Dia: 28 de janeiro de 2026

  • Bahia estreia no Brasileirão virando o jogo em cima do Corinthians fora de casa

    Bahia estreia no Brasileirão virando o jogo em cima do Corinthians fora de casa

    Se no ano passado o Bahia frustrou a torcida fora de casa, vencendo apeas três partidas, 2026 começou diferente e promete. O tricolor estreou no Brasileirão batendo fora de casa o Cortinthias, dentro da Vila Belmiro, e de virada, com Breno Bidon abrindo o placar para o time da casa, Jean Lucasempatando com um golaço de fora da área e Willian José (cobrando pênalti) virando o placar.

    Os gols foram todos marcados na primeira etapa. O tricolor ainda acabou a partida com um homem a menos, com a expulsão de Michel Araújo, com dois cartões amarelos. O Esquadrão continua 100%, com o sexto triunfo seguido.

    Pelo Brasileirão, o Bahia volta a jogar no meio da próxima semana, estreando dentro de casa, contra o Fluminense. No domingo, pelo Baianão, o tricolor recebe a vista do Porto, podendo já garantir a classificação antecipada às semifinais.

    Destaque para as boas defesas do goleiro Ronaldo e a boa marcação no meio de campo. O garoto Dell, de 17 anos, autor do gol decisivo contra o Vitória, domingo passado, ganhou oportunidade, entrando em campo na segunda etapa.

    Mesmo com a decisão da Supercopa Rei marcada para o próximo domingo, o técnico Dorival Júnior optou por escalar força máxima do Corinthians na estreia pelo Campeonato Brasileiro. A partida também marcou o primeiro jogo de Memphis Depay na temporada, já como titular. Ao longo do segundo tempo, o treinador promoveu substituições em peças importantes da equipe.

    Desde o início, o Corinthians apresentou superioridade, controlando o meio-campo e criando as ações ofensivas mais perigosas. Em uma jogada construída na troca de passes entre Memphis Depay e Rodrigo Garro, surgiu o gol corintiano. Aos 11 minutos, Breno Bidon apareceu em infiltração e finalizou rasteiro para abrir o placar.

    O Timão ainda teve chances de ampliar antes de perder intensidade e passar a ser pressionado. Aos 31 minutos, o Bahia chegou ao empate em um belo gol de Jean Lucas, que finalizou de primeira após passe de Gilberto na entrada da área. A equipe baiana cresceu na partida e conseguiu a virada nos acréscimos da primeira etapa. Hugo Souza cometeu pênalti em Ademir, e Willian José converteu a cobrança com categoria, deslocando o goleiro, para fazer 2 a 1.

    As duas equipes retornaram do intervalo com as mesmas formações. O Corinthians voltou mais ofensivo, buscando o empate e mantendo maior posse de bola, além de finalizar com mais frequência que o Bahia. A partir dos 15 minutos, Dorival Júnior realizou mudanças para dar novo fôlego ao time paulista, enquanto Rogério Ceni respondeu com substituições.

    Apesar das alterações, o panorama do jogo pouco se modificou. Apenas nos minutos finais o Corinthians conseguiu pressionar com mais intensidade, sobretudo após a expulsão de Michel Araújo, aos 36 minutos, por acúmulo de cartões amarelos em faltas consecutivas. O zagueiro Gustavo Henrique chegou a atuar mais avançado, permanecendo na área adversária nas bolas aéreas. O placar, no entanto, não se alterou, e o Bahia confirmou a vitória por 2 a 1, resultado definido ainda no primeiro tempo.

    CORINTHIANS 1 X 2 BAHIA
    CORINTHIANS: Hugo Souza; Matheuzinho, Gabriel Paulista, Gustavo Henrique e Matheus Bidu; Raniele, Breno Bidon (Gui Negão), Carrillo (André) e Rodrigo Garro (Matheus Pereira); Memphis Depay (Vitinho) e Yuri Alberto (Pedro Raul). Técnico: Dorival Júnior.
    BAHIA: Ronaldo; Gilberto, David Duarte, Santiago Mingo e Luciano Juba; Acevedo (Rodrigo Nestor), Jean Lucas (Erick) e Everton Ribeiro; Ademir (Michel Araújo), Willian José (Dell) e Erick Pulga (Cristian Olivera). Técnico: Rogério Ceni.
    GOLS: Breno Bidon, aos 11, Jean Lucas, aos 31, e Willian José, aos 45 minutos do primeiro tempo.
    ÁRBITRO: Anderson Daronco (RS).
    CARTÕES AMARELOS: Raniele e Breno Bidon (Corinthians); Jean Lucas, Michel Araújo, Acevedo, Rogério Ceni e Erick Pulga (Bahia).
    CARTÃO VERMELHO: Michel Araújo
    RENDA: R$ 1.162.555,00.
    PÚBLICO: 13.577 pagantes (13.788 total).
    LOCAL: Vila Belmiro, em Santos (SP).

