Dia: 3 de novembro de 2025

  • Alunos da Rede Municipal de Salvador embarcam para intercâmbio cultural em Portugal

    Alunos da Rede Municipal de Salvador embarcam para intercâmbio cultural em Portugal

    “Eu fiquei muito feliz. É o tipo de coisa que todo mundo sonha. Quando soube que ia para Portugal, fiquei sem palavras”, conta emocionada a estudante Mayara Kesley Carvalho Santos, de 14 anos, aluna do 8º ano da Escola Municipal Manoel Henrique da Silva Barradas, em Ilha Amarela, no Subúrbio de Salvador. Com o passaporte nas mãos e o coração cheio de expectativas, ela embarca na próxima terça-feira (4) para uma viagem que promete transformar sua vida: um intercâmbio cultural em Portugal pelo projeto “Era Uma Vez… Brasil”.

    Mayara é uma das integrantes da equipe formada por 24 estudantes e quatro professores da rede pública da Bahia selecionada para representar o estado na 9ª edição da iniciativa, que promove uma imersão cultural de dez dias em Lisboa. Em todo o país, 125 estudantes de 15 cidades participam desta edição que, pela primeira vez, terá duas etapas de viagem em novembro.

    Além de Mayara, também participarão do intercâmbio os estudantes Hugo Felipe Coutinho dos Santos, da Escola Municipal Professora Eufrosina Miranda (Lobato), Kézia Santana Araújo, de Jequié, e Maria Vitória Barreto, de Amélia Rodrigues. Juntos, eles representam a Bahia nessa jornada internacional de aprendizado e troca cultural.

    Mayara produziu uma história em quadrinhos sobre Maria Firmina dos Reis, a primeira mulher negra a publicar um romance no Brasil. “Eu escolhi contar a história dela porque me identifiquei muito, por ser uma mulher negra, batalhadora e por tudo que ela conquistou. Foi uma inspiração para mim”, contou a jovem, orgulhosa de ver seu trabalho impresso em uma das publicações do projeto.

    O professor de História Carlos Augusto Fiuza Ângelo, que leciona há três anos na escola e acompanhará a estudante na viagem, destacou o impacto da iniciativa na formação dos alunos.

    “O sentimento é de pura felicidade. Ver uma aluna de 14 anos, moradora do Subúrbio de Salvador, alcançar uma experiência como essa é algo muito emocionante. Esse projeto foi estruturado em várias etapas: pesquisa, vivência em comunidades quilombolas e indígenas, produção de quadrinhos e agora o intercâmbio em Portugal. Cada uma delas contribuiu para o desenvolvimento intelectual e crítico dos nossos alunos”, afirmou.

    Segundo ele, a presença da estudante no projeto é resultado de um trabalho coletivo e do apoio constante da Prefeitura de Salvador por meio da Secretaria Municipal da Educação (Smed).

    “O apoio da Smed foi fundamental, inclusive na logística e no incentivo para que os alunos pudessem participar de todos os momentos. É um exemplo concreto de como a educação pública pode transformar vidas quando tem oportunidades reais”, completou o professor.

    Alcance – Para Marici Vila, idealizadora e diretora executiva da Origem Produções, o intercâmbio é a culminância de um processo pedagógico que se estende por todo o ano letivo. “

    O intercâmbio é a etapa final de um ano inteiro de descobertas. Ele permite que os jovens percebam o quanto a história que aprenderam está viva, presente e ligada às suas próprias origens. Em Lisboa, eles visitam museus, comunidades e escolas, compartilhando suas produções e mostrando o Brasil sob uma nova perspectiva”, explicou.

    Com quase 23 mil estudantes impactados desde a sua criação, o “Era Uma Vez… Brasil” tem se consolidado como uma das principais iniciativas de valorização da educação pública e da diversidade cultural brasileira.

    Na Bahia, a edição 2025 do projeto mobilizou 1.966 estudantes e 106 professores de 97 escolas municipais de Salvador, Camaçari, Mata de São João e Jacobina. O programa reconta a história do Brasil sob o olhar de estudantes e professores da rede pública, destacando o papel de povos africanos e indígenas na formação do país e incentivando novas narrativas sobre a identidade nacional.

    Fotos: Jefferson Peixoto/ Secom PMS

  • Camarote Brown 2026 será lançado no Summit de Negócios Made in Bahia

    Camarote Brown 2026 será lançado no Summit de Negócios Made in Bahia

    Inspirado no samba de roda, espaço promete uma imersão na cultura baiana com experiências sensoriais, gastronomia e arte

    O Camarote Brown 2026 será lançado no dia 06 de novembro, às 17h, durante o Summit de Negócios Made in Bahia, no Centro de Convenções Salvador. Idealizado por Carlinhos Brown, pela Zum Brazil Eventos e por Lícia Fábio, o espaço propõe uma imersão na cultura do Recôncavo Baiano, com experiências que unem música, arte, gastronomia e sustentabilidade.

    Com o tema inspirado no samba de roda, ele foi pensado para ser uma celebração das raízes culturais da Bahia. A cenografia vai misturar tradição e contemporaneidade em ambientes como o Palco Chula, a Varanda Recôncavo, o Museu Alfagamabetizado, em homenagem aos 30 anos do álbum “Alfagamabetizado”, e o Bar Prato-e-Faca, onde a culinária e a performance vão se encontrar.

    “No Carnaval de Salvador, a despeito de suas várias influenciais musicais, caldeirão cultural que deu gênese ao Axé Music, sempre pulsou o ritmo ancestral do samba de roda. E nesse próximo Carnaval de 2026, na festa que extasia, mas que também tem a obrigação de ensinar, vamos mais uma vez lhe dar o devido lugar de destaque, juntamente com a comemoração de 30 anos do meu primeiro álbum solo, o Alfagamabetizado, disco que em sua essência, além de outros encantos e axés, igualmente traz o samba de roda”, revela Carlinhos Brown, que estará no lançamento.

