Categoria: Ciência, Saúde e Tecnologia

  • Novo remédio para Alzheimer chega ao Brasil em junho

    Novo remédio para Alzheimer chega ao Brasil em junho

    O mercado brasileiro de medicamentos para a doença de Alzheimer terá um novo produto a partir do fim de junho de 2026. Trata-se do lecanemabe, desenvolvido em parceria pelas farmacêuticas Eisai e Biogen, que já foi aprovado pela Anvisa em dezembro de 2025, segundo a Veja.

    O anúncio da chegada do remédio ocorreu após a definição do preço junto à CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos). O medicamento integra uma nova safra de terapias para a condição que afeta mais de 57 milhões de pessoas no mundo, com mecanismos de ação e ganhos clínicos inéditos. Em 2025, o país já havia recebido o donanemabe, do laboratório Eli Lilly.

    O lecanemabe foi desenvolvido para combater o acúmulo de placas beta-amiloide no cérebro, uma das principais causas do Alzheimer. Esse processo começa em uma área relacionada à memória e a outras funções cognitivas, o que explica os sintomas clássicos da doença.

    Segundo os fabricantes, o medicamento tem um mecanismo de ação duplo: não apenas remove as placas tóxicas às células nervosas, como também neutraliza uma cascata de eventos que leva ao surgimento de novas placas e à progressão da doença.

    Os ensaios clínicos com o lecanemabe apontaram uma redução de 27% no declínio cognitivo ao longo de 18 meses. De acordo com os laboratórios, o benefício foi mantido e “resulta em mais tempo de memória preservada, independência e dignidade”. O principal estudo que endossa a droga, publicado no periódico médico The New England Journal of Medicine, analisou dados de 1.795 pacientes com Alzheimer inicial durante um ano e meio de uso, chancelando a segurança e a eficácia do produto, hoje disponível em 51 países.

    O lecanemabe é administrado na veia, em centros de infusão, para garantir o acompanhamento do paciente e o manejo de eventuais efeitos colaterais.

    A dosagem varia de acordo com o peso do indivíduo, e uma dose é aplicada a cada duas semanas, totalizando duas infusões mensais. O custo mensal do tratamento endovenoso, recém-divulgado pela CMED, varia de R$ 8.108,94 a R$ 11.075,62, a depender das taxas e impostos por estado.

    Esse valor considera a terapia para um paciente de 70 kg e leva em conta o preço praticado em outras nações, o grau de inovação e complexidade do produto e os benefícios clínicos apresentados nos estudos. Por ora, não há expectativa de cobertura por planos de saúde ou entrada no SUS.

    “Mas nosso maior compromisso é trabalhar para que o medicamento seja acessível ao maior número de pacientes elegíveis no Brasil. Lutamos para encontrar um equilíbrio entre um preço factível para a realidade brasileira e o valor intrínseco a uma terapia sem precedentes”, disse Tatiana Branco, diretora médica da Biogen no Brasil.

    Bahia Notícias

  • A ditadura do bem-estar: quando estar bem o tempo todo vira um peso

    A ditadura do bem-estar: quando estar bem o tempo todo vira um peso

    Psicóloga alerta para os impactos da pressão constante por felicidade e produtividade emocional

    Vivemos uma época em que sentir-se bem deixou de ser apenas um desejo e passou a ser quase uma obrigação, e, em muitos sentidos, uma verdadeira performance. A busca por equilíbrio emocional e qualidade de vida nunca esteve tão em alta, mas, por trás desse movimento, cresce um fenômeno silencioso: a chamada “ditadura do bem-estar”.

    De acordo com a psicóloga Niliane Brito, especialista em Psicologia Clínica (CRP03/12433), o problema não está em buscar o bem-estar, mas na forma como ele tem sido imposto. A constante tentativa de sustentar uma felicidade permanente pode gerar ainda mais ansiedade, além de uma sensação recorrente de culpa e frustração. Isso porque, inevitavelmente, a dor faz parte da vida, e muitas pessoas, além de sofrerem, ainda se sentem culpadas por estarem sofrendo.

    A influência das redes sociais intensifica esse cenário, ao reforçar padrões irreais de felicidade e produtividade emocional. Nesse contexto, o sofrimento passa a ser escondido ou até invalidado, dificultando que o indivíduo identifique o que está sentindo e busque suporte psicológico quando necessário, especialmente quando aquela emoção começa a se tornar disfuncional.

