Um dos jovens baleados durante uma operação da Polícia Militar, no sábado (24), véspera de Natal, no bairro do Nordeste de Amaralina, em Salvador, morreu na madrugada desta quarta-feira (28). A vítima que morreu foi identificada como Marcelo, de 19 anos.
Além de Marcelo, um homem identificado como Adeilton, de 34 anos, também foi baleado na ação. Os dois foram socorridos e levados para o Hospital Geral do Estado (HGE).
Segundo relato de moradores, os policiais teriam chegado atirando no local. Daiane, irmã de Adeilton, disse que ele foi atingido por quatro tiros e passou por duas cirurgias.
“Estávamos em um momento de Natal em família, se divertindo e eles [policiais] chegaram atirando. Se não fosse o pessoal aqui, eles iriam matar meu irmão, dizer que foi troca de tiros e jogar drogas em meu irmão [para armar um flagrante]”, relatou revoltada.https://8c7972e15caf11cbff53aed6f92adc42.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-40/html/container.html
Por meio de nota, a PM informou que equipes da Companhia Independente de Policiamento Tático (CIPT)/Rondesp Atlântico localizaram homens armados que, ao avistarem as equipes, teriam atirado contra os policiais. Conforme informações da unidade, houve revide, mas os suspeitos fugiram.
Ainda na nota, a PM disse que, em outra localidade, conhecida por Alto do Capim, moradores informaram que havia um homem baleado, sem indicação de autoria ou circunstância. Os militares prestaram socorro e encaminharam o ferido para o HGE.
Em outro ponto, conhecido como “Cracolândia”, a equipe foi acionada para atendimento de outro homem ferido em via pública, segundo a PM. Ele também foi socorrido pelos policiais para o HGE. As ocorrências foram registradas no posto policial da unidade de saúde.
O caso é investigado pela Polícia Civil.
Moradores pedem justiça
Moradores do Nordeste de Amaralina se reuniram, na segunda, para pedir justiça pelo ocorrido. Eles seguraram cartazes com diversas frases como: “queremos paz”, “queremos respeito” e “as crianças não podem brincar”.
A mãe de Marcelo disse que a situação é recorrente no local. “Sempre acontece da mesma maneira. Eles [policiais] vêm por aqui e deixam a viatura do outro lado, fazem um cerco”, explicou Ivani.
A irmã do outro morador baleado criticou o modo como os policiais agiram na região. “Eles [policiais] têm que fazer o trabalho deles, não é [ir] chegando e atirando, porque ninguém aqui é vagabundo. Todo mundo aqui trabalha”.
“Uma coisa é chegar e falar: ‘estamos aqui abordando, verificando’. Agora chegar atirando… Cadê os tiros? Cadê a arma? Meu irmão está lá no hospital com quatro balas, passou por duas cirurgias, está de sonda. Como vai ser a vida da minha família agora? E os gastos que a gente vai ter?”, questionou.
G1