    Produzido pela Zum Brazil e por Lícia Fábio, o camarote contará ainda com experiências exclusivas, como o Mirante Maré Cheia, o Palco Umbigada e ativações culturais abertas ao público da avenida. De acordo com os idealizadores, a proposta é transformá-lo em uma plataforma viva de cultura e expressão, que ultrapassa as paredes da folia. O projeto conta ainda com o apoio dos irmãos Chetto, Matheus e Augusto, que compõem a Diretoria e Conselho do Grupo Carlinhos Brown.

    “Mais do que um espaço de entretenimento, o Camarote Brown valoriza a cultura afro-baiana e o legado de Carlinhos Brown como artista, educador, símbolo da inovação artística e figura tão influente na cultura do estado e do país”, afirma Tuca Zamaroni, CEO e fundadora da Zum Brazil Eventos.

    O Summit de Negócios Made in Bahia é uma realização do Grupo Business Bahia, da Zoom Imagem, do LIDE Bahia e da Zum Brazil Eventos. O encontro reunirá C-levels, líderes empresariais, investidores e formadores de opinião em dois dias de debates sobre temas como economia, inovação, turismo, crédito, comunicação e geopolítica.

    O evento também oferecerá experiências sensoriais e de relacionamento, como o Café com Negócio, com o Latitude 13 Cafés Especiais; o Wine Bar, com a Vinícola UVVA; e a Cozinha Show, com a Lemos Passos. As inscrições podem ser feitas pelo summitmadeinbahia.com.br ou https://www.sympla.com.br/evento/summit-de-negocios/3105679?referrer=www.google.com

  • SP: Uma pessoa morre e 40 se ferem em queda de estrutura durante festa

    SP: Uma pessoa morre e 40 se ferem em queda de estrutura durante festa

    Segundo organização, rajadas de vento intensas atingiram o local
    Uma pessoa morreu e cerca de 40 ficaram feridas com a queda de uma estrutura metálica montada no Aeropark Clube de Voo Desportivo, em Regente Feijó, no interior de São Paulo, com as fortes rajadas de vento, de aproximadamente 95 km/h, que atingiram o estado.

    O local, na Rodovia Raposo Tavares, 555 (SP-270), km 555, sediava uma festa de estudantes de um curso de medicina.

    Um homem de 47 anos foi atingido por um galho de uma árvore e teve traumatismo craniano. Ele foi socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.

    Equipes da defesa civil de Presidente Prudente e de Regente Feijó, além do corpo de bombeiros do estadual de São Paulo atuaram no socorro de cerca de 40 vítimas, conforme informado pelas equipes que estiveram no local.

    Todas foram levadas para o Hospital Regional e para a Santa Casa de Presidente Prudente. Das vítimas atendidas, três permanecem internadas, e as demais tiveram ferimentos leves e foram liberadas após o atendimento.

    Por meio de suas redes sociais, a comissão de formatura que promovia o evento e a empresa Euphoria, contratada para a organizá-lo, disseram que os ventos intensos atingiram a estrutura instalada no local, resultando no acidente. Ambas expressaram pesar e disseram que estão auxiliando as vítimas e familiares desde o momento do acidente.
    Agência Brasil

  • Fronteira Cerrado: expansão do agro no coração hídrico do Brasil

    Fronteira Cerrado: expansão do agro no coração hídrico do Brasil

    Série começa em Balsas (MA), 2º município que mais desmata no país
    Balsas, município no extremo sul do Maranhão (MA), passou por uma transformação radical nos últimos 25 anos. Ela é um dos epicentros da fronteira agropecuária no Brasil que, segundo estudos, impulsiona o desmatamento do Cerrado e contribui para colocar em risco a segurança hídrica do país.

    O centro urbano aglomera o comércio voltado ao agronegócio, além das sedes de gigantes do mercado de alimentos mundiais, como a holandesa Bunge. A cerca de 2 quilômetros dali, estão os bairros formados por residências humildes onde se concentra o grosso dos trabalhadores, que costumam reclamar da elevação dos preços nos últimos anos, em especial do aluguel.

    A Agência Brasil visitou o município e entrevistou lideranças locais, comunidades tradicionais, empresários do agronegócio e os governos municipal e estadual para entender como esse progresso se relaciona a danos ambientais que já impactam o Brasil*.

    Balsas: campeã de desmatamento
    A abertura de novas áreas para grãos e pastagens coloca Balsas entre os campeões do desmatamento do Cerrado. De acordo com o Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD 2024), do MapBiomas, foi o segundo município que mais desmatou no país nos últimos dois anos, mesmo após uma queda de 56% em 2024, quando foram suprimidos 16 mil hectares (ha), o equivalente a 45 campos de futebol por dia.

    Mesmo com a redução, Balsas desmatou no ano passado o dobro de seis anos atrás. E dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicam que o desmatamento no município aumentou 30% entre agosto de 2024 e julho de 2025 – apesar da queda de 11,49% no Cerrado como um todo.

    Já o Maranhão foi, pelo segundo ano consecutivo, o estado que mais suprimiu vegetação nativa do Brasil, chegando a 17,6% do total desmatado em 2024, o que representou 218 mil hectares, área bem maior que a cidade de São Paulo (152 mil ha).

    Brasília (DF), 01/11/2025 – Infográficos – especial Fronteira Cerrado. Arte Agência Brasil
    Ao mesmo tempo, Balsas abriga as nascentes da segunda mais importante bacia hidrográfica do Nordeste: a Bacia do Rio Parnaíba, cujo curso d’água percorre 1.400 km de extensão entre Maranhão e Piauí.

    Maior município do estado, Balsas compõe a chamada região do Matopiba, nome dado pelas iniciais do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, e que reúne a área prioritária para expansão do agronegócio no Brasil. Em 2024, 42% de toda a perda de vegetação nativa do país – e 75% do desmatamento do Cerrado – ocorreu nessa área, segundo o RAD 2024.

    Com mais de 100 mil habitantes, a expansão do agronegócio colocou o município como o terceiro maior PIB do Maranhão, atrás apenas da capital, São Luís, e de Imperatriz, que tem população três vezes maior. Assim como ocorre em outras regiões do Matopiba, a fronteira agrícola transformou a paisagem, a economia e a sociedade do sul do Maranhão.

