Dia: 20 de fevereiro de 2025

  • Mangueira: enredo vai mostrar permanência da cultura Bantu no Rio

    Mangueira: enredo vai mostrar permanência da cultura Bantu no Rio

    Muitas das palavras que o brasileiro fala e escreve não têm origem portuguesa, mas africana. Por exemplo: quiabo, angu, quilombo, samba, quitute e tantas outras são do idioma Bantu, que se refere a um grupo de línguas e culturas originários da região dos Grandes Lagos da África, onde atualmente se localizam países como Tanzânia, Quênia e Uganda, incluindo a África do Sul, Angola, Moçambique, Zimbábue e outros países.

    No Brasil, quando os ex-escravos queriam se proteger iam para as chamadas Casas de Zungu. Elas representavam um pedaço da história e cultura afro-brasileira. Originalmente, os zungus eram locais onde os ex-escravos se reuniam para cozinhar e compartilhar comida, especialmente o angu, um prato à base de milho moído.

    Os zungus também eram centros de resistência e cultura africana. Lugares onde os eles podiam se reunir, compartilhar histórias, cantar, dançar e praticar suas tradições. Eram verdadeiros quilombos dentro das cidades, onde os africanos e seus descendentes podiam se sentir em casa.

    É essa história que o enredo da Mangueira, para o carnaval deste ano, vai dar visibilidade: a cultura dos povos Bantu no Rio de Janeiro. E a escolha começou quando o economista, pesquisador e professor, Sidnei França, foi convidado para ser carnavalesco da Verde e Rosa. A presidente da escola, Guanayra Firmino, não tinha um enredo pré-estabelecido e deu liberdade para ele escolher o que quisesse.

    E assim foi feito, com base em muita pesquisa, Sidnei desenvolveu o enredo autoral em cima do tema À Flor da Terra – No Rio da Negritude Entre Dores e Paixões, que surgiu da leitura de uma dissertação de mestrado do professor de história da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Júlio César Medeiros, do livro A Flor da Terra no Cemitério dos Pretos Novos no Rio de Janeiro. A publicação fala da chegada dos pretos escravizados na diáspora que não tiveram, um olhar humano e sensível do colonizador.

    Um dos maiores campeões do carnaval de São Paulo, em 2009, 2012, 2013 e 2014 pela Mocidade Alegre, onde filho de uma passista frequentava a escola desde menino; e um campeonato pela Águia de Ouro em 2020, Sidnei França está confiante que o enredo de 2025 da Estação Primeira tem condição de lutar pelo título no Grupo Especial, considerado a elite do carnaval do Rio.

    “Aqui chegaram pretos enfermos outros até já mortos nos porões dos navios, os tumbeiros e eles eram jogados na região da Pequena África, próximo ao Cais do Valongo [região portuária do Rio].Ali era uma cova rasa, uma cova onde não havia identificação de corpos e não havia respeito”, disse à Agência Brasil, destacando um dos motivos para contar essa história que marca muito as características da sociedade carioca que mistura indígenas, colonizadores europeus e, principalmente, população preta que veio escravizada de África.

    “A morte para o povo preto no Rio de Janeiro não era a morte física, a ausência da vida. Era o rompimento com os laços ancestrais que o homem branco causava, que inclusive era uma ferramenta de colonização. Quando você rompe com a questão identitária, você mata duas vezes”, completou, dizendo que todos esses códigos estão presentes na escolha do tema para o carnaval 2025 da Mangueira, prontamente entendidos pela diretoria da escola e gerando imediato sentimento de identificação.

    Segundo Sidnei, 80% dos negros desembarcados no Rio eram da cultura Bantu da África Central, que entre outros países compreende os dois Congos, Angola. A predominância levou à escolha de basear o enredo na cultura Bantu Nosso discurso é bantu até em respeito a essa predominância, essa maioria que tem nas estatísticas. A cultura Bantu entende essa travessia como uma força espiritual que vai muito além de um tráfico que o homem branco praticou.

    “A ideia não é reforçar o viés de passividade, de conformismo e muito menos de vitimização jamais. Vamos mostrar da perspectiva preta o tempo inteiro”, revelou,

    A identificação do Morro da Mangueira e de componentes da escola com o enredo foi automática. Adoram se reconhecer no tema que a escola apresenta na Sapucaí. Na visão do carnavalesco por ser uma escola tradicional, quilombada e a única do Grupo Especial do Rio, que tem a sua sede no Morro, na favela de fato, para a Mangueira esse discurso identitário, racial, étnico e até mesmo sociocultural é muito forte. Uma escola como a Mangueira levar para o seu desfile esse discurso da identidade preta essencialmente carioca é muito valoroso.

    Enredo

    Para contar tudo isso, o carnavalesco dividiu o enredo em setores. O desfile começa pela travessia de pretos escravizados da África para o Rio. Para tratar da religiosidade, segue com as práticas de sincretismo com a identificação de santos católicos com orixás do candomblé e da umbanda, como São Jorge e Ogum, e que ainda hoje são muito fortes e não é percebida como influência Bantu.

    Rio de Janeiro (RJ) 03/02/2025 – Confecção de fantasias da Estação Primeira de Mangueira no barracão da escola, na Cidade do Samba, sobre o enredo
    Rio de Janeiro (RJ) 03/02/2025 – Confecção de fantasias da Estação Primeira de Mangueira para o Carnaval 2025.. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil – Fernando Frazão/Agência Brasil

    No terceiro setor, é que estão as Casas de Zungu. “Era muito comum os pretos que fugiam se esconderem em um primeiro momento nas Casas de Zungu para ganhar espaço de acolhida. As Casas de Zungu tinham panos brancos nas janelas para justamente como um sinal de Oxalá, ter proteção e assistencialismo de um preto para com o outro. Era Casa de Zungu, porque servia angu. As cozinheiras as pretas velhas, as matriarcas ofereciam pratos de angu para acolher aqueles pretos fugidos e até os escravizados trabalhadores que percorriam as ruas do Rio vendendo produtos dos seus senhores. Levando e trazendo roupa para lavar”, informou, acrescentando que esses locais tinham uma importância política e sócio cultural muito forte.

