Dia: 12 de abril de 2026

  • Ipea faz pesquisa para combater desinformação sobre políticas públicas

    Ipea faz pesquisa para combater desinformação sobre políticas públicas

    Questionário foi enviado a servidores pela plataforma SouGov

    Servidores públicos que ocupam cargo em comissão ou função de confiança da administração pública federal devem participar de pesquisa inédita sobre os efeitos das campanhas de desinformação na internet contra políticas públicas.

    A iniciativa é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Os servidores que compõem o universo do estudo receberam, no começo de abril, pelo aplicativo SouGov, convite para participar do estudo.

    As respostas serão aceitas até o dia 2 de junho. O preenchimento do questionário leva cerca de 15 minutos. A pesquisa é anônima e confidencial, sem coleta de dados pessoais, e está de acordo com a Lei Geral de Proteção de Dados e com a Resolução nº 510 do Conselho Nacional de Saúde para levantamentos em ciências humanas e sociais.

    Além do debate eleitoral
    Divulgação do Ipea explica que o interesse sobre o tema se deve ao fato que “a desinformação deixou de ser um fenômeno restrito ao debate eleitoral ou às redes sociais e passou a impactar diretamente a formulação, a implementação e a legitimidade das políticas públicas”.

    De acordo com o instituto, a pesquisa Desinformação e Políticas Públicas tem os seguintes propósitos:

    mapear como servidores e gestores públicos percebem, vivenciam e lidam com episódios de desinformação no cotidiano institucional, bem como os impactos desse fenômeno sobre os processos de formulação, implementação e avaliação de políticas públicas;
    conhecer efeitos sobre a exposição a informações imprecisas ou enganosas, e as estratégias existentes (ou ausentes) de enfrentamento à desinformação no âmbito dos órgãos federais;
    avaliar a gravidade da desinformação para a sociedade e para as políticas públicas e os impactos da desinformação sobre decisões, comunicação e implementação de políticas.
    O relatório final deverá ser apresentado em novembro, após o período eleitoral.

  • Vírus sincicial também traz risco para idosos, alertam especialistas

    Vírus sincicial também traz risco para idosos, alertam especialistas

    Casos do VSR devem aumentar no segundo trimestre

    O aumento dos casos de influenza A tem causado preocupação, mas esse não é o único agente infecioso que ameaça a saúde dos brasileiros. No primeiro trimestre deste ano, de acordo com dados do Ministério da Saúde, 18% dos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) com identificação viral confirmada foram causados pelo vírus sincicial respiratório (VSR), uma infecção ainda pouco conhecida. 

    Neste segundo trimestre, a expectativa é de aumento. De fevereiro a março, o VSR correspondeu a 14% dos casos de síndrome com vírus confirmados, de acordo com o Boletim Infogripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). 

    De março a abril, essa proporção subiu para 19,9%. Em 2025, por 23 semanas consecutivas, de março a agosto, o VSR foi o vírus mais prevalente.

    Já dados de laboratórios privados sobre pacientes com quadros leves e graves, mostram que, na semana encerrada em 4 de abril deste ano, 38% dos testes positivos para algum vírus acusaram o VSR. Essa proporção é 12 pontos maior do que a verificada na primeira semana de março, de acordo com informações reunidas pelo Intituto Todos pela Saúde.

    Dados subestimados

    Para a pneumologista e professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Rosemeri Maurici, esses números são apenas “a ponta do iceberg” e o risco do VSR é subestimado, especialmente em adultos e idosos.

    Ela explica que a testagem contra o VSR só começou a ser feita em maior escala, no Brasil, a partir da pandemia de covid-19, por isso, o impacto real da doença ainda não é totalmente conhecido.

    “Muitos hospitais internam pacientes com síndrome respiratória aguda agrave, e eles até morrem, sem saber qual o agente que causou, porque não testaram ou testaram fora do prazo que é identificável.”

    Dos cerca de 27,6 mil casos de SRAG registrados no primeiro trimestre deste ano, por exemplo, em apenas um terço, ou seja, em 9.079, o vírus causador foi identificado. E quase 17% não foram sequer testados. 

    Além disso, como o VSR é o principal causador da bronquiolite, uma inflamação nos pulmões que acomete principalmente os bebês, muitas pessoas acham que o vírus não atinge adultos.

    De fato, dos 1.651 casos graves de infecção por VSR registrados de janeiro a março, 1.342 foram em menores de dois anos. Entre pessoas com mais de 50 anos, apenas 46 casos foram confirmados.