    Maior biorrefinaria de etanol de milho da América Latina
    A expansão econômica de Balsas foi coroada, em agosto deste ano, pela inauguração da maior biorrefinaria de etanol de milho da América Latina e a primeira do tipo no Nordeste. A usina da empresa Inpasa tem capacidade para processar 2 milhões de toneladas de milho e sorgo por ano e produzir 925 milhões de litros de etanol à base de grãos.

    Além disso, a usina tem capacidade para produzir milhares de toneladas de produtos para nutrição animal e de óleo vegetal. Segundo a prefeitura de Balsas, mil empresas se registraram na cidade nos primeiros seis meses do ano atraídas pela nova usina, crescimento de 33% em relação ao mesmo período de 2024.

    A Inpasa ocupa uma extensa área na beira da rodovia BR-230, com suas imponentes torres de refino de grãos. A companhia se apresenta como líder na transição energética por produzir combustível sem carbono, tendo já emitido 1,3 milhão de créditos de descarbonização pelo programa RenovaBio do governo federal.

    Em contrapartida, ambientalistas avaliam que a nova usina vai pressionar a região por ainda mais desmatamento do Cerrado para produção dos biocombustíveis e outros produtos vegetais, o que pode prejudicar ainda mais o futuro da segurança hídrica da região.

    Enquanto o agronegócio expande a economia, os serviços e a indústria de Balsas, comunidades rurais da região seguem vivendo, em alguns casos, sem água potável. Como nas comunidades de Bacateiras e Angical, em São Félix de Balsas, a cerca de 200 km da cidade.

    A professora Maria de Lourdes Macedo Madeira, de 61 anos, disse que a comunidade ganhou um poço artesiano da Diocese de Balsas, mas que não consegue apoio para instalar o equipamento. Os moradores seguem retirando água do Rio Balsas de jumento, como há pelo menos sete décadas.

    “A gente pega água no jumento para consumo da casa, cozinhar, beber, para tudo. Não é água tratada. É dia e noite pegando água nesse jumento, para todas as casas. Para fazer construção, é a maior dificuldade do mundo, por causa da água. Só temos água com suficiência no período da chuva”, lamentou.

    As águas de Balsas
    Após percorrer mais de 300 km sem sair do município de Balsas em meio a lavouras de monoculturas que se perdem no horizonte, a reportagem conheceu comunidades tradicionais que vivem há décadas no Cerrado maranhense e presenciaram a chegada da agricultura mecanizada e de larga escala a partir da década de 1990.

    Nossa equipe cruzou 100 km de estrada de terra, cortando diversas fazendas a partir do centro do povoado de Batavo, nome dado ao projeto que iniciou a colonização do extremo sul baiano com apoio estatal.

    Ao final, chegamos no Vão do Uruçu, no Alto Gerais de Balsas, onde estão parte das cerca de 50 nascentes do Rio Balsas. Nessa região, ainda é possível presenciar porções de Cerrado nativo em meio às comunidades tradicionais do Brejão, São Pedro, Limpeza e Manoel Gregório, entre outras, que ficam próximos a cursos d´água cristalinos em meio a belas serras pedregosas que rompem, eventualmente, as planícies chapadas do bioma propícias para monocultura.

    Entre os moradores dessa região, é generalizado o temor pelo futuro das águas do Cerrado. O agricultor familiar José Carlos dos Santos, de 52 anos, chegou ao local com os pais quando ainda era bebê. A família migrou de regiões mais áridas do Piauí.

    “Estamos vendo que a água está sumindo. O Cerrado está acabando e a gente está pedindo ajuda para quem vive dentro do Poder para que possam fazer algo pelo Cerrado, pela natureza”, disse o agricultor, que vive com a esposa e dois filhos no local.

    Conhecido como Zé Carlos, o agricultor planta quase tudo que consome e vive em meio a inúmeros pés de frutos típicos do Cerrado, como Bacuri, Candeia e Buriti, além de complementar a renda prestando serviços para fazendas da região.

    Profundo conhecedor das plantas e animais do bioma, Zé Carlos levou nossa equipe até algumas das nascentes do Rio Balsas que, nessa localidade, é um curso d’água estreito se comparado com o largo trecho do rio que corta a área urbana do município.

    Desmatamento do cerrado e crise hídrica no Maranhão

    Em uma das principais nascentes, o barro úmido tomou o lugar da água que, de uns anos pra cá, brota do subsolo apenas no período da chuva. Segundo Zé Carlos, ela não ficava sem água nem mesmo no final do período da seca.

    “Essa nascente jorrava água corrente com abundância. Hoje a gente vê que nosso rio está pedindo socorro. Queremos trazer uma solução para barrar o desmatamento e as grandes lavouras que existem na costa do rio”, afirmou.

    Pesquisas identificam redução da vazão de rios
    A análise dos moradores do Vão do Uruçu é confirmada por dados de equipamentos do Serviço Geológico Brasileiro (SGB) que medem as vazões dos rios de, aproximadamente, 70% da rede hidrológica nacional.

    Dados de sete rios da região do Piauí (PI) e do Maranhão (MA), incluído os rios Parnaíba e Balsas, mostram a queda sustentada nas vazões dos cursos d’água desde a década de 1970.

    “Apesar de a gente ter verificado que a chuva está se mantendo estável nesses locais, temos observado que a vazão, tanto as mínimas, quanto as médias e as máximas, estão numa tendência de diminuição. Continuando essa tendência, é óbvio que isso, em algum momento, vai ter problema”, explicou à Agência Brasil o hidrólogo do SGB Cláudio Damasceno.

    Já o estudo da Ambiental Media, com base em dados da Agência Nacional de Águas (ANA), calculou que a Bacia do Parnaíba, onde está o Rio Balsas, perdeu 24% da vazão média em 40 anos.

    Em agosto deste ano, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional anunciou o investimento de R$ 995 milhões para revitalização ambiental e de navegabilidade do Rio Parnaíba no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A expectativa é de que as obras tenham início ainda neste ano.

    O geógrafo Ronaldo Barros Sodré, professor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), estuda o impacto do desmatamento no Cerrado maranhense e destaca que há uma crise hídrica silenciosa em andamento.

    “A expansão da fronteira agrícola sobre o sul e também sobre o leste do Maranhão tem provocado o desaparecimento de nascentes, a redução dos diversos cursos d’água e configurando, assim, uma crise hídrica que é silenciosa, mas crescente”, avalia.

