Categoria: Ciência, Saúde e Tecnologia

  • Cartilha orienta médicos e instituições sobre uso de IA na medicina

    Cartilha orienta médicos e instituições sobre uso de IA na medicina

    Norma do CFM estabelece prazo de 180 dias para adequação

    A Associação Médica Brasileira (AMB) lançou este mês uma cartilha com o objetivo de orientar médicos e instituições de saúde sobre a aplicação da inteligência artificial (IA) na prática clínica, com base na Resolução nº 2.454/2026 do Conselho Federal de Medicina (CFM).

    O material aborda os principais pontos da primeira legislação brasileira dedicada exclusivamente ao uso da IA no exercício da medicina, publicada em fevereiro de 2026. A norma do CFM estabelece prazo de 180 dias para adequação, com entrada em vigor prevista para agosto.

    Em nota, a AMB avalia que um dos pilares da resolução, destacado na cartilha, é o entendimento de que a IA deve ser utilizada exclusivamente como ferramenta de apoio.

    “A decisão clínica permanece sob responsabilidade do médico, que mantém autonomia técnica e ética em todas as etapas do cuidado ao paciente”, diz.

    “A publicação reforça que, embora a tecnologia amplie a capacidade diagnóstica e operacional, o julgamento humano é insubstituível e deve prevalecer em qualquer circunstância”, destacou o comunicado.

    Direitos, deveres e limites
    A cartilha detalha direitos dos médicos, como o uso livre de IA como suporte à decisão, além da possibilidade de recusar sistemas sem validação científica ou que apresentem riscos éticos.

    O documento também estabelece deveres classificados pela AMB como fundamentais, incluindo a necessidade de capacitação contínua, o uso crítico das ferramentas e o registro obrigatório em prontuário sempre que a IA for utilizada.

    “Entre as proibições expressas estão a delegação de diagnósticos à IA, o uso de sistemas sem segurança de dados e a omissão da informação ao paciente quando a tecnologia tiver papel relevante no atendimento.”

    Classificação de risco
    Outro destaque da cartilha é a classificação dos sistemas de IA por níveis de risco — baixo, médio, alto e inaceitável —, com exigências proporcionais de governança para cada categoria.

    “Sistemas de maior impacto clínico demandam estruturas mais robustas de controle, monitoramento e validação”, avaliou a associação.

    Segurança jurídica e proteção de dados
    A cartilha orienta que o registro do uso da IA em prontuário é condição essencial para garantir proteção jurídica ao médico e recomenda a adoção de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) específico para o uso da tecnologia, assegurando transparência ao paciente.

    “A adequação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) também é tratada como obrigatória, uma vez que informações de saúde são consideradas dados sensíveis”, ressaltou a AMB.

    Passo a passo
    Com linguagem acessível, a cartilha apresenta um passo a passo para a conformidade com a resolução do CFM, incluindo inventário de sistemas, classificação de risco, validação científica, criação de protocolos internos e capacitação das equipes.

    O material traz um checklist institucional e um glossário com os principais conceitos relacionados à inteligência artificial na saúde, como IA generativa, modelos de linguagem e vieses algorítmicos.

    “Para a AMB, a iniciativa busca apoiar os médicos brasileiros na incorporação segura e ética da inteligência artificial, promovendo inovação sem abrir mão da qualidade assistencial e da autonomia profissional.”
    Agência Brasil

  • Anvisa suspende venda de xaropes com clobutinol

    Anvisa suspende venda de xaropes com clobutinol

    Substância aumenta risco de arritmias cardíacas

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, nesta segunda-feira (27), a suspensão imediata da venda e do uso de todos os medicamentos que contenham a substância clobutinol. O componente é utilizado na formulação de diversos xaropes antitussígenos comercializados no mercado brasileiro.

    A decisão fundamenta-se em um parecer técnico da Gerência de Farmacovigilância do órgão, que identificou um aumento significativo no risco de arritmias cardíacas graves em pacientes que utilizam a substância. Segundo a agência, a gravidade dos efeitos colaterais supera qualquer benefício terapêutico oferecido pelo fármaco.