    Mas a médica ressalva que, em pacientes adultos, a carga viral do VSR diminui após 72 horas da infecção, o que dificulta a detecção do vírus. Já as crianças demoram mais para eliminar o invasor, o que propicia janela maior de diagnóstico. Para ela, isso também influencia as estatísticas.

    Comorbidades

    Os dados de mortes, por outro lado, mostram uma relação bem menos desigual: foram 27 no total este ano, sendo 17 em bebês de até 2 anos, e sete entre idosos com 65 anos ou mais. De acordo com a geriatra Maisa Kairalla, o envelhecimento pesa nessa conta, assim com as comorbidades adquiridas ao longo da vida.

    “Só com o avanço da idade, a gente já tem a imunosenescência, que é o declínio do sistema imunológico, ou seja, mais chance de ter doenças infecciosas. Acontece que, no Brasil, também se envelhece com doenças crônicas.”

    Segundo a pneumologista, a essa população se soma muitos pacientes que por muito tempo fumaram e ingeriram bebida alcoólica.

    Idosos mais propensos

    Por esse conjunto de fatores, os idosos são mais propensos a desenvolver quadros mais graves de diversas doenças. Mas dados da literatura médica apresentados por Maísa, mostram que o VSR representa um risco especial.

    O paciente idoso com VSR tem 2,7 vezes mais chance de desenvolver pneumonia, e duas vezes mais chances de precisar de UTI e intubação e de vir a óbito, na comparação com a influenza. 

    As duas especialistas participaram na última terça-feira (7), do seminário “Impacto do VSR na população 50+”, organizado pela farmacêutica GSK para jornalistas, em São Paulo. O evento também debateu algumas condições de saúde que inspiram ainda mais cuidados entre esse público.

    Rio de Janeiro (RJ), 10/04/2026 - Especialistas participam do seminário
    Especialistas participam do seminário “O impacto do VSR na população 50+” – GSK/Divulgação

    O cardiologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo Múcio Tavares ressaltou que mais de 60% dos casos graves associados à infecção pelo vírus essencial respiratório ocorrem em pacientes com alguma doença cardiovascular.

    “As doenças virais respiratórias, costumam levar a eventos cardiovasculares e cérebro-vasculares, como infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e piora da insuficiência cardíaca. Isso tudo acontece porque a infecção viral causa uma inflamação sistêmica no organismo”, explicou.

    O endocrinologista Rodrigo Mendes também alertou para a maior vulnerabilidade dos pacientes com diabetes, pois a maior concentração de glicose no sangue torna o paciente mais suscetível a infecções e agravamentos.

    “Muitas vezes, o paciente está com a doença controlada e o tratamento estável há algum tempo. Aí ele contrai uma infecção, que gera uma resposta inflamatória exacerbada e ele não só precisa ser hospitalizado como também passa a precisar de um tratamento mais complexo”, acrescenta.

    Outro grupo de alto risco é o das pessoas com doenças respiratórias crônicas como asma grave e doença pulmonar obstrutiva (DPOC). De acordo com a professora da UFSC, Rosemeri Maurici, o impacto de uma internação em UTI aumenta em 70% a probabilidade desses pacientes morrerem em até três anos.

    “Além disso, ele começa a sofrer a perda da função pulmonar de forma acelerada. E esses pacientes, uma vez internando, a probabilidade de eles internarem novamente é muito grande.”

    Vacinação

    O VSR, e especialmente o agravamento da infecção, pode ser prevenido com vacinação, mas os imunizantes contra o vírus para a população adulta, por enquanto, estão disponíveis apenas na rede privada.

    Por enquanto, o Programa Nacional de Imunizações do Sistema Único de Saúde oferece apenas a vacina para gestantes, com o objetivo de proteger os bebês nos primeiros meses de vida. 

    A imunização é recomendada por entidades médicas, como a Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), para pessoas de 50 a 69 anos com comorbidades e para todos os idosos a partir dos 70 anos.

    A professora da UFSC Rosemeri Maurici, que também é coordenadora da Comissão de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia sugere que as sociedades médicas indiquem os grupos prioritários à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS-Conitec, responsável por recomendar a adoção de novas terapias ao Ministério da Saúde.