    Segundo o carnavalesco, atualmente foram mapeadas mais de 50 Casas de Zungu no Rio e os imóveis onde eram erguidos hoje já substituídos por outras construções são identificados com placas. “Isso é comprovação, não é uma espécie de lenda urbana, um factoide, uma fábula romântica da negritude carioca. Isso é fato. Eram espécies de complexos habitacionais, uma espécie de cortiço. Apesar de se chamar Casa de Zungu, não eram como uma casa, era uma espécie de vilarejo, grandes centros de convivência preta do Rio antigo”, completou.

    Durante as pesquisas chegou a informação de que esses locais sofriam perseguição da polícia. “Havia muitas tentativas de apagamento. Existem relatos de desmonte desses espaços. Então construíam uma Casa de Zungu aqui, depois de cinco meses aparecia uma outra”, disse mostrando a resistência dos pretos da época.

    “Aí eles [policiais] tinham que conviver com tudo isso, porque imagina qual era o percentual de pretos no Rio de Janeiro. Se eles também fossem muito repressores, virava uma guerra civil, virava um levante. Quantos códigos e a presença Bantu nesse Rio das Casas de Zungu”, concluiu.

    O setor seguinte vai caminhar para o século 20 e mostra as contribuições Bantu com o surgimento dos omolocôs que, segundo o carnavalesco se codifica em um sistema religioso e vira a umbanda “É nesse setor que vamos falar da importância do quiabo, que aliás é uma palavra bantu. Vamos mostrar a importância Bantu no idioma. O Idioma falado e posteriormente escrito por nós brasileiros transformou totalmente. Toda a característica do português praticado no Brasil, diferenciado do português de Portugal, foi firmemente afetado pela tradição Bantu. Então palavras como quitanda, quitute, carinho, dengo, xodó, quiabo, quilombo, samba, bunda é tudo Bantu. Olha quanto está no nosso linguajar presente e a gente não sabe de onde veio”, ressaltou.

    A Mangueira vai mostrar também a prática do gurufim, “que durante muito tempo foi praticado no subúrbio carioca que é não chorar a morte, mas festejar, as festas para beber defunto. Isso é bantu. A cultura Bantu não entende que a morte é um fim. É a passagem para uma outra existência”, disse, acrescentando que o Rèveillon de Copacabana é de origem Bantu.

    Rio de Janeiro (RJ) 03/02/2025 – Confecção de fantasias da Estação Primeira de Mangueira no barracão da escola, na Cidade do Samba, sobre o enredo
    Rio de Janeiro (RJ) 03/02/2025 – Confecção de fantasias da Estação Primeira de Mangueira no barracão da escola, na Cidade do Samba. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil – Fernando Frazão/Agência Brasil

    “Muitas pessoas vão para Copacabana todos os anos, se vestem de branco, pulam onda, estouram fogos no céu e não sabem que isso é Bantu. Ainda levam uma rosinha para Iemanjá e depois fala que é contra macumba”, observou.

    Quase no encerramento, a escola vai trazer dois ritmos musicais que têm a ver com a cultura Bantu: o samba e o funk. “O samba é muito Bantu que vem do semba de Angola e o funk dos morros cariocas. Vai se percebendo o quanto a cultura Bantu foi sendo invisibilizada e o que a Mangueira quer é remexer nessa gaveta e trazer essa riqueza cultural. Vai se percebendo o quanto a cultura Bantu foi sendo invisibilizada, e o que a Mangueira quer é remexer nessa gaveta e trazer essa riqueza cultural”.

    O último setor o enredo se relaciona com o tempo presente e transforma o desfile da Mangueira em um grande manifesto sociopolítico. “A Mangueira se veste como uma autoridade da cidade do Rio de Janeiro para debater algumas questões ligadas à marginalização, à invisibilização e traz para o centro do debate a figura do cria”, apontou.

    “A figura do cria nos morros cariocas é o nosso amanhã e se o amanhã vai ser próspero e se vai ser iluminado para nos redimir de um presente caótico depende do como a gente vai tratar essas crias. Não adianta jogar essa responsabilidade para essas comunidades como se elas fossem verdadeiros celeiros de tráfico, de criminalidade, de maternidade precoce, de violência explícita com as chamadas balas perdidas “, acrescentou Sidnei.

    Cria da Mangueira

    Dowglas Diniz, 27 anos, é uma dessas pessoas que fazem parte do projeto da presidente Guanayra Firmino de botar crias da comunidade em funções importantes da escola. Nascido e criado no Morro da Mangueira, ele é um dos intérpretes da Estação Primeira. “Para mim saber o que os componentes vão sentir por estarem ouvindo a minha voz é motivo de orgulho e de muita honra por ser a voz da minha comunidade, onde nasci e fui criado. Todos os mangueirenses podem confiar em mim, que seremos um só. Sempre vou estar ali cantando e representando essa escola maravilhosa que me fez tornar tudo que sou hoje”, disse à Agência Brasil.

    Para Dowglas, ser cria da Mangueira é estar no dia a dia da comunidade, da escola, é subir o morro descalço, ir para a quadra e para o samba. “Isso para mim é ser cria de verdade. Cria é meter a mão na massa em tudo que a escola precisar. É estar ao lado da escola tanto nos momentos bons, quanto ruins”, salientou.