    Segundo a especialista, é comum ouvirmos que existem emoções “negativas”, como tristeza, raiva e medo. No entanto, sentir tudo isso faz parte da experiência humana. O problema surge quando há uma tentativa constante de evitar ou suprimir essas emoções para atender a uma expectativa social de estar bem o tempo inteiro.

    Esse padrão também impacta diretamente a autoestima. Quando existe a crença de que é preciso estar bem o tempo todo, qualquer oscilação emocional pode ser interpretada como fracasso, levando a um ciclo de inadequação, frustração e sensação de insuficiência.

    Para Niliane, o caminho está no desenvolvimento de uma relação mais consciente com as próprias emoções. Quando aprendemos a nomear, compreender e reconhecer melhor o que sentimos, conseguimos lidar de forma mais saudável com as inconstâncias da vida.

    Reconhecer limites, desacelerar e buscar apoio profissional são atitudes fundamentais. Em um cenário onde o bem-estar virou regra, talvez o verdadeiro cuidado esteja justamente em permitir-se não estar bem o tempo todo.

  • Anvisa discute norma para manipulação de canetas emagrecedoras

    Anvisa discute norma para manipulação de canetas emagrecedoras

    Diretoria debaterá proposta de novas normas no dia 29 de abril

    A diretoria colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) discute, no próximo dia 29, uma proposta de instrução normativa sobre procedimentos e requisitos técnicos que tratarão da manipulação de medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP 1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras.

    A nova norma fará parte de um conjunto de estratégias que integram o plano de ação anunciado no último dia 6, composto por medidas regulatórias e de fiscalização relacionadas a esse tipo de medicamento.

    Segundo a agência, a instrução normativa deve definir procedimentos e requisitos técnicos específicos relativos à importação, qualificação de fornecedores, realização de ensaios de controle de qualidade, estabilidade, armazenamento e transporte aplicáveis aos Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs).

    A popularização das chamadas canetas emagrecedoras, que podem ter diferentes princípios ativos como semaglutida, tirzepatida e liraglutida, ampliou o mercado ilegal desses medicamentos, que atualmente só podem ser adquiridos com receita médica retida. Em razão dos riscos à saúde da população, a Anvisa têm tomado uma série de medidas para coibir o comércio ilegal, que inclui versões manipuladas sem autorização.

    A minuta que será discutida pela diretoria colegiada pode ser acessada pelo site da Anvisa.

    Grupos de trabalho
    Esta semana, a Anvisa publicou portarias que criam dois grupos de trabalho (GTs) para dar suporte à atuação da autarquia no controle sanitário e garantir a segurança de pacientes que utilizam canetas emagrecedoras.

    O primeiro grupo, formalizado pela Portaria 488/2026, será formado por representantes do Conselho Federal de Farmácia (CFF), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Conselho Federal de Odontologia (CFO).

    Já a Portaria 489/2026 institui o segundo grupo, que vai acompanhar e avaliar a implementação de um plano de ação proposto pela Anvisa e subsidiar a tomada de decisão da diretoria colegiada a partir da proposição de medidas de aprimoramento.

    Parceria com conselhos
    Também esta semana, a Anvisa, o Conselho Federal de Medicina (CFM), o Conselho Federal de Odontologia (CFO) e o Conselho Federal de Farmácia (CFF) assinaram uma carta de intenção com o objetivo de promover o uso racional e seguro de canetas emagrecedoras.

    A proposta, segundo a agência, é prevenir riscos sanitários associados a produtos e práticas irregulares, além de zelar pela saúde da população brasileira.

    “A Anvisa e os conselhos propõem uma atuação conjunta baseada em troca de informações, no alinhamento técnico e em ações educativas”, informou a agência no comunicado.

    Proibição
    Na última quarta-feira (15), a Anvisa determinou a apreensão dos medicamentos Gluconex e Tirzedral, produzidos por empresa não identificada. A medida também proíbe a comercialização, a distribuição, a importação e o uso dos produtos.

    “Amplamente divulgados na internet e vendidos como medicamentos injetáveis de GLP-1, os produtos são conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, mas não têm registro, notificação ou cadastro na Anvisa”, informou a agência.