    A resolução foi publicada no Diário Oficial da União desta segunda (27) e já está em vigor.
    Agência Brasil

  • Perda de colágeno e definição facial aceleram a adesão a procedimentos não cirúrgicos

    Perda de colágeno e definição facial aceleram a adesão a procedimentos não cirúrgicos

    alidade do rosto, segundo Jéssica, é necessário uma leitura que considere não somente a superfície da pele, mas a tridimensionalidade do rosto, atuando em suas camadas mais profundas. Entre as abordagens mais utilizadas nesse tipo de intervenção, a profissional destaca os bioestimuladores de colágeno na recuperação da densidade e firmeza progressiva da pele. “O uso do preenchedor com ácido hialurônico, aplicados em pontos estratégicos de sustentação, como a região malar, têmporas e mandíbulas, também são essenciais para o processo, visto que as áreas citadas funcionam como pilares da face”, elucida.

    Procedimentos como a toxina botulínica também entram como aliados importantes, principalmente no controle da ação muscular que acentua linhas de expressão. No entanto, a especialista reforça que o resultado natural depende do equilíbrio entre as técnicas. “O excesso ou a aplicação inadequada pode gerar o efeito contrário ao desejado. Por isso, o planejamento individualizado é o que garante harmonia facial”, comenta.

    Além dos procedimentos em consultório, Jéssica destaca que o cuidado contínuo com a pele é parte essencial desse processo de contenção dos sinais do tempo. Rotinas que incluem o uso de antioxidantes, como vitamina C, retinoides para estímulo de renovação celular e fotoproteção diária contribuem diretamente para a manutenção da qualidade da pele.

    “Essa rotina de cuidados não entrega resultados imediatos, mas constrói uma pele resistente, saudável e com aspecto rejuvenescido. O cuidado diário com a pele, por exemplo, é o que determina como esse envelhecimento vai se manifestar ao longo dos anos. Quando há constância no uso de ativos (antioxidantes), a pele preserva a qualidade e mantém seu aspecto uniforme, viçoso e naturalmente rejuvenescido. É um processo silencioso, mas determinante para a saúde e a aparência da pele no futuro”, conclui

  • Alergias oculares se intensificam no outono e agravam quadros inflamatórios

    Alergias oculares se intensificam no outono e agravam quadros inflamatórios

    Durante a estação, condições climáticas favorecem o aumento de casos e exigem atenção aos sinais; especialista reforça a importância do acompanhamento oftalmológico para evitar complicações

    Durante o outono, as mudanças nas condições climáticas e nos hábitos cotidianos favorecem o aumento de problemas respiratórios e também de alergias oculares, um quadro comum, mas muitas vezes subestimado. A redução da umidade do ar, aliada à maior concentração de poeira, ácaros e poluentes, cria um ambiente propício para o surgimento ou agravamento dos sintomas, especialmente entre pessoas mais sensíveis.

    “O ar mais seco e a maior presença de partículas irritantes no ambiente favorecem crises alérgicas. Além disso, há uma tendência de permanência em locais fechados, o que intensifica a exposição a esses agentes”, explica o Dr. Lucas Assis Costa, oftalmologista especialista em Retina e Vítreo do IOBH – Instituto de Olhos de Belo Horizonte.

    Entre os quadros mais frequentes nessa época estão a conjuntivite alérgica sazonal, relacionada a fatores ambientais específicos, e a forma perene, geralmente associada à poeira doméstica. Em situações mais raras, pode ocorrer a ceratoconjuntivite vernal, que costuma atingir principalmente crianças e jovens e exige atenção especializada. “São condições que variam em intensidade, mas todas têm em comum o impacto direto na qualidade de vida do paciente”, afirma.

    Os sinais costumam ser bastante característicos e incluem coceira intensa, vermelhidão, lacrimejamento, sensação de areia nos olhos, ardor e inchaço nas pálpebras. Apesar disso, muitas pessoas ainda confundem o quadro com infecções oculares. “Na alergia, a coceira é um sintoma marcante e geralmente acomete os dois olhos, sem presença de secreção purulenta. Ainda assim, a avaliação oftalmológica é indispensável para um diagnóstico correto”, destaca.

    Fatores ambientais têm papel central no agravamento dos sintomas. A baixa umidade compromete a lubrificação natural da superfície ocular, tornando os olhos mais suscetíveis à irritação. Ao mesmo tempo, o aumento de poeira e ácaros intensifica o contato com substâncias que desencadeiam reações alérgicas. Esse cenário afeta diferentes faixas etárias de maneiras distintas. “Crianças tendem a ter um sistema imunológico mais reativo, enquanto idosos frequentemente apresentam olho seco, o que facilita o surgimento de desconfortos oculares”, explica.

