Dia: 11 de abril de 2024

  • Liberdade de expressão não é liberdade de agressão, diz Moraes

    Liberdade de expressão não é liberdade de agressão, diz Moraes

    O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse nesta quarta-feira (10) que a “liberdade de expressão não é liberdade de agressão”.

    Declaração do ministro foi feita após as recentes postagens nas quais o empresário norte-americano Elon Musk, dono da rede social X, antigo Twitter, sugeriu que iria desobedecer a ordens judiciais emitidas contra a plataforma na investigação da Corte que trata da atuação de milícias digitais contra a democracia brasileira.

    No início da sessão desta tarde, Moraes disse que as redes sociais não podem ser usadas para fins ilícitos. O ministro também disse que “alguns alienígenas” tomaram conhecimento da coragem da Justiça no Brasil. Além de proprietário da X, Musk também é dono da Space X, empresa de lançamento de foguetes ao espaço.

    “O STF, a população brasileira e as pessoas de bem sabem que liberdade de expressão não é liberdade de agressão. Liberdade da expressão não é liberdade para proliferação do ódio, do racismo e da homofobia. Sabem que liberdade de expressão não liberdade de defesa da tirania. Talvez alguns alienígenas não saibam, mas passaram a aprender e tiveram conhecimento da coragem e seriedade do Poder Judiciário brasileiro”, afirmou.

    Durante a sessão, o ministro Gilmar Mendes defendeu a regulamentação das redes sociais. Para o ministro, as declarações de Elon Musk comprovam a necessidade da regulamentação do funcionamento das plataformas.

    “Acredito que as manifestações veiculadas na rede social X apenas comprovam a necessidade de que o Brasil, de uma vez por todas, regulamente de modo mais preciso o ambiente virtual, como, de resto, ocorre com grande parte dos países democráticos europeus”, disse Mendes.

    O presidente do STF também se manifestou e citou que o modelo de negócios das plataformas incentiva a “difusão do mal”.

    “Por trás da alegação de liberdade de expressão, o que existe é um modelo de negócios que vive do engajamento. O ódio, a mentira, o ataque às instituições trazem mais engajamento do que o discurso moderado, que a notícia verdadeira”, completou.

    Entenda o caso

    No último sábado (6), o bilionário Elon Musk, dono da rede social X e da fabricante de veículos elétricos Tesla, iniciou uma série de postagens criticando o ministro Alexandre de Moraes e o STF.

    Ele usou o espaço para comentários do perfil do próprio Moraes no X para atacá-lo. Em uma mensagem de 11 de janeiro, postada por Moraes para parabenizar o ministro aposentado do STF Ricardo Lewandowski por assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública, Musk questionou: “Por que você exige tanta censura no Brasil?”.

    Em outra postagem, ainda no sábado, Musk prometeu “levantar” [desobedecer] todas as restrições judiciais, alegando que Moraes ameaçou prender funcionários do X no Brasil. No domingo, dia 7, Musk acusou Moraes de trair “descarada e repetidamente a Constituição e o povo brasileiro”.

    Sustentando que as exigências de Moraes violam a própria legislação brasileira, Musk defendeu que o ministro renuncie ou seja destituído do cargo. Pouco depois, ele recomendou aos internautas brasileiros utilizarem uma rede privada virtual (VPN, do inglês Virtual Private Network) para acessar todos os recursos da plataforma bloqueados no Brasil.

    No próprio domingo, o ministro Alexandre de Moraes determinou a inclusão do multibilionário entre os investigados do chamado Inquérito das Milícias Digitais (4.874), que apura a atuação criminosa de grupos suspeitos de disseminar notícias falsas em redes sociais para influenciar processos político.

    Agência Brasil

  • BNDES criará fundo de R$ 60 milhões para preservação de corais

    BNDES criará fundo de R$ 60 milhões para preservação de corais

    O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) iniciou nesta quarta-feira (10) uma chamada permanente para projetos de preservação de corais, no valor mínimo de R$ 60 milhões.

    Na prática, a iniciativa significa que o banco disponibilizará R$ 30 milhões para projetos de monitoramento, preservação e reparação de corais e R$ 30 milhões para captação pelos projetos por meio de fundações ligadas a empresas privadas, organismos internacionais e governos estaduais.

    Os recursos do BNDES não serão reembolsáveis, ou seja, não se trata de empréstimo. Ao lançar a chamada, o presidente do banco, Aloizio Mercadante, ressaltou a importância do ecossistema para o meio ambiente e para a economia, incluindo o turismo.

    “Os corais são um condomínio da vida marinha muito decisivo. Uma em cada quatro formas de vida nos oceanos, em algum momento, passa pelos corais, e eles estão fortemente sendo agredidos e ameaçados. Precisamos reagir a isso”, disse.

    O BNDES apresentou dados que mensuram os reflexos econômicos da preservação de corais. Segundo o estudo Oceano sem Mistérios, ligado à Fundação Grupo Boticário, para cada quilômetro quadrado de recife preservado, são economizados cerca de R$ 940 milhões em investimento para proteção da costa e R$ 62 milhões são gerados com turismo. No Brasil, isso representa R$ 7 bilhões com turismo de corais.