    Como intérprete, Dowglas participa de um dos momentos mais emocionantes dos desfiles das escolas. Para começar a empolgar o público é hora de fazer o chamado “esquenta”, de frente para o setor 1, que são arquibancadas populares, geralmente, ocupadas por torcedores das agremiações, na Passarela do Samba. Os intérpretes costumam cantar sambas de quadra ou de enredo de anos anteriores. Ali também os componentes da bateria entram e fazem uma apresentação para esse público diferenciado porque é muito animado.

    “Quando a bateria sobe ali no ‘esquenta’ do setor 1 é um mix de emoções, porque toda a nossa história está entrando na avenida, todo um trabalho de barracão, das pessoas que trabalham um ano inteiro para botar um carnaval na rua, de nós que ensaiamos semanalmente para mostrar tudo naquele dia de espetáculo. Pra mim é muito gratificante, muito emocionante. Ali é como se fosse uma guerra. A nação mangueirense vai com garra e quando a bateria sobe, no setor 1, é aquele aperto no coração e sempre buscando o ideal, sempre buscando o sucesso da Estação Primeira de Mangueira”, descreveu o sentimento.

    Trabalho no barracão

    O trabalho no barracão na Cidade do Samba para desenvolver tudo que o carnavalesco quer é árduo, mas segundo o costureiro Alisson Cardoso, 27 anos, que entre outras confeccionou fantasias da ala das crianças, é de muito prazer estar ali mais um ano fazendo parte do carnaval do Rio de Janeiro.

    “A gente se sente realizado. São vários dias de trabalho, várias horas sem dormir e cada vez que vai chegando mais perto é mais trabalho ainda. No final a gente se sente muito gratificado porque foi muita correria, mas o trabalho ficou bonito e o melhor é saber que foi a gente que fez. Quando é campeão então… espero que este ano seja”, disse à Agência Brasil, completando que já desfilou algumas vezes. “Mas eu gosto mesmo é de ficar nos bastidores preparando as coisas”, disse Alisson.

    Samba

    O samba enredo deste ano é mais uma aposta da escola na busca pelo título e promete empolgar ainda mais os componentes que gostaram da composição. O carnavalesco está confiante também com o samba enredo, que para ele tem passagens muito fortes, como o verso que fala ‘o alvo que a bala insiste em achar/lamento informar…um sobrevivente’.

    “Se tem uma prática sistêmica na cidade do Rio de colocar os corpos pretos como vulneráveis, cada um que sobrevive a cada dia, é um fracasso para o sistema e uma vitória para a negritude. É um samba muito potente no sentido de entregar a posição do discurso que a escola traz.

    França destacou ainda outro momento do samba quando diz que ‘hoje no asfalto a moda é ser cria, quer imitar meu riscado, descolorir o cabelo, bater cabeça no meu terreiro’.

    “Isso está falando diretamente de apropriação cultural, ou seja, você me critica tanto, mas também pinta o cabelo, também samba, também faz funk. Acha que está na moda dizer que é macumbeiro e bota uma guia no pescoço. É entregar identidade a quem realmente lhe pertence”, analisou.

    “É por isso que o enredo se chama À Flor da Terra: no Rio da negritude entre dores e paixões, ou seja, um eterno duelo da negritude para equilibrar as suas dores e paixões e continuar firme na missão de representar a tradição Bantu que um dia chegou aqui forçadamente mas que hoje encontra no Rio de Janeiro o seu lugar”, concluiu Sidnei França.

    Estreia

    França se sente privilegiado em começar no carnaval carioca logo na Mangueira. Carnavalesco que até agora desenvolvia enredos em escolas de samba de São Paulo disse que “entrou na casa pela porta da frente”, por estar na Estação Primeira, uma escola tradicional e de muita história no carnaval carioca. O convite recebido por WhatsApp da presidente Guanayra Firmino é lembrado com detalhes. “Dia 17 de fevereiro de 2024, que foi quando recebi a mensagem, dia dos desfiles das campeãs do carnaval de 2024, 11h30 da manhã, olha como as coisas ficam firmes na memória”, destacou.

    A felicidade de estar à frente da Estação Primeira vai além. “De estar a quase um ano, conhecer intimamente o Morro de Mangueira, as pessoas que fazem a Estação Primeira, andar no Buraco Quente e Chalé, enfim todos os locais [do Morro], e falar que por aqui andou Cartola, Nelson Sargento, Nelson Cavaquinho, Dona Zica, Dona Neuma, mais recentemente Beth Carvalho, Alcione, Delegado, Xangô da Mangueira, que inclusive é pai do nosso mestre-sala. É muito forte e muito simbólico. Mesmo com toda a responsabilidade a mim atribuída, manter um olho brilhando de um menino que se identifica com o samba e com o carnaval e estar na Mangueira é um grande presente na vida”, contou.

    A história que a escola vai contar na avenida é de muita identificação com a sua representatividade. “É tudo muito potente e tudo muito autêntico. É um enredo que só a Mangueira podia levar, pela maneira como ele foi construído, quando você fala da única escola que tem a sua quadra, a sua vivência sambística dentro da sua comunidade, isso é muito forte. Tem discursos, que só a Mangueira pode levar e são eles, a voz do cria, a voz do Morro, a Mangueira fala com pertencimento. É muito verdadeiro. Isso está sendo potencializado pela atual gestão. Que as crianças do hoje entendam qual é a mensagem que a gente está passando e que eles vão ser no futuro”, finalizou França.

