Dia: 27 de abril de 2026

  • FBF divulga tabela detalhada das primeiras rodadas da Série B do Baianão 2026

    FBF divulga tabela detalhada das primeiras rodadas da Série B do Baianão 2026

    A Federação Bahiana de Futebol (FBF) divulgou nesta segunda-feira (27) a tabela detalhada das duas primeiras rodadas do Campeonato Baiano da Série B de 2026.

    A competição terá início neste sábado (2), com dois jogos. Às 15h, Jacobina enfrenta o Grapiúna, no Estádio Joia da Princesa. Mais tarde, às 19h, o Feira encara o Vitória da Conquista, na Arena Cajueiro.

    Neste domingo (3), a rodada será completada com três partidas. Às 15h, o Leônico enfrenta o SSA, também na Arena Cajueiro, enquanto o Fluminense de Feira recebe o Redenção, no Joia da Princesa. Já às 16h, Barreiras mede forças com o Camaçari, no Estádio Geraldo Pereira, em Barreiras.

    A segunda rodada da Série B do Baianão está prevista para os dias 9 e 10 de maio. A primeira fase será disputada em jogos únicos, com as equipes buscando classificação para a sequência da competição.

    Confira abaixo todas as partidas das primeiras duas rodadas:

    1ª RODADA
    02/05 (sábado), 15h – Jacobina x Grapiúna – Alberto Oliveira (Feira de Santana)
    02/05 (sábado), 19h – Feira x Vitória da Conquista – Arena Cajueiro (Feira de Santana)
    03/05 (domingo), 15h – Leônico x SSA – Arena Cajueiro (Feira de Santana)
    03/05 (domingo), 15h – Fluminense de Feira x Redenção – Alberto Oliveira (Feira de Santana)
    03/05 (domingo), 16h – Barreiras x Camaçari – Geraldo Pereira (Barreiras)

    2ª RODADA
    09/05 (sábado), 15h – SSA x Jacobina – Arena Cajueiro (Feira de Santana)
    09/05 (sábado), 15h – Grapiúna x Fluminense de Feira – Alberto Oliveira (Feira de Santana)
    09/05 (sábado), 15h – Vitória da Conquista x Leônico – Waldomiro Borges (Jequié)
    10/05 (domingo), 15h – Redenção x Barreiras – Waldomiro Borges (Jequié)
    10/05 (domingo), 15h – Camaçari x Feira – Alberto Oliveira (Feira de Santana)
    Bahia Notícias

  • Cruz das Almas: mulher é encontrada morta dentro de casa

    Cruz das Almas: mulher é encontrada morta dentro de casa

    Uma mulher, de 45 anos, foi encontrada morta dentro do imóvel onde residia em Cruz das Almas, no Recôncavo, neste domingo (26). A vítima foi identificada como Katiusa Machado, de 45 anos, tia do cantor Igor Kannário, informou o Blog do Valente, parceiro do Bahia Notícias.

    Até o início da tarde desta segunda-feira (27) não havia informações sobre as circunstâncias da morte. A situação aconteceu em um residencial do Minha Casa Minha Vida, na localidade da Pumba.

    Conforme o Jornal Zero75, a vítima trabalhava na prefeitura de Cruz das Almas. A morte gerou comoção entre familiares, amigos e moradores do município.

    Bahia Notícias

  • Camaçari: eleitor agride segurança e é morto após atendimento no TRE-BA

    Camaçari: eleitor agride segurança e é morto após atendimento no TRE-BA

    Um homem foi morto a tiros após agredir um segurança do Fórum Eleitoral de Camaçari, na região metropolitana de Salvador (RMS), nesta segunda-feira (27). A informação foi confirmada pelo Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) por meio de nota.

    Segundo a instituição, o homem realizou um serviço eleitoral no Fórum, que abriga os cartórios das 170ª e 171ª Zonas Eleitorais, durante a manhã. A nota informa que, ao final do serviço, o homem teria agredido um agente de segurança do local com uma faca.

    “Diante da situação de iminente risco à sua integridade física e à de eleitores(as) e servidores(as) presentes no cartório, o vigilante reagiu, efetuando disparos de arma de fogo, o que resultou no óbito do agressor ainda no local”, diz o tribunal.

    A Polícia Militar da Bahia (PM-BA) foi acionada ao local. A área foi isolada e os agentes prestaram os primeiros atendimentos à ocorrência. Ainda de acordo com a nota, o agente de segurança era um profissional terceirizado vinculado à empresa contratada pelo TRE-BA.