    Em nota, o órgão destacou que, por se tratarem de produtos irregulares e de origem desconhecida, “não há qualquer garantia quanto ao seu conteúdo ou à sua qualidade”. Por isso, não devem ser utilizados em nenhuma hipótese.

    Paraguai
    Na última segunda-feira (13), a Polícia Civil do Rio de Janeiro interceptou um ônibus que vinha do Paraguai com contrabando de canetas emagrecedoras e anabolizantes, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

    O veículo vinha sendo monitorado por suspeita de transportar material ilegal. No momento da abordagem, havia 42 passageiros no ônibus, que foram conduzidos à Cidade da Polícia.

    Um casal que embarcou em Foz do Iguaçu (PR) foi preso em flagrante, com grande quantidade de produtos de origem paraguaia colocados à venda irregularmente no território nacional, como anabolizantes e mil frascos de canetas emagrecedoras, contendo a substância tirzepatida.

  • Abril Lilás: considerado o tumor maligno mais comum em homens jovens, o câncer de testículo pode ser identificado precocemente com simples autoexame

    Abril Lilás: considerado o tumor maligno mais comum em homens jovens, o câncer de testículo pode ser identificado precocemente com simples autoexame

    Apesar de ser um tumor que pode evoluir muito rapidamente, o câncer testicular apresenta altas taxas de cura quando detectado em fase inicial

    Nódulo endurecido e, quase sempre, indolor em um dos testículos, volume aumentado (inchaço), sensação de peso no local, alterações na textura dos testículos são alguns dos sintomas que podem estar associados a um câncer testicular. Apesar de representar 5% dos tumores urológicos e de ser considerado altamente tratável, o câncer de testículo tem uma capacidade de crescimento muito rápida e pode ser letal ou deixar sequelas por toda vida. O Abril Lilás é o mês dedicado à conscientização sobre esse tipo de tumor que acomete, principalmente, homens jovens na faixa etária dos 15 aos 40 anos. “É um momento para conscientizar os jovens sobre a importância da prevenção”, explica o oncologista André Bacellar, da Oncoclínicas.

    Diferente de outros tipos de neoplasia, o tumor testicular não tem um exame de rastreamento especifico para sua detecção, o que reforça a importância do autoexame. “O autoexame mensal é a principal forma de prevenção, é simples e deve ser feita após o banho quente, permitindo identificar alterações precoces nos testículos”, orienta André Bacellar.

    “O tumor testicular se desenvolve muito rapidamente, mas quando ele é detectado cedo e tratado adequadamente, a possibilidade de cura pode ser superior a 95%. Por isso, ao notar qualquer alteração de textura ou nódulo no local, o indivíduo deve buscar ajuda médica imediatamente para uma investigação”, esclarece a oncologista Carolina Rocha, da Oncoclínicas.

    A médica lembra que, além do autoexame, a rotina de prevenção também deve incluir as consultas regulares ao urologista. “Nos casos dos pacientes com histórico familiar de câncer urológico, o médico vai definir a periodicidade das consultas para um monitoramento mais efetivo”, acrescenta Carolina Rocha.

    Dentre os fatores de risco para o desenvolvimento da doença, histórico familiar (pai ou irmão que tiveram a doença) e pessoal, fatores genéticos, idade (dos 20 aos 40 anos), testículo não descido da bolsa escrotal ao nascer (criptorquidia), infecção por HIV e raça ( homens brancos têm cinco a dez vezes mais risco de ter a doença).

    Perda da função testicular

    Dados do Ministério da Saúde mostram que, entre 2015 e 2024, foram realizadas no Brasil 47.928 mil orquiectomias (cirurgia para retirada de um ou ambos os testículos), uma média de 4,8 mil procedimentos por ano.

    “Além de permitir um tratamento menos invasivo, o diagnóstico em estágio inicial pode evitar sequelas que impactam a vida do paciente, como uma infertilidade que pode ser temporária ou irreversível”, afirma Carolina Rocha.

    A doença se desenvolve nos testículos, glândulas localizadas no escroto e que são responsáveis pela produção de espermatozoide e de testosterona, e pode acarretar a perda da função testicular, causando diminuição da libido e infertilidade. “Tanto o tumor como o seu tratamento podem causar alterações hormonais que comprometem a produção de espermatozoides, deixando o paciente infértil”, explica André Bacellar. “Nos casos em que a neoplasia atinge os dois testículos e o tratamento indicado é a remoção cirúrgica de ambos, é importante que a equipe médica avalie junto com o paciente, caso ele queira ter filhos no futuro, a possibilidade do congelamento de sêmen para preservação da sua fertilidade”, acrescenta o médico.