    A Mangueira será a quarta escola a desfilar no primeiro dia dos desfiles do Grupo Especial, no domingo (2), na Passarela do Samba da Marquês de Sapucaí.

    Agência Brasil

  • Brasileiros escravizados em Myanmar chegam a São Paulo

    Brasileiros escravizados em Myanmar chegam a São Paulo

    Os dois brasileiros que foram escravizados em Myanmar, na Ásia, disseram estar aliviados logo após desembarcarem na tarde desta quarta-feira (19) no Aeroporto Internacional de Guarulhos. 

    As vítimas de tráfico humano, Luckas Viana dos Santos, de 31 anos, e Phelipe de Moura Ferreira, de 26 anos, foram seduzidos por promessas de emprego na Tailândia, mas acabaram sequestrados e levados a Myawaddy, cidade de Myanmar, país que vive em guerra civil.

    Aprisionados, eles contaram que eram obrigados, por uma máfia local de origem chinesa, a aplicar golpes financeiros, pelo Whatsapp, para arrecadar recursos para a organização. Caso não conseguissem alcançar metas, eram torturados.

    “Muito difícil estar lá. Eles batiam na gente quase todos os dias. Tinha máquina de choque também. A gente sofreu bastante. Essas aqui são marcas das algemas, a gente ficava 17 horas presos assim”, disse Luckas dos Santos.

    “[Agora] eu estou feliz, estou feliz de estar aqui com a minha mãe. Eu sei que ela ficou muito preocupada”, acrescentou.

    Antes, Luckas trabalhou nas Filipinas, em uma empresa de games, e depois em um hostel, na Tailândia. Até que encontrou uma proposta de emprego de R$ 8 mil por mês e decidiu aceitar, em outubro do ano passado.

    “Eu peço para o pessoal ver bem as oportunidades que eles estão recebendo, porque, como aqui no Brasil o salário não é tão bom, fica a ilusão, porque é como se fosse cinco, seis vezes mais [o salário]. E, no caso, eu aceitei [a proposta] porque eu já estava na Tailândia e eu estava procurando alguma coisa lá. Um amigo me mandou no grupo, e achei que era algo sério”, disse.

    Tortura e plano de fuga

    Os brasileiros contaram que tentaram fugir do local onde estavam aprisionados, mas acabaram sendo pegos e torturados. O complexo onde eles ficaram era vigiado por cerca de 300 homens armados.

    “A gente não conseguiu fugir. A gente bolou o plano, só que nesse plano a gente tinha que escalar três montes e correr mais 22 quilômetros para tentar cruzar um rio para chegar na Tailândia. Eu consegui escalar um monte. No terceiro monte, veio um guarda com uma faca e mandou eu voltar. E foi isso. Eles pegaram todo mundo”, disse Phelipe.

    “Aí, eles espancaram a gente, tanto que eu tenho aqui [mostrando um hematoma]. Minhas pernas também estão todas roxas. Espancaram a gente. E ficaram ameaçando a gente, falando que a gente nunca ia sair de lá, que a gente iria morrer”, acrescentou.

    Segundo Phelipe, a saída deles do local ocorreu com a ajuda da ONG Exodus Road Brasil e um acordo com o Exército Budista Democrático Karen (DKBA), grupo rebelde armado que domina a região onde fica a máfia que escravizou os brasileiros .

    O jovem esperava mais apoio das autoridades brasileiras na operação de resgate e informou que as passagens de volta foram pagas pelo Itamaraty.

    O Ministério das Relações Exteriores foi procurado nesta quarta-feira (19), mas ainda não se manifestou.  No último dia 12, em nota, o ministério informou que, por meio das embaixadas em Yangon, no Myanmar, e em Bangkok, na Tailândia, vinha solicitando os esforços das autoridades competentes, desde outubro do ano passado, para a liberação dos brasileiros.

    O Itamaraty acrescentou que busca conscientizar os brasileiros que buscam emprego no exterior sobre os riscos do tráfico e contrabando de pessoas, com guias online e informes sobre os perigos das ofertas de empregos no Sudeste Asiático.

    Agência Brasil

  • Festival Raízes de Porto Seguro na Bahia celebra toda Ancestralidade Africana.

    Festival Raízes de Porto Seguro na Bahia celebra toda Ancestralidade Africana.

    A edição de 2025 do Festival Raízes de Porto Seguro está chegando e vem para homenagear e celebrar toda força e representatividade da Ancestralidade Africana na história e gastronomia brasileira, e especificamente na culinária baiana. O Festival é uma realização da Abrasel, correalização da Prefeitura de Porto Seguro (através da Secretaria de Turismo), Senac e com o apoio do Sebrae. O tema central do evento, que acontecerá de 11 a 30 de abril, é focado nas influências africanas na nossa cultura, e tem como objetivo manter vivos os sabores e as tradições que o tempo não apagaram. As inscrições para os estabelecimentos participantes já estão abertas.

    O Festival Raízes acontecerá na cidade de Porto Seguro e seus distritos: Arraial d’Ajuda, Trancoso e Caraíva. A edição do ano anterior foi um verdadeiro marco, reafirmando o compromisso com a cadeia produtiva local, incentivando o uso de ingredientes e materiais da região, e com isso trazendo um retorno direto e significativo na economia regional. Foram cerca de 6 milhões de reais injetados na economia e um alcance de 2 milhões de pessoas pelas redes sociais, a edição deste ano promete atingir números ainda maiores.

    Desde o momento de sua origem, o Festival Raízes tem na essência de seu DNA o apelo a temas que transcendem aos paladares e que constroem os pilares da gastronomia nacional. Falar sobre a Ancestralidade Africana é contar sobre as ricas histórias por trás de cada prato, ingrediente e insumo. Colocando esse tema em evidência, se põe em destaque a importância de se valorizar a história e a forte influência do povo africano na nossa gastronomia e cultura. Vários pratos nacionalmente conhecidos tiveram a sua origem e a sua construção através dos imigrantes africanos.

