Salvador, 1 de novembro de 2026
Editor: Chico Araújo

Novo remédio para Alzheimer chega ao Brasil em junho

O mercado brasileiro de medicamentos para a doença de Alzheimer terá um novo produto a partir do fim de junho de 2026. Trata-se do lecanemabe, desenvolvido em parceria pelas farmacêuticas Eisai e Biogen, que já foi aprovado pela Anvisa em dezembro de 2025, segundo a Veja.

O anúncio da chegada do remédio ocorreu após a definição do preço junto à CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos). O medicamento integra uma nova safra de terapias para a condição que afeta mais de 57 milhões de pessoas no mundo, com mecanismos de ação e ganhos clínicos inéditos. Em 2025, o país já havia recebido o donanemabe, do laboratório Eli Lilly.

O lecanemabe foi desenvolvido para combater o acúmulo de placas beta-amiloide no cérebro, uma das principais causas do Alzheimer. Esse processo começa em uma área relacionada à memória e a outras funções cognitivas, o que explica os sintomas clássicos da doença.

Segundo os fabricantes, o medicamento tem um mecanismo de ação duplo: não apenas remove as placas tóxicas às células nervosas, como também neutraliza uma cascata de eventos que leva ao surgimento de novas placas e à progressão da doença.

Os ensaios clínicos com o lecanemabe apontaram uma redução de 27% no declínio cognitivo ao longo de 18 meses. De acordo com os laboratórios, o benefício foi mantido e “resulta em mais tempo de memória preservada, independência e dignidade”. O principal estudo que endossa a droga, publicado no periódico médico The New England Journal of Medicine, analisou dados de 1.795 pacientes com Alzheimer inicial durante um ano e meio de uso, chancelando a segurança e a eficácia do produto, hoje disponível em 51 países.

O lecanemabe é administrado na veia, em centros de infusão, para garantir o acompanhamento do paciente e o manejo de eventuais efeitos colaterais.

A dosagem varia de acordo com o peso do indivíduo, e uma dose é aplicada a cada duas semanas, totalizando duas infusões mensais. O custo mensal do tratamento endovenoso, recém-divulgado pela CMED, varia de R$ 8.108,94 a R$ 11.075,62, a depender das taxas e impostos por estado.

Esse valor considera a terapia para um paciente de 70 kg e leva em conta o preço praticado em outras nações, o grau de inovação e complexidade do produto e os benefícios clínicos apresentados nos estudos. Por ora, não há expectativa de cobertura por planos de saúde ou entrada no SUS.

“Mas nosso maior compromisso é trabalhar para que o medicamento seja acessível ao maior número de pacientes elegíveis no Brasil. Lutamos para encontrar um equilíbrio entre um preço factível para a realidade brasileira e o valor intrínseco a uma terapia sem precedentes”, disse Tatiana Branco, diretora médica da Biogen no Brasil.

Bahia Notícias

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