Categoria: Ciência, Saúde e Tecnologia

  • ‘Skincare minimalista’ funciona? Dermatologista orienta passo a passo para uma rotina eficaz nos cuidados com a pele

    ‘Skincare minimalista’ funciona? Dermatologista orienta passo a passo para uma rotina eficaz nos cuidados com a pele

    Segundo o médico dermatologista e referência em medicina estética no Brasil, Octávio Guarçoni, os cuidados com a pele ‘minimalistas’ estão divididos em quatro etapas essenciais: limpeza, hidratação, ativos individualizados e fotoproteção.

    Com as rotinas cada vez mais apertadas, seguir o protocolo coreano de ‘skincare’, o K-Beauty, parece mais uma continuação de Missão Impossível: é hidratante, tônico, sérum, essência, limpador, máscara, creme, protetor… a lista parece não ter fim.

    No entanto, para quem tem uma rotina acelerada ou até mesmo deseja o processo rápido nos cuidados com a pele, o skincare minimalista vem ocupando a moda do mercado estético. Apelidada de ‘skinimalism’ ou skin streaming, o fenômeno tem conquistado os jovens com uma receita simples, unir ativos mais eficazes e garantir menor risco de irritação da pele.

    A tendência acompanha um movimento internacional apontado pela NielsenIQ. Os dados recentes do estudo “Meet the Generations of Global Beauty Buyers”, da NIQ, mostram que 39% da GenZ buscam produtos de beleza com maior qualidade para o dia a dia.

    Esse fenômeno é explicado pelo dermatologista e referência em medicina estética no Brasil, Doutor Octávio Guarçoni. Segundo o profissional, investir em uma rotina minimalista de cuidados com a pele é apostar em um filtro dos ativos que a derme realmente necessita. “Muita gente chega na Guarçoni com rotinas muito complexas, produtos sobrepostos que nem sempre têm indicação clara. Isso pode até piorar a tolerância da pele, principalmente em tecidos mais sensíveis”, explica.

    À frente da Guarçoni Health Center, o Doutor reorganiza os cuidados com a pele em quatro etapas essenciais: limpeza, hidratação, ativos individualizados e fotoproteção para uma pele renovada. “O que passa disso, segundo o protocolo minimalista, são ferramentas que atuam em diferentes objetivos, como o combate à acne, manchas, envelhecimento e sensibilidade”, elucida.

    Nesse cenário, o médico afirma que o skinimalism funciona em ocasiões específicas e depende da gravidade do quadro do paciente. Em casos gerais, o Doutor indica começar pelo passo chave: a limpeza. “O primeiro passo é a higienização. Deve ser feita uma ou duas vezes ao dia, com produto adequado ao tipo de pele. Em linhas gerais, um sabonete ou gel de limpeza facial suave. O objetivo não é ‘esfregar a pele limpa’, mas remover impurezas sem agredir a barreira cutânea”, diz.

    Em seguida, entra a hidratação, considerada obrigatória segundo o médico. “Toda pele precisa de hidratação, inclusive a oleosa. O que deve ser usado aqui é um hidratante facial leve, com textura compatível com o tipo de pele. Assim, mantemos a barreira cutânea equilibrada e reduz sensibilidade e inflamação”, afirma.

    O terceiro ponto envolve os ‘tratamentos ativos’, que devem ser escolhidos de forma individualizada e não combinados em excesso. Para essa etapa, Guarçoni destaca o uso de ativos como vitamina C, ácidos ou substâncias clareadoras, mas sempre de forma direcionada e não simultânea. O ideal é um único ativo principal, conforme o objetivo da pele, de forma a garantir tolerância e resultado.

    Finalizando o protocolo de cuidados com a pele rápida, mas eficaz, o médico reforça a fotoproteção como etapa indispensável. “O protetor solar facial deve ser usado diariamente, inclusive em dias nublados. Ele não é opcional, visto que ele sustenta qualquer resultado de tratamento, seja para acne, manchas ou envelhecimento”, conclui o especialista.

  • Outono aumenta risco de doenças respiratórias em crianças e idosos

    Outono aumenta risco de doenças respiratórias em crianças e idosos

    Coordenadora da pós-graduação em pneumologia da Afya Educação Médica Salvador alerta para prevenção

    A chegada do outono, marcada por temperaturas mais amenas, menor umidade do ar e maior circulação de vírus respiratórios, costuma trazer um aumento significativo nos casos de gripes, resfriados, alergias e infecções pulmonares. Nesse contexto, a médica pneumologista e coordenadora da pós pneumologia da Afya Educação Médica Salvador, Maria Cecília Maiorano, lembra que a mudança de estação pode agravar problemas respiratórios, especialmente em crianças e idosos, grupos considerados mais vulneráveis.

    “No outono, mesmo em uma cidade quente como Salvador, ocorrem mudanças importantes que impactam a saúde respiratória, pois há uma leve queda de temperatura, aumento da umidade e maior circulação de vírus respiratórios na população. A umidade mais alta favorece a permanência de partículas virais no ambiente, enquanto as variações de temperatura podem reduzir a eficiência das defesas naturais das vias aéreas. Ou seja, não é necessário frio intenso para haver aumento de doenças respiratórias, pois pequenas mudanças climáticas já são suficientes para impactar esse cenário e essas variações já contribuem para o aumento das infecções respiratórias”, explica.