    Para a edição do Festival Raízes desse ano, todos os restaurantes participantes desenvolverão pratos que seguirão as técnicas e modo de preparo que foram contribuições das nossas raízes africanas e que ainda hoje em dia estão presentes na nossa cultura alimentar. Mais que um evento, o Festival Raízes é um momento de honrar as tradições e fortalecer os laços entre arte culinária e memória afetiva. Saiba mais nas redes sociais do evento @raizesdeportoseguro.

  • CineBlue exibe ‘O Auto da Compadecida’ e celebra o cinema brasileiro no Blue Praia

    CineBlue exibe ‘O Auto da Compadecida’ e celebra o cinema brasileiro no Blue Praia

    Celebrando o cinema nacional, que vive um excelente momento, com a produção “Ainda Estou Aqui” com três indicações ao Oscar, a próxima edição do CineBlue, no Blue Praia, no Rio Vermelho, escolheu um clássico do audiovisual brasileiro. A sessão do próximo dia 21 de fevereiro (sexta-feira), às 20h, vai exibir “O Auto da Compadecida”, com Selton Mello e Matheus Nachtergaele.

    As aventuras de João Grilo e Chicó, dois nordestinos astutos que enfrentam nobres, cangaceiros e até o destino com muito bom humor e esperteza, traz uma história cheia de cultura, crítica social e, claro, a compaixão divina da Nossa Senhora à Praia do Buracão.

    O CineBlue mantém a proposta do beach club de proporcionar uma experiência diferenciada de cinema, resgatando grandes sucessos das telonas sob a luz das estrelas, com pé na areia e entre as mantas, camas e redes flutuantes espalhadas pelo espaço. Na chegada ao Blue, os clientes são recepcionados com uma Corona – inclusive a opção Cero (zero álcool) –, acompanhada, claro, de um saquinho de pipoca, para uma experiência completa de cinema à beira mar.

    Ao longo da exibição, o restaurante funciona normalmente com um menu à la carte para deixar a noite ainda mais saborosa. Os ingressos – R$ 120/pessoa – são vendidos pela Ticketmaker.

     

  • Racing x Botafogo

    Racing x Botafogo

    O Botafogo inicia, a partir das 21h30 (horário de Brasília) desta quinta-feira (20), a busca do inédito título da Recopa Sul-Americana. Para isto o Glorioso enfrenta o Racing (Argentina) no estádio El Cilindro, em Buenos Aires, em jogo que terá a transmissão da Rádio Nacional.

    Após perder o título da Supercopa do Brasil (diante do Flamengo) e passando por um momento de baixo aproveitamento no Campeonato Carioca, competição na qual não vence há duas rodadas (com derrota para o Madureira e um empate com o Boavista) e ocupa a 6ª posição da tabela, fora da zona de classificação para as semifinais, o Alvinegro quer voltar a viver momentos de glórias.

    Em entrevista coletiva, o técnico Caçapa, que está no comando interino da equipe, deixou claro que o objetivo diante do Racing é buscar o título: “Vamos com um time forte, é a continuidade do que fizeram em 2024. E tendo a possibilidade de já ser campeão no início de 2025. Nada melhor do que ser campeão”.

    Porém, Caçapa tem problemas a resolver para escalar a sua equipe para o confronto decisivo. O primeiro é escolher um substituto para o zagueiro Bastos, que ainda se recupera de um problema no joelho esquerdo. Além disso, o Alvinegro não poderá contar com o volante Gregore, suspenso após ser expulso na decisão da Copa Libertadores. Também há uma dúvida no ataque. Artur ainda se recupera de lesão muscular na coxa esquerda.

    Dessa forma, uma possível escalação do Botafogo para o jogo de ida da Recopa Sul-Americana é: John; Vitinho, Danilo Barbosa, Barboza e Alex Telles; Allan, Marlon Freitas, Rafael Lobato, Savarino e Matheus Martins; Igor Jesus.

    Agência Brasil

  • 6 dicas para incluir crianças atípicas no Carnaval

    6 dicas para incluir crianças atípicas no Carnaval

    O Carnaval é uma festa repleta de alegria, cores e sons, mas para crianças com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), a celebração pode ser desafiadora devido ao grande número de estímulos sensoriais. Segundo a fisioterapeuta e fundadora da Clínica Espaço Kids, Jamaica Araújo, um planejamento cuidadoso e algumas adaptações necessárias por parte dos pais podem transformar a festividade em uma experiência positiva para as crianças atípicas.

    “Com atitudes que respeitem as necessidades e limites de cada criança, é possível transformar o Carnaval em uma celebração divertida e inclusiva para todos os membros da família”, afirma a especialista. Com essa visão em mente, ela sugere 6 dicas essenciais para garantir que as crianças com autismo possam aproveitar a festa de maneira segura e prazerosa:

    1. Evite aglomerações

    A primeira dica é evitar os grandes blocos e os locais com muitas pessoas, diz Jamaica. “Optar por ambientes menores e mais tranquilos, assim como celebrações específicas para crianças em espaços controlados, longe dos trios elétricos e das grandes multidões, pode reduzir consideravelmente o impacto dos estímulos sensoriais”, frisa.

    1. Proteção contra os sons

    O barulho característico do Carnaval pode ser avassalador para muitas crianças com TEA, afirma. “Fones de ouvido com cancelamento de ruído ajudam a suavizar o som, tornando a experiência mais confortável. Além disso, óculos de sol podem proteger os olhos dos estímulos visuais intensos”, sugere.

