Quatro assentamentos localizados no município de Itaetê, na Chapada Diamantina, na Bahia, preservam belezas naturais que atravessam o tempo quase intocadas. Suas terras são guardiãs e caminhos até cachoeiras, grutas e trilhas, visitadas de maneira ambientalmente responsável.
O verão é um dos períodos de maior fluxo de visitantes, especialmente durante o carnaval. Os roteiros partem dos assentamentos criados pelo Incra – Baixão, Europa, Rosely Nunes e Santa Clara Paraguaciuma – enriquecidos pelas visitas às agrovilas e, em alguns casos, incluem até hospedagem nas casas dos moradores.
Para conhecer essas belezas naturais, é preciso fôlego e disposição. As trilhas margeiam rios, adentram florestas e passam por árvores como aroeiras, cedros e angelins, além de inúmeras bromélias e sempre-vivas.
Durante o percurso, é possível avistar urubus-rei e gaviões-caramujeiros, além de escutar o canto de tico-ticos, cardeais-do-nordeste e pica-paus-verde-barrados.
Os guias dessas áreas foram capacitados pelo Projeto Terra Sol do Incra, entre 2009 e 2013, período em que os roteiros foram organizados. Recentemente, novos treinamentos foram realizados, por meio da parceria entre o Incra e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), bem como pela prefeitura do município.
Projeto
As áreas de reforma agrária Baixão, Europa, Rosely Nunes fazem parte do projeto “Em Cantos da Chapada Diamantina”, de Turismo de Base Comunitária (TBC) que também incluem o povoado de Colônia.
A chefe do departamento de turismo da prefeitura de Itaetê, Rainara Gomes de Oliveira, destaca que o projeto objetiva proporcionar experiências autênticas entre os visitantes e as comunidades, que são guardiãs do patrimônio ambiental.
“Além disso, promove a autogestão e o cooperativismo da comunidade, bem como valoriza a cultura local e contribui para o desenvolvimento e a geração de renda das famílias”, ressalta Rainara, que é filha de assentado do Rosely Nunes.
Encantada
Com 230 metros de altura e localizada no Parque Nacional da Chapada Diamantina, a cachoeira Encantada é uma das mais conhecidas da região. Seu acesso se dá pelo assentamento Baixão, situado no entorno do parque.
São duas trilhas, uma conduz até o sopé da cachoeira e outra leva até o cume. Em ambas as trilhas, é possível avistar cânions de até 400 metros de altura, animais silvestres e pinturas rupestres.
Para chegar à parte inferior da cachoeira, a caminhada de quatro quilômetros e meio dura cerca de três horas, margeando um rio de águas avermelhadas e atravessando seixos (pedras arredondadas).
Herculano
Com um grau de dificuldade alto, a caminhada até a cachoeira Herculano – situada dentro do Parque Nacional da Chapada Diamantina – parte do assentamento Europa. O trajeto de quatro quilômetros exige cerca de duas horas de caminhada.
Com mais de 100 metros de altura, a cachoeira é composta por três quedas d’água que brotam de um paredão rochoso de tom alaranjado.
Além da Herculano, os visitantes podem conhecer a casa de artesãos locais e um terreiro de Jarê, religião exclusiva da Chapada Diamantina de origem africana, que ganhou destaque no livro “Torto Arado”, de Itamar Vieira Junior.
Próximo ao assentamento Europa, também há trilhas que levam às cachoeiras Bom Jardim e Roncadeira, situadas no povoado de Colônia, em que os condutores de visitantes do Europa também fazem o roteiro.
Invernada
A cachoeira Invernada, situada no Parque Natural Rotas das Cachoeiras, em Andaraí, tem sua trilha de acesso a partir da área de reforma agrária Rosely Nunes.
O percurso até o destino é de aproximadamente seis quilômetros e leva, em média, uma hora e meia.
A queda d’água da Invernada forma espumas, encantando os visitantes. Já o poço em sua base, com 65 metros de diâmetro, convida a um banho refrescante.
Gruta
O roteiro até a Gruta Lapa do Bode é pela área de reforma agrária Santa Clara Paraguaciuma, um atrativo pouco visitado e de fácil acesso, com suas intrigantes formações rochosas. Dentro da gruta, há galerias que formam um labirinto de cavidades naturais, esculpidas pelo tempo e pela ação da água.
A visitação à Lapa do Bode só é possível quando não há alagamento, o que ocorre entre os meses de fevereiro e novembro. A gruta está situada às margens do Rio Una. Lá, foi identificado uma rara espécie de inseto, o besouro cego.