A pré-eclâmpsia é uma complicação grave da gestação que pode colocar em risco a vida da mãe e do bebê. Caracterizada pelo aumento da pressão arterial e pela presença de alterações em diversos órgãos maternos e fetais, como rins, fígado, pulmões e cérebro materno, bem como a circulação fetal, a condição pode evoluir para quadros mais graves, como a eclâmpsia, que envolve convulsões e risco de morte. Identificar precocemente os sinais e adotar cuidados preventivos são essenciais para reduzir complicações.
De acordo com o Dr. Marcel Hisano, médico ginecologista e professor do Instituto de Educação Médica (IDOMED), a pré-eclâmpsia ainda é uma das principais causas de mortalidade materna no Brasil. De acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) e da Rede Brasileira de Estudos sobre Hipertensão na Gestação (RBEHG), estima-se que anualmente ocorram cerca de 80 mil mortes maternas e 500 mil mortes fetais. “Ela pode se manifestar a partir da 20ª semana de gestação e, em alguns casos, evoluir rapidamente para formas mais severas. Os sintomas mais comuns incluem: dor de cabeça persistente, alterações na visão, dor abdominal intensa, confusão mental e falta de ar”, explica.
Embora as causas exatas ainda não sejam completamente compreendidas, fatores como predisposição genética, hipertensão crônica, obesidade e diabetes gestacional aumentam o risco. Segundo Dr. Hisano, a prevenção passa por um bom acompanhamento pré-natal e adoção de hábitos saudáveis.
“O pré-natal regular permite a identificação precoce de qualquer alteração nos exames de rotina, bem como o início precoce de medicações para prevenção da pré-eclâmpsia. Além disso, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas dentro das recomendações médicas e controlar condições pré-existentes são medidas que podem ajudar a reduzir o risco”, afirma.
Os sinais da pré-eclâmpsia podem surgir de forma súbita, exigindo atenção imediata. O docente do IDOMED, Dr. Hisano, alerta que qualquer sintoma suspeito deve ser comunicado ao obstetra. “Não se trata apenas da pressão alta. Se a gestante perceber visão embaçada, dor de cabeça intensa e no lado direito do abdômen ou inchaço excessivo, especialmente no rosto e mãos, é fundamental buscar avaliação médica. Em alguns casos, a internação pode ser necessária para monitoramento contínuo e prevenção de complicações”.
Em situações mais graves, o único tratamento definitivo é o parto, independentemente da idade gestacional. O acompanhamento médico é essencial para avaliar a melhor conduta em cada caso e garantir a segurança da mãe e do bebê.
O luto materno e a importância do suporte psicológico
Nos casos em que a pré-eclâmpsia leva à perda gestacional, o impacto emocional na mãe e na família é profundo. O luto materno é um processo complexo e exige acolhimento especializado para que a mulher possa lidar com a dor e reconstruir sua rotina.
O psicólogo Fabrício Otoboni, professor de Psicologia da Wyden, explica que a vivência do luto materno é particular para cada mulher, mas contar com apoio profissional pode facilitar esse processo. “A perda de um filho durante a gestação ou no período perinatal é um evento de extrema dor. O acompanhamento psicológico pode ajudar a mãe a elaborar esse luto, ressignificar a experiência e evitar complicações emocionais, como depressão e ansiedade severa”, afirma.
Além do suporte clínico, redes de apoio, como familiares e grupos de mães que passaram pela mesma experiência, também são fundamentais. “O luto não tem um tempo exato para ser superado. É importante que a mãe se permita sentir e, ao mesmo tempo, encontre formas de seguir em frente com acolhimento e respeito ao seu processo emocional”, conclui Otoboni.