    1. Monte um kit de conforto

    A fisioterapeuta recomenda levar sempre itens que proporcionem segurança e bem-estar para a criança, como brinquedos sensoriais ou objetos de apego. Ter um “kit de sobrevivência”, que inclua também um espaço tranquilo para pausas, pode ser um grande aliado.

    1. Prepare a criança com antecedência

    Explicar para a criança o que é o Carnaval e o que ela pode esperar pode reduzir a ansiedade, pontua a especialista. “Detalhar aspectos como o som alto, as fantasias e a multidão ajudarão a criança a se sentir mais segura e preparada para os estímulos do ambiente”, explica.

    1. Fique atento aos sinais de desconforto

    Observe os sinais de sobrecarga sensorial, como cobrir os ouvidos ou se afastar de aglomerações. “Caso a criança se sinta sobrecarregada, procure um lugar calmo onde ela possa se recuperar antes de continuar”, orienta.

    1. Respeite o ritmo da criança

    O Carnaval deve ser uma experiência divertida, sem pressões, diz Jamaica. “Respeite os limites da criança, permitindo que ela participe das atividades no seu próprio tempo e apenas se demonstrar interesse. Se ela precisar de mais pausas ou preferir ficar em um ambiente mais tranquilo, esteja preparado para adaptar a programação”, acrescenta.

    Clínica Espaço Kids

    A Clínica Espaço Kids é especializada no atendimento humanizado a crianças com deficiência. Com serviços de fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicopedagogia, musicoterapia, psicomotricidade e psicologia, a Espaço Kids oferece, em um só espaço, a possibilidade de um acompanhamento completo a crianças e adolescentes com alteração no desenvolvimento neuropsicomotor.

    Unidade de tratamento convencional: Rua das Rosas, n. 179, salas 305, 306, 307 e 308. Ed. Empresarial San Juan, Pituba.

    Unidade de tratamento intensivo: Rua Arthur de Azevedo Machado, n. 1459, térreo. Ed. Internacional Trade Center, Stiep. Telefone: (71) 9.9960-6006

  • Caixa paga Bolsa Família a beneficiários com NIS de final 4

    Caixa paga Bolsa Família a beneficiários com NIS de final 4

    A Caixa Econômica Federal paga nesta quinta-feira (20) a parcela de fevereiro do novo Bolsa Família aos beneficiários com Número de Inscrição Social (NIS) de final 4.

    O valor mínimo corresponde a R$ 600, mas com o novo adicional o valor médio do benefício sobe para R$ 671,81. Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, neste mês o programa de transferência de renda do Governo Federal alcançará 20,55 milhões de famílias, com gasto de R$ 13,81 bilhões.

    Além do benefício mínimo, há o pagamento de três adicionais. O Benefício Variável Familiar Nutriz paga seis parcelas de R$ 50 a mães de bebês de até seis meses de idade, para garantir a alimentação da criança. O Bolsa Família também paga um acréscimo de R$ 50 a famílias com gestantes e filhos de 7 a 18 anos e outro, de R$ 150, a famílias com crianças de até 6 anos.

    No modelo tradicional do Bolsa Família, o pagamento ocorre nos últimos dez dias úteis de cada mês. O beneficiário poderá consultar informações sobre as datas de pagamento, o valor do benefício e a composição das parcelas no aplicativo Caixa Tem, usado para acompanhar as contas poupança digitais do banco.

    Os beneficiários de 623 cidades receberam o pagamento na segunda (17), independentemente do NIS. A medida beneficiou moradores do Rio Grande do Sul, afetados por enchentes de abril a junho, e de mais seis estados, afetados por chuvas ou por estiagens. Além de todos os 497 municípios gaúchos e 62 do Amazonas, o pagamento unificado ocorreu em 16 cidades do Paraná, 14 do Sergipe, dez do Mato Grosso, nove de São Paulo, sete de Minas Gerais, seis da Bahia e duas do Piauí.

    Desde o ano passado, os beneficiários do Bolsa Família não têm mais o desconto do Seguro Defeso. A mudança foi estabelecida pela Lei 14.601/2023, que resgatou o Programa Bolsa Família (PBF). O Seguro Defeso é pago a pessoas que sobrevivem exclusivamente da pesca artesanal e que não podem exercer a atividade durante o período da piracema (reprodução dos peixes).

    Regra de proteção

    Cerca de 2,92 milhões de famílias estão na regra de proteção em fevereiro. Em vigor desde junho de 2023, essa regra permite que famílias cujos membros consigam emprego e melhorem a renda recebam 50% do benefício a que teriam direito por até dois anos, desde que cada integrante receba o equivalente a até meio salário mínimo. Para essas famílias, o benefício médio ficou em R$ 367,63.

    Cadastro

    Desde julho de 2023, passa a valer a integração dos dados do Bolsa Família com o Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS). Com base no cruzamento de informações, cerca de 31 mil de famílias foram canceladas do programa neste mês por terem renda acima das regras estabelecidas pelo Bolsa Família. O CNIS conta com mais de 80 bilhões de registros administrativos referentes a renda, vínculos de emprego formal e benefícios previdenciários e assistenciais pagos pelo INSS.

    Em compensação, outras 101 mil de famílias foram incluídas no programa em fevereiro. A inclusão foi possível por causa da política de busca ativa, baseada na reestruturação do Sistema Único de Assistência Social (Suas) e que se concentra nas pessoas mais vulneráveis que têm direito ao complemento de renda, mas não recebem o benefício.