    Branqueamento

    Os corais são animais invertebrados marinhos capazes de se alimentar sozinhos. Mas grande parte de dieta é obtida por meio de simbiose – uma relação mutuamente benéfica – com algas. Agrupadas, as espécies de corais formam os recifes.

    Pesquisadores têm chamado atenção para o fenômeno global do branqueamento branqueamento de corais, em parte causado pela elevação da temperatura no oceano, o que prejudica a saúde do ecossistema.

    A secretária nacional de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Ana Prates, ressaltou que o mundo está passando pelo quarto maior evento de branqueamento já registrado.

    “Nossas águas estão muito aquecidas, e os corais estão morrendo. Antes tarde do que nunca, é muito necessário desenvolver ações de proteção. Ainda há tempo”. Ana destacou que o Brasil tem os únicos recifes de corais do Atlântico Sul.

    “Isso nos confere uma responsabilidade muito grande de olhar para esses ambientes e cuidar deles, porque eles cuidam de nós”, afirmou.

    Segundo a secretária, os recifes de corais representam para os oceanos o que as florestas tropicais representam para os continentes. “São a área mais biodiversa dos oceanos e, ao mesmo tempo, têm funcionado para a gente como o canarinho na mina, aquele que é o primeiro a morrer quando acontece alguma coisa.”

    O “canário da mina” é uma referência a uma prática do passado, em que o pássaro tinha a função de agir no monitoramento da presença de gases tóxicos em minas de carvão.

    Projetos

    A chamada do BNDES ficará aberta até 30 de junho. Nesse período, o banco receberá propostas que promovam melhoramento da qualidade da água das bacias; combate à pesca predatória pela geração de renda alternativa; ordenamento do turismo comunitário ligados a corais e combate a espécies exóticas que degradam os corais, além de mapeamento, monitoramento, manutenção e recomposição de corais.

    As propostas devem estar incluídas em uma extensão de 3 mil quilômetros de costa, do Espírito Santo ao Maranhão. É a região que mais concentra os corais no país. Os projetos devem ser dirigidos para corais rasos (aqueles mais visíveis, que atraem turistas às praiais) entre Bahia e Ceará, e para os dois grandes bancos de corais do país, no Parque Estadual Marinho Manuel Luís, no Maranhão, e em Abrolhos, na Bahia e no Espírito Santo.

    O valor mínimo por projeto é R$ 5 milhões, sendo metade aportada pelo BNDES e metade por outros proponentes. Os executores dos projetos devem, necessariamente, ser entidades privadas sem fins lucrativos, que podem atuar em rede ou individualmente. É preciso que tenham experiência na implantação e operação de projetos similares.

    Para a diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, o fato de o banco aportar no máximo 50% dos valores demandados pelos projetos não será obstáculo para os proponentes alcançarem os recursos necessários. “Não identificamos isso como problema. Ao contrário, nas chamadas que o BNDES apresenta com temática tão nobre, em geral, temos tido uma adesão muito grande de parceiros.”

    Tereza acrescentou que os interessados em executar os projetos devem procurar também fazer essa captação. “Com isso, a gente consegue aumentar os recursos [de parceiros].” De acordo com ela, há casos em que o número de parceiros passou de 50%.

    A solicitação de recursos é feita pelo site do banco. O BNDES fará oficinas online com orientações sobre como elaborar os pedidos. O primeiro encontro será no dia 24 deste mês. Haverá outros encontros em maio e junho, ainda sem data definida.

    O objetivo do banco é fazer com que as propostas sejam enviadas “redondas”, de forma a agilizar a liberação de recursos. A ideia é direcionar os recursos ainda neste ano. “Nós temos pressa, de fato. A cada dia, podemos estar perdendo uma espécie [de coral] e nem ficar sabendo”, considera Tereza  Campello, que não descarta nova chamada em 2025.

    Margem Equatorial

    O Parque Estadual Marinho de Manuel Luís, um dos bancos de corais a serem preservados, fica no litoral maranhense. A região faz parte da chamada Margem Equatorial, uma nova fronteira de exploração de petróleo, tida como o “novo pré-sal”, por causa da expectativa de descoberta de grandes reservatórios de óleo.

    A Petrobras já faz perfurações iniciais na parte mais ao leste da área marítima, na costa do Ceará e do Rio Grande do Norte. Na terça-feira (9), a petroleira anunciou uma segunda descoberta. Possíveis impactos ambientais em áreas de preservação como o Parcel Manuel Luís são levados em consideração para decidir se a Petrobras terá autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para explorar toda a margem.

    Tereza Campello descartou qualquer relação do programa do BNDES com estudos de impacto ambiental relacionados à exploração de petróleo. “Não tem nada a ver.”

    “Estamos fazendo um projeto descolado de qualquer outra ação. O ambiente que foi escolhido não tem nada a ver com a Margem Equatorial em si. Tem a ver com a orientação que foi dada pelo MMA em parceria com a nossa equipe técnica de onde são os corais mais relevantes do Brasil”, enfatizou.

    Manguezais

    A iniciativa lançada nesta quarta-feira faz parte do programa BNDES Azul. A cor é uma referência ao oceano. Outra ponta do programa, lançada em 2023, foi direcionada à preservação de manguezais. Foi uma chamada pública de R$ 50 milhões, que envolve oito áreas de mangues ao longo da costa brasileira.