    Um hábito comum, mas prejudicial, é coçar os olhos. A prática, além de não aliviar de forma efetiva, pode agravar significativamente o quadro. “Coçar aumenta a inflamação, intensifica a coceira e pode causar lesões na córnea. Em casos prolongados, existe até risco de desenvolvimento de doenças como o ceratocone”, alerta.

    A prevenção passa por medidas simples, mas eficazes, como manter os ambientes limpos e ventilados, evitar o acúmulo de poeira, higienizar mãos e rosto ao chegar da rua e utilizar colírios lubrificantes quando indicados. A atenção aos sinais também é fundamental para evitar complicações. “Quando os sintomas são intensos, persistentes, recorrentes ou acompanhados de dor, secreção ou piora da visão, é essencial buscar avaliação com um especialista”, orienta.

    O tratamento varia de acordo com a gravidade de cada caso, mas, de modo geral, envolve o uso de colírios antialérgicos, como anti-histamínicos e estabilizadores de mastócitos, além de lubrificantes oculares. Em situações mais severas, pode ser necessária a prescrição de corticoides, sempre com prescrição e acompanhamento médico. “O controle dos fatores desencadeantes é parte essencial do manejo, garantindo mais conforto e qualidade de vida ao paciente”, conclui o Dr. Lucas Assis Costa.

  • Dentadura pode comprometer o paladar e reduzir prazer ao se alimentar, alerta especialistaimage.jpeg

    Dentadura pode comprometer o paladar e reduzir prazer ao se alimentar, alerta especialistaimage.jpeg

    Implantes dentários surgem como alternativa para preservar sensações e melhorar qualidade de vida
    Para muitas pessoas, a perda do paladar é aceita como uma consequência inevitável do envelhecimento, contudo a causa real pode estar escondida sob a prótese dentária. Isso porque as próteses totais convencionais, popularmente conhecidas como dentaduras, isolam o paladar e comprometem a eficiência da mastigação. Para quem busca resgatar o prazer de comer, os implantes dentários com prótese fixa surgem como uma solução.

    De acordo com o cirurgião bucomaxilofacial e implantodontista Bruno Cantharino, quando o céu da boca está coberto, parte importante da percepção sensorial fica comprometida. “Na prática, esse bloqueio pode provocar uma série de impactos que vão além do desconforto. Entre os principais estão a diminuição da percepção de sabores, a redução da sensibilidade a alimentos quentes ou frios, a mastigação menos eficiente e, consequentemente, a perda do prazer ao se alimentar. Com o tempo, isso pode influenciar hábitos alimentares e a própria relação do paciente com a comida”, explica.

    O especialista destaca que o céu da boca atua como uma espécie de “mapa sensorial” complementar da língua. É nessa região que estão terminações nervosas importantes para identificar textura, temperatura e nuances de sabor. Ao ser coberta por uma prótese, essa leitura sensorial se torna limitada, o que impacta diretamente na experiência alimentar.

    Com os avanços da odontologia, alternativas mais modernas vêm ganhando espaço, especialmente os implantes dentários com prótese fixa. Diferente da dentadura tradicional, esse modelo não cobre o céu da boca, preservando a área sensorial e permitindo uma mastigação mais próxima do natural.

    “Quando substituímos a dentadura por implantes, o céu da boca fica livre novamente. Isso permite sentir melhor os sabores, melhora a eficiência da mastigação e traz mais segurança na hora de comer. O paciente volta a ter uma experiência muito mais completa com a alimentação”, afirma Bruno.

    Além da melhora no paladar, os implantes também contribuem para a estabilidade e conforto. “Como são fixados diretamente no osso, evitam deslocamentos, desconfortos e inseguranças comuns no uso de próteses removíveis. Esse fator impacta não apenas a alimentação, mas também a fala, a autoestima e a interação social”, pontua o cirurgião.

  • Como é feita a escolha da anestesia para cada paciente?

    Como é feita a escolha da anestesia para cada paciente?