    Ele ficou ferido na ação, mas foi socorrido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), “encontrando-se, até o momento, fora de risco de morte”, informou o tribunal.

    “Reafirmamos o nosso compromisso com a integridade física do corpo funcional do TRE-BA e usuários dos serviços da Justiça Eleitoral, especialmente neste período de grande fluxo de atendimento, em razão do fechamento do cadastro eleitoral”, destaca a entidade.

    Conforme o órgão, as medidas de segurança serão reforçadas em cartórios eleitorais e centrais de atendimento ao público em toda a Bahia. No que diz respeito ao cartório eleitoral de Camaçari, o atendimento seguiu normalmente até as 14h desta segunda-feira.

    Bahia Notícias

  • Abastecimento de água será reduzido no interior para obras da Embasa nesta terça; veja cidades afetadas

    Abastecimento de água será reduzido no interior para obras da Embasa nesta terça; veja cidades afetadas

    A Empresa Baiana de Água e Saneamento (Embasa) divulgou que a distribuição de água será afetada em sete municípios do estado a partir desta terça-feira (28). De acordo com a Embasa, a redução na oferta ocorre em razão de uma manutenção preventiva em equipamentos do sistema de abastecimento da região.

    Segundo a empresa, será preciso reduzir em 70% o volume de água distribuído aos municípios de Biritinga, Lamarão, Serrinha, Conceição do Coité e Retirolândia. A redução ocorre a partir desta terça, às 8h00.

    A Embasa também informou que o abastecimento será mantido em Teofilândia e em Barrocas, mas pode ocorrer oscilações de vazão durante a execução dos serviços. A previsão é que ocorra a normalização na distribuição de água em até 48 horas em todas as cidades afetadas.

    Para mitigar os efeitos da redução da oferta, a Embasa recomendou o armazenamento prévio de água nos imóveis e o adiamento de usos não emergenciais, como lavagem de roupas, até a completa normalização do abastecimento.

    Bahia Notícias

  • Moraes concede domiciliar a Fátima de Tubarão e mais 18 idosos do 8/01

    Moraes concede domiciliar a Fátima de Tubarão e mais 18 idosos do 8/01

    Condenados por tentativa de golpe de Estado deverão usar tornozeleira
    O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu prisão domiciliar humanitária à aposentada Maria de Fátima Mendonça Jacinto, conhecida como Fátima de Tubarão, de 70 anos, uma dos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. A decisão foi assinada na sexta-feira (24).

    Moraes aplicou a Lei de Execuções Penais, norma que permite a concessão de prisão domiciliar para maiores de 70 anos. A decisão também beneficia mais 18 presos idosos que possuem doenças graves.

    Fátima foi condenada a 17 anos de prisão e já cumpriu três anos, dez meses e 24 dias de pena.

    De acordo com o processo que a condenou, Fátima invadiu o edifício-sede do STF, quebrou vidros, cadeiras, mesas e obras de arte e postou os atos nas redes sociais. Com base nos vídeos, ela foi identificada e presa pela Polícia Federal (PF) duas semanas após os atos golpistas.

    Fátima e os demais idosos deverão cumprir medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica, suspensão do passaporte, proibição de sair do país, de usar redes sociais e de manter contato com outros investigados.

    Os beneficiados só poderão receber visitas após autorização prévia do ministro.

    Em caso de descumprimento, Moraes poderá determinar o retorno dos condenados ao regime fechado de prisão.

    Apesar da concessão da domiciliar, os condenados permanecem com a obrigação de pagamento solidário de R$ 30 milhões pelos danos acusados com a depredação da sede do Supremo, do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto.

    Relembre
    De acordo com os últimos dados, divulgados em janeiro pelo STF, a Primeira Turma da Corte condenou 1.399 acusados de participação nos atos que tentaram abalar a democracia brasileira e o funcionamento das instituições. Segundo o balanço, 179 pessoas estão presas, das quais 114 em regime fechado, após trânsito em julgado das condenações.

    Após os atos golpistas, a Procuradoria-Geral da República (PGR) protocolou 1.734 ações penais no STF. As acusações foram divididas entre incitadores, executores e quatro núcleos principais, que deram sustentação à tentativa do ex-presidente Jair Bolsonaro de se manter no poder após perder as eleições, subvertendo assim, de acordo com o STF, a ordem democrática.