    Agência Brasil

  • Câmara decide manter prisão de deputado Chiquinho Brazão

    Câmara decide manter prisão de deputado Chiquinho Brazão

    A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (10) o parecer que determina a manutenção da prisão do deputado Chiquinho Brazão (sem partido-RJ). Em votação no plenário da Casa, 277 deputados votaram a favor e 129 votaram contra, além de 28 abstenções. Eram necessários 257 votos para manter a prisão, a maioria absoluta dos membros da Câmara. 

    O deputado é acusado de ser um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista, Anderson Gomes, no dia 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro. Brazão foi preso por obstrução de Justiça no dia 24 de março, por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

    A decisão foi confirmada por unanimidade pela Primeira Turma do STF, que também determinou a prisão do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro Domingos Brazão e do delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa. Os três são investigados por envolvimento no homicídio de Marielle e Anderson.

    De acordo com a Constituição Federal, quando um parlamentar federal é preso, o fato deve ser comunicado à respectiva Casa Legislativa para que se manifeste sobre a manutenção da ordem ou sua revogação. Atualmente, o deputado está detido no presídio federal de Campo Grande (MS).

    Na tarde de hoje, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou por 39 votos a 25 o parecer do deputado Darci de Matos (PSD-SC), que pede a manutenção da prisão do deputado.

    Mais cedo, o Conselho de Ética da Casa instaurou processo que poderá levar à cassação do mandato de Chiquinho Brazão.

    Ao final da votação, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), informou que a decisão será comunicada ao Supremo Tribunal Federal.

    Constituição

    Em seu parecer, o deputado Darci de Matos lembrou que a Constituição Federal admite a possibilidade de prisão de parlamentares, desde que atendidos requisitos como a flagrância e a inafiançabilidade do crime que ensejou a prisão. “Entendo que as prerrogativas dos parlamentares são para proteger a sua atuação. Não podemos admitir que se utilize a imunidade parlamentar como escudo para a prática de crimes”, disse.

    O advogado de defesa de Chiquinho Brazão, Cleber Lopes, disse que a decisão da CCJ foi alicerçada em considerações de mérito, sobre uma eventual culpabilidade do parlamentar. Ele argumentou que a Constituição Federal é categórica ao determinar que o parlamentar só pode ser preso em flagrante delito e por crime inafiançável, e esse não é o caso do deputado Brazão. “Não há prisão em flagrante. Nós temos uma prisão preventiva decretada ao arrepio da Constituição da república”, disse.

    Ele também alegou a falta de competência do STF para julgar a questão, já que os atos ocorreram antes da eleição de Brazão como deputado federal. Na época da morte de Marielle, ele era vereador na cidade do Rio.

    Agência Brasil

  • Shows inspirados em sons da medicina da floresta e em elementos da cultura popular brasileira na agenda do Gamboa

    Shows inspirados em sons da medicina da floresta e em elementos da cultura popular brasileira na agenda do Gamboa

    Fruto da união de componentes de egrégoras variadas que tiveram seus caminhos interseccionados através da sagrada medicina da floresta, a banda Rezadêra chega ao palco do Teatro Gamboa nesta sexta-feira (12), às 19h. Composta por integrantes do Candomblé, Santo Daime, Maçonaria, Cristianismo, Ciganagem e práticas espirituais adjacentes, o grupo se denomina Ecumênico Universalista, por acreditar em suas próprias linhas de prática religiosa e experimentar, através delas, o poder da fé.

     

    Rezadêra traz cantores, musicistas, multi-instrumentistas, terapeutas do som, estudiosos das artes e da produção cultural brasileira, tendo como foco a cura e elevação espiritual através da música, com repertório composto de composições autorais e mix de versões de tudo aquilo que acredita que possa transmutar em benefícios através da música. Os ingressos  antecipados, disponibilizados no Sympla, já esgotaram. Últimos ingressos presenciais à venda na bilheteria do Gamboa, a partir das 15h do dia do espetáculo.

     

    Domingo (14), às 17h, “Um Atlântico, Um Recôncavo” é o show que o cantor Anderson Brasil apresenta no Teatro Gamboa. Ao longo de sua trajetória como músico pesquisador, Anderson mergulhou nas profundezas das comunidades tradicionais na Bahia e no Tocantins, unindo elementos pouco explorados nas manifestações da cultura popular brasileira. O espetáculo entrelaça ritmos como o samba chula e o maracatu, o ijexá e o jazz, o samba canção e o boi de Parintins, entre outros. Anderson Brasil apresenta orquestrações inovadoras que dialogam entre percussão afro-brasileira e violão com influências da escola mineira, em uma fusão que evoca mestres como Dori Caymmi, Ivan Lins e Sérgio Santos. Os ingressos custam R$40/R$20, à venda na bilheteria do Gamboa a partir das 15h do dia do show, ou antecipadamente no https://tabuleiroproducoes.com.br/ingressos.

     

    Oficinas na agenda de abril

    Às terças-feiras de abril serão preenchidas com a oficina “Fala, Palco!”, entre 19h e 20h30. Nela, a atriz, educadora, diretora teatral e terapeuta junguiana Andréa Elia promove a iniciativa voltada ao desenvolvimento da fala, destinada a todos interessados em expandir criativamente a auto expressão pela vivência de improvisos e personagens no palco. Inscrições podem ser feitas pelo WhatsApp (71) 99117-6714 ou e-mail cursoato@gmail.com.