    O geógrafo da UFMA avalia que o Rio Balsas, assim como outros rios maranhenses, está em uma situação preocupante que afeta o equilíbrio hidrológico de toda região do Maranhão e Piauí. Ainda assim, para ele, é possível que a produção agropecuária seja compatível com a sustentabilidade hídrica. “Desde que também venha somar com práticas agroecológicas de integração da lavoura e pecuária com floresta, o manejo de baixo impacto, incluindo nessa governança territorial as comunidades e povos tradicionais, que historicamente são guardiões das águas”, concluiu.

    “Passou a boiada” aqui, diz fazendeiro
    Os moradores ouvidos pela reportagem nos Vãos do Uruçu e do Uruçuí apresentam relatos semelhantes. Segundo eles, as grandes fazendas assoreiam nascentes e olhos d’águas para expandir a produção.

    Apontado como um dos poucos empresários que demonstra interesse na preservação dos cursos d’água, o fazendeiro Paulo Antônio Rickli, de 56 anos, chegou a Balsas no início da expansão agrícola, em 1995. Assim como muitos outros empresários de Balsas, ele veio da região Sul do país no início da colonização do Matopiba.

    Dono de duas fazendas que somam quase 12 mil hectares, Rickli planta soja, milho, arroz e cria gado. Ele diz que a produção ocupa aproximadamente 55% da área das propriedades devido às serras que cortam a região – e porque escolheu manter as áreas de preservação interligadas entre elas.

    “Achamos melhor preservar algumas áreas para dar continuidade às reservas, para elas não ficarem todas separadas, unificando as reservas para formar um bloco grande para preservar as espécies, tanto vegetais quanto animais, quantos os cursos d’água”, explicou.

    Paulo conta que adquiriu a segunda fazenda em 2016 no Vão do Uruçu, perto das nascentes do Rio Balsas, e que naquele ano “tudo era fechado pelo Cerrado”.

    “Infelizmente, o pessoal veio com outra mentalidade, de aproveitar o máximo. Diminuiu muito o Cerrado de 2018 para cá. Passou a boiada, como disse o ex-ministro do Meio Ambiente. Muita gente que até tinha as áreas preservadas resolveu ir até o limite, e alguns excederam o limite”, relatou.

    Ele se refere à frase do atual deputado Ricardo Salles (PL-SP), ex-ministro do governo Jair Bolsonaro, ao defender a flexibilização das leis ambientais durante a pandemia de covid-19.

    O fazendeiro Paulo Antônio Rickli acredita, por outro lado, que “a maioria” respeita a legislação ambiental, mas ficou impressionado com a quantidade de licenças para desmatamento dos órgãos estaduais emitidas nos últimos anos.

    “Alguma coisa aconteceu nessas secretarias de meio ambiente que o negócio desandou. Áreas que não podiam ter sido desmatadas, áreas de veredas, com nascentes de rio, que não poderiam ter sido jamais desmatadas, foram desmatadas recentemente, mas eu diria que, de um modo geral, as grandes fazendas tem as reservas ainda bem preservadas”, disse Rickli.

    Na avaliação do empresário, falta maior rigor na fiscalização. “Estado é frouxo na fiscalização. Não fiscaliza direito, ou vem fiscalizar e não autua”.

    Desmatamento autorizado em áreas protegidas
    O projeto Tamo de Olho – que reúne organizações ambientalistas – analisou cerca de 2 mil Autorizações para Supressão de Vegetação (ASV) emitidas pela Secretaria de Meio Ambiente do Maranhão e identificou que 51% delas foram emitidas com alguma área sobreposta a Reserva Legal (RL), Área de Proteção Permanente (APP), Unidades de Conservação (UCs) ou Terras Indígenas (TI) e quilombolas. E Balsas se destaca, com quase metade dessas sobreposições.

    “Mesmo dentro da legalidade, temos vários problemas com perda considerável do Cerrado maranhense”, disse a secretária-executiva do Tamo de Olho, a geógrafa Debora Lima, em audiência pública realizada no município.

    A Secretaria de Meio Ambiente do Maranhão afirmou à Agência Brasil que não reconhece esses números do Tamo de Olho e que precisaria analisar a metodologia do estudo. “Nenhum desses números confirma o que a gente tem aqui com dados oficiais, inclusive de órgão licenciador”, argumenta o secretário Pedro Chagas.

    Ele faz uma ponderação sobre possíveis erros: “alguns conceitos desse levantamento estão distorcidos, temos vários tipos de unidades de conservação. As de proteção integral, por exemplo, é impossível de autorizar a supressão de vegetação. Quanto às reservas legais, ela é declaratória do produtor, que pode depois fazer a mudança dessa reserva, desde que mantenha o percentual mínimo exigido”.

    O secretário do Meio Ambiente do Maranhão acrescentou que o órgão ambiental segue todas as legislações, e as autorizações para supressão de vegetação são realizadas de forma técnica.

    “Hoje, cada vez mais, há um controle por imagens de satélites em tempo real. Então, quem desmata ou quem faz a supressão sem autorização é prontamente multado e embargado”, completou.

    O Ministério Público do Maranhão (MPMA) informou à reportagem que abriu, em setembro deste ano, 24 processos administrativos abertos para apurar desmatamento e reparação de danos ambientais.

    “A grande maioria desses procedimentos (23) foi iniciada a partir de Relatórios de Alerta de Desmatamento sobre Propriedade Rural que identificaram supressão de vegetação nativa no Cerrado, em tese, sem a devida Autorização de Supressão de Vegetação”, disse a instituição.

    Os casos sob apuração em Balsas, São Pedro dos Crentes e Tasso Fragoso envolvem desmatamentos de grande porte, de centenas de hectares. “Em pelo menos um caso, apura-se a violação de um embargo anterior imposto pelo Ibama”, completou o MPMA.

    Desenvolvimento supera prejuízos ambientais “pequenos”, diz ruralista
    Para o representante dos empresários do agronegócio de Balsas, os benefícios sociais e econômicos da atividade agrícola no Sul do Maranhão superam os prejuízos ambientais, que seriam pequenos.