     

    Outros resultados

    Galo 2×2 Palmeiras

    Inter 0x1 Furacão

    Coritiba 0x1 Bragantino

    Vitória 2×0 Remo

    Flu 2×1 Grêmio

     

  • Setor produtivo reage à manutenção da Selic em 15% ao ano

    Setor produtivo reage à manutenção da Selic em 15% ao ano

    Indústria, construção e centrais sindicais criticam decisão do Copom

  • Receita desmente novo imposto para todos os aluguéis por temporada

    Receita desmente novo imposto para todos os aluguéis por temporada

    Tributação só vale para grandes proprietários e terá transição

    A Receita Federal desmentiu na noite desta quarta-feira (28) a informação de que todos os proprietários que alugam imóveis por temporada passarão a pagar um novo imposto a partir de 2026. Segundo o órgão, a afirmação é falsa e generaliza regras da reforma tributária que não se aplicam à maioria das pessoas físicas.

    A mudança na tributação dos aluguéis está prevista na Lei Complementar (LC) 214/2025, que cria o novo sistema de impostos sobre consumo, o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), no modelo de Imposto sobre Valor Adicionado (IVA) dual.

    Segundo a Receita, a LC 227/2026, sancionada há duas semanas e que conclui a regulamentação da reforma tributária, não trata de cobrança imediata de impostos sobre aluguéis, como chegou a ser divulgado.

    Pelas regras aprovadas, a locação por temporada, de contratos de até 90 dias, só pode ser equiparada à hotelaria quando o locador for contribuinte regular do IBS/CBS. No caso de pessoas físicas, isso só ocorre se dois critérios forem atendidos simultaneamente: possuir mais de três imóveis alugados e ter receita anual com aluguéis superior a R$ 240 mil, valor que será corrigido anualmente pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

    Quem não se enquadrar nesses critérios continuará sujeito apenas ao Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), sem incidência dos novos tributos sobre consumo. A Receita afirma que a regra foi desenhada justamente para evitar a tributação de pequenos proprietários e reduzir o risco de cobrança indevida.

    Transição
    Outro ponto destacado é que a reforma prevê um período de transição. Embora 2026 marque o início do novo sistema, a cobrança efetiva e plena do IBS e da CBS será escalonada de 2027 a 2033. Dessa forma, os efeitos financeiros não serão imediatos para todos os contribuintes.

    No caso dos aluguéis residenciais tradicionais, a carga do IBS/CBS terá redução de 70%, resultando em uma alíquota efetiva estimada em 8%, além do IR. Já na locação por temporada equiparada à hospedagem, o benefício é menor, mas, segundo a Receita, não chega aos percentuais elevados que vêm sendo divulgados.

    Para grandes proprietários, aqueles com muitos imóveis e alta renda, a tributação também será amenizada por mecanismos como alíquota reduzida, cobrança apenas sobre valores acima de R$ 600 por imóvel, possibilidade de abatimento de custos com manutenção e reforma, além de cashback (devolução de impostos) para inquilinos de baixa renda.

    Ajustes
    A Receita ressalta ainda que ajustes posteriores à lei original trouxeram mais segurança jurídica, diminuindo as hipóteses de enquadramento como contribuinte e tornando as regras mais favoráveis às pessoas físicas que alugam imóveis por temporada.

    A LC 227/2026, esclareceu o Fisco, favoreceu as pessoas físicas que alugam imóveis, diminuindo as hipóteses em que elas são enquadradas como contribuintes da CBS e do IBS. A lei complementar também tornou mais clara a aplicação do redutor social para contribuintes de baixa renda, especificando que o benefício será aplicado mensalmente e não reduzirá direitos.

    Segundo o Fisco, a reforma busca simplificar o sistema, reduzir distorções e diminuir a carga sobre aluguéis de menor valor. “A ideia de aumento generalizado de impostos ou de aluguéis não se sustenta nos dados nem na legislação aprovada”, destaca a nota.