  • Anestesiologia assume papel estratégico no controle da dor em pacientes com câncer

    Anestesiologia assume papel estratégico no controle da dor em pacientes com câncer

    Especialidade amplia atuação no cuidado oncológico com técnicas modernas, monitoramento avançado e foco no bem-estar do paciente

    O controle da dor é um dos principais pilares no tratamento do câncer e influencia diretamente a qualidade de vida dos pacientes. Nesse contexto, a anestesiologia tem ampliado sua atuação e deixado de ser vista apenas como suporte cirúrgico para assumir um papel estratégico no acompanhamento da dor ao longo de toda a jornada oncológica.

    Segundo o anestesiologista Anderson Gazineu, diretor comercial da Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas da Bahia (Coopanest-BA), a especialidade evoluiu significativamente nas últimas décadas e hoje vai muito além da administração de anestésicos. “Atuamos desde a avaliação pré-operatória até o controle da dor no pós-operatório e, em muitos casos, no acompanhamento da dor crônica relacionada ao câncer, utilizando técnicas específicas para alívio dos sintomas e melhora da funcionalidade”, afirma.

    De acordo com Anderson, o controle da dor pode envolver procedimentos minimamente invasivos, como bloqueios de nervos periféricos, infiltrações guiadas por ultrassom e técnicas como a radiofrequência. Esses recursos permitem um alívio mais direcionado e duradouro, com menor necessidade de opioides e menos efeitos colaterais.

    Quando não tratada adequadamente, a dor compromete o sono, a alimentação, a mobilidade e o estado emocional do paciente, podendo, inclusive, interferir na adesão ao tratamento. “O controle eficaz desse sintoma é parte essencial da assistência oncológica. Não se trata apenas de eliminar a dor, mas de garantir qualidade de vida. Um paciente com dor controlada enfrenta o tratamento com mais disposição e dignidade”, frisa Anderson Gazineu.

    Coopanest-Ba

    A Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas da Bahia foi fundada em 2 de julho de 1985, inicialmente sob o nome COPAS – Cooperativa dos Anestesiologistas de Salvador. Em 5 de agosto de 1991, com a ampliação de sua atuação para além da capital, passou a se chamar COOPANEST-BA, congregando anestesiologistas de todo o estado. Ao longo de quatro décadas, a cooperativa permanece firme na defesa dos interesses de seus cooperados, oferecendo serviços de excelência reconhecidos nacionalmente, investindo em tecnologia e promovendo iniciativas que fortalecem a anestesiologia na Bahia.

  • Crescimento das corridas de rua acende alerta para riscos entre iniciantes

    Crescimento das corridas de rua acende alerta para riscos entre iniciantes

    A corrida se consolidou como uma das atividades mais populares do país, impulsionada pela busca por qualidade de vida, bem-estar e equilíbrio emocional. No entanto, o aumento no número de adeptos vem acompanhado de comportamentos que podem comprometer a segurança e a evolução dos praticantes. Segundo o Diretor Técnico da Rede Alpha Fitness, Guilherme Reis, entre os principais desafios está o imediatismo. “Muitos iniciantes entram na modalidade já com o objetivo de participar de provas de longa distância, sem passar por uma fase de adaptação e construção de base física. A pressa por resultados pode levar a sobrecarga, lesões e frustração ao longo do processo”, ressalta.

    O especialista defende a necessidade de realizar treinamentos prévios, tanto para condicionamento cardiorrespiratório quanto para força em músculos específicos que são mais demandados durante essa prática esportiva. A ausência de orientação adequada dificulta o planejamento de treinos e a progressão segura, além de reduzir a eficiência dos resultados. “Avaliações físicas e treinos personalizados são fundamentais para garantir que cada praticante evolua de acordo com sua capacidade”, destaca Guilherme. Os cuidados vão além. A escolha do tênis, por exemplo, deve levar em conta fatores como tipo de pisada, peso corporal e nível de condicionamento. É importante, ainda, adequar a alimentação a esse tipo de exercício, entendendo junto a um profissional, quais são os melhores alimentos para antes, durante e depois.