    O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Balsas (Sindi Balsas), Airton Zamingnan, nega que o Rio Balsas esteja em risco e afirma que a atividade respeita as leis ambientais, reforçando que possíveis irregularidades devem ser fiscalizadas e punidas.

    “Ninguém quer destruir a natureza. Quem mais perde com alguma mudança climática somos nós. Existe muita desinformação. Usamos apenas 3,9% da área do estado aqui no sul do Maranhão, cerca de 980 mil hectares de área plantada, e o setor traz benefícios para mais de 1 milhão de pessoas”, disse Zamingnan.

    A liderança da agricultura da região de Balsas destaca que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de Balsas quase dobrou entre 1990 e 2010, saindo de 0,347 para 0,687, segundo dados publicados pelo IBGE.

    “Se pegou a região mais pobre do estado mais pobre do Brasil e hoje ela se aproxima quase aos índices do Centro-Oeste. É fabuloso o que ocorreu com o desenvolvimento e com a agricultura aqui. Temos três faculdades de agronomia em Balsas. Se não fosse pelo agronegócio, provavelmente elas não existiriam”, afirma o produtor de soja, milho e criador de gado.

    Airton Zamingnan recebeu nossa reportagem em seu escritório, em Balsas. Filho de pais gaúchos, ele migrou do Sul do Brasil para o Sul do Maranhão no início dos anos 1990. O empresário lamenta a pressão de grupos ambientalistas contra o agronegócio.

    Ele afirma “ter certeza” de que as principais Organizações Não Governamentais (ONGs) que atuam na área ambiental no Brasil são um instrumento para prejudicar a concorrência apresentada pelo agro nacional, destacando que muitas delas são financiadas por entidades estrangeiras.

    “Por que todas essas exigências ambientais só valem para os produtores brasileiros enquanto eles [europeus] compram a soja dos americanos? Lá [nos EUA] não tem APP [Área de Preservação Ambiental]. Ou seja, essas organizações cobram que os produtos brasileiros não sejam de áreas de desmatamento, mas eles não cobram isso dos EUA”.

    Zamingnan cita ainda o projeto Adote uma Nascente, da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado do Maranhão (Aprosoja MA) em parceria a estatal Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), que mapeou as 50 nascentes do Rio Balsas e promete preservar os cursos d’água da região.

    Questionada pela Agência Brasil, a Codevasf informou que ainda faltam recursos para monitoramento e recuperação de áreas degradadas próximas às nascentes e que a iniciativa se limitou a uma ação inicial em que foram plantadas mudas nativas e cercado o entorno de nascentes.

    “Um dos maiores desafios do projeto é o acompanhamento pós-intervenção em razão da distância e do difícil acesso a algumas áreas, muitas delas localizadas a mais de 300 km da sede do município de Balsas. Por esse motivo, a Codevasf priorizou o trabalho de educação ambiental e a mobilização dos proprietários rurais”, informou a estatal.

    “Ilusão de desenvolvimento”
    Em contrapartida, comunidades tradicionais, ambientalistas, pesquisadores e movimentos sociais têm denunciado o alto preço a ser pago pelo atual modelo do agronegócio no Cerrado, que vem sendo classificado como “bioma de sacrifício”.

    Atualmente, 51% do Cerrado mantém a vegetação nativa. Quase metade dessa vegetação remanescente está concentrada no Matopiba, região que mais se desmata no Brasil. Especialistas alertam que essa tendência coloca em risco a segurança hídrica do Brasil.

    Para a presidente da Associação Camponesa (ACA) do Maranhão, Francisca Vieira Paz, que viaja o sul do estado dando suporte a povos e comunidades tradicionais envolvidas em conflitos por terra ou água, “o agronegócio é uma ilusão de desenvolvimento”.

    “O sul do Maranhão, e o Maranhão por inteiro, foi pego como zona de destruição, onde leis são flexibilizadas em prol do agronegócio. Se nada mudar, haverá uma crise hídrica. Já está faltando água em muitos lugares”, disse.

    Para Francisca, os benefícios do agronegócio não alcançam toda a sociedade, e o modelo imposto é excludente e insustentável. “Se não houver uma mudança radical, vamos chegar ao final, daqui 20 anos, e as pessoas vão se perguntar: desenvolvimento para quem? Já a destruição será para todos”, completou.

    Francisca Vieira Paz milita na defesa dos direitos humanos e de acesso à terra desde os 16 anos, tendo já sofrido ameaças anônimas. “Abri mão de buscar minhas filhas na escola para não expor elas”, contou.

    A representante camponesa chegou a ser expulsa, ainda criança, das terras em que os pais ocupavam no município de Aldeias Altas, no leste maranhense.

    Bispo narra conflito com agronegócio
    Atualmente, Francisca acumula a militância na Associação Camponesa com o trabalho no Comitê de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos (CDVDH), entidade mantida pela Diocese de Balsas, que tem longo histórico de apoio à luta dos povos do Cerrado maranhense.

    O atual bispo da Diocese de Balsas, Dom Valentim de Menezes, recebeu a reportagem no hotel que estava hospedado em Imperatriz, há quase 400 km de Balsas, onde foi celebrar missa em homenagem à padroeira da cidade maranhense.

    Dom Valentim vestia uma camiseta do padre Óscar A. Romero, conhecido defensor dos direitos humanos e dos pobres de El Salvador, assassinado em 1980 enquanto celebrava uma missa em um contexto de efervescência política no país centro-americano. Romero acabou canonizado pelo Papa Francisco em 2018.

    O bispo de Balsas se inspira no sacerdote de El Salvador para conduzir os fiéis do sul maranhense. Ele destacou que o Maranhão, junto com o Pará, é um dos estados com mais conflito por terra do Brasil e que, desde a décadas de 1950, a Igreja de Balsas atua apoiando os povos do Cerrado em disputas fundiárias.

    Tendo se tornado bispo de Balsas em 2020, Dom Valentim afirma que a expansão da monocultura levou à expulsão de muitos povos da região por meio da grilagem. Para ele, o agro chega como um “engodo” de um progresso “sem sustentabilidade”.

    A posição da Igreja no município cria conflito com as organizações do agronegócio, que pediram uma reunião com o Dom Valentim assim que ele assumiu a Diocese de Balsas.