    Definição da anestesia considera fatores clínicos, tipo de cirurgia e decisão conjunta entre médico e paciente

    A anestesia revolucionou a medicina e se tornou uma das inovações mais importantes da área, ao permitir a realização de cirurgias sem dor ou desconforto para o paciente. A escolha do tipo de anestesia, no entanto, não é padronizada, ela depende de fatores como o procedimento cirúrgico, o estado de saúde do paciente, preferências individuais e outros aspectos avaliados pelo anestesiologista.

    De acordo com o anestesiologista Liborio Ximenes, diretor financeiro da Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas da Bahia (Coopanest-BA), a definição da técnica anestésica é feita de forma individualizada, com a participação do anestesiologista, do cirurgião e também do paciente. “Embora o anestesiologista seja o principal responsável por essa decisão, ele precisa considerar diversos fatores para reduzir complicações, controlar a dor no pós-operatório e proporcionar uma recuperação segura e tranquila”, afirma.

    A avaliação pré-anestésica é uma etapa fundamental nesse processo, tanto para a escolha adequada da anestesia quanto para a segurança da cirurgia. “É essencial que o paciente esclareça todas as suas dúvidas com o anestesiologista antes do procedimento, o que contribui para uma experiência mais segura e previsível”, acrescenta Liborio Ximenes.

    Outro ponto determinante é o histórico clínico do paciente, incluindo doenças pré-existentes, alergias, uso contínuo de medicamentos e riscos individuais. “Com base nessa análise, o anestesiologista desenvolve um plano anestésico personalizado, equilibrando as necessidades da cirurgia com as condições de saúde do paciente”, explica o médico.

    Além da definição da técnica, o especialista também acompanha o paciente durante todo o procedimento, ajustando a anestesia sempre que necessário para manter conforto, estabilidade e segurança. “Esse monitoramento contínuo permite intervenções rápidas e torna o processo cirúrgico ainda mais seguro”, destaca Liborio.

  • Abril Marrom alerta população sobre doenças que podem causar cegueira

    Abril Marrom alerta população sobre doenças que podem causar cegueira

    Cerca de 80% dos casos de perda visual poderiam ser evitados com o diagnóstico precoce

    todas as idades. A título de curiosidade, o marrom foi escolhido por ser a cor da íris (região mais visível e colorida dos olhos) da maior parte dos brasileiros.

    Carla Cordeiro Vita, oftalmologista do DayHORC – unidade que integra a Opty em Salvador, conta que o glaucoma é uma doença que deve afetar 111,8 milhões de pessoas mundo afora em 2040, segundo projeção da OMS. “Trata-se de uma doença degenerativa que danifica as células do nervo óptico progressivamente, sem cura, mas que pode ser controlada. É mais comum o diagnóstico da doença após os 40 anos de idade, que tem como principal fator de risco o aumento da pressão intraocular, mas o histórico familiar, a miopia elevada e o diabetes também devem ser considerados fatores de risco. Além disso, pessoas negras têm maior predisposição. Atualmente, o Brasil tem aproximadamente 900 mil pessoas com o diagnóstico de glaucoma”, detalha a profissional.

    Outra patologia ocular que pode levar à cegueira é a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI). Segundo o oftalmologista Murilo Barreto, da OftalmoDiagnose – outra clínica da Opty na Bahia, a DMRI é uma doença crônica, progressiva, que ocorre na parte central da retina chamada mácula, e que leva à perda gradual da visão central. “Ela é a principal causa de perda visual em idosos nos países desenvolvidos. Nos países em desenvolvimento como o Brasil, a importância da DMRI vem crescendo rapidamente, somando-se a outras causas de cegueira mais prevalentes como catarata, retinopatia diabética e glaucoma. Dados da OMS apontam que cerca de 30 milhões de pessoas no mundo têm DMRI. Ainda que condições ambientais, alimentação, tabagismo e predisposição genética também devam ser considerados, o maior fator de risco para a DMRI, como o próprio nome já diz, é a idade, afetando principalmente pacientes com mais de 70 anos”, pontua Murilo.

