Médico alerta sobre riscos da hidrolipo em consultórios

Postado em 03/12/2018 10:11

Retirar uma gordurinha aqui, outra ali, aumentar o bumbum ou diminuir a barriga são desejos estéticos que acabam levando muita gente a fazer os procedimentos em consultórios.

A hidrolipo, por exemplo, é uma das mais procuradas, por ser “vendida” como um tipo de lipoaspiração de consultório. O cirurgião plástico Bernardo Ramalho alerta que não é bem assim.

Processos invasivos para retirada de gordura localizada oferecem riscos e os pacientes que se submetem à hidrolipo em consultório estão colocando a própria vida em risco.

— Alguns profissionais passam a ideia de que a hidrolipo é mais segura pois o paciente não necessitar ficar internado. O risco existe por não se fazer em local próprio e diversas vezes por não cirurgiões plásticos. Além disso, em consultório, o profissional tem um limite anestésico (já que não há anestesista e nem material para tal).

O médico avalia que, muitas vezes, o que é feito são lipoaspirações parceladas em algumas sessões, o que aumenta ainda mais os riscos.

— Na cirurgia plástica, a gente precisa de três pilares para ter segurança: operar em hospital que tenha CTI, ter o anestesista e ter o cirurgião plástico, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. As pessoas têm a falsa ideia de que em consultório é mais seguro, por não precisar de internação. Mas na realidade, cada sessão de hidrolipo é uma verdadeira roleta russa. Cada vez que você vai no consultório, realizar esse tipo de procedimento, eleva as chances de complicações.

O especialista afirma que qualquer procedimento oferece riscos. Na lipoaspiração, por exemplo, o paciente pode ter complicações graves como choque anafilático, parada cardíaca, entre outros. Se realizadas em ambientes próprios, é mais fácil resolver o problema caso ocorra qualquer imprevisto

— Dentro de um centro cirúrgico, no hospital com CTI, existe todo o aparato para uma possível reversão da intercorrência. Já  consultório, ou clínica, não tem instrumentos e muito mais dificuldade. Como por exemplo, fazer a maca entrar no elevador em prédio comercial. Quando ocorre uma parada cardíaca, cada minuto é precioso.

Muito dos casos de morte por procedimentos estéticos são causados pois os profissionais não são habilitados.

Bernardo Ramalho lembra que apenas cirurgiões membros da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica podem realizar procedimentos estéticos invasivos.

— Há por aí um grande número de profissionais que não são cirurgiões plásticos e realizam esta cirurgia por julgarem simples. Acabam acontecendo fatalidades. Têm dentistas fazendo lipoaspiração, ginecologista e outros profissionais que não são aptos para este procedimento. No ano de 2016, morreram sete pacientes e nenhum dos casos estavam operando com cirurgião plástico.

Lipoaspiração não é para emagrecer

A lipoaspiração, lembra o dr. Ramalho, não é a indicação ideal para os que desejam perder peso. Ela serve para retirar gordura localizada, como, por exemplo, no abdômen, culote, dorso, parte interna nas pernas e braço.

— Por medida de segurança, o máximo que se pode retirar é 7% do peso corporal do paciente. Paciente que quer emagrecer deve fazer dieta e exercícios físicos. Depois disso, caso fique com gordura localizada, é indicado a lipoaspiração.

O  procedimento pode demorar, em média, de três a cinco horas, dependendo do local da operação. Quem você está fora do peso, primeiro deve emagrecer e, depois, se quiser retirar os excessos que persistem, procurar um cirurgião habilitado.

— Não façam hidrolipo. Muitas pacientes procuram a hidrolipo por indicação de alguma amiga que já tenha feito. Porém, saiba que é proibido, perigoso e pode custar a sua vida.

R7

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