    “Quando eu fui falar com o agro, eles vieram para cima e botaram a igreja como capeta na vida deles. Todos esses anos o agro teve ações contra a igreja. É algo permanente. Fomos penalizados porque fui num debate na Câmara dos Vereadores e um empresário se negou a ajudar em uma festa nossa porque eu estava com esses ‘comunistas’. Existe a ilusão das elites de que elas podem controlar a igreja”.

    Dom Valentim lidera um projeto para doar ou plantar 8 milhões de mudas na região até o final do seu bispado, em 2028. “Falei para eles que não posso frear o agronegócio e nem parar o Matopiba, mas propus que nós plantássemos árvores para recuperar o Cerrado. Estamos avançando, mas ninguém abraçou a causa, estamos sós nessa luta”, disse.

    O que diz a prefeitura de Balsas
    Procurada pela Agência Brasil para uma entrevista presencial, a Prefeitura de Balsas marcou uma conversa, por telefone, com a secretária de Meio Ambiente, Maria Regina Polo. Ela reconheceu que existe um problema hídrico na região.

    “Nós temos receio de que, a médio e longo prazo, isso aí possa virar realmente um problema grave para nós e possa afetar a longevidade do nosso rio”, disse a secretária.

    Ao mesmo tempo, Maria Regina ponderou que Balsas é o maior município do Maranhão e um dos maiores do Brasil, com 13,1 milhões de km² de extensão. “A gente precisa observar proporcionalmente esse desmatamento”, disse.

    A secretária municipal avaliou ainda que a maior parte desse desmatamento é legal, respeitando os limites da legislação, que permite desmatar até 80% de uma propriedade no Cerrado. “Então, não sei até que ponto o agronegócio é o vilão nesse contexto”, argumentou.

    Maria Regina Polo acrescenta que os produtores rurais de Balsas são parceiros na fiscalização dos incêndios, que também são um grave problema ambiental do Cerrado. E argumenta que o agronegócio é um caminho sem volta, que trouxe empregos e renda para a região.

    “Balsas é uma cidade que tem um comércio avançado, indústrias chegando e uma economia totalmente voltada para o agro. Eu acho que é um caminho sem volta, não tem como o agro regredir. Nós temos é que, cada vez mais, deixar esse agro sustentável, com um aproveitamento melhor das propriedades, incentivando a abrirem menos áreas, apesar de que essas aberturas têm sido, na sua grande maioria, licenciadas”.

    Ainda segundo a secretária, a chegada da biorrefinaria Inpasa na cidade não deve aumentar a pressão para o desmatamento, como temem ambientalistas.

    “Esses grãos, essas commodities, estavam sendo exportadas. Agora, a Inpasa vai trazer esses grãos para o mercado doméstico. Vamos conseguir utilizar esses grãos aqui. Além disso, com produção de ração animal pela Inpasa, o gado vai precisar de menos pasto para se alimentar”, acrescentou.

    Governo do Maranhão quer “equilíbrio”

    O governo do Maranhão informou à Agência Brasil que reconhece que o Maranhão está na última fronteira agrícola do Brasil, o que tem levado à expansão da monocultura no estado nos últimos anos, e defendeu que o desafio é equilibrar crescimento econômico com sustentabilidade ambiental.

    O secretário de Meio Ambiente do estado, Pedro Chagas, disse que toda a legislação é respeitada e que existe grande preocupação com os recursos hídricos do Maranhão.

    “A gente se preocupa demais com a questão da segurança hídrica, uma vez que o Maranhão tem quase 50% da água de todo o Nordeste. Sabemos que não é só por conta do desmatamento, seja legal ou ilegal, com os ilegais sendo fiscalizados de pronto. Mas o problema também é resultado das mudanças climáticas. Esse ano, por exemplo, tivemos a pior seca dos últimos oito anos no Maranhão”, afirmou.

    Estudo do Ambiental Media aponta que o Cerrado perdeu, em média, 27% da vazão dos rios nas seis principais bacias da região entre 1970 e 2021. Desse total, 56% seria causado pelo desmatamento, sendo 43% resultado das mudanças climáticas.

    O secretário acrescentou que o estado atua com fiscalizações contra o desmatamento ilegal, mas que também apoia projetos para manter a vegetação nativa, com o Programa Floresta Viva Maranhão. “Incentivamos a manutenção da floresta em pé e a valorização dos produtos da sociobioeconomia”, completou o responsável pela proteção ambiental no estado.

    Segundo Chagas, o objetivo do governo estadual é dinamizar o modelo de negócios no Maranhão, preservando os recursos hídricos em parceria com a sociedade civil organizada, principalmente nos Comitês das Bacias Hidrográficas.

    “A gente faz de tudo para proteger as nascentes, primeiro, por meio de mapeamento, fiscalização e controle, mas também por meio do Programa Floresta Viva, com a recuperação de nascentes. Tudo isso fazendo em parceria com a sociedade civil, porque é quem conhece a realidade de fato, lá de perto dessas nascentes”, destacou Chagas.
    Agência Brasil

  • Novembro Azul Pet: UNIFACS oferece atendimento veterinário gratuito para cães e gatos

    Novembro Azul Pet: UNIFACS oferece atendimento veterinário gratuito para cães e gatos

    Ação gratuita oferece avaliações e orientações sobre saúde prostática de cães e gatos machos não castrados

    Durante o Novembro Azul Pet, o Complexo Médico Veterinário da Universidade Salvador (UNIFACS) vai oferecer atendimento gratuito para cães e gatos machos não castrados. A ação acontece nos dias 21 de novembro, das 13h às 21h, e 22 de novembro, das 8h às 11h, no Complexo Médico Veterinário da instituição de ensino (Av. Tancredo Neves, 2131 – Caminho das Árvores).

    A ação tem objetivo de promover a prevenção e o diagnóstico precoce das doenças prostáticas, além de conscientizar tutores sobre a importância do cuidado contínuo com a saúde dos pets. De acordo com a médica veterinária e coordenadora acadêmica da UNIFACS, Aline Quintela, especialista em reprodução de pequenos animais, as doenças prostáticas são muito mais comuns do que a maioria dos tutores imagina. Ela explica que a próstata é uma glândula influenciada diretamente pela testosterona e, com o passar dos anos, tende a aumentar de tamanho ou apresentar inflamações, especialmente em animais não castrados.