    Já no dia 22 (segunda-feira), entre 16h30 e 19h30, acontece o Clube de Escrita Livre Criativa e Curativa, ministrado pela jornalista Isa Lorena. Repleta de ludicidade e exercícios práticos para o aprimoramento da escrita autoral e criativa, a aula é um espaço aberto para soltar a imaginação e aproveitar as conexões, estímulos e trocas para aprimorar escrita e leitura de mundo, ampliando habilidades de comunicação. As inscrições podem ser realizadas através do Sympla ou diretamente com a ministrante do Clube através do whatsApp: 71 99329-6389. Mais informações: https://linktr.ee/trafegodeideias.

  • Prefeitura de Lauro de Freitas abre consulta pública sobre a PNAB na próxima sexta-feira (12); oitivas começam dia 23

    Prefeitura de Lauro de Freitas abre consulta pública sobre a PNAB na próxima sexta-feira (12); oitivas começam dia 23

    Na próxima sexta-feira (12), a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (SECULT), abrirá uma consulta pública para implantação da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). Os munícipes envolvidos com arte e cultura na cidade estão convidados a participar ativamente da destinação do recurso recebido no montante de R$1.472.773,84 e na aplicação da política. Para isso, poderão enviar  opiniões, sugestões e comentários por meio de um formulário disponível, na página da PNAB Lauro de Freitas, no site oficial da Prefeitura até o dia 21 de abril.

    O Coordenador Geral da SECULT, Remerson Araújo, enfatizou que a Política Nacional Aldir Blanc é resultado de uma intensa participação popular na construção das políticas culturais brasileiras nas últimas décadas. “A escuta da população é parte integrante dessa política que define as prioridades e o formato de fomentar a cadeia produtiva da cultura. É importante que todos que são direta ou indiretamente impactados possam colaborar com demandas, sugestões, entre outras informações relevantes para garantir um Plano de Aplicação democrático e justo. Lauro de Freitas se tornou referência nesse assunto nos últimos anos, diante dos importantes avanços na institucionalização da cultura, o que possibilita grande desenvolvimento desses mecanismos para atender a sociedade civil organizada e atuante nas tomadas de decisões”, destacou.

    OITIVAS   

    Além da consulta pública online, a SECULT realizará uma Caravana com três encontros para discutir ideias sobre a aplicação da política. As oitivas acontecerão nos dias 23, 24 e 25 de abril, como explica o Secretário de Cultura, André Pereira. “A SECULT irá realizar a Caravana da PNAB Lauro de Freitas em bairros como Capelão, Vida Nova e Jambeiro, descentralizando as discussões e debates. Vivemos em um sistema político democrático, onde a participação popular é essencial para a construção de políticas públicas eficazes. Escutar a classe cultural é fundamental para garantir uma maior eficácia e realmente atender às necessidades daqueles que mais precisam, os que estão na ponta”, frisou.

    Dúvidas sobre a Política Nacional Aldir Blanc podem ser tiradas através do e-mail pnab-secult@laurodefreitas.ba.gov.br.

     

    Confira as datas e locais das oitivas:

    – Oitiva I: 23/04, das 17h às 21h, na Escola Municipal Tenente Gustavo – Capelão

    – Oitiva II: 24/04, das 17h às 21h, na Escola Municipal Vida Nova – Vida Nova

    – Oitiva III: 25/04, das 17h às 21h, na Escola Municipal Capitulino dos Santos – Jambeiro

  • Varejistas registram crescimento de 10,8% de acordo com última pesquisa do IBGE para o setor

    Varejistas registram crescimento de 10,8% de acordo com última pesquisa do IBGE para o setor

    Os supermercados no estado do Ceará estão experimentando um período de expansão contínua, impulsionados por um desempenho crescente nas vendas. De acordo com dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o varejo comum cearense registrou um aumento significativo de 10,8% no último trimestre de 2023 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Esta tendência ascendente se destaca ainda mais quando comparada com o desempenho do varejo nacional, evidenciando uma dinâmica promissora dentro do mercado local.

     

    Neste mês de março, o setor tem o marco de vigésimo mês consecutivo de aumento nas vendas do varejo comum cearense, desde fevereiro de 2022, refletindo uma trajetória de crescimento consistente e robusta. Além disso, os supermercados de bairro também têm desempenhado um papel crucial nesse panorama, com um crescimento expressivo em suas operações. A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) publicou um levantamento comparativo com anos anteriores, onde prevê um crescimento de 2,5% em vendas para o setor em 2024.

     

    O presidente da Rede Uniforça, Murilo Tavares, destaca que tanto o varejo comum quanto o ampliado cearense estão testemunhando uma aceleração significativa em suas taxas de crescimento. “Esses números refletem não apenas o vigor da economia local, mas também o compromisso dos supermercados em oferecer uma experiência de compra de alta qualidade aos clientes”, comenta.