  • Shopping da Bahia reforça ações de acolhimento a pessoas com TEA durante o Abril Azul

    Shopping da Bahia reforça ações de acolhimento a pessoas com TEA durante o Abril Azul

    Empreendimento disponibiliza abafadores de ruído, kits sensoriais e itens de identificação para oferecer mais conforto, segurança e inclusão às famílias

    Em ocasião do Abril Azul, mês de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), o Shopping da Bahia (SDB) reforça suas ações institucionais voltadas ao acolhimento e à inclusão de pessoas neurodiversas. O empreendimento já disponibiliza uma série de recursos pensados para oferecer mais conforto, segurança e bem-estar durante a experiência de visita ao centro de compras.

    Entre as iniciativas está a oferta de abafadores de ruído, com a finalidade de minimizar os impactos da hipersensibilidade auditiva, e kits sensoriais, compostos por brinquedos que auxiliam no desenvolvimento e na regulação de sentidos como tato e visão.

    Outra medida adotada pelo empreendimento é a distribuição de cordões e crachás de identificação, que ajudam a sinalizar de forma respeitosa a condição da pessoa com TEA, promovendo mais atenção, empatia e suporte durante a circulação pelo espaço.

    Segundo Tatiane Piza, gerente de marketing do Shopping da Bahia, o compromisso com a acessibilidade e o acolhimento faz parte da atuação permanente do empreendimento. “Aproveitamos o mês de abril para dar ainda mais visibilidade a esse tema, mas o compromisso com o acolhimento de pessoas neurodiversas é um valor da nossa empresa. Seguiremos empenhados em promover inclusão, conforto e bem-estar para todos os públicos ao longo de todo o ano”, afirma.

    Os recursos estão disponíveis para o público durante todo o ano, e os kits sensoriais podem ser encontrados no Espaço Cliente, no 2º piso, e nos fraldários do 2º e 3º piso do empreendimento.

  • Ipirá: Governo entrega Novo Colégio de Tempo Integral

    Ipirá: Governo entrega Novo Colégio de Tempo Integral

    Neste sábado (11), no município de Ipirá, no território da Bacia do Jacuípe, o governador Jerônimo Rodrigues inaugurou o Novo Colégio Estadual de Tempo Integral Professor Arismário Sena Ferreira, a 108ª unidade deste modelo entregue na Bahia. Com um investimento superior a R$ 35 milhões, a entrega marcou a agenda do governador na cidade, que começou com o café da manhã no distrito de Coração de Maria, organizado pela população.
    “Hoje, são muitas entregas e essa agenda aqui em Coração de Maria, ela é muito especial. Venho assinar a ordem de serviço dessa estrada importante, junto do povo”, contou o governador ao lado de Maria Santana, produtora rural, de 75 anos, que falou com felicidade sobre os benefícios que vai trazer o asfaltamento do distrito para a BA-052: “estrada de chão fica difícil, quando chove é lama, agora vai ficar ótimo”, contou a moradora.
    A superintendente de Políticas para a Educação Básica da Secretaria de Educação, Helaine Pereira, detalhou a importância da nova estrutura para o desempenho escolar, ressaltando o benefício para mais de mil estudantes. “Nós entregamos oficialmente 108 escolas contando com essa de Ipirá, mas na Bahia são mais de 600 escolas construídas ou modernizadas durante a nossa gestão. Então, nós temos um investimento enorme com toda a Bahia”, afirmou Helaine.
    Para Darlan Pereira, de 18 anos, a estrutura da escola foi importante para sua formação, “colégio que eu estudava era menor e não tinha essa estrutura, que oferece mais oportunidades para os estudantes”, contou o jovem que se apresentou no palco do teatro do colégio.
    Já a estudante Gabriela Alves, de 16 anos, que sonha em ser policial ou médica, destacou a importância da estrutura reformada para a aula de educação física. “Gosto mais da sexta quando tem aula na quadra. A estrutura eu gosto muito, porque é maior e tem mais conforto para estudar. Aqui tem oficinas, capoeira, teatro, clube de leitura”, afirmou a estudante.
    Infraestrutura e mobilidade urbana
    Os investimentos também foram direcionados para infraestrutura, o secretário da Seinfra, Saulo Pontes, explicou que as obras de pavimentação, como o trecho do entroncamento da BA-052 ao Centro de Abastecimento e o acesso a Ipirazinho, melhoram o deslocamento de moradores e estudantes, impactando diretamente na logística de transporte regional. “São quatro obras de mobilidade urbana e desses acessos que vão melhorar a qualidade de vida da população local. Mais de 21 milhões de investimentos”, afirmou o secretário.
    O governador também inaugurou o Sistema de Abastecimento de Água no Povoado de Vida Nova, a secretária de Infraestrutura Hídrica e Saneamento (SIHS), Marise Chastinet, explicou que a obra é “uma rede de abastecimento de mais de 70 quilômetros que vai beneficiar em torno de 60 mil pessoas”.
    No apoio ao desenvolvimento rural, o Estado entregou equipamentos agrícolas como micro trator e gradão para associações comunitárias, além de 150 caixas d’água e um tanque pipa para produtores da região de Poço Doce.
    Modernização na Saúde
    Na área da saúde, novos equipamentos foram entregues, que incluem kits para o Centro Cirúrgico, Sala de Estabilização, fisioterapia e UBS, que visam atender as demandas urgentes da população, promovendo um atendimento mais qualificado. A saúde do município também foi reforçada com a entrega de uma ambulância, dois veículos, um para o Tratamento Fora de Domicílio (TFD) e outro para uso administrativo, além da autorização para a licitação da construção do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS AD III) e construção de UBS no bairro Morro da Alegria.
    Mais investimento
    O setor de esporte e lazer também foi contemplado com a assinatura de ordens de serviço para a reforma do ginásio local, construção de uma Areninha Society no bairro Casas Populares e a implantação de iluminação em LED no estádio municipal. Por fim, o governador autorizou a reforma de quatro praças nos povoados, construção de barragem de pedra sobre o Rio Paulista no povoado Conceição, construção da cobertura do centro de abastecimento da sede do município e a requalificação da Casa da Mulher Baiana no município.