    O balanço mostra que a maioria, 979 pessoas (68,9%), foi responsabilizada por delitos de menor gravidade e tiveram penas de até um ano de detenção (415) ou foram beneficiadas por Acordos de Não Persecução Penal (ANPPs).

    Agência Brasil

  • Maioria de empresários que apoiou ditadura vem de famílias escravistas

    Maioria de empresários que apoiou ditadura vem de famílias escravistas

    Perdas e Danos investigou apoio mútuo entre empresários e governo

    Pelo menos dois de cada três empresários documentados pela Comissão Nacional da Verdade (CNV) como apoiadores da ditadura militar têm origem em famílias escravistas.

    O capítulo Civis que Colaboraram com a Ditadura do relatório final da CNV lista as empresas que financiaram a ditadura de diferentes formas. Dos 62 empresários citados no documento e que a reportagem conseguiu refazer a árvore genealógica, pelo menos 40 são de famílias de senhores de escravos.

    O levantamento inédito foi feito para o episódio Como Nossos Pais, da segunda temporada do podcast Perdas e Danos, que investiga o apoio dado pelas empresas à ditadura militar.

    “O que nós observamos é que a classe dominante tradicional no Brasil tem um núcleo duro desde o período colonial em todas as regiões”, explica o coordenador do Núcleo de Estudos Paranaenses e referência na pesquisa da genealogia do poder, Ricardo Oliveira.

    “Quando a gente volta algumas gerações, às vezes um avô ou bisavô, de quem nasceu em 1950, você já está no senhoriato escravista das suas regiões”, relata.

    Só entraram na conta os empresários dos quais a reportagem conseguiu confirmar os antepassados, checando certidões de nascimento, atestados de óbito, livros de batismo e outros documentos disponíveis no Family Search, site de genealogia, mantido pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

    Sobrenomes famosos como o da família Guinle de Paula Machado, que já foi dona do Porto de Santos; Batista Figueiredo, que além do último ditador militar, também tinha entre os herdeiros o vice-presidente da Bolsa de Mercadorias de São Paulo.

    Ainda estão na lista a Família Beltrão, de Pernambuco que tem entre os herdeiros Hélio Beltrão, executivo do Grupo Ultra e ministro do Planejamento do ditador Costa e Silva; e a família Vidigal, dona do Banco Mercantil e da Cobrasma, a Companhia Brasileira de Material Ferroviário.

    Lógica da extração
    Para o professor de filosofia política da Unifesp e coordenador do Centro de Antropologia e Arqueologia Forense (CAAF) Edson Teles, a lógica da extração marca o modelo econômico da ditadura:

    “Extrair é o verbo fundamental do modelo econômico da ditadura. Extrair como ação fundamental e, por muitas vezes, quase que exclusiva.”

    Teles traça o paralelo entre o modelo e a tradição escravista onde não só se extrai da terra, do minério, da água, da matéria-prima, mas dos próprios trabalhadores.

    “Usar o corpo do trabalhador sem considerar os seus direitos, a sua dignidade humana, que é o trabalho análogo à escravidão, a violação de direitos diretamente, ou mesmo as violências mais graves. Isso também é parte de um processo de extração”, conclui.

    Edson liderou o grupo de pesquisadores responsáveis pelo mais amplo estudo feito até agora no país sobre as relações entre a ditadura militar e as empresas nacionais e multinacionais. Para ele, a união entre o poder econômico e o regime de opressão tinha um alvo: os trabalhadores.

    “A relação mais íntima entre empresas e ditadura se deu justamente no ataque à organização dos trabalhadores. Logo que se deu o golpe, no mês de abril de 1964, 20 mil pessoas foram presas em um mês. É muita coisa. A grande maioria, trabalhadores sindicalizados”, lembra.

    Segundo o professor Marco Antônio Rocha, do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), dois anos depois do golpe, o poder de compra do salário mínimo cai pela metade.

    “O que o governo fez foi modificar a política de indexação do salário mínimo frente à inflação. Com uma inflação já bem elevada, o salário mínimo ficou defasado de forma muito rápida. Em um a dois anos, perdeu cerca de 50% do poder de compra”, explica.

    Já a desigualdade aumentou. Segundo o IBGE, em 1960, 5% dos brasileiros mais ricos concentravam 28% da renda do país. Em 1972, respondiam por quase 40%.

    Imobilidade
    A permanência das mesmas famílias por séculos nas altas esferas do poder é o retrato de um país em que o elevador social está quebrado.