  • Vitória estreia batendo o Remo, no Barradão

    Vitória estreia batendo o Remo, no Barradão

    O Leão deu as boas-vindas ao retorno do time paraense com dois gols, marcados na segunda etapa por Kayser e Baralhas. 32 anos depois, o Remo voltou à Primeira Divisão, mas o presente foi bem amargo.
    O Campeonato Brasileiro começou em ritmo intenso para Vitória e Remo. Logo aos cinco minutos de jogo, o árbitro recorreu ao VAR para analisar um possível pênalti a favor do Vitória, mas optou por não marcar a infração. Mesmo assim, o time rubro-negro manteve postura ofensiva e passou a pressionar o adversário, enquanto o Remo buscava explorar os contra-ataques.

    As principais oportunidades da equipe baiana na primeira etapa surgiram com Renato Kayzer e Matheuzinho, ambos parando em boas defesas do goleiro Marcelo Rangel. O Remo respondeu com perigo em finalização de longa distância de Alef Manga, que passou muito perto do gol. Já nos acréscimos, Pikachu acertou o travessão, mas o lance foi invalidado por impedimento.

    No segundo tempo, a partida ganhou ainda mais dinâmica, com o Vitória demonstrando maior eficiência ofensiva. A pressão constante resultou na abertura do placar aos nove minutos, quando Renato Kayzer aproveitou falha de Marcelo Rangel após cobrança de escanteio para balançar as redes. O Remo tentou reagir e criou boas chances com Patrick e Pikachu, mas faltou precisão nas finalizações. Em uma das oportunidades mais claras, Pikachu desperdiçou ao mandar a bola por cima, de dentro da pequena área.

    Aos 31 minutos, Baralhas apareceu na área e ampliou o placar para o Vitória, garantindo maior tranquilidade aos donos da casa, que passaram a controlar o jogo e ainda criaram novas chances até o apito final.

    Pela próxima rodada do Campeonato Brasileiro, as duas equipes voltam a campo na quarta-feira. O Remo enfrenta o Mirassol, no Mangueirão, às 20h (horário de Brasília), enquanto o Vitória visita o Palmeiras, na Arena Barueri, às 21h30.

    Baianão
    Pelo Baianão, o Porto empatou com o Barcelona e chegou a sete pontos, empurrando o Vitória para fora do G-4. O Leão é o quinto colocado e ainda ainda pode perder posição na rodada.

  • Boca do Rio: ataque a tiros deixa um jovem morto e dois feridos

    Boca do Rio: ataque a tiros deixa um jovem morto e dois feridos

    Um ataque a tiros deixou um jovem morto e dois feridos na noite de terça-feira (27), no bairro da Boca do Rio, em Salvador.

    Segundo informações da Polícia Civil, a pessoa que morreu foi identificada como Marcos Vinicius Miranda da Silva, de 28 anos. Familiares de contaram que homens armados chegaram em um carro, se aproximaram das vítimas e atiraram. Em seguida, fugiram.

    Os três jovens foram socorridos e levados para o Hospital Geral Roberto Santos (HGE). Marcos Vinicius não resistiram aos ferimentos. A TV Bahia apurou que as outras duas vítimas continuam internadas na unidade de saúde, mas não correm risco de morte.

    O crime é investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

    Ainda não há informações sobre a motivação do ataque. As investigações iniciais apontam que Marcos Vinícius era o alvo dos homens e que os outros dois jovens foram baleados, porque estavam próximo dele.

    Policiais militares fizeram rondas na região ainda na noite de terça, mas não encontraram os suspeitos.
    G1

  • Inmet emite alerta de chuvas intensas em 42 cidades da Bahia

    Inmet emite alerta de chuvas intensas em 42 cidades da Bahia

    O Instituto Nacional de Metereologia (Inmet) emitiu um alerta amarelo, nesta quarta-feira (28), para chuvas intensas em 42 cidades da Bahia.

    O alerta abrange cidades do oeste, Vale do São Francisco, e centro-norte baiano como Luís Eduardo Magalhães, Santa Maria da Vitória, Juazeiro e Uauá.

    Conforme o órgão, as cidades destas regiões podem ter chuvas entre 20 e 30 mm/h e ventos intensos com velocidade de até 60 km/h.
    Apesar das chuvas, os municípios afetados tem baixo risco de corte de energia, queda de galhos de árvores, alagamentos e descargas elétricas.