    No Brasil, o impacto dessas doenças é expressivo. De acordo com o Ministério da Saúde, o Sistema Único de Saúde registra mais de 600 mil internações por pneumonia e influenza todos os anos, reforçando a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.

    Já a Secretaria do Estado da Bahia (SESAB) calcula que, em 2025, foram registrados 12.924 casos de Síndrome Respiratória Aguda (SRAG), com 486 óbitos associados. A influenza respondeu por cerca de 14% dos casos de SRAG e 18,7% dos óbitos no período.

    “A Síndrome Respiratória Aguda Grave representa uma piora importante de um quadro respiratório e exige atenção imediata. Os principais sinais de alerta incluem falta de ar, respiração rápida ou difícil, esforço para respirar, como o uso da musculatura do pescoço ou o afundamento das costelas, além de queda da oxigenação, sonolência excessiva ou confusão mental e coloração arroxeada nos lábios ou extremidades. Em crianças, também é importante observar recusa alimentar, prostração e irritabilidade. A presença de qualquer um desses sinais indica necessidade de avaliação médica urgente. Quando a respiração muda, o quadro deixa de ser simples e passa a ser potencialmente grave”, afirma a coordenadora da pós-graduação em pneumologia da Afya Educação Médica.

    Dados do DataSUS indicam que mais de 66 mil crianças menores de um ano foram hospitalizadas por síndrome respiratória aguda grave em 2024, evidenciando o peso dessas infecções na saúde infantil.

    Outro fator de preocupação é que sintomas aparentemente leves podem evoluir rapidamente em pacientes mais vulneráveis. Crianças pequenas ainda possuem sistema imunológico em desenvolvimento, enquanto idosos frequentemente apresentam doenças crônicas que aumentam o risco de complicações respiratórias.

    Para Maria Cecília Maiorano, “a prevenção das doenças respiratórias depende de medidas simples e eficazes, como manter a vacinação atualizada, especialmente contra a gripe, higienizar as mãos com frequência, evitar ambientes fechados e pouco ventilados e manter os espaços bem arejados. Também é importante evitar contato próximo com pessoas doentes, manter boa hidratação e evitar exposição à fumaça de cigarro. Essas medidas reduzem a transmissão de vírus e ajudam a proteger principalmente crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas. Lembrar de sempre usar máscara se estiver com algum sintoma respiratório ou se for frequentar ambiente pouco ventilado ou aglomerado. Na saúde respiratória, pequenas atitudes no dia a dia fazem uma grande diferença, conclui a especialista.

  • Hipertensão arterial afeta os olhos de forma silenciosa e pode causar perda visual irreversível

    Hipertensão arterial afeta os olhos de forma silenciosa e pode causar perda visual irreversível

    Em 26 de abril, o Dia Nacional de Prevenção e Combate à doença amplia a conscientização sobre diagnóstico precoce; a data também reforça a importância do acompanhamento multidisciplinar

    O Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, celebrado em 26 de abril, reforça a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento contínuo dessa condição que, muitas vezes, evolui sem sinais aparentes. De acordo com o Ministério da Saúde, 338 pessoas morrem diariamente no Brasil em decorrência da hipertensão, um número que evidencia a gravidade do problema e a necessidade de conscientização. Embora seja herdada dos pais em cerca de 90% dos casos, a doença também está diretamente relacionada ao estilo de vida, incluindo alimentação, sedentarismo e níveis de estresse.

    Pouco se fala, no entanto, sobre os impactos que a pressão elevada pode causar na saúde ocular. O comprometimento dos vasos sanguíneos da retina é uma das principais consequências, podendo levar à perda visual progressiva. “A hipertensão provoca alterações na circulação sanguínea dos olhos, especialmente na retina, que é uma região extremamente sensível. Esse processo pode acontecer de forma silenciosa, sem que o paciente perceba qualquer mudança inicial na visão”, explica o Dr. Christian M. Campos, oftalmologista do IOBH – Instituto de Olhos de Belo Horizonte.

    Entre as alterações mais comuns está a retinopatia hipertensiva, condição caracterizada pelo estreitamento dos vasos, hemorragias e até inchaço do nervo óptico. Em estágios mais avançados, o quadro pode resultar em danos irreversíveis. Além disso, a pressão arterial elevada também aumenta o risco de obstruções vasculares na retina, conhecidas como oclusões venosas ou arteriais. Esses eventos comprometem a circulação sanguínea ocular de forma aguda, podendo causar perda visual súbita e, em muitos casos, permanente. “Quando não há controle adequado, as estruturas oculares sofrem com a falta de oxigenação e nutrientes. Isso compromete a função visual e, em casos extremos, pode levar à cegueira”, alerta.

    Outro ponto de atenção é que, diferentemente de outras doenças oftalmológicas, os sinais costumam surgir apenas quando o comprometimento já está mais avançado. Visão embaçada, manchas escuras ou dificuldade para enxergar detalhes podem indicar que o problema já está instalado. “O grande desafio é justamente esse caráter silencioso. Muitas pessoas só procuram ajuda quando percebem alterações significativas, o que reduz as chances de reversão do quadro”, destaca.