    Segundo o OCDE, o fórum formado por 38 países, conhecido como clube dos ricos, no Brasil, uma pessoa que nasce pobre precisa de nove gerações para chegar na classe média. Algo como 300 anos. Brasil, Colômbia e África do Sul se destacam na imobilidade social.

    “Para entender o Brasil, para entender a nossa grande desigualdade social, para entender a violência simbólica, social, política e real, a gente precisa entender essas famílias”, avalia Ricardo Oliveira

    Família Bueno Vidigal
    Foi para entender melhor o mecanismo da manutenção das desigualdades que a reportagem do Perdas e danos investigou a família Bueno Vidigal.

    A escolha atendeu a três critérios: uma família que durante a ditadura militar teve grande influência política e econômica; atuava em vários setores da economia – indústria, serviços e sistema financeiro; e que marcou presença em várias frentes de apoio ao regime, desde o golpe até o financiamento da tortura.

    No começo do século XX, o patriarca Gastão Vidigal foi um dos fundadores da Cobrasma, que se destacava na produção de trilhos e trens. Ele também fundou o Banco Mercantil, que já foi o maior banco privado do país.

    A Cobrasma foi herdada pelo filho e, depois, pelo neto de Gastão Vidigal: Luís Eulálio Bueno Vidigal e Luís Eulálio Bueno Vidigal Filho. Já o Banco Mercantil era presidido pelo filho de Gastão, Gastão Eduardo de Bueno Vidigal, até ele morrer em 2001 e o banco ser vendido para o Bradesco.

    Greve de 1968

    A historiadora e professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Cláudia Moraes de Souza encontrou registros da Cobrasma no Ministério do Trabalho que mostram condições de trabalho que se aproximavam de situações análogas à escravidão, “uma grandiosíssima companhia e as condições de trabalho sempre foram vergonhosas”.

    “Não havia sanitários suficientes para o número de trabalhadores, não havia refeitório, o trabalhador, na hora do almoço, saía para a calçada e almoçava com a marmita no chão. Não havia material de segurança, água filtrada ou pelo menos água, para se beber durante o expediente. Então, questões mínimas, ligadas à higiene e à segurança do trabalhador”, relata a professora.

    Foi nesse cenário de precariedade que a Cobrasma virou epicentro de um dos maiores levantes operários do país, em plena ditadura militar. A greve de Osasco de 1968:

    “É na greve que a gente enxerga claramente, os empresários chamando Exército brasileiro para atuar como repressor dentro da fábrica,” ressalta Cláudia.

    Cerca de 400 trabalhadores foram presos na greve que é considerada um dos estopins para Ato Institucional 5, AI-5, publicado cinco meses depois da paralisação. O AI-5 fechou o Congresso Nacional, cassou mandatos de parlamentares, censurou a imprensa, e proibiu a concessão de habeas corpus.

    Operação Bandeirantes
    A Operação Bandeirantes – Oban – foi criada meses depois do AI-5, um dos principais aparatos de tortura da ditadura. Considerada o embrião dos DOI-CODIs, o sistema de repressão foi implantado a partir de 1970 em 10 capitais.

    Tanto a OBAN quanto os DOI-CODIs foram financiados por empresas nacionais e multinacionais. Entre os sócios das financiadoras estava o Banco Mercantil, de Gastão Eduardo de Bueno Vidigal.

    O jornalista Ivan Seixas tinha 16 anos quando foi preso e torturado com o pai, Joaquim Seixas, no DOI-CODI de São Paulo. Dentro do aparelho de tortura eles descobriram que outra forma de financiamento da repressão eram os prêmios oferecidos na caça a opositores do regime:

    “Fizeram uma parceria com o empresariado para fazer uma caixinha de premiação. Cada um que era capturado tinha um valor a cabeça. O Capitão Carlos Lamarca, quando esteve na minha casa, a cabeça dele valia U$ 750 mil. Um ano depois, quando foi assassinado, valia um U$ 1,5 milhão.”

    Ele conta que sua prisão também foi premiada. Na época, um carcereiro falou para o Ivan que recebeu U$ 300 pela prisão do adolescente. Para ele, esse sistema fortaleceu os militares linha-dura e prolongou a ditadura.