    Ainda assim, o Inmet recomenda que as pessoas:

    Evitem se abrigar debaixo de árvores;
    e não estacionem veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda.
    Confira a lista das cidades sob alerta amarelo na Bahia:
    Andorinha
    Angical
    Baianópolis
    Barra
    Barreiras
    Brejolândia
    Buritirama
    Campo Alegre de Lourdes
    Campo Formoso
    Canápolis
    Casa Nova
    Catolândia
    Chorrochó
    Correntina
    Cotegipe
    Cristópolis
    Curaçá
    Formosa do Rio Preto
    Gentio do Ouro
    Itaguaçu da Bahia
    Jaborandi
    Jaguarari
    Juazeiro
    Luís Eduardo Magalhães
    Mansidão
    Monte Santo
    Muquém do São Francisco
    Pilão Arcado
    Remanso
    Riachão das Neves
    Santa Maria da Vitória
    Santana
    Santa Rita de Cássia
    São Desidério
    Sento Sé
    Serra Dourada
    Sobradinho
    Tabocas do Brejo Velho
    Uauá
    Umburanas
    Wanderley
    Xique-Xique

    G1

  • Com gol de Gabi Zanotti, Corinthians vai à final da Copa das Campeãs

    Com gol de Gabi Zanotti, Corinthians vai à final da Copa das Campeãs

    Brabas decidirão título no domingo contra vencedor Arsenal x ASFAR
    O Corinthians vai decidir no próximo domingo (1º de fevereiro) o título da Copa das Campeãs, primeiro Mundial de clubes feminino organizado pela Fifa. Nesta quarta-feira (28), a equipe brasileira avançou à final da competição após vitória suada contra o Gotham FC (Estados Unidos) por 1 a 0, com gol de BGabi Zannotti, marcado nos minutos finais. As hexacampeãs da Libertadores enfrentaram o time norte-americano – vencedor da Copa das Campeãs da Concacaf – no Gtech Commnity, estádio do Brentfort, em Londres.

    “Isso foi um sonho de longos anos, trabalhando no Corinthians, esperando essa oportunidade para a gente provar mais uma vez o quanto a gente merece ser referência neste mundo inteiro. Acham que o Brasil não consegue, mas a gente vem e mostra que pode. A soberba precede a queda”, disse Zanotti sob forte emoção ao deixar o campo, após mudar a história do jogo.

    A final será no próximo domingo (1º de fevereiro), às 15h (horário de Brasília),no estádio do Arsenal, o Emirates Stadium, em Londres. As Brabas medirão forças com a equipe vencedora da outra semi, na tarde de hoje (28), entre a equipe do Arsenal (Inglaterra), vencedora da Liga dos Campeões da Europa, e o ASFAR (Marrocos), que faturou o título da Liga dos Campeões da África na temporada passada.No início do primeiro tempo, a equipe novaiorquina levou perigo ao gol de Lelê. Aos 4 minutos, a goleira do Timão defendeu bola desviada de cabeça por Jaedyn. Aos 16, Rose Lavelle teve a melhor chance de abrir o placar, em vacilo na saída de bola do Corinthians, mas ela chutou mal. No minuto seguinte, foi a vez das Brabas ameaçarem o gol de Berger: Gil Fernandes lançou para a atacante Jaque Ribeiro, que se livrou de duas defensoras ante de desferir uma bomba, mas a bola foi em cima da zaga.

    Na sequência, a meio-campista Andressa Alves teve duas oportunidades de balançar a rede. Na primeira, ela arriscou de fora da área, obrigando a goleira Berger a boa defesa em dois tempos. Depois, aos 21 minutos, a camisa 8 do Alvninegro puxou contra-ataque, após assistência de Gabi Zanotti, e quando estava prestes a chutar da entrada da pequena área foi bloqueada pela defesa do Gotham. O jogo seguiu equilibrado e foi para o intervalo sem gols.
    Na segunda etapa, o Gotham foi mais ofensivo. Aos7 minutos, Purce dispara pela lateral direita e cruza na medida Katie Stengel que desviou para o gol, mas a bola triscou a trave pelo lado de fora. Com mais posse de bola, as norte-americanos foram empilhando chances de gol, que pararam na defesa bem armada do time paulista. Até que aos 37 minutos, Tamires cruza da esquerda para a atacante Gabi Zanotti, que acertou um lindo chute de canhota, abrindo o placar para as Brabas.