    A recomendação é que pacientes diagnosticados com hipertensão mantenham acompanhamento regular não apenas com o cardiologista, mas também com o oftalmologista. Exames de rotina permitem identificar precocemente qualquer alteração na retina, possibilitando intervenções mais eficazes. “O cuidado com a saúde precisa ser integrado. Controlar os níveis de pressão arterial e realizar avaliações periódicas dos olhos são medidas fundamentais para preservar a qualidade de vida”, orienta.

    Adotar hábitos saudáveis, como manter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas e evitar o consumo excessivo de sal, também contribui diretamente para reduzir os riscos associados à condição. “A conscientização, especialmente em datas como esta, é essencial para incentivar a prevenção e evitar complicações que podem comprometer não apenas o coração, mas também a visão”, finaliza o Dr. Christian M. Campos.

  • Cuidar da saúde de forma preventiva ainda é desafio para maioria dos brasileiros

    Cuidar da saúde de forma preventiva ainda é desafio para maioria dos brasileiros

    Especialistas alertam que falta de cuidado contínuo, somada a fatores sociais e climáticos, agrava doenças e pressiona o sistema público

    Em 2022, uma pesquisa realizada para a Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) revelou que 71% dos brasileiros usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) não tinham o hábito de cuidar da saúde de forma preventiva no cotidiano. Quatro anos depois, o cenário continua desanimador. Somados ao envelhecimento da população e ao risco de novas doenças causadas pela crise climática, o aumento de doenças crônicas e a sobrecarga dos sistemas hospitalares e assistenciais do país reforçam, cada vez mais, a necessidade de atenção à saúde preventiva.

    Para a docente do IDOMED, Eucimara Ribeiro, médica de família, existem agravantes que dificultam o cuidado com o bem-estar. “Ainda existe uma ideia muito forte de que saúde é apenas ‘não sentir nada’. Além disso, com a rotina cada vez mais corrida, o acesso aos serviços, principalmente públicos, nem sempre é fácil. Pessoas em situação de vulnerabilidade, que trabalham e precisam de atendimento de rotina, muitas vezes não conseguem um dia na agenda sem sofrer descontos no salário, então vão adiando esse cuidado”, comenta a especialista. “Também há falta de informação. Quando as pessoas entendem que exames e consultas periódicas podem identificar problemas precocemente, antes mesmo de qualquer sinal aparecer, passam a valorizar mais esse acompanhamento.”

    Nesse contexto, a prevenção é uma estratégia essencial para manter a saúde. Hipertensão arterial, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, obesidade e até mesmo alguns tipos de câncer estão diretamente relacionados ao estilo de vida e podem ser retardados, ou até evitados, com acompanhamento adequado, por meio de abordagens simples e menos invasivas. E isso não se limita às doenças físicas, mas também inclui aspectos psicológicos e emocionais, como estresse, ansiedade, sobrecarga, qualidade das relações e nível de atividade no dia a dia.

    Para o professor do MBA de Finanças do Ibmec, Cristiano Corrêa, a busca por exames de rotina também é o melhor caminho para evitar despesas maiores em casos de internações ou complicações que poderiam ter sido investigadas anteriormente. “De forma geral, a prevenção e o acompanhamento médico tendem a reduzir o risco de situações como internações, urgências e tratamento mais complexos, uma vez que ajudam a evitar a doença, a detecção precoce ou minimizar fatores de risco antes que virem complicações. Esse processo evita gastos maiores uma vez que a prevenção evita ou no limite, adia complicações graves que normalmente trazem por consequências gastos com internações de urgência (por exemplo, crise de diabetes, hipertensão, infarto, AVC etc.), cirurgias de emergência ou procedimentos de alto custo ou ainda tratamento de longo prazo com medicações caras e reinternações”, destaca.

    Além de ser um alívio nas contas, a prevenção é fundamental para salvar vidas. “Às vezes, o nosso organismo se comporta como um sapo colocado em uma panela com água fria. Se essa água for aquecida aos poucos, ele vai se adaptando gradualmente ao aumento da temperatura. O problema surge quando o calor se torna insuportável e ele já não consegue reagir. Da mesma

    forma, o corpo humano se adapta lentamente a determinados problemas de saúde ou fatores de risco. Esse processo pode ocorrer de forma silenciosa, sem sintomas perceptíveis. Porém, existe um limite, um ponto em que o organismo já não consegue mais compensar. É nesse momento que surgem os sintomas e as complicações — e pode ser tarde demais. Por isso, na Medicina de Família e Comunidade, insistimos tanto na prevenção e no acompanhamento regular”, explica a professora Eucimara.

    Um erro comum apontado pela comunidade científica é a busca por exames sem indicação. Para Eucimara, o mais importante não é realizar todos os tipos de exames, mas contar com uma orientação individualizada, de preferência com um profissional que acompanhe e gerencie esse cuidado. O próprio “check-up” deve ser personalizado, levando em conta fatores como idade, histórico familiar, hábitos de vida, doenças pré-existentes e até mesmo as preocupações e expectativas do paciente. Ela ressalta que é fundamental conversar com o médico de forma honesta, para que o contexto seja corretamente avaliado, evitando tanto a falta de investigação quanto a realização de exames desnecessários.