    “O problema é que muitos tutores só percebem quando o animal já apresenta sinais clínicos severos, como dificuldade para urinar ou defecar, presença de sangue na urina, perda de apetite e dor abdominal. Por isso, é fundamental que o cuidado com a saúde prostática seja parte da rotina veterinária”, destaca.

    Entre as doenças mais recorrentes estão a hiperplasia prostática benigna, a prostatite bacteriana, os cistos e abscessos prostáticos e até as neoplasias, que, embora menos comuns, podem evoluir de forma agressiva. Aline reforça que o diagnóstico precoce é o principal aliado no tratamento. Segundo ela, um simples exame de imagem, como o ultrassom abdominal, já pode revelar alterações na glândula antes que o quadro se agrave. “O acompanhamento preventivo é o caminho para garantir qualidade de vida e longevidade. Quando o tutor leva o pet ao veterinário com frequência, ele não está apenas tratando uma possível doença, mas demonstrando cuidado, carinho e responsabilidade”, afirma.

    A castração é uma das principais formas de prevenção e traz benefícios que vão além da saúde prostática, influenciando positivamente o comportamento e contribuindo para o controle populacional. “Quando o tutor entende que a castração é uma medida de saúde, e não apenas uma questão de comportamento, ele passa a enxergar o procedimento como um ato de amor. Cuidar do animal também é garantir que ele viva mais e melhor”, explica Aline.

    Nos gatos, embora as doenças prostáticas sejam menos frequentes, a atenção também é indispensável. Os felinos podem desenvolver inflamações e obstruções urinárias que exigem diagnóstico rápido e tratamento adequado. Por isso, o olhar atento do tutor e as consultas regulares ao veterinário são fundamentais para evitar complicações.

    Durante os dois dias de ação, o Complexo Médico Veterinário da UNIFACS também realizará atividades educativas e oferecerá orientações sobre saúde reprodutiva e prevenção de doenças em animais machos. Todas as avaliações clínicas serão gratuitas, com atendimento feito por docentes e estudantes do curso de Medicina Veterinária.

    Serviço

    Novembro Azul Pet UNIFACS: Atendimento gratuito para cães e gatos machos não castrados

    Data: 21 de novembro (13h às 21h) e 22 de novembro (8h às 11h)

    Local: Complexo Médico Veterinário da UNIFACS – Av. Tancredo Neves, 2131 – Caminho das Árvores

  • Em Morro do Chapéu, Governo do Estado lança oficialmente o projeto Visite a Bahia

    Em Morro do Chapéu, Governo do Estado lança oficialmente o projeto Visite a Bahia

    Plataforma vai inserir micro e pequenos empreendedores no mundo digital

    O Governo do Estado, por meio das secretarias de Desenvolvimento Econômico (SDE) e de Turismo do Estado da Bahia (Setur-BA), lançou oficialmente o projeto Visite a Bahia nesta sexta-feira (31). Morro do Chapéu foi o município baiano escolhido para sediar o projeto piloto de turismo inteligente. Por meio da plataforma digital Visite a Bahia – Morro do Chapéu (http://visitemorrodochapeu.com.br), micro e pequenos empreendedores passam a estar inseridos no mercado global.

    O projeto foi desenvolvido em parceria com a traveltech, startup que atua na área de turismo – Just Travel e a prefeitura de Morro do Chapéu. Durante a cerimônia de lançamento do Visite a Bahia, empreendedores que fizeram o treinamento, na última semana, foram certificados e agora estão habilitados para operar a plataforma.

    O diretor de Certificação e Regulação da Setur-BA, Divaldo Borges, destaca que o projeto representa o espírito de integração que a pasta de Turismo do Estado tem buscado promover, com a união de territórios, valorização de identidades e o fomento ao desenvolvimento sustentável em cada canto da Bahia.

    “O Visite a Bahia – Morro do Chapéu é mais do que uma plataforma digital, é um convite para que o visitante descubra, de forma prática e acessível, tudo o que torna esse destino tão único. É uma ferramenta moderna, que vai reunir informações, roteiros, serviços e experiências, fortalecendo a imagem do município como um dos grandes destinos turísticos da Bahia”, explica Borges.

    Plataforma digital
    Na plataforma digital foi possível integrar hospedagem, alimentação, guias turísticos e experiências locais em um único ecossistema que opera em multimoedas e multi-idiomas — eliminando barreiras tecnológicas que historicamente mantiveram pequenos negócios fora da economia digital internacional.

    Secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado da Bahia, Angelo Almeida explica que o lançamento do portal digital e integrado é resultado de todo trabalho do Estado para alavancar a Bahia como principal destino para turistas e investidores. “O povo baiano é criativo por natureza e esse projeto é um instrumento de desenvolvimento econômico para impulsionar o interior do estado através do turismo. O Visite a Bahia vai fazer com que o turismo dialogue com o setor de comércio, serviços e varejo, gerando empregos e renda para o município”, afirma o titular da SDE.

    A prefeita de Morro do Chapéu, Juliana Araújo, celebrou o lançamento do projeto Visite a Bahia – Morro do Chapéu. “Somos pioneiros. Dentre os 417 municípios, Morro do Chapéu foi escolhido para receber esse projeto. Ninguém trabalha sozinho e com o potencial da nossa cidade, temos muito para trabalhar juntos. Quero agradecer ao secretário Angelo por ter nos escolhido como município piloto e ao secretário Mauricio e ao governador Jerônimo por acreditarem no projeto”, afirmou.

    João Nou, CEO da Just Travel, explica que a plataforma está entregando um conjunto de indicadores e fatores de desenvolvimento e economia através do setor turístico. “A plataforma é uma solução para indústria do turismo, que vai fomentar e promover o destino, tendo como base a plataforma digital”.

    Jairo Vaz, presidente da Agrotur e proprietário da vinícola Vaz, um dos roteiros turístico, que pode ser encontrado na plataforma, conta que chegou ao município em 2008 e sempre que perguntam sobre o destino, ele responde: “não me perguntem onde fica Morro do Chapéu, siga o rumo do meu coração”, finaliza.