    Em desvantagem, as norte-americanas pressionaram em busca do empate até o fim. E haja emoção! Em falta a favor das norte-americanas, Jaedyn Shaw chutou para fora, no último lance da partida. Melhor para o Corinthians, classificado para a primeira final do Mundial de clubes feminino.
    Agência Brasil

  • Governo reforça SUS com 760 profissionais em enfermagem obstetrícia

    Governo reforça SUS com 760 profissionais em enfermagem obstetrícia

    Brasil tem somente 13 mil profissionais em atuação
    O Ministério da Saúde vai reforçar o Sistema Único de Saúde (SUS) com 760 profissionais que estão em formação no curso de Especialização em Enfermagem Obstétrica da Rede Alyne. O curso foi iniciado em novembro de 2025 para profissionais com, pelo menos, um ano de experiência na atenção à saúde das mulheres no SUS.

    A ação envolve investimentos de R$ 17 milhões e objetiva formar mais especialistas para fortalecer a atenção obstétrica e neonatal no SUS. O Brasil tem somente 13 mil profissionais desse tipo, o que reforça a necessidade de aumentar a oferta para reforçar a atenção obstétrica e neonatal no SUS.

    A formação é coordenada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em parceria com 38 instituições e apoio da Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras (Abenfo).

    De acordo com o ministério, no Brasil há apenas 13 mil enfermeiros obstétricos registrados no sistema do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). Desse número, 46% (6.247) têm vínculo com algum estabelecimento de saúde registrado no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), o que confirma a insuficiência de profissionais para atender à demanda nacional.

    Em contrapartida, em países cujo modelo de atenção é baseado na enfermagem obstétrica há uma densidade maior de profissionais, variando entre 25 e 68 por 1 mil nascidos vivos, enquanto no Brasil são cinco por 1 mil nascidos vivos, segundo dados da Abenfo de 2023.

    O enfermeiro obstétrico é o profissional especializado que cuida da saúde da mulher durante a gravidez, o parto e o pós-parto, em partos naturais ou vaginais, tornando-os mais humanizados e garantindo à gestante mais confiança e tranquilidade. Ele faz exames, auxilia no parto, presta cuidados ao recém-nascido e colabora com os médicos para garantir um atendimento seguro.

    Impacto
    O conselheiro do Cofen Renné Costa avalia que o impacto da medida é positivo, “porque falta enfermeiro obstétrico no Brasil, principalmente quando a gente compara os números do país com o mundo”.

    “Enquanto no Brasil tem em torno de um enfermeiro obstétrico para quatro médicos, no mundo são quatro enfermeiros obstétricos para um médico”, ressaltou.

    Renné Costa disse à Agência Brasil que em países desenvolvidos, onde existe uma boa assistência obstétrica e neonatal, “sempre tem um número muito maior de enfermeiros obstétricos do que de médicos”.

    Segundo ele, uma das principais características da enfermagem obstétrica é obedecer à fisiologia do parto. Ou seja, deixar que o corpo da mulher, sozinho, produza o parto, baixando o número de intervenções e, com isso, o número de iatrogenias, que são estados de doença, efeitos adversos ou alterações patológicas causadas ou resultantes de um tratamento de saúde.

    “Esse é o principal benefício desse profissional [enfermeiro obstétrico] estar na rede, principalmente no SUS, já que o Brasil hoje está entre os primeiros países em número de partos operatórios [cesáreas], indo na contramão do que diz a ciência”, assegurou Costa, acrescentando que o parto operatório “multiplica em 70 o risco de morte dessa mulher”.

    Questão cultural
    O conselheiro do Cofen analisa o problema como uma questão cultural, porque o parto natural ainda é visto como um parto do SUS, “um parto de pobre”, daquele que não tem opção de escolha.

    “O parto operatório é de quem tem plano de saúde, de quem pode pagar pela hora, é o parto que não dói. Essa é a cultura brasileira”, disse.

    Ele chama a atenção que nas novelas brasileiras, o parto é um momento de sofrimento, de angústia, de muita dor, que parece fazer do parto natural o mais inseguro possível.

    Para Renné Costa, não existe na cultura popular o trabalho de informar que a melhor via de parto é a fisiológica, é o parto natural. O enfermeiro obstétrico defende o parto com um mínimo de intervenção, a não violência obstétrica, que é evitar fazer procedimentos desnecessários, como uso da ocitocina indiscriminado, um hormônio que estimula contrações uterinas no parto, ou da manobra Kristeller, por exemplo, em que o útero da mulher é pressionado para tentar auxiliar a expulsão do bebê, o que pode provocar sérios danos para a mulher e para a criança, como rupturas de costelas e hemorragia. Essa manobra é contraindicada e considerada violência obstétrica pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

    O conselheiro do Cofen lembra que o corpo da mulher “é muito sábio” e serve para “amadurecer” a criança, para ela chegar no novo ambiente externo.
    Ele ressalta ainda que muitas crianças sofrem com o parto abrupto, que não dá maturidade no sistema neurológico e pulmonar dos bebês, para que eles se preparem para o mundo externo, uma vez que se encontram em um mundo controlado até o nascimento.