     

    Murilo enfatiza a importância dos supermercados entenderem as necessidades e preferências dos consumidores para impulsionar o crescimento nos bairros. “Com um foco renovado na satisfação do cliente e na personalização dos serviços, temos conquistado a lealdade dos consumidores e contribuído significativamente para o sucesso do setor varejista cearense”, compartilha.

     

    A pesquisa mensal do volume de vendas do comércio, realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Ceará (Fecomércio-CE), aponta que em janeiro de 2024 o setor de hipermercados e supermercados cresceu 15,8% na variação mensal do volume de vendas do comércio varejista. Para efeito de comparação, o índice no mesmo período do ano anterior era de apenas 2,7%.

     

    Além do crescimento das vendas benéficas para a movimentação econômica local, o aumento de fluxo gera também uma demanda por mais mão de obra. Em Fortaleza, o Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT) apresenta 110 oportunidades para quem pretende atuar no setor supermercadista local, incluindo cargos de auxiliar de estoque, fiscal de loja e expedidor de mercadorias.

     

    Nidovando Pinheiro, presidente da Associação Cearense de Supermercados, explica que é nos momentos de expansão econômica quando há um maior número de contratações no setor, sendo esse período fundamental tanto para comerciante quanto para a população: “Os supermercados fazem parte de uma seção do comércio onde existe um dos maiores números de funções disponíveis. Quando enfrentamos períodos de fluxo acima do normal, precisamos reforçar nosso quadro organizacional, gerando muitas oportunidades de emprego para variados níveis instrucionais, desde mais básicos até altos cargos.”

     

    Para a vice-presidenta dos Supermercados Minibox, Lea Miranda Porto, a trajetória de crescimento consistente dos supermercados cearenses reflete não apenas a vitalidade da economia local, mas também o compromisso contínuo dos supermercados em oferecer uma experiência de compra excepcional aos clientes. “Os varejistas têm observado de perto o comportamento do consumidor e estão constantemente aprimorando seus serviços para atender às demandas em constante mudança. Essa abordagem centrada no cliente tem desempenhado um papel fundamental no crescimento, pois cria uma experiência de compra mais satisfatória e personalizada para os clientes”, conta.

  • Governo propõe negociar reajuste com cada categoria de servidores

    Governo propõe negociar reajuste com cada categoria de servidores

    Representantes do Ministério da Gestão e de Inovação em Serviços Públicos (MGI) propuseram a abertura de 60 mesas setoriais de negociação com diferentes categorias de servidores públicos federais. Elas se somariam a outras negociações específicas já em curso desde o ano passado. O objetivo é discutir, ao mesmo tempo, recomposição salarial e reestruturação com cada carreira individualmente, uma demanda dos servidores.

    O assunto foi debatido durante reunião da Mesa Nacional de Negociação Permanente (MNNP), que ocorreu na tarde desta quarta-feira (10), em Brasília, entre integrantes do governo e de diferentes sindicatos e associações de servidores públicos do Poder Executivo Federal.

    Além disso, após pressão das entidades, foi retirada a cláusula de um termo de compromisso apresentado pelo governo que determinava a suspensão das negociações em caso de paralisações ou greves no serviço público, como divulgou o Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate).

    “O secretário de Relações do Trabalho (SRT), José Lopez Feijóo, ligou para o presidente do Fonacate, Rudinei Marques, no começo da noite desta quarta-feira e disse que governo atendeu a reivindicação das entidades para tirar o parágrafo 2º da cláusula II do Termo de Compromisso da Campanha Salarial de 2024. A cláusula dizia que ‘durante o processo de negociação, interrupções (total ou parcial) de serviços públicos implicarão na suspensão das negociações em curso com a categoria específica’”, informou a entidade, em postagem nas rede sociais.

    Em nota, Fonacate afirmou que a medida seria uma violação dos direitos dos trabalhadores.

    “Ninguém tolerou restrição às greves. E as manifestações, durante o anúncio desta cláusula, foram assertivas por parte das entidades do Fonacate”, afirmou Rudinei Marques, presidente do fórum.

    Proposta

    Da parte do governo federal, foi reafirmada a proposta de reajuste dos auxílios e benefícios já a partir de maio, mas sem reajuste salarial este ano, diferentemente do que ocorreu no ano passado, quando houve aumento linear de 9% para os servidores federais.

    Em relação aos benefícios, o auxílio-alimentação, a partir do mês que vem, passaria de R$ 658 para R$ 1 mil; o auxílio-saúde, de R$ 144 para R$ 215 (por dependente); o auxílio-creche, de R$ 321 para R$ 484,90.

    Com as mesas setoriais, o governo também anunciou que vai desistir de reajuste nominal, que passará a uma discussão individualizada com as categorias, pondo fim, assim, à Mesa Nacional de Negociação Permanente (MNNP), que havia sido retomada no ano passado. A decisão não foi bem recebida pelo Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN).

    “A questão da agenda setorial, por certo, é fundamental, mas não podemos colocar isso como elemento excludente da nossa negociação de remuneração ou abordá-la de forma fragmentada, enfraquecendo a posição das categorias”, argumentou Gustavo Seferian, presidente da entidade.

    Nesse cenário, os reajustes salariais de 4,5% em 2025, e mais 4,5% em 2026, que seriam pagos a todas as categorias, de forma linear, agora será negociado por setor.