    A família Bueno Vidigal também esteve à frente do Grupo Permanente de Mobilização Industrial (GPMI), que tinha a função de estudar meios de adaptar as indústrias para a produção de materiais militares. A Cobrasma é acusada de ter transformado carros da PM em blindados de guerra que seriam usados para conter manifestações de rua.

    Em troca de todo o esses apoios, os empresários recebiam incentivos fiscais, contratos com o governo e empréstimos bilionários. No auge, a Cobrasma, chegou a faturar cerca de U$470 milhões por ano.

    “Esse benefício se dava através dos bancos estatais. O BNDE [atual BNDES], por exemplo, no mesmo momento em que uma polícia militar, uma força paramilitar e a empresa estão se alocando num território, por exemplo, dentro de uma reserva indígena, o BNDE está transportando para as contas da empresa um mega empréstimo com regras econômicas totalmente fora do mercado ou de qualquer outra prática que o próprio Estado fazia na sua normalidade”, explica Edson Teles.

    Herança escravocrata
    Gastão Vidigal nasceu em 1889, em São Paulo, herdeiro de uma família bem posicionada do Nordeste brasileiro e casado com Maria Amélia Pontes Bueno, herdeira de uma família muito tradicional de São Paulo, os Buenos.

    São Paulo (SP) – FOTO DE ARQUIVO – Empresários que apoiaram a ditadura. Anúncio de interesse de compra de escravizado no Jornal o Liberal (SE), em 1853, publicado por Antônio Pedro Vidigal, bisavô de Gastão Eduardo de Bueno Vidigal e Luís Eulálio de Bueno Vidigal. Foto: Acervo/Memorial da Democracia
    Reprodução Arquivo Nacional
    Buscando os antepassados dos Vidigal, a reportagem do Perdas e Danos encontrou em jornais do século XIX de Sergipe registros que confirmam a prática escravista. Em 1853, em um anúncio classificado no jornal União Liberal, o avô de Gastão Vidigal, Antônio Pedro Vidigal, informa que tem interesse em comprar um escravo.

    Em 1882, o jornal O Libertador, também de Sergipe, publicou a notícia de uma mulher que enfrentava dificuldades para comprar a liberdade da própria filha e do neto, que teoricamente já tinha até nascido livre. Na hora da compra, os avaliadores convocados pelo tribunal para definir o preço da mulher escravizada aumentaram o preço em 33%, com a justificativa de que seria uma transação que daria a alforria à filha e a ao neto da compradora. Um dos avaliadores encarregados do superfaturamento era um Vidigal.

    O ramo materno da família, os Bueno, também é marcado pela exploração do trabalho escravo.

    A esposa de Gastão Vidigal, Maria Amélia Bueno, é descendente de Amador Bueno da Ribeira, capitão-mor da Capitania de São Vicente, no século XVII. No final do século XIX, o avô da Maria Amélia, Augusto Xavier Bueno de Andrade fez um empréstimo jno Banco do Brasil e como garantia ofereceu uma fazenda de café em Campinas, com tudo o que tinha dentro, incluindo 75 pessoas escravizadas, segundo a pesquisa Escravos Hipotecados..

    Hoje, o nome Gastão Vidigal batiza centenas de endereços pelo país afora: avenidas, ruas, travessas, becos, praças, um aeroporto e até uma cidade no interior de São Paulo.

    Para José Marciano Monteiro, professor da Universidade Federal de Campina Grande (PB), são demarcações feitas pelas elites que não são apenas nomes de ruas, mas lugares de memória que ajudam a manter as desigualdades

    “As disputas políticas não se dão tão somente entre os vivos. Elas também se dão entre os mortos, quando se disputam as memórias. Isso alimenta o capital simbólico. Imaginemos o que é você chegar em determinado lugar e dizer assim: esta avenida é em homenagem ao meu bisavô. Isto aciona toda uma rede de contatos, de prestígio, de status do ponto de vista do imaginário e, do ponto de vista da representação que é totalmente diferente do sujeito que vai disputar e ele não tem referências”, explica Marciano Monteiro.

    Ele lembra que foram justamente essas referências que tentaram ser apagadas no sistema escravista: “No caso das pessoas que foram historicamente escravizadas, o que mais tentaram destruir foi exatamente a memória dos seus antepassados. Porque quando você destrói a memória, você não tem mais referência”.