    Além disso, cresce a influência de fatores externos, como redes sociais e tendências, que incentivam metas estéticas ou de performance sem o devido preparo. Esse cenário pode desviar o foco do principal objetivo da prática esportiva: a saúde e o bem-estar. Nesse contexto, é necessária uma abordagem orientada, baseada na constância, no planejamento e na evolução gradual. Mais do que alcançar resultados rápidos, a proposta é construir uma relação duradoura e equilibrada com o esporte. “Com acompanhamento adequado, a corrida de rua continua sendo uma poderosa aliada da saúde física e mental, desde que praticada com consciência, disciplina e respeito aos limites individuais”, conclui o profissional da Rede Alpha Fitness.

  • Mais de 70% dos ciclos de Fertilização in Vitro na Bahia foram realizados por mulheres acima de 35 anos em 2025

    Mais de 70% dos ciclos de Fertilização in Vitro na Bahia foram realizados por mulheres acima de 35 anos em 2025

    Busca por tratamento para engravidar reflete tendência crescente de adiar a maternidade

    A busca crescente por tratamentos de reprodução assistida para ter filhos reflete uma tendência da sociedade atual: mulheres cada vez mais adiam seu projeto de maternidade. Na Bahia, em 2025, foram realizados 1185 ciclos de Fertilização in Vitro, sendo 316 pacientes com menos de 35 anos e 869 com mais de 35 anos. Os números são do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), vinculado a ANVISA, e mostram que 73,64% dos ciclos na Bahia foram realizados por mulheres acima dos 35 anos. “A mulher moderna, geralmente, prioriza os estudos e a carreira profissional e decide engravidar, muitas vezes, em idade mais avançada, quando sua fertilidade já começou a declinar”, afirma o ginecologista Joaquim Lopes, da Huntington Cenafert, clínica que integra um dos principais grupos de Reprodução Assistida do Brasil.

    “No passado, mulheres costumavam ter filhos ainda muito jovens, por volta dos 20 anos, mas atualmente é comum terem seu primeiro filho após os 35 anos”, lembra Joaquim Lopes. A idade da mulher é, no entanto, um dos fatores naturais que comprometem a sua capacidade reprodutiva. Uma mulher nasce com um a dois milhões de óvulos (oócitos) e, ao contrário do homem que produz espermatozoides durante toda a vida, a mulher não produz novos óvulos e seu estoque vai diminuindo ao longo da vida até a menopausa. A partir dos 35 anos, a quantidade e a qualidade dos óvulos começam a cair de forma acelerada até a falência ovariana total. Justamente a partir dessa idade, quando a fertilidade entra em declínio, que muitas mulheres começam a pensar em ter seu primeiro filho. “Algumas mulheres com ciclo menstrual regular e boa condição de saúde reprodutiva consegue engravidar espontaneamente mesmo com mais 40 anos, no entanto, boa parte dos casos precisa recorrer a ajuda especializada”, esclarece Joaquim Lopes.

    Além dos números locais, o Brasil lidera a Reprodução Assistida na América Latina, de acordo com REDLARA – Red Latinoamericana de Reproducción Asistida (REDLARA), instituição científica e educacional, que agrupa mais de 90% dos centros que realizam técnicas de reprodução assistida na região. Dos mais de 200 centros de medicina reprodutiva que integram a instituição, 70 ficam no Brasil.

    No último ano (2025), foram realizados 62.951 ciclos de Fertilização in Vitro no país, de acordo com o SisEmbrio.

    Gravidez após os 40 anos

    Quando a gravidez não vem espontaneamente, é possível contar com as técnicas de reprodução assistida, especialmente a Fertilização in Vitro (FIV), para engravidar após os 40 anos. Segundo Joaquim Lopes, um dos primeiros passos é avaliar a reserva ovariana da mulher e sua condição geral de saúde.

    O médico também destaca a possibilidade de congelamento de óvulos para a mulher que deseja adiar sua maternidade, seja por motivos profissionais ou pessoais. As técnicas de preservação da fertilidade, como a criopreservação de óvulos através do método de vitrificação, são eficazes e seguras. “O ideal é que o congelamento seja realizado até os 35 anos, embora após essa idade a paciente possa também recorrer a um aconselhamento reprodutivo para avaliar a possibilidade de preservação da fertilidade” recomenda.