  • Professora alerta para endividamento com taxa de água e esgoto na Maré

    Professora alerta para endividamento com taxa de água e esgoto na Maré

    Ana Lucia de Britto, da UFRJ, vê falta de transparência nas cobranças

     

    A falta de transparência nas cobranças da concessionária Águas do Rio, na Maré, é uma prática de mercado identificada em outras regiões atendidas pela empresa, como Japeri, um dos municípios mais pobres do estado do Rio de Janeiro. A constatação é da professora Ana Lucia de Britto, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

    Na avaliação da professora da UFRJ, o problema ocorre porque a concessionária atua “orientada por uma lógica de ampliação de receitas”, uma vez que cobranças pelo abastecimento e coleta de esgoto são insuficientes para remunerar os acionistas.

    “Essas empresas têm uma série de mecanismos para formação de caixa que vão além da prestação de um serviço de água e esgoto”, frisa Ana Lucia. Ela cita taxas para o corte do abastecimento, religação e a cobrança de juros em casos de inadimplência.

    “São vários custos altíssimos e penduricalhos que elevam o valor da conta”, explica.

    Em março, moradores da Maré receberam as primeiras contas de água, que sucederam o anúncio de investimentos de R$ 120 milhões na comunidade. Os valores foram considerados altos, e moradores recorreram às associações. Em Rubens Vaz, uma das 16 comunidades da Maré, as cobranças chegaram a R$ 1.153.

    “Onde era para vir [uma conta de] R$ 5, veio [de] R$ 260, R$ 280, teve conta de quatro moradores aqui de R$ 1.153, em março, sendo que eles [a concessionária] falaram que iam cobrar só em abril”, relata o presidente da associação local, Vilmar Gomes Crisóstomo, conhecido como Maga.

    “Eu estou preocupado”, diz ele. A tarifa de R$ 5 foi uma promessa da concessionária para os moradores da Maré, por pelo menos um ano.

     

    Rio de Janeiro (RJ), 01/04/2026 - Cartaz da Águas do Rio avisa das obras de infraestrutura na comunidade de Nova Holanda. Saneamento básico em localidades do Complexo da Maré. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
    Cartaz da Águas do Rio avisa das obras de infraestrutura no Complexo da Maré – Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

    Maga também relata que, na Maré, faturas chegaram sem o nome do responsável pelo domicílio. “Teve gente que recebeu conta alta sem nome, sem CPF, sem endereço da rua… Está escrito: [morador] não cadastrado, mas chegou lá para alguém pagar”, afirma.

    “Mas como que vou pagar algo que não está no meu nome?”, pergunta Vilmar. Ele orientou os mareenses a não pagarem cobranças sem a identificação pelo nome e CPF.

    A concessionária informou que identificou problemas no sistema e cancelou as cobranças.