    Sobre a tentativa do governo suspender a negociação de categorias em greve, Seferian também fez críticas. “Foi uma postura antissindical e afrontosa, violenta ao exercício do direito de greve”, protestou o presidente do Andes-SN. Segundo ele, ainda não houve um comunicado oficial de que a cláusula seria revogada da proposta de termo de negociação.

    A mobilização nacional dos professores das universidades e instituições federais terá uma semana decisiva a partir do próximo dia 15 de abril. Das 67 seções sindicais do Andes-SN, duas já estão em greve e outras 16 entram a partir da semana que vem. Há pelo menos outras três universidades que entrarão em greve ao longo do mês e 11 em estado de mobilização.

    Governo

    Procurado, o Ministério da Gestão e de Inovação em Serviços Públicos confirmou, por meio da assessoria, a proposta de reajuste de benefícios e o compromisso de abrir as mesas setoriais demandadas pelos servidores, mas não manifestou-se sobre a cláusula que condicionava as negociações à não deflagração de greves ou paralisações.

    A expectativa do governo é que as categorias de servidores respondam à proposta de negociação com aumento dos benefícios até o dia 15 de abril, para que seja editada uma portaria com os reajustes. No entanto, se a resposta vier depois, o MGI se comprometeu a pagar de forma retroativa os auxílios a partir de maio.

    Agência Brasil

  • Parkinson: especialista alerta para a importância do tratamento com abordagem multifacetada

    Parkinson: especialista alerta para a importância do tratamento com abordagem multifacetada

    O Parkinson é uma doença neurodegenerativa crônica que impacta predominantemente o sistema nervoso central, manifestando-se principalmente por sintomas motores, como tremores, rigidez muscular, lentidão nos movimentos e dificuldade de equilíbrio. Além disso, a doença pode desencadear uma gama variada de sintomas não motores, incluindo depressão, ansiedade, distúrbios do sono e problemas cognitivos.

    A maioria dos casos de Parkinson é diagnosticada em pessoas com mais de 60 anos e a prevalência da doença aumenta de forma significativa após os 70 anos. Essa condição é justificada devido aos processos fisiológicos naturais que resultam na degeneração celular durante essa fase da vida.

     

    Neurologista e professor do curso de Medicina da Universidade Salvador (UNIFACS), cujo curso é parte integrante da Inspirali, Moisés Correia explica que o diagnóstico do Parkinson é realizado por meio de exame físico, no qual os sinais característicos da doença, como tremor, instabilidade postural, rigidez muscular e outros sintomas, podem ser observados. Ele frisa que o diagnóstico precoce é crucial, pois permite a identificação das melhores opções de medicamentos e terapias complementares para controlar os sintomas o mais cedo possível.

     

    Tratamentos

    Apesar de não ter cura, o Parkinson tem tratamento e pode ser controlado com medicações que ajudam a repor parte da dopamina, substância que auxilia na comunicação entre as células nervosas e melhora os sintomas.

     

    Moisés Correia ressalta que o tratamento da doença envolve uma abordagem multifacetada, incluindo o uso de medicamentos para controlar os sintomas, além de terapias não medicamentosas, como a fisioterapia, para melhorar a mobilidade e equilíbrio, a terapia de reabilitação cognitiva, a terapia ocupacional e a fonoaudiologia, para tratar problemas de deglutição, caso estejam presentes.

     

    O neurologista também explica que uma nutrição adequada, atrelada a atividades físicas regulares desempenham papéis essenciais no controle dos sintomas da doença. “Embora não haja uma cura definitiva, o tratamento adequado pode ajudar a controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes com Parkinson. É importante que o tratamento seja individualizado e adaptado às necessidades específicas de cada paciente, e que haja uma equipe multidisciplinar envolvida no cuidado e acompanhamento do indivíduo ao longo do tempo”, conclui.

     

    Futuro Promissor 

    Conforme o professor de Medicina da UNIFACS, há um crescente volume de pesquisas promissoras, especialmente na área de biotecnologia, focadas em aprofundar o entendimento e desenvolver medicamentos mais eficazes para as doenças degenerativas. O progresso nesse campo é essencial para oferecer melhores opções de tratamento e qualidade de vida aos pacientes.

     

    “Além disso, já possuímos avanços significativos no tratamento da Doença de Parkinson, especialmente para pacientes que desenvolvem a condição em idades mais jovens, abaixo dos 60 anos, e que são altamente funcionais e ativos em suas vidas profissionais e acadêmicas. Esses pacientes agora têm a opção de cirurgia, como a Estimulação Cerebral Profunda (DBS), que pode proporcionar melhorias significativas em sua vida”, aponta.

     

    Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) estimam que aproximadamente 1% da população mundial com idade superior a 65 anos tem a doença. No Brasil, o Parkinson afeta uma parcela significativa da população, com estimativas sugerindo que entre 1% e 2% das pessoas com mais de 65 anos.

    Sobre a UNIFACS  

    Fundada em 1972, a UNIFACS é integrante do maior e mais inovador ecossistema de qualidade do Brasil: o Ecossistema Ânima. A Instituição oferta formação em todas as áreas do conhecimento. A universidade tem mais de 50 anos de investimentos constantes em educação e atenção às demandas sociais, na Bahia. Uma das principais instituições de ensino superior no Nordeste, também tem mais de 15 anos de atuação em Feira de Santana. A UNIFACS também contribui para democratização do Ensino Superior ao disponibilizar uma oferta de cursos digitais com diversos polos dentro e fora do estado. São mais de cinco décadas de muitas realizações e a universidade acredita que, nas próximas décadas, é possível fazer muito mais na Bahia e com a Bahia.