    Outra opção a ser considerada é o congelamento de embriões para futura implantação no útero. Nesse caso, é feito o procedimento de Fertilização in Vitro. Os óvulos coletados são fertilizados com o espermatozoide do parceiro ou sêmen de doador e os embriões obtidos são congelados para serem implantados no momento que a paciente decidir pela gravidez. A indicação de cada técnica é individualizada e depende de vários aspectos, que devem ser alinhados adequadamente entre a paciente e o especialista em medicina reprodutiva.

     

    Quando buscar ajuda?

     

    Uma mulher com menos de 30 anos e vida sexual ativa, que deseja ser mãe, pode esperar até dois anos para que aconteça a gravidez se ela já foi avaliada por um especialista e não apresenta nenhum problema que possa afetar sua fertilidade. Caso a mulher tenha mais de 30 anos não deve aguardar mais que um ano para iniciar uma investigação com o especialista. Se atingiu 35 anos, o prazo de espera não deve ultrapassar seis meses. Após os 40 anos de idade, se a mulher deseja engravidar, ela deve iniciar a investigação da sua capacidade fértil imediatamente. “A investigação do parceiro também é essencial para a avaliação precisa das causas da infertilidade e a indicação do tratamento adequado”, explica Joaquim Lopes.

    Sobre a Huntington Cenafert

    Localizada no bairro de Ondina, em Salvador, a Huntington Cenafert é uma clínica especializada em reprodução assistida e tem como missão garantir uma atenção integral e humanizada a pessoas que sonham em ter filhos.

    Ao longo de sua atuação, a clínica já contabiliza mais de 3.500 bebês nascidos através das diversas técnicas de reprodução assistida. O laboratório de reprodução assistida da clínica oferece tecnologia de ponta para a realização dos procedimentos com eficácia e segurança. O paciente infértil conta com o suporte de uma equipe médica multidisciplinar, experiente e qualificada, e com serviços que vão desde o atendimento de casos mais simples – solucionados com tratamento de menor complexidade – até aqueles que exigem o emprego de técnicas avançadas no campo da reprodução assistida.

    A Huntington Cenafert integra um dos principais grupos de Reprodução Assistida do Brasil.

  • 61% dos bares e restaurantes já identificam mudanças no consumo causadas pelos remédios para emagrecimento

    61% dos bares e restaurantes já identificam mudanças no consumo causadas pelos remédios para emagrecimento

    Levantamento da Abrasel aponta diminuição de pedidos por pratos principais e sobremesas, maior demanda por porções menores e reconfiguração no consumo de bebidas

    O aumento do uso de medicamentos para emagrecimento começa a refletir no comportamento de consumo em bares e restaurantes no Brasil. Levantamento da Abrasel indica que 61% dos empresários do setor já perceberam mudanças associadas ao uso de remédios como o Ozempic e Mounjaro.

    No entanto, o movimento ainda ocorre de forma gradual. Entre os entrevistados, as alterações são classificadas principalmente como leves ou moderadas, o que aponta para um processo de adaptação progressiva, sem ruptura brusca no padrão de consumo. Os efeitos mais intensos aparecem com maior frequência em estabelecimentos de menor porte, que tendem a ser mais sensíveis às oscilações de demanda.

    “A mudança já é percebida, mas ainda ocorre de forma gradual. O consumidor continua frequentando bares e restaurantes, porém com escolhas mais moderadas. Esse movimento tende a ganhar força nos próximos meses, especialmente após o fim da patente da semaglutida, em março deste ano, que já abriu caminho para a produção de versões genéricas e similares mais acessíveis”, afirma Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel.

    Menos sobremesas e mais moderação nos pedidos

    Entre os principais impactos identificados pela pesquisa está a redução no consumo de pratos principais e, principalmente, de sobremesas. Mais da metade dos empresários (56%) percebeu mudanças no volume de pedidos dos pratos principais, com predominância de quedas moderadas. No caso das sobremesas, 65% notaram alterações e, entre esses, um em cada cinco relatou forte redução na demanda.