    “Cuidar da saúde de forma preventiva é olhar para o bem-estar antes que a doença apareça, mas também avaliar o que já pode estar causando prejuízos no dia a dia. Na prática, isso envolve hábitos como alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado e vacinação. Também inclui reduzir ou eliminar comportamentos de risco, como o tabagismo, o consumo excessivo de álcool e outros vícios. Ou seja, prevenir não é apenas pensar em evitar doenças futuras por meio de check-ups, mas também mudar, no presente, aquilo que já impacta negativamente a saúde e que pode trazer ainda mais prejuízos no futuro”, destaca a médica.

  • Implantes hormonais: para quem são indicados e quais os benefícios para a saúde feminina?

    Implantes hormonais: para quem são indicados e quais os benefícios para a saúde feminina?

    Ginecologista Ana Verena Colonnezi explica que método pode ajudar no controle da TPM, na libido e na qualidade de vida, mas exige indicação médica individualizada

    Os implantes hormonais têm ganhado espaço como uma alternativa prática e de longa duração para mulheres que buscam tratamentos ginecológicos ou reposição hormonal. O método, aplicado de forma subcutânea, libera compostos de forma gradual no organismo e pode ser utilizado tanto para fins contraceptivos quanto terapêuticos.

    De acordo com a ginecologista Ana Verena Colonnezi, os implantes são indicados para prevenir a gravidez e também para tratar diferentes condições clínicas, como sintomas da menopausa, endometriose, adenomiose, miomas e sangramento uterino anormal. “Os implantes são dispositivos subcutâneos que liberam substâncias de forma controlada, podendo ser hormonais ou não, a depender da indicação”, explica.

    A médica destaca que a avaliação individualizada é essencial para garantir a segurança e a eficácia do tratamento. “A escolha do tipo de implante e da dosagem depende das necessidades específicas de cada paciente, sendo indispensável a realização de exames laboratoriais e ginecológicos antes da indicação”, afirma.

    Após a inserção, os efeitos costumam ser percebidos entre 10 e 15 dias, com impactos positivos no bem-estar e na rotina das pacientes. “Entre os possíveis benefícios estão a melhora da qualidade de vida, aumento da disposição, da libido e o controle dos sintomas da TPM e das alterações do ciclo menstrual”, destaca.

    Ana Verena também ressalta que existem diferentes abordagens dentro desse tipo de terapia, incluindo implantes hormonais, não hormonais e contraceptivos. “Além dos implantes hormonais, também existem opções não hormonais, como NAD, coenzima e ocitocina, que podem ser utilizados em alguns casos de forma off label, ou seja, para finalidades diferentes das descritas em bula. Há ainda os implantes contraceptivos, como o Implanon, além do uso de substâncias como a gestrinona, sempre com indicação criteriosa e acompanhamento médico”, completa.

  • Opas: “Já eliminamos o sarampo das Américas e podemos fazer de novo”

    Opas: “Já eliminamos o sarampo das Américas e podemos fazer de novo”

    Em 2025 foram 14 mil casos confirmados, 32 vezes mais do que em 2024
    Ao comentar o retorno do sarampo nas Américas, o diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Jarbas Barbosa, disse nesta quinta-feira (23) que o principal desafio a ser enfrentado na região não é a disponibilidade de doses de vacina, mas alcançar aqueles que permanecem sem imunização.

    “Há uma percepção de baixo risco [da doença], há falta de informação e há obstáculos ao acesso [à vacina], que terminam por contribuir com essa situação. E, quando a cobertura dessa vacina cai, o vírus volta. É simples assim. O sarampo é uma das doenças mais infecciosas conhecida.”

    Durante coletiva de imprensa, Jarbas lembrou que as Américas foram a primeira região do mundo a eliminar o sarampo em 2016. O status foi perdido dois anos depois, em 2018. Em 2024, a região reconquistou o certificado de eliminação da doença e, no ano seguinte, perdeu novamente o status.

    Dados da Opas mostram que, em 2025, 14.767 casos confirmados de sarampo foram relatados em 13 países das Américas – 32 vezes mais que no ano anterior. Já em 2026, 15,3 mil casos confirmados foram relatados até o início de abril, sendo que México Guatemala, Estados Unidos e Canadá respondem pela maioria deles.

    Os números mostram ainda que, no ano passado, 32 mortes relacionadas à doença foram relatadas nas Américas. Já no primeiro trimestre de 2026, pelo menos 11 óbitos foram comunicados, a maior parte deles em populações mais vulneráveis, que enfrenta maiores obstáculos no acesso a serviços e atendimento médico.

    “Esse retorno do sarampo às Américas significa um atraso e precisamos realmente reverter isso por meio de ação decisiva”, disse Jarbas.

    Ele alertou que um único caso da doença pode levar a um surto caso não se alcance cobertura vacinal acima de 95% com as duas doses previstas no esquema.