    Sobre a Ânima Educação

    Com o propósito de transformar o Brasil pela educação, a Ânima é o maior e o mais inovador ecossistema de ensino de qualidade do país, com um portfólio de marcas valiosas e um dos principais players de educação continuada na área médica. A companhia é composta por cerca de 400 mil estudantes, distribuídos em 18 instituições de ensino superior, e em mais de 700 polos educacionais por todo o Brasil. Integradas também ao Ecossistema Ânima estão marcas especialistas em suas áreas de atuação, como HSM, HSM University, EBRADI (Escola Brasileira de Direito), Le Cordon Bleu (SP), SingularityU Brazil, Inspirali e Learning Village, primeiro hub de inovação e educação da América Latina, além do Instituto Ânima.

     

    Em 2022, a Ânima foi um dos destaques do Prêmio Valor Inovação – parceria do jornal Valor Econômico e a Strategy&, consultoria estratégica da PwC – figurando no ranking de empresas mais inovadoras do Brasil no setor de educação. Além disso, o CEO, Marcelo Battistela Bueno, foi premiado como Executivo de Valor, no setor de Educação, no Prêmio Executivo de Valor 2022, que elege os gestores que se destacaram à frente de empresas e organizações. A companhia também se destacou no Finance & Law Summit Awards – FILASA, em 2022, como Melhor Departamento de Compliance. Em 2021, a organização educacional foi destaque no Guia ESG da revista Exame como uma das vencedoras na categoria Educação. Desde 2013, a companhia está na Bolsa de Valores, no segmento de Novo Mercado, considerado o de mais elevado grau de governança corporativa.

  • OABRJ pede informações sobre inquéritos arquivados do caso Marielle

    OABRJ pede informações sobre inquéritos arquivados do caso Marielle

    O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – seção Rio (OAB-RJ), Luciano Bandeira, e o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária, José Agripino da Silva Oliveira, entregaram nessa quarta-feira (10) ao secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Victor Santos, pedido de informação sobre quantos e quais os inquéritos policiais inconclusivos e arquivados no período em que os delegados Rivaldo Barbosa e Giniton Lages estiveram  no comando da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC). O pedido se estende ao período em que Barbosa era secretário de Polícia Civil do Rio. Rivaldo está preso preventivamente, por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), por obstruir as investigações sobre a morte de Marielle Franco e Anderson Gomes, quando era secretário de Polícia Civil.

    A seccional fluminense da OAB pede ainda que seja franqueado o acesso dos advogados procuradores da Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária (CDHAJ) da instituição a esses documentos.

    O pedido foi feito também à Procuradoria-Geral de Justiça do Estado e à DHC. O procurador-geral, Luciano Mattos, deverá informar em quais inquéritos desse período o Ministério Público opinou pelo arquivamento. Ao titular da DHC, Henrique Damasceno, a Ordem solicita que sejam revistos ainda os inquéritos do período em que o delegado Giniton Lages esteve no comando dessa delegacia. Lages também é investigado pela Polícia Federal como envolvido no caso Marielle Franco.

    Barbosa comandou a DHC até 13 de março de 2018 (véspera do assassinato de Marielle e do motorista da vereadora, Anderson Gomes), quando foi empossado no cargo de secretário de Polícia Civil. Na manhã seguinte às mortes, o delegado Giniton Lages foi escolhido por Barbosa para ser titular da DHC, que teria a atribuição de investigar o crime.

    Investigações da Polícia Federal mostram suposta adoção de estratégias para dificultar a conclusão da Polícia Civil no inquérito que apura os mandantes dos homicídios.

    José Agripino disse que “a OABRJ tem papel histórico na defesa da ordem jurídica do Estado Democrático de Direito e, com essa medida, reafirma o compromisso inarredável com a democracia e com a sociedade civil. Segundo ele, foi amplamente divulgado pela mídia o uso de estratégias com o fim de dificultar investigações da Polícia Civil. “Cobraremos, de forma intransigente, que essas suspeitas sejam apuradas de forma célere”, afirmou.

    Agência Brasil

  • Mortalidade de crianças indígenas é mais que o dobro das não indígenas

    Mortalidade de crianças indígenas é mais que o dobro das não indígenas

    A taxa de mortalidade das crianças de até quatro anos entre indígenas no Brasil é mais que o dobro daquela registrada entre o restante da população infantil do país. É o que mostra o relatório final de um estudo produzido pelo Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI), uma organização não governamental que mobiliza pesquisadores de diferentes áreas e conta com a parceria de diferentes instituições científicas.

    Divulgado nesta terça-feira (9), o documento revelou os dados do período entre 2018 e 2022. No último ano dessa série, para cada mil nascidos vivos entre os indígenas, 34,7 crianças com até quatros anos morreram. É uma taxa 2,44 vezes maior do que a registrada entre o restante da população brasileira. Considerando as crianças não indígenas, houve 14,2 mortes para cada mil nascidos vivos em 2022.