    Ao contrário de outras localidades atendidas, na Maré também não haverá cobrança pela instalação de hidrômetros nem pela ligação do esgoto à rede, principal intervenção da empresa na comunidade.

    Diferentemente de Japeri, o cadastro na tarifa social será automático para os moradores e dará direito à tarifa residencial de R$ 5, segundo a concessionária. Residências com comércio serão avaliadas separadamente.

     

    Rio de Janeiro (RJ), 01/04/2026 - Funcionários da Águas do Rio trabalham na infraestrutura de tratamento do esgoto na comunidade Nova Holanda. Saneamento básico em localidades do Complexo da Maré. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
    Concessionária Águas do Rio anunciou investimentos de R$ 120 milhões para ampliar a rede de esgoto na Maré – Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

    Apesar de as cobranças terem sido canceladas, Maga, da associação de moradores, vê com preocupação a chegada da Águas do Rio. Ele avalia que, mesmo na tarifa social, os valores são altos, e prevê inadimplência.

    “Aqui as pessoas não têm R$ 1 para comprar um pão de manhã para filhos e netos, não têm R$ 60 para a conta”, diz o presidente da associação de moradores.

    Para ele, com o início das cobranças, moradores vão acabar “com o nome negativado”.

    A solução do presidente da associação é o subsídio pelo Estado, com parte de uma agenda de justiça climática ─ conceito usado para explicar o impacto desproporcional do aquecimento global, como calor extremo, chuvas e alagamentos em comunidades negras, pobres e periféricas, mas as que menos contribuíram para o problema.

     

    Japeri

    Denúncias de cobranças abusivas de água e esgoto em Japeri levaram a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro a requerer um estudo da situação ao Programa de Pós-Graduação em Urbanismo da UFRJ, da professora Ana Lucia de Britto. Há anos, a instituição pesquisa o saneamento no estado.

    A pesquisa Reflexo da Privatização no Acesso à Água em Japeri constatou que pessoas inscritas no Cadastro Único, como idosos e analfabetos, não eram atendidas pela tarifa social mesmo tendo direito, o que gerava cobranças acima da possibilidade de pagamento. O levantamento encontrou pessoas com “dívidas impagáveis para a sua situação socioeconômica” e que mesmo assim tiveram a água cortada.

    Na tarifa social, na qual os moradores de Japeri deveriam ter sido incluídos, a cobrança mensal pela água e esgoto deveria ser de R$ 28,18 cada. O valor cobre 15 mil litros de água, considerados suficientes para uma família de quatro pessoas, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). No entanto, em Japeri, como pode ter ocorrido na Maré, o cadastro na tarifa não foi imediato e houve cobranças sem transparência.

    Como resultado, em Japeri, a pesquisa da UFRJ identificou “agravamento do endividamento da população” que já era pobre.

    “É uma questão de inacessibilidade econômica, de não ter dinheiro para outras coisas, de ficar com o nome sujo e sem água”, diz Ana Lucia de Britto.

    No último sábado (11), em Japeri, moradores que há seis meses enfrentam falta de água foram atendidos por equipes da Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor (Sedcon) e do Procon-RJ. A ação incluiu a atualização de cadastros e o cancelamento de dívidas pela Águas do Rio.

    “O consumidor não pode ser cobrado por um serviço que não foi entregue”, explicou o Procon, em nota. Segundo o órgão estadual, a medida permitiu a regularização “sem o peso de débitos acumulados indevidamente durante o período de desabastecimento”.

    Outro lado

    À Agência Brasil, a Águas do Rio informou que é uma empresa estruturada para atender a um cenário marcado pela falta de saneamento no estado do Rio de Janeiro e aplica a tarifa social para 2 milhões de consumidores.

    Em Japeri, a partir de novos investimentos, mais de 6 mil pessoas passaram a ter acesso regular ao abastecimento de água segura, afirma a concessionária, em substituição ao cenário anterior, “de ligações improvisadas”, que colocavam a saúde em risco.

    Em obras na rede de esgoto, na localidade, a empresa investe R$ 140 milhões, e constrói uma nova estação de tratamento. “A unidade atenderá Japeri, Queimados e parte de Nova Iguaçu, o que levará saúde a 270 mil pessoas e ainda contribuirá para a proteção da Bacia do Guandu”, destaca a Águas do Rio em nota.

    Em relação as cobranças na Maré, a companhia reforça que dados incorretos ou incompletos, além da alteração do tipo de imóvel, impactaram nas cobranças. A empresa pede que os moradores procurem atendimento nessas situações.