    Segundo o diretor da Opas, ao longo dos últimos 25 anos, a vacinação contra o sarampo preveniu mais de 6 milhões de mortes nas Américas.

    “Já eliminamos o sarampo e podemos fazer de novo. Mas isso vai requerer compromisso político sustentável, investimentos em saúde pública e também ações decisivas para reconstruir a confiança nas vacinas e combater a desinformação. Tenho confiança de que poderemos recuperar o status da região como livre do sarampo. Já fizemos isso duas vezes e podemos fazer uma terceira vez”.

    Brasil
    Apesar do contexto regional, o Brasil mantém o status de país livre da circulação endêmica do vírus do sarampo, conquistado em 2024.

    Em 2025, o país registrou 3.952 casos suspeitos, dos quais 3.841 foram descartados, 46 permanecem em investigação e 38 foram confirmados. Destes, dez foram importados, 25 foram classificados como relacionados à importação e três apresentaram fonte de infecção desconhecida.

    Em 2026, até meados de março, o Brasil registrou 232 casos suspeitos e confirmou dois casos: uma criança de 6 meses, residente em São Paulo e com histórico de viagem à Bolívia; e uma jovem de 22 anos, residente no Rio de Janeiro, com investigação em andamento; ambas não vacinadas.

    Sobre o sarampo
    O sarampo é uma doença viral infecciosa aguda altamente contagiosa e potencialmente grave. Sua transmissão acontece principalmente por via aérea ou gotículas respiratórias ao tossir, espirrar, falar ou respirar. O vírus causador da infecção pode se disseminar rapidamente em ambientes com grande concentração de pessoas.

    Entre os sintomas figuram febre, tosse, coriza, perda de apetite e conjuntivite, com olhos vermelhos, lacrimejantes e fotofobia.

    Há também manchas vermelhas na pele. Erupções começam no rosto, na região atrás da orelha, e se espalham pelo corpo. A pessoa também pode sentir dor de garganta.

    A pele pode descamar, como se fosse queimadura. O sarampo pode causar condições graves como cegueira, pneumonia e encefalite (inflamação do cérebro).

    Vacinação
    A principal forma de prevenção contra a doença é a vacinação, oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e que faz parte do calendário básico de vacinação infantil.

    A primeira dose deve ser tomada aos 12 meses de idade, com o imunizante tríplice viral, que protege também contra a caxumba e a rubéola. A segunda dose é aplicada aos 15 meses.

    Qualquer pessoa com até 59 anos que não tenha comprovante de imunização ou não tenha completado o esquema vacinal deve atualizar a carteira de vacinação.

    Agência Brasil

  • Ministério da Saúde alerta para risco de casos de sarampo após Copa

    Ministério da Saúde alerta para risco de casos de sarampo após Copa

    Países que sediam evento enfrentam surtos ativos da doença
    O Ministério da Saúde emitiu alerta sobre o risco iminente de reintrodução e disseminação do sarampo no Brasil em razão do fluxo intenso de viajantes para a Copa do Mundo 2026. Neste ano, a competição será sediada a partir de junho pelos Estados Unidos, Canadá e México, países que enfrentam surtos da doença.

    A nota técnica descreve um cenário de alta transmissibilidade do sarampo nas Américas e um grande número de brasileiros com destino aos países-sede do evento, bem como a outros países onde há surto ativo da doença.

    “Há um risco iminente de reintrodução do sarampo no Brasil após o retorno desses viajantes ou da chegada de estrangeiros, porventura infectados”.

    Vai viajar para a Copa?
    O documento reforça recomendações de vacinação contra a doença, visando proteger viajantes e a população residente no Brasil, considerando que os países-sede apresentam elevado número de casos, com surtos ainda ativos.

    “A vacinação oportuna de viajantes e a vigilância sensível dos serviços de saúde são as únicas estratégias capazes de mitigar o risco de reintrodução do vírus”, alertou o Departamento do Programa Nacional de Imunizações no documento.

    “Reitera-se, portanto, a necessidade de estados, municípios e profissionais de saúde priorizarem a atualização vacinal e o monitoramento rigoroso de casos suspeitos, a fim de manter o status do Brasil como país livre da circulação endêmica do vírus do sarampo”, completou a nota.

    Orientações para o viajante
    Se você está de malas prontas para o Mundial, fique atento a esses passos:

    Atualize sua caderneta: verifique se você tomou as doses da vacina Tríplice Viral (que protege contra sarampo, caxumba e rubéola).
    Antecedência: o imunizante deve ser tomado pelo menos 15 dias antes do embarque, para que o corpo crie a proteção necessária.
    Vigilância no retorno: ao voltar ao Brasil, caso apresente febre e manchas vermelhas pelo corpo, procure imediatamente um serviço de saúde e informe sobre sua viagem.
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    Copa do Mundo
    A Copa do Mundo 2026 será realizada entre os dias 11 de junho e 19 de julho de 2026, com jogos sediados em cidades dos Estados Unidos, do México e do Canadá. A estimativa é que milhões de pessoas participem, incluindo grande número de viajantes internacionais provenientes de diferentes regiões do mundo.