    Além dos empreendedores, estiveram presentes na cerimônia, o vice-prefeito do município, Vitor Araújo; o secretário municipal de Cultura e Turismo, Pertiano Souza e Elói Falcão, presidente da Câmera Municipal de Morro do Chapéu. Fotos: Matheus Landim/GOVBA

  • Polícia divulga perfis dos mortos; 17 não tinham histórico criminal

    Polícia divulga perfis dos mortos; 17 não tinham histórico criminal

    Mais de 95% dos identificados eram comprovadamente ligados ao CV

    A Polícia Civil do Rio de Janeiro divulgou no fim da noite deste domingo (2) o perfil com imagens de 115 das 117 pessoas mortas na Operação Contenção, realizada na última terça-feira (28/9) nos Complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro. O relatório foi feito pela Ouvidoria Geral da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro.

    De acordo com nota distribuída à imprensa, “mais de 95% dos identificados tinham ligação comprovada com o Comando Vermelho e 54% eram de fora do estado. Apenas dois laudos resultaram em perícias inconclusivas.”

    A Polícia Civil descreve que 97 das pessoas mortas “apresentavam históricos criminais relevantes”. Entre os mortos, 59 tinham “mandados de prisão pendentes.”

    O comunicado oficial admite que outras 17 “não apresentaram histórico criminal”, mas segundo as investigações posteriores, “12 apresentaram indícios de participação no tráfico em suas redes sociais.”

    A lista nomina as pessoas mortas como “neutralizados” e assinala que 62 desses são de outros estados: “19 do Pará, 9 do Amazonas, 12 da Bahia, 4 do Ceará, 2 da Paraíba, 1 do Maranhão, 9 de Goiás, 1 de Mato Grosso, 3 do Espírito Santo, 1 de São Paulo e 1 do Distrito Federal.”

    Doca
    Relatório da Polícia diz que há no Rio de Janeiro “chefes de organizações criminosas de 11 estados da Federação, de quatro das cinco regiões do país.” O principal alvo da operação – Edgar Alves de Andrade, conhecido como “Doca”, líder do Comando Vermelho (CV) – segue em liberdade após seis dias da operação policial.

    Nenhuma das pessoas mortas havia sido denunciada à Justiça pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. A Ordem dos Advogados do Rio de Janeiro criou um observatório para acompanhar a apuração sobre o cumprimento da lei pelas policias Civil e Militar durante a Operação Contenção.

    Moraes hoje no Rio
    Brasília (DF), 21/10/2025 – Ministro Alexandre de Moraes durante sessão no STF de julgamento da Ação Penal 2694 -Núcleo 4 da trama golpista. Foto: Rosinei Coutinho/STF
    Brasília (DF), 21/10/2025 – Ministro Alexandre de Moraes se reúne nesta segunda-feira com autoridades do Rio de Janeiro. Foto: Rosinei Coutinho/STF – Rosinei Coutinho/STF
    O Ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tem nesta segunda-feira (3) cinco reuniões agendadas com autoridades fluminenses e cariocas. Iniciando os encontros com o governador do estado do Rio, Cláudio Castro, e seus auxiliares da Segurança Pública.

    Veja a programação de reuniões do ministro:

    Governador do Estado do Rio de Janeiro, juntamente com o Secretário de Segurança Pública do Estado, o Comandante da Polícia Militar, o Delegado-Geral da Polícia Civil e o Diretor da Superintendência-Geral de Polícia Técnico Científica, às 11h00;
    Presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro às 13h30;
    Procurador-Geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro às 15h00
    Defensor Público Geral do Estado do Rio de Janeiro às 16h30.
    Prefeito do Rio, Eduardo Paes às 18h.
    Ontem, Alexandre de Moraes determinou a preservação “rigorosa e integral” dos elementos materiais relacionados à execução da Operação Contenção.
    Agência Brasil

  • Novembro Azul: sedentarismoNovembro Azul: sedentarismo é fator de risco para câncer de próstata

    Novembro Azul: sedentarismoNovembro Azul: sedentarismo é fator de risco para câncer de próstata

    Apenas 12% dos homens praticam atividade física regular no país

    A campanha mundial do Novembro Azul é direcionada à conscientização sobre o câncer de próstata, mas ela também traz à tona questões relacionadas aos cuidados com a saúde global do homem. Criada para conscientizar o público masculino sobre a doença, que de acordo com Instituto Nacional do Câncer (INCA), apresenta cerca de 65.840 novos casos em um ano; a campanha Novembro Azul chama atenção para a necessidade de prevenção e do diagnóstico precoce desse tipo de câncer. Excluindo os tumores malignos de pele não melanoma, 29,2% dos casos de câncer em homens começam na próstata. No combate para diminuir os índices, está a necessidade de conscientizá-los sobre os cuidados com a saúde.

    E praticar atividade física regularmente é uma medida que diminui o risco de várias doenças, inclusive de diversos tipos de câncer. “A atividade física ao lado de uma alimentação equilibrada contribui para combater a obesidade, fator de risco para o câncer de próstata e diversas outras doenças que acometem o público masculino”, diz Everton Raeda, Gestor Técnico da Rede Alpha Fitness.

    O brasileiro, no entanto, está longe de ter a atividade física como rotina. A pesquisa anual da Vigilância de Fatores de Risco para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, revela que apenas 11,31% dos homens entre 18 e 24 anos, das capitais brasileiras, praticam atividades físicas (pelo menos 150 minutos de atividade moderada por semana). Esse percentual permanece similar nas faixas etárias a partir dos 18 anos até 54 anos: 11,38% (25 a 34 anos); 10,97% (35 a 44 anos); 12,42% (45 a 54 anos); 11,36% (55 a 64 anos). A partir dos 65 anos, a prática de atividade física cai para apenas 4,43% dessa população. “Os cuidados com a saúde devem fazer parte da rotina do homem e não somente quando doenças já estão instaladas. Ter uma vida saudável é fator fundamental para prevenir e combater doenças”, finaliza o especialista da Rede Alpha Fitness.