    Outras doenças oculares que podem levar à cegueira

    A oftalmologista Dra Camila Koch, que atua no Instituto de Olhos Freitas, também da Opty na capital, informa que a retinopatia diabética é outra doença que atinge os olhos, de forma silenciosa, podendo levar à cegueira. E os maiores fatores de risco para o desenvolvimento da retinopatia diabética são a ausência de controle e a duração do diabetes. “O alto nível de açúcar no sangue provoca lesões nas paredes dos vasos que nutrem a retina. O aumento da permeabilidade vascular pode gerar acúmulo de líquido na retina (o edema), comprometendo a visão. Uma vez instaladas, as alterações retinianas mais graves não se modificam significativamente com a normalização da glicemia, necessitando de tratamento oftalmológico específico, como a fotocoagulação a laser, as injeções intravítreas ou o tratamento cirúrgico”, pondera a médica, orientando que a melhor maneira de prevenir a retinopatia é controlando a glicemia e tendo acompanhamento oftalmológico.

    Por fim, mas não menos importante, outra doença bastante conhecida do público e que não poderia ficar de fora da lista de principais patologias oculares é a catarata. Conhecida como a principal causa de cegueira reversível no mundo, a doença provoca a perda progressiva da visão. Segundo o oftalmologista Frederico Faiçal, a boa notícia é que há reversão da doença com cirurgia.

    “A catarata atinge principalmente pessoas com mais de 60 anos, afetando diretamente o cristalino – parte do olho responsável por regular o foco dos objetos. Ela evolui de forma silenciosa. Se não tratada pode acarretar turvação visual importante fazendo a pessoa enxergar apenas luzes e vultos, podendo ocorrer cegueira. Na cirurgia, removemos o cristalino opacificado e o substituímos por uma lente intraocular artificial transparente”, explica o oftalmologista. Ele ainda faz a ressalva que a catarata não é exclusiva de idosos, afinal crianças também podem apresentar catarata congênita, bem como indivíduos abaixo dos 65 anos como consequência de processos inflamatórios, outras doenças sistêmicas como o diabetes, uso de medicações, acidentes oculares etc.

    O check-up oftalmológico de rotina é essencial na prevenção e no diagnóstico das doenças oculares, sejam elas mais simples ou mais complexas, que podem levar à cegueira. Por isso, a recomendação médica é que, desde a infância, é importante incluir idas anuais ao oftalmologista. Afinal, quanto mais cedo a patologia for descoberta, maiores serão as chances de cura ou de controle. Além disso, ter uma alimentação balanceada, praticar atividade física, fazer uso de óculos de sol com filtro UV e cultivar hábitos saudáveis contribuem para uma boa saúde ocular.

  • Vacinação nas escolas segue até dia 30 e meta é imunizar 27 milhões

    Vacinação nas escolas segue até dia 30 e meta é imunizar 27 milhões

    Governo reforça uso da Caderneta Digital de Vacinação da Criança

    A Semana de Vacinação nas Escolas tem meta de imunizar 27 milhões de estudantes de escolas públicas do país até a próxima quinta-feira (30). A campanha que começou nesta sexta-feira (24) visa atualizar a caderneta de vacinação de crianças e adolescentes de 9 meses a 15 anos com a oferta de seis tipos de imunizantes.

    As vacinas ofertadas são: HPV, febre amarela, tríplice viral, tríplice bacteriana (DTP), meningocócica ACWY e covid-19. A estratégia também inclui a vacinação contra o HPV para jovens de 15 a 19 anos que ainda não se imunizaram.

    A vacinação é realizada por profissionais de saúde, mediante autorização dos pais ou responsáveis.

    A ação integra o Programa Saúde na Escola (PSE), parceria entre os ministérios da Saúde e da Educação.

    O governo também reforça o uso da Caderneta Digital de Vacinação da Criança, disponível no aplicativo Meu SUS Digital. Lançada em abril de 2025, a ferramenta já soma mais de 3,3 milhões de acessos e permite acompanhar o histórico de vacinas e consultar as próximas doses.

    Agora, o aplicativo tem uma nova funcionalidade e passou a enviar lembretes automáticos para pais, mães e responsáveis, de acordo com a idade das crianças, incentivando a atualização da caderneta.

    Cobertura vacinal
    Em comunicado, o Ministério da Saúde destacou a reversão da queda histórica nas coberturas vacinais registrada nos anos anteriores, agravada pelos impactos da pandemia de covid-19. De acordo com a pasta, em 2025, todas as vacinas do calendário infantil apresentaram aumento de cobertura em relação a 2022.

    A tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, chegou a 92,96% de cobertura, ante 80,7% em 2022, mantendo o Brasil livre do sarampo, mesmo diante do avanço de casos na América do Norte.