    Calendário Bolsa Família - fevereiro
    Calendário Bolsa Família – fevereiro – Arte EBC

    Auxílio Gás

    O Auxílio Gás também será pago nesta quinta-feira às famílias cadastradas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), com NIS final 4. O valor subiu para R$ 106 neste mês.

    Com duração prevista até o fim de 2026, o programa beneficia 5,42 milhões de famílias. Com a aprovação da Emenda Constitucional da Transição, no fim de 2022, o benefício foi mantido em 100% do preço médio do botijão de 13 kg.

    Só pode receber o Auxílio Gás quem está incluído no CadÚnico e tenha pelo menos um membro da família que receba o Benefício de Prestação Continuada (BPC). A lei que criou o programa definiu que a mulher responsável pela família terá preferência, assim como mulheres vítimas de violência doméstica.

    Agência Brasil

  • Forprof-Ba retoma trabalhos com foco em ações formativas que atendam necessidades dos professores

    Forprof-Ba retoma trabalhos com foco em ações formativas que atendam necessidades dos professores

    Em reunião realizada na tarde desta quarta-feira (19), no Instituto Anísio Teixeira (IAT), integrantes do Fórum Estadual Permanente de Apoio à Formação Docente do Estado da Bahia (Forprof-Ba) retomaram os trabalhos da entidade com foco na construção de uma agenda voltada para a realização de ações formativas que atendam às demandas dos professores, tanto da rede estadual, quanto das redes municipais.

    “É uma felicidade estar aqui com vocês, hoje, retomando os trabalhos do fórum. A gente sabe que 2023 foi desafiador, mas a nossa expectativa é que, a partir deste encontro de hoje, a gente consiga caminhar e avançar nas nossas pautas em prol de uma educação pública de qualidade”, afirmou o diretor-geral do IAT e vice-presidente do Forprof-Ba, Iuri Rubim, que coordenou os trabalhos.

    O encontro, que aconteceu de forma híbrida (presencial e virtual), contou com a participação da secretária de Educação do Estado da Bahia, Rowenna Brito, e de convidados. “A gente tem uma responsabilidade com o Forprof-Ba e este primeiro momento de 2025 é que vai dar o tom do que vamos construir a partir de agora. Este é, sem dúvida, um momento muito especial para nós, no qual iremos construir uma agenda, um cronograma, um calendário para garantir a frequência das reuniões e as entregas”, afirmou a secretária Rowenna, que destacou, ainda, a importância dos integrantes do fórum conhecerem as ações prioritárias da Secretaria da Educação e o plano de formações do IAT para 2025.

    A gestora ressaltou, também, a necessidade de articular uma boa relação com os municípios. “Temos uma agenda e uma relação que, para nós, é muito importante, que é a com os municípios. A gente precisa pensar e articular essa relação com os municípios, a aproximação das universidades com as Secretarias Municipais de Educação. Temos que consolidar e fortalecer, cada vez mais, esta parceria. Pensar como potencializar a docência, as licenciaturas, como incentivar que outras pessoas acessem a universidade nas licenciaturas. Como construir caminhos para uma segunda licenciatura. Enfim, temos uma pauta muito extensa, mas tenho certeza de que este grupo organizado, que tem compromisso e responsabilidade com a Educação da Bahia, vai chegar lá”, finalizou.

    Na oportunidade, os integrantes do Forprof-Ba conheceram as ações prioritárias da Secretaria e as formações propostas pelo IAT para 2025; definiram um cronograma de reuniões; e analisaram e debateram o Decreto n° 12.358, de 14 de janeiro de 2025 (Mais Professores). O grupo dialogou, também, sobre a importância do fórum para a Educação da Bahia e como mantê-lo ativo e propositivo.

    Dentre as questões discutidas, se destacaram o aperfeiçoamento e a consolidação do regime de colaboração entre os entes federados; a Política Estadual de Formação de Professores; e a sistematização de um banco de registro das demandas dos professores que englobe os municípios para subsidiar os gestores na construção das ações formativas.

    “O Forprof-Ba inspirou o Fórum de Educação Estadual da Bahia e inspira até hoje pela sua dinâmica, articulação e capilaridade. Este é um espaço rico que aglutina as iniciativas das universidades e do poder público e saber que ele está nas mãos de vocês nos conforta muito”, afirmou o coordenador do Fórum Estadual de Educação da Bahia (Feeba), João Danilo Oliveira.

    “A Universidade Federal da Bahia (UFBA) está à disposição para contribuir com a Política Estadual de Formação de Professores do Estado da Bahia. Pode contar conosco para todas as políticas estruturantes da Secretaria da Educação. Estamos muito felizes com os resultados do Sisu (Sistema de Seleção Unificada). Isso demonstra a qualidade da nossa educação pública e a competência dos nossos educadores”, afirmou o vice-reitor da UFBA, Penildon Silva Filho.

    Fotos Marvin Kennedy

  • PGR: Bolsonaro liderou “longa construção criminosa”

    PGR: Bolsonaro liderou “longa construção criminosa”

    A denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) aponta que o ex-presidente Jair Bolsonaro liderou uma “organização criminosa” que, a partir de 2021, “se dedicou a incitar a intervenção militar no país” e, assim, deflagrar um golpe de Estado, permitindo que ele e seus apoiadores permanecessem no poder, independentemente do resultado das eleições presidenciais de 2022.

    Ao longo das 272 páginas da denúncia apresentada na noite desta terça-feira (18), a PGR elenca fatos, evidências e depoimentos de investigados, como o do ex-ajudante de Ordens de Bolsonaro, tenente-coronel Mauro Cid, e conclui que Bolsonaro e outras 33 pessoas, incluindo ex-ministros e militares de alta patente, agiram para minar a confiança popular no sistema eletrônico de votação e nas instituições democráticas brasileiras.