    O comportamento sugere uma busca mais evidente por restrição calórica nas escolhas individuais. Essa tendência também se reflete no aumento da preferência por porções menores. Segundo o levantamento, 64% dos empresários observaram crescimento nos pedidos de miniporções, enquanto mais de 70% apontaram maior frequência de escolhas consideradas mais leves. A prática de compartilhar pratos principais também avançou, sendo mencionada por 64% dos entrevistados.

    As mudanças também atingem o consumo de bebidas. Embora 65% dos empresários tenham notado alterações nos pedidos de bebidas alcoólicas, o avanço das opções não alcoólicas é mais consistente. Mais da metade dos entrevistados (53%) percebeu crescimento nesse tipo de consumo. Também aumenta a substituição de bebidas alcoólicas por alternativas sem álcool ou com menor teor, especialmente em estabelecimentos de maior faturamento.

    “Não se trata de um cenário de preocupação, mas de adaptação. O setor sempre acompanhou as transformações no comportamento do consumidor, e este é mais um movimento nesse sentido. Há espaço para inovação, com cardápios mais flexíveis, porções adequadas e novas opções de bebidas. Essas estratégias podem, inclusive, contribuir para ampliar margens e atrair diferentes perfis de clientes”, conclui Solmucci.

  • Abril Lilás acende alerta para câncer de testículo e reforça cuidado com a saúde masculina

    Abril Lilás acende alerta para câncer de testículo e reforça cuidado com a saúde masculina

    Urologista do Itaigara Memorial, Victor Judiss destaca sinais de alerta, fatores de risco e a importância do diagnóstico precoce do câncer de testículo

    O câncer de testículo, considerado o tumor sólido mais comum entre homens jovens e com altas chances de cura quando diagnosticado precocemente, está no centro das atenções durante o Abril Lilás, campanha dedicada à conscientização sobre a doença. O urologista Victor Judiss, do Itaigara Memorial, reforça a importância de reconhecer sinais de alerta e procurar avaliação médica especializada para aumentar as chances de tratamento eficaz.
    Considerado o tumor sólido mais frequente entre homens de 15 a 35 anos, o câncer testicular apresenta elevados índices de cura quando identificado nas fases iniciais. Segundo Victor, a informação ainda é a principal aliada no enfrentamento da doença. “Alterações como caroço ou inchaço em um dos testículos, mudanças na textura ou desconforto na parte inferior do abdômen ou nas costas devem ser investigadas”, destaca.
    Entre os fatores que podem aumentar as chances de aparecimento da doença estão:
    • Histórico familiar ou pessoal da doença
    • Criptorquidia (testículo ausente na bolsa escrotal ou que precisou ser descido com
    cirurgia)
    • Homens que receberam radiação
    • Alterações genéticas
    A boa notícia é que, quando detectado precocemente, o câncer de testículo tem altas taxas de cura. “O autoexame testicular, realizado regularmente, também é uma estratégia simples e eficaz para identificar precocemente qualquer mudança, permitindo um diagnóstico rápido e aumentando as chances de sucesso no tratamento”, orienta o urologista.

  • Saúde anuncia R$ 12 milhões para enfrentamento da doença de Chagas

    Saúde anuncia R$ 12 milhões para enfrentamento da doença de Chagas

    Recurso fortalece 155 municípios em 17 estados

    O Ministério da Saúde anunciou R$ 12 milhões para o fortalecimento de ações de vigilância e controle da doença de Chagas em 17 estados brasileiros. Em nota, a pasta informou que o recurso fortalece a capacidade de atuação contínua em 155 municípios considerados prioritários, apoiando ações essenciais como captura e monitoramento de vetores, vigilância e resposta rápida a focos.

    No comunicado, o ministério destaca que Anápolis (GO) e Goiânia foram reconhecidos com selo bronze de boas práticas para eliminação da transmissão vertical da doença de Chagas e que a enfermidade ainda representa um desafio importante para a saúde pública, sobretudo em áreas com maior vulnerabilidade social e com a presença de vetores.

    “Estamos direcionando recursos com base em critérios técnicos, o que permite maior efetividade das ações e impacto direto na redução da transmissão. Nosso compromisso é ampliar o diagnóstico, garantir o tratamento oportuno e avançar de forma consistente na eliminação da doença como problema de saúde pública no Brasil”, informou a secretária de Vigilância em Saúde e Meio Ambiente da pasta, Mariângela Simão.