    No parto operatório, adverte, muitas vezes acontece uma coisa muito comum, que é o parto de uma criança prematura, que ainda não está pronta para nascer.

    “Tudo isso são prejuízos do parto operatório indiscriminado, como é feito no Brasil”, disse

    O enfermeiro defende que é preciso que o país tenha a cultura de preparar as mulheres para que elas tenham um plano de parto. Significa, segundo ele, que ao começar a fazer o pré-natal, a mulher deve discutir com a equipe multidisciplinar como ela quer que esse parto aconteça.

    “Se ela quer um parto operatório, um parto vaginal, em casa, em ambiente hospitalar, qual a equipe que ela quer, quais as pessoas que ela deseja estejam acompanhando-a.

    No decorrer da história, segundo Renné Costa, o parto, que era um evento familiar, se tornou um evento hospitalar, onde a mulher é cerceada do direito de ver família, de ter autonomia sobre o próprio corpo.

    Ganhos
    Na avaliação do conselheiro federal, a rede SUS só tem a ganhar com a presença dos enfermeiros obstétricos. O próprio Renné Costa é fruto de especialização em enfermagem obstétrica. Em 2014, ele fez pós-graduação na área, ainda na Rede Cegonha, anterior à Rede Alyne.

    “Essa especialização mudou minha vida profissional, não só como enfermeiro obstetra em que me formei, como mudou também a realidade de um município do interior de Alagoas onde eu trabalhava, o município de Viçosa. Eu me tornei capacitado para assistir essas mulheres”, recorda.

    Antes da pós-graduação de Renné Costa, o Hospital Municipal de Viçosa, onde ele trabalhava, fazia em média entre 80 e 90 partos por ano. Depois de sua pós-graduação, a instituição passou a realizar de 500 a 600 partos por ano, “com total segurança”, no próprio município e perto da mulher.

    Antes, as parturientes de Viçosa eram obrigadas a se deslocar para a capital, distante 120 quilômetros e, muitas vezes, em ambulâncias sem nenhum profissional acompanhando, com dores de parto, perambulavam de maternidade em maternidade, para ver qual aceitava fazer o seu parto. “Agora, essas mulheres passaram a parir no interior”, diz Renné.

    Renné Costa comemora que a formação de novos 760 enfermeiros obstétricos pode ampliar os benefícios às mulheres, embora considere esse número ainda aquém das necessidades do país. “É um número muito insuficiente para o tamanho do Brasil”.

    Ele defendeu a presença desse profissional não só na casa de parto, mas na atenção básica, como referência ainda quando a mulher está fazendo o pré-natal, desmistificando o que é o parto normal, o que acontece, que acompanhantes ela pode levar, o ambiente onde quer fazer o parto.

    Como o enfermeiro obstétrico é muito mais aberto a essa fisiologia, ou à naturalidade do parto, Renné explica que ele permite que tenha mais acompanhantes, que a família esteja mais próxima, que a parturiente esteja mais perto de casa. “Tudo fica muito mais próximo dela e acredito que até diminui as desigualdades”.

    Profissionais
    A médica Margareth Portella, coordenadora materno infantil da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), confirmou em entrevista à Agência Brasil que a capital fluminense não tem problemas de recursos humanos especializados.

    “Todas as maternidades estão bem contempladas com enfermagem obstétrica”.

    Margareth avalia que esses profissionais são fundamentais para tocar os partos fisiológicos, sem intercorrências, que são gestações tranquilas, o que se chamava antigamente de baixo risco e hoje são chamadas de risco habitual.

    “Para esse tipo de atendimento, as enfermeiras obstétricas são maravilhosas, são fundamentais para o serviço andar”, defende.

    Margareth Portella avaliou que “os enfermeiros obstétricos são um recurso humano fundamental na assistência ao parto de risco habitual, de baixo risco, nas nossas maternidades”.

    “Formar esse tipo de profissional é importantíssimo para estruturar uma rede que cubra todas as necessidades, desde o pré-natal, o parto, puerpério. E, obedecendo aos critérios de hierarquia nas maternidades de risco habitual, podem ficar mais enfermeiras fazendo assistência, sem prescindir da figura do médico porque, a qualquer momento, um parto pode se transformar em uma emergência”, salientou a coordenadora materno infantil da Secretaria.