    “Eventos de massa internacionais como este resultam em grande mobilidade populacional e intensa circulação de viajantes entre países e continentes, o que pode favorecer a disseminação de doenças transmissíveis”, destacou o ministério no documento.

    Sarampo nas Américas
    O Ministério da Saúde define o sarampo como uma doença viral infecciosa aguda altamente contagiosa e potencialmente grave. Sua transmissão acontece principalmente por via aérea ou gotículas respiratórias ao tossir, espirrar, falar ou respirar. O vírus causador da infecção pode se disseminar rapidamente em ambientes com grande concentração de pessoas.

    O ministério alerta que o sarampo permanece com ampla distribuição global, com persistência de surtos em todos os continentes. “Em 2025, foram confirmados 248.394 casos mundialmente, demonstrando que a circulação viral permanece como uma ameaça crítica à saúde pública”.

    “Esse cenário é agravado pela existência de bolsões de indivíduos suscetíveis, resultantes da hesitação vacinal e de falhas na cobertura vacinal em diversas regiões.”

    Na região das Américas, o documento aponta um aumento expressivo na incidência da doença, com milhares de casos de sarampo, sobretudo nos países-sede da Copa.

    Em 2025, a epidemia de sarampo no Canadá causou 5.062 casos, causando a perda da certificação de país livre de sarampo. Em 2026, foram 124 casos, mantendo a área como de circulação endêmica.

    Situação semelhante foi observada no México, que passou de sete casos, em 2024, para 6.152, em 2025, e 1.190 casos, em janeiro de 2026, conforme dados preliminares.

    Já os Estados Unidos notificaram 2.144 casos em 2025 e 721 casos apenas em janeiro de 2026.

    Os três países se encontram com surtos ativos de sarampo, quando há transmissão contínua do vírus ocorrendo nesse momento. O cenário de agravamento culminou na perda do status da região das Américas como zona livre de transmissão endêmica em novembro de 2025.

    Brasil livre do sarampo
    Apesar do contexto regional, o Brasil mantém o status de país livre da circulação endêmica do vírus do sarampo, conquistado em 2024.

    Em 2025, o país registrou 3.952 casos suspeitos, dos quais 3.841 foram descartados, 46 permanecem em investigação e 38 foram confirmados. Destes, dez foram importados, 25 foram classificados como relacionados à importação e três apresentaram fonte de infecção desconhecida.

    “Um dado alarmante é que 94,7% dos casos confirmados em 2025 (36 de 38) ocorreram em pessoas sem histórico vacinal”, destacou o ministério.

    Em 2026, até meados de março, o Brasil registrou 232 casos suspeitos e confirmou dois casos: uma criança de 6 meses, residente em São Paulo e com histórico de viagem à Bolívia; e uma jovem de 22 anos, residente no Rio de Janeiro, com investigação em andamento; ambas não vacinadas.

    “O cenário epidemiológico atual reforça a vulnerabilidade do Brasil frente à reintrodução do vírus. A combinação de surtos ativos em países vizinhos, fluxo contínuo de viajantes, brasileiros não vacinados e a confirmação de casos importados faz com que o risco de casos e surtos de sarampo seja alto.”
    Vacinação
    A nota reforça que a vacinação constitui a principal medida de prevenção e controle da doença. A proteção é oferecida gratuitamente pelo Programa Nacional de Imunizações, por meio das vacinas tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e tetraviral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela).

    Dados da pasta mostram que, no Brasil, a cobertura da 1ª dose (D1) atingiu 92,66% em 2025, aproximando-se da meta preconizada de 95% em nível nacional. A homogeneidade (indicador da qualidade da cobertura em diferentes localidades) chegou a 64,56%, sendo que 3.596 municípios atingiram a meta de 95%.

    Já a cobertura da 2ª dose (D2) atingiu 78,02%, com uma homogeneidade de 35,24%, e 1.963 municípios atingiram a meta de 95%.

    “Esses resultados evidenciam que ainda há pessoas não vacinadas contra o sarampo no Brasil. Assim, o risco de reintrodução do vírus aumenta com o retorno de viajantes brasileiros infectados ou com a chegada de viajantes estrangeiros infectados, levando a uma potencial ocorrência de surtos e epidemias de sarampo”, ressaltou o documento.

    Para viajantes internacionais, a orientação é verificar o cartão de vacina e procurar uma unidade de saúde para atualizar a situação vacinal contra o sarampo antes da viagem, conforme esquema detalhado a seguir:

    Crianças de 6 a 11 meses e 29 dias: realizar a dose zero da vacina, no mínimo, 15 dias antes do embarque, para que haja tempo hábil para a produção de anticorpos.
    Crianças de 12 meses a adultos de 29 anos: para pessoas que precisam receber o esquema vacinal completo, de 2 doses, o ideal é que a 1ª dose seja realizada, no mínimo, 45 dias antes da viagem, a fim de ter tempo hábil para receber a 2ª dose (30 dias após a 1ª dose) e período adequado para a produção de anticorpos (aproximadamente 15 dias).
    Adultos de 30 a 59 anos: para pessoas que precisam receber o esquema vacinal com uma dose da vacina, é necessário iniciar o esquema, no mínimo, 15 dias antes do embarque, para que haja tempo hábil de soroconversão.
    “Em situações em que a vacina não foi administrada no período ideal, ainda assim é recomendável que o viajante receba pelo menos uma dose antes de viajar, até mesmo no dia do embarque”, destacou o ministério.