    Outro lado
    A Cobrasma encerrou as operações em 1998. Já Gastão Eduardo de Bueno Vidigal, do Banco Mercantil, morreu em 2001, aos 82 anos, como um dos homens mais ricos do país. A família voltou às manchetes em 2019, quando um outro banco do clã, o Banco Paulista, criado em 1990 por Álvaro Augusto Vidigal, sobrinho de Gastão Vidigal, foi investigado pela Operação Lava Jato, acusado de lavar R$ 48 milhões para a Odebrecht.

    A reportagem do Perdas e Danos entrou em contato com a assessoria de imprensa do Banco Paulista e perguntou se alguém da família aceitaria falar sobre a tradição escravista na origem da riqueza do clã e se, depois de 60 anos teriam interesse em fazer uma revisão sobre o apoio dado por integrantes da família à ditadura. Também foi perguntado sobre as acusações feitas pela Operação Lava Jato. A assessoria de imprensa do banco, esclareceu apenas que o presidente do Banco Paulista, Guti Vidigal, não é herdeiro direto do financiador da OBAN e nem tem relação com a Cobrasma.

    A reportagem também entrou em contato com a direção da Cobrasma para fazer as mesmas perguntas a Luís Eulálio Vidigal. Também foi enviado questionamento sobre a ocupação da fábrica pelo Exército em 1968, o crescimento da empresa durante a ditadura e o encerramento das atividades fabris a partir da abertura democrática.

    Não houve resposta pra nenhuma das questões.
    Agência Brasil

  • Brasil domina etapa da Copa do Mundo de boxe com 4 ouros e 5 pratas

    Brasil domina etapa da Copa do Mundo de boxe com 4 ouros e 5 pratas

    Competição em Foz do Iguaçu registrou recorde de competidores
    O boxe brasileiro foi o grande vencedor da etapa de abertura da Copa do Mundo de boxe, que chegou ao fim no domingo (26), em Foz do Iguaçu. O país liderou o quadro de medalhas entre 50 nações participantes, com quatro ouros e cinco pratas. Na segunda posição ficou a China (quatro ouros), seguida de Cazaquistão e Azerbaijão, terceiro e quarto lugares respectivamente (três ouros cada país). O desempenho no ringue superou o do ano passado, quando a Amarelinha terminou na segunda colocação (nove pódios), atrás da Polônia (10).

    Dos nove pugilistas brasileiros que disputaram as finais no domingo, quatro asseguraram o topo do pódio. O primeiro foi Luiz Oliveira, o Bolinha, que derrotou o norte-americano Sallin Ellis Bay por 5:0 na luta final da categoria abaixo dos 60 quilos. Depois foi a vez do capixaba Yuri Falcão levar a melhor sobre o japonês Nishiyama Shion nos 65 kg, com vitória por 4:1.

    Os demais ouros foram conquistados após decisão unânime dos juízes (5:0). Nascido em Conceição do Almeida, o baiano Wanderley Pereira, o Holyfield, teve um domingo dourado ao superar o croata Gabrijel Veočić no último embate dos 80 kg. Quem também comemorou o topo do pódio foi o conterrâneo Isaías Filho, o Samurai, atual vice-campeão mundial. Na final dos 90 kg, Samurai não deu chances para o espanhol sobrou diante do espanhol Enmanuel Reyes, que foi bronze olímpico nos Jogos de Paris.

    O Brasil também subiu ao pódio com cinco pratas, sendo três delas nas disputas masculinas. Natural de Rio Claro (SO), Kauê Belini, o Baby Bull, foi vice-campeão nos 85 kg após perder para o azerbaijano Sultanbek Aibaruly. Baiano de Camaçari, Kauê Belini foi prata ao ser superado pelo polonês Damian Durkacz na última luta dos 70 kg. Atleta do Corinthians, Thauan Silva perdeu a final dos 75 kg para o azerbaijano Saidjamshid Jafarov.

    Nas finais femininas, a carioca Rebeca Lima, atual campeã mundial, caiu na final dos 60 kg para a cazaque Viktoriya Grafeyeva. Já a paulista Bárbara Santos, a Bynha, foi vice-campeã após revés na luta final dos 75 kg contra a norueguesa Sunniva Hofstad.