    Ela lembra que até os níveis de complexidade bem mais altos de atendimento à gestação de alto risco, com UTI neonatal, UTI materna, é necessário um outro nível de assistência.

    Margareth Portella avalia como de grande importância a decisão do Ministério da Saúde de investir na formação de enfermeiros obstétricos. “Só fico preocupada porque não basta ter conhecimento teórico. Parto é o tipo da coisa que tem variáveis que não se controla e, também, intercorrências imprevisíveis. Então, tem que haver todo um sistema de diagnóstico, de intervenção, que seja a tempo de não deixar um desfecho ruim acontecer”.

    Ela garante que todos os profissionais que estiverem interessados nessa capacitação especializada terão acesso ao curso ministrado pela Rede Alyne, cuja fase de implantação no estado está sendo capitaneada pela Secretaria de Saúde estadual.

    “Fomos nós que fizemos toda a parte de levantamento de dados, planejamento da estrutura da Rede Alyne no estado. O território foi dividido em regiões e, em cada uma delas, a SES conseguiu fazer o melhor atendimento às necessidades de cada área, com participação dos municípios para poder fazer um levantamento, montar uma planilha e entregar em tempo hábil ao ministério”.

    Na Baixada Fluminense, Margareth informou que os enfermeiros obstétricos são muito presentes. Citou o caso do Hospital da Mãe de Mesquita, que é uma maternidade estadual, onde mais de 70% dos partos normais, vaginais, são conduzidos por enfermeiras com especialização em obstetrícia.

    Dificuldades
    No entanto, a realidade do estado do Rio de Janeiro mostra que algumas regiões mais distantes da capital, como a baixada litorânea, a região serrana e o sul Fluminense, já começam a apresentar dificuldades desse recurso humano.

    “Não é nem de recurso humano porque, muitas vezes, os profissionais têm o diploma, têm a capacitação, mas não têm a experiência necessária para assumir plantões onde vão ter que trabalhar, na prática, fazendo assistência ao parto. Muitas vezes, eles têm a qualificação, mas falta a parte da prática, porque existem cursos que são feitos até à distância”, disse Margareth Portella.

    Segundo a médica, esse tipo de curso “não dá vivência, não dá segurança para essas pessoas fazerem partos do início até o final”.

    “É preciso um período de treinamento em serviço, para poderem resolver problemas que vierem a surgir”, avalia.

    A SES-RJ informou que está tentando resolver o problema contratando, primeiramente, as enfermeiras obstétricas que são mais experientes e, quando não consegue, fazendo a capacitação na prática em serviços onde elas podem aplicar aquilo que se prepararam para fazer.

    A rede municipal de saúde do Rio conta com 13 maternidades e uma Casa de Parto distribuídas por toda a cidade, e a enfermagem obstétrica está presente em todas essas unidades.

    Experiência
    A empresária Valéria Monteiro, 28 anos, é casada com Lucas Oliveira, e graças ao acompanhamento que recebeu da enfermeira obstétrica Maria Luiza Bezerra, todo o processo correu com tranquilidade e sua terceira filha, Maria Catarina, hoje com cinco meses, nasceu sem problemas, de parto normal. “Foi ótimo. A enfermeira me acompanhou antes do parto, no parto e no pós-parto. Foi o que me deu coragem e força e me fez acreditar que eu teria um parto normal”, disse Valéria à Agência Brasil.

    A médica obstetra que atendia Valéria a encorajou a fazer um parto normal, sem cesárea. “E aí a gente quis arriscar”. Na reta final da gestação, a médica obstetra recomendou à empresária uma enfermeira obstétrica, que deu a ela todo embasamento científico para que tivesse um parto normal, fazendo o monitoramento do bebê na barriga e lhe deu as instruções para que conseguisse evoluir no trabalho de parto até o momento de chegada da bebê. “Ela foi a parte teórica. Eu deixei meu corpo agir, mas ela tinha todo o embasamento científico, a teoria, e eu pus em prática”. Maria Catarina tem cinco meses agora.

    O temor que ela sentia de voltar a fazer parto vaginal, como foi com a primeira filha, Maria Luisa, é explicado porque a segunda filha, Maria Celina, veio ao mundo de cesárea, no mesmo Hospital Regional de Arapiraca, em Alagoas, onde nasceu Maria Catarina. Foi a primeira experiência de Valéria no SUS. A cesárea foi eletiva, isto é, agendada previamente, porque “a bebê era grande e evoluiu com complicações. Foi um parto um pouco traumático”, contou Valéria, que ficou internada com a bebê durante 20 dias. Maria Celina está, atualmente, com 2 anos e quatro meses. Mas tinha dez meses, quando a mãe engravidou novamente.