    Com base no inquérito da Polícia Federal (PF) que, em novembro de 2024, indiciou Bolsonaro e outras 36 pessoas pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e organização criminosa, a PGR sustenta que o ex-presidente não só tinha conhecimento, como participou de várias das ações arquitetadas para a consumação do golpe de Estado, incluindo o suposto plano para matar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

    “Os fatos narrados ao longo desta peça acusatória não deixam dúvidas de que o cenário de instabilidade social identificado após o resultado das eleições de 2022 foi fruto de uma longa construção da organização criminosa que se dedicou, desde 2021, a incitar a intervenção militar no país e a disseminar, por múltiplos canais, ataques aos poderes constitucionais e a espalhar a falsa narrativa do emprego do sistema eletrônico de votação para prejudicar Jair Bolsonaro”, afirma o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

    Na denúncia, a PGR afirma que o plano de ruptura da ordem democrática foi colocado em marcha de forma mais acintosa em março de 2021, após o STF anular as condenações criminais de Lula no âmbito da Operação Lava Jato, permitindo que o petista disputasse as eleições do ano seguinte.

    “Convém recordar que, a partir de 2021, o presidente [Jair Bolsonaro] adotou crescente tom de ruptura com a normalidade institucional nos seus repetidos pronunciamentos públicos em que se mostrava descontente com decisões de tribunais superiores e com o sistema eleitoral eletrônico em vigor. Poucos dias depois de superada a causa de inelegibilidade [de Lula], o grupo de apoio do então presidente [Bolsonaro], que formará o núcleo da organização criminosa, cogitou de o mesmo, abertamente, passar a afrontar e a desobedecer a decisões do Supremo Tribunal Federal, chegando a criar plano de contingenciamento e fuga de Bolsonaro, se a ousadia não viesse a ser tolerada pelos militares”, afirma Gonet.

    A partir daí, segundo a PGR, “a trama conspiratória armada e executada contra as instituições democráticas” evolui em diferentes frentes, “desenrolando-se em cadeia de acontecimentos, alguns com mais marcante visibilidade do que outros, sempre articulados ao mesmo objetivo [golpista]”.

    Para a PGR, são provas da participação ativa de Bolsonaro no suposto “plano de insurreição” a transmissão (live) que o presidente fez nas redes sociais, em 29 de julho de 2021, durante a qual ele repetiu acusações já então desmentidas contra o sistema eleitoral, conclamando as Forças Armadas a agirem.

    “A partir de então, os pronunciamentos públicos [de Bolsonaro] passaram a progredir em agressividade, com ataques diretos aos poderes constituídos, [de forma a] inculcar sentimento de indignação e revolta nos seus apoiadores e com o propósito de tornar aceitável e até esperável o recurso à força contra um resultado eleitoral em que o seu adversário político mais consistente triunfasse”, considera a PGR.

    Na mesma linha, a denúncia relembra que, ao participar de um ato em seu apoio, em 7 de Setembro de 2021, em São Paulo, Bolsonaro atacou Alexandre de Moraes, relator do inquérito que investiga o financiamento e organização de atos antidemocráticos, ameaçando não mais cumprir suas decisões. E que, em julho de 2022, o ex-presidente convocou uma reunião ministerial durante a qual “cobrou do alto escalão de seu governo a multiplicação dos ataques às urnas eletrônicas e ao processo eleitoral”.

    “As investigações da PF revelaram que o pronunciamento não era mero arroubo impensado e inconsequente. Já então, o grupo ao redor do presidente tinha traçado uma estratégia de atuação em prol do seu líder, incluindo um plano de fuga do país, se porventura lhe faltasse o apoio armado com que contavam”, aponta a PGR.

    Entre as provas que a PRG afirma ter para comprovar que Bolsonaro tinha conhecimento e estimulava a proposta golpista está a cópia de um discurso que, supostamente, seria lido por Bolsonaro durante a consumação do golpe. O discurso foi encontrado na sala do ex-presidente na sede do PL e, para a PGR, reforça o domínio que este possuía sobre as ações da organização criminosa, especialmente sobre qual seria o desfecho dos planos traçados – a sua permanência autoritária no poder, mediante o uso da força”.

    Uma segunda cópia do documento foi encontrada no aparelho celular de Mauro Cid, cujo depoimento à PF parece reforçar a tese da PGR. De acordo com a denúncia, o ex-ajudante de Ordens confirmou, por exemplo, que, em novembro de 2022, Bolsonaro e seu então assessor Filipe Garcia Martins Pereira discutiram a redação e posterior publicação de um decreto golpista, intervindo no inclusive no Poder Judiciário e decretando a realização de novas eleições.

    “De acordo com o colaborador [Cid], Bolsonaro fez, adiante, ajustes na minuta, submetendo à prisão apenas o ministro Alexandre de Moraes [do STF] e se limitando à realização de novas eleições presidenciais. As informações prestadas pelo colaborador indicam que a primeira versão do documento foi submetida à apreciação de representantes das Forças Armadas, em reunião realizada no Palácio da Alvorada. Na ocasião, Bolsonaro apresentou a minuta ao [então comandante do Exército], general Freire Gomes, ao [então comandante da Marinha] almirante Almir Garnier Santos e ao [então] ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira”.

    Em nota, a defesa do ex-presidente informou ter ficado “estarrecida e indignada com a denúncia” apresentada nesta terça-feira. Assinada pelo advogado Paulo Cunha Bueno, a nota afirma que Bolsonaro “jamais compactuou com qualquer movimento que visasse a desconstrução do Estado Democrático de Direito ou as instituições que o pavimentam”.

    Agência Brasil