    Este foi o segundo ano consecutivo que Foz do Iguaçu (PR) sediou a etapa inicial da Copa do Mundo. Organizada pela Federação Internacional de Boxe (World Boxing), a competição reuniu mais de 400 boxeadores, número recorde de participantes em uma só etapa. A próxima será em junho em Guiyang (China). O calendário prevê a realização das finais na cidade de Tashkent (Uzbequistão) entre novembro e o início de dezembro.
    Agência Brasil

  • Anvisa suspende venda de xaropes com clobutinol

    Anvisa suspende venda de xaropes com clobutinol

    Substância aumenta risco de arritmias cardíacas

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, nesta segunda-feira (27), a suspensão imediata da venda e do uso de todos os medicamentos que contenham a substância clobutinol. O componente é utilizado na formulação de diversos xaropes antitussígenos comercializados no mercado brasileiro.

    A decisão fundamenta-se em um parecer técnico da Gerência de Farmacovigilância do órgão, que identificou um aumento significativo no risco de arritmias cardíacas graves em pacientes que utilizam a substância. Segundo a agência, a gravidade dos efeitos colaterais supera qualquer benefício terapêutico oferecido pelo fármaco.

    A resolução foi publicada no Diário Oficial da União desta segunda (27) e já está em vigor.
    Agência Brasil

  • Emprego feminino aumenta 11%, mas desigualdade salarial persiste

    Emprego feminino aumenta 11%, mas desigualdade salarial persiste

    Mulheres recebem 21,3% a menos que os homens, segundo relatório do MTE
    A participação feminina no mercado de trabalho aumentou 11%, com ampliação das oportunidades para mulheres negras e pardas. Apesar do aumento, as mulheres continuam recebendo, em média, salário 21,3% menor do que os homens nas empresas privadas com pelo menos 100 empregados.

    Esta é uma das conclusões do 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, divulgado nesta segunda-feira (27) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

    De acordo com o levantamento, a participação das mulheres no mercado de trabalho passou de 7,2 milhões para 8 milhões de trabalhadoras, o que corresponde a um acréscimo de cerca de 800 mil postos.

    O avanço foi ainda mais expressivo entre mulheres negras (pretas e pardas), cujo número de ocupadas aumentou 29%, de 3,2 milhões para 4,2 milhões.

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    Desigualdade salarial
    Apesar do aumento do emprego, a desigualdade salarial entre homens e mulheres praticamente não se alterou em relação ao relatório anterior. Em 2023, as mulheres recebiam 20,7% menos que os homens; agora, a diferença passou para 21,3%.

    Já no salário mediano de contratação, a diferença subiu de 13,7% para 14,3%, variação considerada estatisticamente estável.

    O relatório se baseia em dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e reúne dados de cerca de 53,5 mil estabelecimentos com 100 ou mais empregados.

    Segundo o levantamento, o salário médio no país, que reúne todos os salários e divide pelo número de trabalhadores, é de R$ 4.594,89. Já o salário contratual mediano, que fica no meio da escala que considera desde o salário mais baixo até o mais alto, é de R$ 2.295,36.

    Massa de rendimentos
    A participação das mulheres na massa de rendimentos também avançou, passando de 33,7% para 35,2%. Ainda assim, o percentual segue abaixo da presença feminina no emprego, que é de 41,4%. Para alcançar esse patamar, seria necessário um acréscimo de R$ 95,5 bilhões nos rendimentos das trabalhadoras.

    “Aumentar a massa em 10,6% teria impacto no consumo das famílias e diminuiria a diferença de rendimentos entre homens e mulheres, mas isso representa custo para as empresas, o que as torna mais resistentes a promover essas mudanças”, informou, por meio de nota, a Subsecretaria de Estatística e Estudos do Trabalho do MTE.

    O levantamento também aponta avanços nas políticas internas das empresas, como ampliação de jornada flexível, auxílio-creche, licenças parentais estendidas e planos de cargos e salários. Cresceu ainda o número de estabelecimentos com menor desigualdade salarial.

    Diferenças regionais
    Por outro lado, persistem diferenças regionais. Os estados com menor desigualdade são Acre (91,9%), Piauí (92,1%), Distrito Federal (91,2%), Ceará (90,5%), Pernambuco (89,3%), Alagoas (88,8%) e Amapá (86,9%).

    Os com maior desigualdade salarial são Espírito Santo (70,7%), Rio de Janeiro (71,2%) e Paraná (71,3%).

    O relatório integra a aplicação da Lei nº 14.611/2023, que estabelece a transparência salarial como instrumento para promover a igualdade de remuneração entre homens e mulheres.

    A legislação estabelece a obrigatoriedade da transparência salarial em empresas com 100 ou mais empregados e prevê medidas para combater a discriminação e ampliar a participação feminina no mercado de trabalho.