    A primeira filha, Maria Luísa, hoje com três anos e dez meses, nasceu de parto normal, com enfermeira obstétrica, no Hospital Chama, também em Arapiraca, onde reside a família. Valéria e o marido não pretendem ter mais filhos. “Três filhas já está ótimo”. Ela recomenda a todas as gestantes que tenham parto normal, acompanhadas por enfermeira obstétrica.

    Rede Alyne
    Lançada pelo governo federal, pelo Ministério da Saúde, no dia 12 de setembro de 2024, a Rede Alyne é um projeto de assistência materno-infantil que reestrutura a antiga Rede Cegonha, de 2011. O objetivo é reduzir a mortalidade materna em 25% e a mortalidade materna de mulheres negras em 50% até 2027.

    A iniciativa homenageia a jovem negra Alyne Pimentel, que morreu aos 28 anos, gestante e vítima de negligência médica. O caso levou o Brasil a ser o primeiro país condenado por morte materna pelo Sistema Global de Direitos Humanos em todo o mundo. Com a homenagem prestada à Alyne Pimentel, o governo reafirma seu compromisso com o enfrentamento das desigualdades na saúde e da luta por direitos das mulheres no Brasil, além de melhores condições de cuidado para as gestantes, as puérperas e os bebês.

    Durante o lançamento da Rede Alyne, na cidade de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, a então ministra da Saúde, Nísia Trindade, destacou que o objetivo central do projeto é “reduzir a mortalidade materno infantil, garantir atenção humanizada e de qualidade à gestante, à parturiente, à puérpera, ao recém-nascido”.

    Presente à solenidade, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou que a medida era para proteger a mulher e sua família. “É por isso que a gente está fazendo esse programa chamado Rede Alyne. É para que as mulheres quando ficarem grávidas sejam tratadas com decência, sejam tratadas com respeito, não falte médico para fazer o pré-natal, não falte médico ou médica para fazer o tratamento que for necessário fazer”, afirmou à época.
    Agência Brasil

  • Ministério da Saúde certifica seis hospitais de ensino no SUS

    Ministério da Saúde certifica seis hospitais de ensino no SUS

    Estabelecimentos estão em São Paulo, Minas e Rio de Janeiro
    O secretário da Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde, Felipe Proenço, assinou nesta quarta-feira (28), em Belo Horizonte, a certificação de seis hospitais de ensino no Sistema Único de Saúde (SUS).

    O ato foi realizado no Hospital Sofia Feldman, que também recebeu o certificado.

    Os estabelecimentos são voltados para a formação na área da saúde e têm estágios para estudantes e residência médica para que os profissionais da área possam se desenvolver. São lugares com produção de conhecimento e inovação em saúde.

    A certificação desta quarta-feira ocorre de forma alinhada com o programa Agora Tem Especialistas, que busca a formação de novos especialistas e também a oferta de serviços de saúde de alta complexidade.

    Além do Sofia Feldman, também receberam a certificação o Complexo Hospitalar Mater Dei (MG), Hospital das Clínicas de Bauru (SP), Hospital Universitário de Vassouras (RJ), Hospital Municipal Ronaldo Gazolla (RJ) e Hospital Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Passos (MG).
    Agência Brasil

  • Motorista de aplicativo suspeito de estupro é preso no Terminal Marítimo

    Motorista de aplicativo suspeito de estupro é preso no Terminal Marítimo

    Um homem, de 36 anos, suspeito do crime de estupro, foi preso na noite de terça-feira (27), no Terminal Marítimo de Salvador, durante uma campana realizada por equipes da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) da Casa da Mulher Brasileira.

    Segundo informações da investigação, o crime aconteceu em novembro de 2025, quando o suspeito abusou sexualmente de uma mulher, de 18 anos, utilizando um revólver, durante uma viagem por aplicativo, no bairro de Jardim das Margaridas, em Salvador.

    Após apurações realizadas pela unidade policial especializada e levantamento de informações, o investigado, que se encontrava foragido no município de Santo Antônio de Jesus, foi localizado.

    O homem foi encaminhado para a sede da Deam/Casa da Mulher Brasileira, onde um mandado de prisão preventiva pelo crime de estupro foi cumprido. Ele segue custodiado à disposição do Poder Judiciário.
    Bahia Notícias