Curso sobre Cozinha ancestral é encerrado após percorrer 10 territórios

Postado em 09/08/2017 1:48
quiabada

Onjé Darugbô capacitou 300 pessoas no preparo e conhecimento de pratos tradicionais, como xinxim, sarapatel, caruru, rabada e quiabada

Após percorrer 10 territórios de identidade baianos com o curso gastronômico internacional Onjé Darugbô (comida ancestral), a Cozinha Itinerante do babalorixá Roberto Santana (Pai Roberto) encerra as atividades com a realização de um evento aberto ao público, no Quiepe Esporte Clube, em Camamu, nesta quinta-feira (10), a partir das 12 horas. O curso capacitou merendeiras, chefs de cozinha, donos de restaurante e hotéis, quilombolas e donas de casa no preparo de pratos tradicionais como xinxim, sarapatel, caruru, rabada e quiabada, além de contextualizar historicamente como esses pratos foram criados.

Camamu recebeu a última turma, começando no dia 07 (segunda-feira) e o encerramento contará com a participação de autoridades e a entrega dos certificados para a turma de 30 alunos, agora capacitados para oferecer ao público o melhor da culinária ancestral que se desenvolveu na Bahia. “São receitas que estão na minha família desde minha tataravó, escrava, e que foram repassados para minha bisavó, que nasceu quando já vigorava a Lei do Ventre livre. São dois séculos de história”, conta Pai Roberto, que vem recebendo diversos convites para desenvolver a capacitação em outras cidades.

O curso percorreu cidades como Conceição do Coité, Itaberaba, Jequié, Itacaré, Itambé, São Francisco do Conde, Manoel Vitorino e Dias D’ávila, capacitando 300 pessoas. “Muitos chegavam tímidos e iam se tornando mais participativos ao longo do curso. Ao final, tem sido sempre gratificante a resposta das pessoas, muitas delas felizes pelo seu primeiro certificado”. A realização do curso, gratuito, foi possível graças ao apoio do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura da Bahia. O projeto foi selecionado na linha de Formação e Qualificação dos Editais Setoriais 2016.

“O curso é o desdobramento de uma série de atividades, com apoio do Governo, que desenvolvemos desde 2012, já tendo gravado um DVD – que foi entregue aos participantes do Ojé Darugbô –, participação em evento nos Estados Unidos e agora com o apoio do Fundo de Cultura”, informa Pai Roberto. Segundo ele, os pratos fazem parte também da história do Estado e do País, de um tempo em que os negros escravizados nas senzalas tiveram que incrementar os alimentos que sobravam ou não eram utilizados pela Casa Grande. Provavelmente, a primeira experiência gourmet em terras brasileiras.

De acordo com o superintendente de Promoção Cultural da SecultBA, Alexandre Simões a realização do curso e o alcance de 10 territórios destacam o papel do Fundo de Cultura da Bahia na promoção e preservação das tradições culturais baianas e brasileiras. “O FCB, através dos Editais Setoriais 2016 reservou espaço para Culturas Populares, Capoeira, Economia Criativa, Grupos e Coletivos Culturais, Territórios Culturais, Circo, Culturas Identitárias e Populares, promovendo a cultura popular e o que de melhor se faz na Bahia. O trabalho realizado por Pai Roberto não só capacita, como também preserva e projeta a identidade baiana”.

O projeto – “Onjé Darugbô, cozinha ancestral itinerante” visa perpetuar e difundir saberes e tradições da matriz africana. A iniciativa promoveu a qualificação em gastronomia étnica e sua inserção na economia criativa, dando continuidade a uma iniciativa da Associação Civil Filhos de Bárbara de promoção da cultura ancestral negra na Bahia, que teve início com o documentário “Onjé Darugbô, comida ancestral”, realizado em 2015. O programa é composto por dez oficinas com carga horária de 30. A oficina consistiu em aula teórica sobre senzalas da Bahia e do Brasil colônia e império e as condições culinárias da época. O foco principal são os dos 12 pratos apresentados no documentário. A Associação Civil Filhos de Bárbara pode ser contatada através do telefone (71) 4103-2512.

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