    Nos demais anos da série, a situação é similar: entre os indígenas a mortalidade foi sempre maior que o dobro. A menor diferença foi registrada em 2020. Neste ano, houve 29,6 mortes de crianças para cada mil nascidos vivos, o que é 2,4 vezes maior do que a taxa de 12,3 registrada para o restante da população.

    Os dados revelam que os indígenas vivem cenário inadequado levando em conta as metas fixadas pela Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU).

    Aprovada em assembleia realizada em 2015, com a participação de 193 países, ela traz 17 objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) para erradicar a pobreza e atingir em 2030 um mundo melhor para povos e nações.

    No caso da mortalidade de crianças menores de cinco anos, a meta é reduzi-la para menos de 25 mortos por mil nascidos vivos. “Apesar de este patamar já ter sido alcançado pelas crianças não indígenas brasileiras, ele ainda é uma realidade distante da população indígena do país”, registra o estudo.

    Quando é feito o recorte pelas mortes neonatais, também se observa uma diferença significativa. Entre os indígenas, 12,4 bebês com até 27 dias morreram a cada mil nascidos vivos no ano de 2022. Essa taxa foi de 8 entre o restante da população.

    Conforme a Agenda 2030, espera-se a redução da mortalidade neonatal para pelo menos 12 por mil nascidos vivo. Também nesse caso, a meta ainda não foi alcançada entre a população indígena.

    Intitulado Desigualdades em saúde de crianças indígenas, o estudo produzido pelo NCPI foi o 12º de uma série que aborda temas relacionados com o desenvolvimento da primeira infância.

    O novo trabalho contou com a participação de quatro pesquisadoras: Emilene de Sousa, socióloga e professora da Universidade Federal do Maranhão (UFMA); Márcia Machado, professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC); Natacha Silva, nutricionista com atuação no Sistema Único de Saúde (SUS) envolvendo a atenção à saúde indígena em Rondônia; e Tayná Tabosa, fisioterapeuta e pesquisadora da UFC.

    O estudo fez uso de informações públicas reunidas no Sistema de Informações sobre Mortalidade do Departamento de Informática do SUS (DataSUS). No levantamento das causas das mortes de indígenas com até os quatro anos ocorridas em 2022, chama atenção que as doenças respiratórias responderam por 18% e as doenças infeccciosas por 14%.

    No restante da população dessa faixa etária, esses percentuais foram bem inferiores, respectivamente 7% e 6%. Além disso, as doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas ocasionaram 6% das mortes de crianças indígenas, taxa seis vezes maior do que o 1% registrado para as demais crianças.

    Diante desses dados, as pesquisadoras apontam as enfermidades como um relevante fator de risco. “Em termos proporcionais, percebe-se que crianças indígenas morrem mais por doenças evitáveis do que as não indígenas”, escreveram.

    De acordo com o Censo Demográfico 2022, há quase 1,7 milhão de indígenas no país. A região Norte, onde há maior concentração, reúne 45% desse contingente. As pesquisadoras indicaram algumas dificuldades para melhorar os indicadores da saúde dessa população. Um deles é o acesso aos territórios, seja devido a longas distâncias ou falta de transporte adequado.

    Também é citado o número insuficiente de profissionais de saúde e a falta de capacitação. Outro problema envolve as barreiras para obtenção de dados da saúde indígena, o que dificulta o planejamento das medidas no âmbito do SUS.

    O estudo destaca ainda que há um aumento da exposição a doenças devido a agressões ao meio ambiente. As pesquisadoras observam que, diante da degradação, os indígenas acabam forçados a abandonar seus territórios por não encontrar mais alimentos.

    Registram também que há situações em que eles são expulsos de suas terras por invasores, gerando situações que resultam na vulnerabilidade de sua saúde. Há ainda menção a uma pesquisa concluída em 2014 por cientistas da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Eles concluíram que um aumento de 10% no desmatamento é capaz de ampliar em 3,3% a incidência de malária na Amazônia.

    Terra Yanomami

    A degradação ambiental, tendo como consequências a redução na disponibilidade de alimentos e a disseminação da malária, tem sido apontada como responsável por uma crise humanitária na Terra Yanomami, cuja repercussão em janeiro do ano passado gerou uma comoção nacional. É a maior reserva indígena do país, com mais de 9 milhões de hectares, se estendendo pelos estados de Roraima e do Amazonas. Por trás da degradação, está a presença do garimpo ilegal no território, um problema de décadas.

    No estudo produzido pelo NCPI, as pesquisadoras citam um dado obtido em levantamento realizado em 2021 com yanomamis pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “A prevalência de baixa estatura entre as mães foi de 73%, o que indica desnutrição”, registraram.

    Uma nova pesquisa realizada pela Fiocruz foi divulgada na semana passada trazendo dados considerados preocupantes. Eles revelam que a contaminação por mercúrio, usado no garimpo ilegal e descartado nos rios, afeta quase toda a população de nove aldeias yanomamis situadas em Roraima. Os pesquisadores envolvidos indicaram que as crianças estão entre os mais vulneráveis e observam que o mercúrio pode causar abortos, gerar má formação do feto e impactar no desenvolvimento motor e no aprendizado.

    Agência Brasil