2026 cria o Dia Nacional de Proteção e Combate à Violência contra as Mulheres e Meninas Indígenas, a ser lembrado em 5 de setembro.

    Tornozeleira
    Outra norma prevê o monitoramento eletrônico de agressores. A Lei 15.383/2026 altera a Lei Maria da Penha para incluir tal possibilidade, quando houver risco atual ou iminente à vida ou à integridade física ou psicológica da mulher em situação de violência doméstica e familiar.

    Além dos casos em que for verificado o risco iminente à integridade física ou psicológica da vítima, a imposição da tornozeleira será prioridade nos casos em que houver descumprimento de medidas protetivas anteriormente impostas.

    Violência vicária
    A Lei nº 15.384/2026 tipifica o crime de vicaricídio, que é o assassinato de filhos e parentes como forma de punir ou causar sofrimento às mulheres.

    Um dos casos mais recentes foi o do secretário de Governo da prefeitura de Itumbiara (GO), Thales Machado, que atirou nos dois filhos e se matou.

    A legislação prevê pena de 20 a 40 anos em regime fechado para casos de violência vicária.

    A pena pode ser aumentada de um terço até a metade se o crime for praticado:

    na presença da mulher a quem se pretende causar sofrimento, punição ou controle;
    contra criança ou adolescente ou pessoa idosa ou com deficiência;
    em descumprimento de medida protetiva de urgência.
    As medidas entram em vigor hoje
    Agência Brasil

  • STJ rejeita uso de inteligência artificial como prova em ação penal

    STJ rejeita uso de inteligência artificial como prova em ação penal

    Caso de racismo envolveu uso de software para confirmar ofensa
    decisão do ministro Reynaldo Soares da Fonseca a ausência de confirmação por peritos. O caso julgava a acusação de ofensa de cunho racial, que a acusação afirmou ter sido feita pelo vice-prefeito de São José do Rio Preto, Fábio Marcondes, a um segurança do Palmeiras, durante um jogo entre a equipe local, o Mirassol, e o time em fevereiro do ano passado. A acusação teve como principal prova um relatório baseado em análise feita por IA.

    Um vídeo com a discussão entre Marcondes e o segurança foi analisado pela equipe de perícia oficial, do Instituto de Criminalística, que não confirmou a presença da palavra no áudio. Segundo o laudo, baseado em análise técnica de fonética e acústica, não foram identificados traços articulatórios compatíveis com o termo apontado na acusação.

    Os investigadores usaram as ferramentas de IA para analisar o conteúdo do vídeo. O relatório que essas ferramentas produziram permitiu concluir que a expressão ofensiva ocorreu. O documento foi a base para o oferecimento da denúncia pelo Ministério Público de São Paulo, em agosto de 2025.

    Segundo o promotor José Silvio Codogno, o xingamento foi proferido após a vítima pedir para o filho do vice-prefeito se afastar do local por onde passariam os atletas do Palmeiras, que deixavam o Estádio Municipal José Maria de Campos Maia em direção ao ônibus que os aguardava no estacionamento. O MP informou que, segundo os autos, Marcondes não gostou de ver o filho ser repreendido pelo segurança, passando a discutir com o homem e a proferir contra ele uma série de insultos. Para Codogno, o réu “praticou injúria racial, atingindo a honra subjetiva da vítima”.

    Ao analisar o caso, o relator na Quinta Turma, Reynaldo Soares da Fonseca, avaliou a questão da admissibilidade desse tipo de material como prova. Ele entendeu que o problema não estava na legalidade da obtenção do relatório ou em suposta ofensa à cadeia de custódia da prova, mas questionou se esse tipo de ferramenta é confiável para sustentar uma acusação penal, acolhendo a defesa de Marcondes.

    “Um dos riscos inerentes à utilização da inteligência artificial generativa é a alucinação, que consiste na apresentação de informações imprecisas, irreais ou fabricadas, porém com aparência de fidedignidade”, comentou Fonseca em sua decisão.

    O ministro também apontou limitações técnicas da IA generativa e ressaltou que esses sistemas operam com base em probabilidades e padrões estatísticos, podendo produzir informações incorretas com aparência de verdade.

    Como consequência, a Quinta Turma determinou a exclusão do relatório dos autos e estabeleceu que o magistrado deve proferir nova decisão sobre a admissibilidade da acusação, sem levar em consideração o documento.
    Agência Brasil