    Seleção

    De acordo com o ministério, a seleção de municípios foi baseada em critérios técnicos que consideram a interação dos insetos vetores com o ambiente e a vulnerabilidade social, com prioridade para cidades classificadas como de risco muito alto em índice composto (presença de vetores e condições socioambientais) e localidades com registro recente do vetor.

    Também foram considerados municípios com alta prioridade e muito alta prioridade para a forma crônica da doença de Chagas, concentrados principalmente nas Regiões Nordeste e Sudeste.

    Pesquisa

    A pasta anunciou ainda, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a fase 2 do projeto Selênio como tratamento na cardiopatia crônica da doença de Chagas, que busca avaliar a eficácia e a segurança do mineral como estratégia terapêutica complementar para pacientes com cardiopatia chagásica crônica. Serão investidos, ao todo, R$ 8,6 milhões.

    A expectativa do governo federal é que a pesquisa gere evidências científicas mais robustas e representativas em diferentes perfis de pacientes.

    “Os resultados poderão subsidiar a avaliação de tecnologias à base de selênio — substância com ação antioxidante e anti-inflamatória — para proteção cardiovascular, além de apoiar sua possível incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS)”, avaliou o ministério.

    Números

    O cenário epidemiológico da doença de Chagas no Brasil reforça a urgência de medidas de enfrentamento. Em 2024, foram registrados 3.750 óbitos, com maior concentração no Sudeste. No mesmo período, houve 520 casos agudos, principalmente no Norte, com destaque para o Pará.

    Já em 2025, dados preliminares indicam 627 casos agudos (97% no Norte) e 8.106 casos crônicos, concentrados em Minas Gerais, na Bahia e em Goiás, evidenciando a persistência da doença em áreas endêmicas.

    Entenda

    A doença de Chagas é uma infecção causada por um parasita chamado Trypanosoma cruzi e que pode evoluir em duas fases:

    – Fase aguda: acontece logo após a infecção. A pessoa pode apresentar sintomas ou não.

    – Fase crônica: pode surgir anos depois. Em muitos casos, a pessoa não apresenta sintomas, mas a doença pode causar problemas no coração e no sistema digestivo.

    Os triatomíneos são insetos conhecidos como barbeiro, chupão, procotó ou bicudo. Eles passam pelas fases de ovo, ninfa e adultos. Tanto as ninfas quanto os adultos se alimentam de sangue e, quando estão infectados, podem transmitir o parasita da doença de Chagas.

    A transmissão pode acontecer de diversas formas:

    – Vetorial: quando as fezes do barbeiro infectado entram em contato com feridas na pele ou mucosas após a picada.

    – Oral: pela ingestão de alimentos ou bebidas contaminadas com o parasita.

    – Vertical (congênita): da mãe infectada para o bebê durante a gravidez ou o parto.

    – Transfusão ou transplante: por sangue ou órgãos de doadores infectados.

    – Acidental: contato com material contaminado, geralmente em laboratórios ou durante a manipulação de animais silvestres.

    Na fase aguda, os sintomas mais comuns são:

    – febre por mais de sete dias e dor de cabeça;

    – fraqueza intensa, inchaço no rosto e nas pernas;

    – ferida parecida com furúnculo no local da entrada do parasita (em casos de transmissão pelo barbeiro).

    Já na fase crônica, logo de início, a pessoa pode não sentir nada. Com o tempo, podem surgir:

    – problemas no coração, incluindo insuficiência cardíaca;

    – problemas digestivos, como aumento do intestino (megacólon);

    – aumento do esôfago (megaesôfago).

    A prevenção da doença de Chagas, de acordo com o ministério, está diretamente ligada à forma de transmissão. Uma medida importante é evitar a presença de barbeiros nas casas, com ações feitas pelas equipes de saúde. Também é recomendado:

    – Usar telas em portas e janelas ou mosquiteiros.

    – Utilizar repelentes e roupas de manga longa, principalmente à noite e em áreas de mata.

    Para evitar a transmissão pelos alimentos, a orientação é:

    – Lavar bem frutas, verduras e legumes com água potável.

    – Observar os alimentos antes de triturar ou bater.

    – Manter o local de preparo limpo e protegido.

    – Guardar alimentos em recipientes fechados.

    – Realizar orientações e treinamentos para quem manipula alimentos.

    Agência Brasil