    Risco real
    Para o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, o risco de reintrodução da doença no Brasil é real.

    “Justamente no momento em que nós recuperamos o status de zona livre do sarampo, estamos vivenciando um grande surto nas Américas, principalmente na América do Norte. Mas também há casos na Bolívia, na Argentina e no Paraguai”.

    “Obviamente que o deslocamento frequente de pessoas faz com que o risco de reintrodução da doença seja real”, disse. “A chance de alguém entrar com sarampo aqui é grande”, completou.

    Para Kfouri, o Brasil precisa manter sua população vacinada, o que funciona como uma barreira para a transmissão do vírus, além de realizar uma vigilância bastante ativa para a detecção precoce de casos.

    “Casos importados vão acontecer. Em 2025, tivemos 35. Mas esses casos não se traduziram em uma cadeia de doença. Portanto, a gente só teve esses casos. Não temos transmissão mantida entre nós”.

    O vice-presidente da Sbim ressaltou a importância de capacitação de todos os profissionais de saúde, não só para o reconhecimento precoce da doença, mas para ações imediatas de isolamento, bloqueio e coleta de exames.

    “Que neste momento de aglomeração, que a gente tenha um cuidado ainda maior. Viajar com a vacinação em dia, e estar alerta para os que voltam de lá com sintomas”, disse.

    Agência Brasil

  • Nutróloga destaca potencial da tirzepatida no tratamento do lipedema

    Nutróloga destaca potencial da tirzepatida no tratamento do lipedema

    Suzana Viana destaca que medicamento usado para emagrecimento e diabetes mostra potencial para atuar na inflamação e na dor da doença

    A tirzepatida, medicamento que vem ganhando destaque no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, pode se tornar uma nova aliada no controle do lipedema. Embora ainda não existam estudos clínicos específicos sobre a condição, pesquisas recentes indicam que o remédio pode atuar em mecanismos importantes da doença, como inflamação, fibrose e alterações metabólicas do tecido adiposo.

    Segundo a médica nutróloga Suzana Viana, o possível uso da tirzepatida representa uma mudança importante na forma de tratar a condição. “Durante muito tempo, o lipedema foi tratado como se fosse apenas excesso de peso. Hoje sabemos que existe um componente inflamatório e metabólico importante por trás da doença”, afirma.

    O lipedema é frequentemente confundido com obesidade, mas possui características próprias. Entre elas estão a dificuldade de reduzir a gordura nas áreas afetadas, mesmo com dieta e exercícios, além de dor ao toque e tendência ao surgimento de hematomas. A doença crônica afeta principalmente mulheres e provoca acúmulo de gordura, dor e inchaço, especialmente nas pernas.

    “Mesmo com dieta, atividade física e até cirurgia bariátrica, a gordura tende a persistir. Isso mostra que estamos lidando com um tecido adiposo diferente, metabolicamente alterado”, destaca Suzana Viana.

    Estudos mostram que os efeitos da tirzepatida vão além do controle da glicose e do apetite. O medicamento pode reduzir a inflamação e melhorar o funcionamento das células de gordura, fatores envolvidos no lipedema. Para Suzana, esse é o principal ponto de interesse. “O uso da tirzepatida não se limita à perda de peso. Existe potencial de atuação nos mecanismos centrais da doença, como inflamação crônica, resistência metabólica e alterações do tecido adiposo”, pontua.

    Em pesquisas com pessoas com obesidade, o medicamento demonstrou perda de peso superior a 20%, além de melhora em indicadores metabólicos relevantes. Esses achados levantam a hipótese de benefícios também para pacientes com lipedema. Ainda assim, a médica alerta para a necessidade de cautela. “Não existem, até o momento, estudos clínicos específicos em pacientes com lipedema. As evidências atuais são indiretas e precisam ser confirmadas em pesquisas direcionadas”.

    Suzana também reforça que o tratamento deve ser individualizado. “Nem toda paciente com lipedema terá indicação para esse tipo de medicamento. A avaliação médica é essencial para definir a melhor estratégia”. Atualmente, o tratamento do lipedema inclui drenagem linfática, uso de meias de compressão, prática de exercícios físicos e, em alguns casos, cirurgia.

  • Neurocirurgia avança e amplia chances de sobrevivência

    Neurocirurgia avança e amplia chances de sobrevivência

    Tecnologias elevam precisão e reduzem sequelas em tumores e AVC

    O cérebro ainda guarda mistérios, mas já não é mais um território intocável. Em centros de alta complexidade, procedimentos que antes envolviam grandes riscos hoje são realizados com precisão milimétrica, abrindo novas perspectivas para pacientes com tumores cerebrais, aneurismas e acidentes vasculares cerebrais (AVC). O avanço tecnológico tem mudado o desfecho de doenças historicamente associadas à alta mortalidade e incapacidade.