    Agência Brasil

  • Novo Desenrola permitirá uso do FGTS para renegociação de dívidas

    Novo Desenrola permitirá uso do FGTS para renegociação de dívidas

    Programa deve ser anunciado esta semana pelo governo, diz ministro
    O novo programa Desenrola, que vem sendo chamado de Desenrola 2.0, deve ser anunciado esta semana pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e vai permitir o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para a renegociação das dívidas.

    A informação foi confirmada nesta segunda-feira (27) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, em São Paulo, após participar de reuniões com banqueiros.

    “A gente segue trabalhando com a possibilidade de usar o fundo de garantia”, disse o ministro.

    Durigan adiantou, no entanto, que haverá um limite para o uso do FGTS no Desenrola.

    “A limitação que vai ter para garantia do próprio fundo é um percentual do saque. Então é um saque limitado dentro do programa, vinculado ao pagamento das dívidas do programa, mas não necessariamente sendo maior do que a dívida”, explicou.

    Nesta manhã, o ministro esteve reunido na capital paulista com banqueiros e com o presidente da Federação Brasileira de Bancos, Isaac Sidney. Estiveram presentes os presidentes dos bancos BTG Pactual, Itaú Unibanco, Santander, Bradesco e Nubank. À tarde, ele também se reuniu com representantes do Citibank.

    “Estamos hoje concluindo as conversas com as instituições financeiras para entregar ao presidente, essa semana, o programa de renegociação das dívidas das famílias brasileiras. Estou voltando para Brasília amanhã e falarei com o presidente para que o anúncio seja feito, possivelmente, ainda esta semana pelo presidente”, disse ele a jornalistas.

    De acordo com o ministro, o novo programa Desenrola pretende reduzir os níveis de inadimplência no país, em um cenário de juros ainda elevados, mas com expectativa de queda nos próximos meses. “O programa tem aquela linha geral de exigir reduções de uma dívida que as famílias brasileiras mais sofrem hoje como o cartão de crédito, o CDC (crédito direto ao consumidor) e o cheque especial”, explicou.

    Ele também adiantou que o Desenrola vai ter um aporte do Fundo Garantidor de Operações (FGO). “Vai ter um aporte no FGO também, isso está previsto nas medidas que a gente vai colocar. Vai ser o suficiente para a gente garantir a renegociação de quem quiser fazer essa renegociação”, declarou.

    Embora não tenha fornecido mais detalhes sobre o novo programa, o ministro disse esperar que os descontos possam alcançar até 90%.

    “O que a gente está exigindo, com a contrapartida dos bancos, é que haja uma taxa de juros muito menor do que a praticada nesses três segmentos [CDC, cartão de crédito e cheque especial], que são créditos caros que as pessoas têm que tomar no Brasil. Estamos falando de taxas de juros que variam entre 6% e 10% ao mês. Então, uma dívida de R$ 10 mil, por exemplo, no mês seguinte, ela possivelmente vai ser uma dívida de R$ 11 mil. Uma família brasileira que recebe um salário médio, possivelmente não sairá desse ciclo de atualização da sua dívida. Então, com um desconto amplo, a gente vai chegar a descontos de até 90% nesse programa”, estimou.

    Ele ressaltou, no entanto, que o programa não será um “Refis periódico” e ocorrerá apenas como uma medida excepcional.

    “Tanto no Desenrola que aconteceu em 2023 quanto no de agora, tratam-se de medidas pontuais e as pessoas não devem contar com a recorrência desse tipo de medida. Nós estamos vivendo uma situação excepcional, as famílias têm um problema, estamos vendo uma guerra e vendo alguns impactos que muitas vezes fogem ao nosso controle. Mas é importante dizer que não se trata de um Refis recorrente”, ressaltou.

    Quanto ao número de beneficiados, o ministro declarou que a expectativa do governo é de que milhões de pessoas possam ser atingidas pela nova medida. “Eu espero que a gente atinja dezenas de milhões de pessoas pelo país”, limitou-se a dizer. No primeiro programa Desenrola Brasil, cerca de 15 milhões de pessoas foram beneficiadas com a negociação de R$ 53,2 bilhões em dívidas.

    Hoje à tarde o ministro ainda deve se reunir com executivos das empresas Equinor Brasil, Petrogal Brasil, Repsol Sinopec Brasil, Shell Brasil e TotalEnergies EP Brasil. Todas são do setor de petróleo e gás.
    Agência Brasil