    Nesse cenário, a neurocirurgia vive uma transformação decisiva. “Os avanços na neurocirurgia para tratamento de tumores e sangramentos têm focado no aumento da precisão, na redução da invasividade e na melhor preservação das funções neurológicas, com o uso de tecnologias de imagem de ponta e inteligência artificial”, explica o neurocirurgião do Hospital Mater Dei Salvador, Carlos Bastos.

    Segundo ele, ferramentas como cirurgia robótica, neuronavegação em 3D e mapeamento cerebral intraoperatório têm permitido intervenções mais seguras, inclusive em áreas profundas e delicadas do cérebro. “Hoje conseguimos operar com uma espécie de ‘GPS cirúrgico’, que orienta cada movimento em tempo real. Isso reduz riscos e aumenta as chances de preservar funções essenciais, como fala e mobilidade”, afirma.

    Novas técnicas – Entre as principais inovações, a cirurgia assistida por robótica vem ganhando espaço. Sistemas como NeuroMate e ROSA® permitem intervenções com altíssima precisão, sendo utilizados em biópsias e na remoção de tumores profundos.

    Outro avanço importante é o uso da fluorescência com substâncias como o 5-ALA, que faz células tumorais “brilharem” durante o procedimento. “Isso ajuda a diferenciar o tumor do tecido saudável, permitindo uma retirada mais completa e segura”, explica Bastos.

    Já a chamada cirurgia “acordado” (awake craniotomy) tem sido aplicada em casos específicos, quando o tumor está próximo de áreas responsáveis por funções vitais. Durante o procedimento, o paciente interage com a equipe, ajudando a mapear regiões que não podem ser comprometidas. “É uma técnica que exige preparo, mas reduz significativamente o risco de sequelas”, diz.

    Menos invasiva – A tendência atual é clara: quanto menor a agressão ao cérebro, melhor o resultado. Procedimentos endoscópicos permitem acessar regiões profundas com incisões menores, reduzindo o tempo de internação e acelerando a recuperação. Em paralelo, a radiocirurgia avançada tem sido utilizada para tratar metástases cerebrais com alta precisão, preservando áreas saudáveis.

    No campo da oncologia, terapias inovadoras também começam a mudar o cenário. Estudos internacionais apontam resultados promissores com vírus oncolíticos e terapias celulares como CAR-T, que já demonstraram redução significativa de tumores agressivos, como o glioblastoma. “Essas estratégias, aliadas à cirurgia, ampliam as possibilidades de tratamento e aumentam a sobrevida dos pacientes”, destaca Carlos Bastos.

    Emergências – Nos casos de aneurisma e AVC hemorrágico, o tempo segue sendo decisivo, mas as técnicas também evoluíram. “A clipagem de aneurismas está cada vez mais precisa, e, em casos graves, utilizamos a cirurgia descompressiva para aliviar a pressão intracraniana. São procedimentos que salvam vidas e reduzem sequelas importantes”, explica o médico do Mater Dei Salvador.

    O especialista reforça que o maior desafio ainda está no acesso rápido ao atendimento especializado. “A tecnologia existe, mas o paciente precisa chegar a tempo. Informação e agilidade continuam sendo determinantes”, afirma. No encontro entre tecnologia e medicina, o cérebro deixa de ser apenas um território de risco e passa a ser, cada vez mais, um campo de possibilidades.

  • Anvisa aprova Mounjaro para criança e adolescente com diabetes tipo 2

    Anvisa aprova Mounjaro para criança e adolescente com diabetes tipo 2

    Crianças a partir de 10 anos poderão usar o medicamento
    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta quarta-feira (22) o uso do medicamento Mounjaro para tratar diabetes tipo 2 em crianças a partir de 10 anos. Até então, a indicação era apenas para uso adulto.

    Em nota, a Anvisa informou que as demais indicações do medicamento permanecem para uso adulto. “A única mudança foi a ampliação da população-alvo para tratamento de diabetes, que era apenas de uso adulto e agora passa a ser de uso pediátrico”.

    O Mounjaro é um dos diversos medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP 1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras.

    Manipulação
    Na próxima semana, a diretoria colegiada da Anvisa discute uma proposta de instrução normativa sobre procedimentos e requisitos técnicos que tratarão da manipulação de canetas emagrecedoras.

    A nova norma fará parte de um conjunto de estratégias que integram o plano de ação anunciado no último dia 6, composto por medidas regulatórias e de fiscalização relacionadas a esse tipo de medicamento.

    Grupos de trabalho
    Na semana passada, a agência publicou portarias que criam dois grupos de trabalho para dar suporte à atuação da autarquia no controle sanitário e garantir a segurança de pacientes que utilizam canetas emagrecedoras.

    O primeiro grupo, formalizado pela Portaria 488/2026, será formado por representantes do Conselho Federal de Farmácia (CFF), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Conselho Federal de Odontologia (CFO).

    Já a Portaria 489/2026 institui o segundo grupo, que vai acompanhar e avaliar a implementação de um plano de ação proposto pela Anvisa e subsidiar a tomada de decisão da diretoria colegiada a partir da proposição de medidas de aprimoramento.

    Agência Brasil