    A vacinação contra o HPV, que previne o câncer de colo de útero, também avançou. A cobertura chegou a 86,11% entre meninas de 9 a 14 anos e a 74,46% entre os meninos. No público feminino, o índice é cinco vezes superior à média mundial.

    No caso da meningite, a cobertura da vacina meningocócica ACWY passou de 45,8% em 2022 para 67,75% em 2025.

  • Canetas emagrecedoras: entenda quando o uso pode fazer mal à saúde

    Canetas emagrecedoras: entenda quando o uso pode fazer mal à saúde

    Endocrinologistas alertam para mercado ilegal e doenças como pancreatite

    A diretoria-colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) discute esta semana uma proposta de instrução normativa sobre procedimentos e requisitos técnicos relacionados a medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP 1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras.

    A popularização das canetas emagrecedoras, que podem ter diferentes princípios ativos, incluindo a semaglutida, a tirzepatida e a liraglutida, ampliou o uso indiscriminado e o mercado ilegal desse tipo de medicamento que, atualmente, só pode ser adquirido por meio de receita médica.

    Em razão dos riscos à saúde da população, a Anvisa vem tomando uma série de medidas para coibir o comércio ilegal, que inclui versões manipuladas sem autorização. A agência também criou grupos de trabalho para dar suporte à atuação da autarquia no controle sanitário e garantir a segurança de pacientes.

    Também este mês, o Conselho Federal de Medicina (CFM), o Conselho Federal de Odontologia (CFO) e o Conselho Federal de Farmácia (CFF), junto à própria Anvisa, assinaram uma carta de intenção com o objetivo de promover o uso racional e seguro de canetas emagrecedoras.

    A proposta é prevenir riscos sanitários associados a produtos e práticas irregulares, além de zelar pela saúde da população brasileira.

    “A Anvisa e os conselhos propõem uma atuação conjunta baseada em troca de informações, no alinhamento técnico e em ações educativas”, informou a agência.

    Em entrevista à Agência Brasil, o presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), Neuton Dornelas, avaliou que o uso de canetas emagrecedoras para tratar a obesidade e o diabetes figura como uma espécie de revolução, mas que o uso indiscriminado do medicamento preocupa.

    “São medicamentos muito bons, eficazes, potentes, que abriram realmente um grande horizonte para o tratamento, sobretudo para pessoas que vivem com obesidade. São medicamentos que revolucionaram sob essa perspectiva. Tudo o que a gente já teve pra tratar obesidade tinha resultado menos potente, menos eficaz e eu diria até menos seguro.”

    “Pra quem vive com uma doença que é crônica, ter a promessa, a expectativa, a esperança de um tratamento, a longo prazo que seja, mas que funcione abriu um horizonte. Esses medicamentos são importantes, ajudam muito não apenas na perda de peso e no controle da glicose, mas, sobretudo, para diminuir o risco cardiovascular”, completou.

    Dornelas destacou levantamento recente feito pela Anvisa, segundo o qual a importação de insumos farmacêuticos para a manipulação de canetas emagrecedoras tem sido incompatível com o mercado nacional. Os dados mostram que, apenas no segundo semestre de 2025, foram importados mais de 100 quilos de insumos, quantidade suficiente para a preparação de aproximadamente 20 milhões de doses.

    “Quando se fala em 20 milhões de doses, é um número chamativo, mas mais do que isso: eles apreenderam 1,3 milhão de medicamentos por algum grau de ilegalidade ou irregularidade, seja pelo transporte, pelo armazenamento”, lembrou.

    “Isso é estarrecedor. É assustador. A Sbem já vem alertando há muito tempo sobre isso. Para que as pessoas não consumam medicamentos de fontes que não são legais, medicamentos que não são registrados. Isso é altamente preocupante. Além disso, ter uma medicação que é aprovada para duas doenças crônicas, diabetes e obesidade, e as pessoas usarem de maneira indiscriminada realmente é condenatório.”

    Bloqueio da manipulação
    Dornelas destacou ainda que apoiou, junto a outras entidades, a decisão da Anvisa para que farmácias e drogarias passassem a reter as receitas de canetas emagrecedoras desde junho do ano passado. “O consumo desenfreado, eu diria, vem do mercado paralelo”.

    “Hoje, diante desse boom, desse exagero que estamos vendo, talvez valesse a pena a Anvisa bloquear por três meses, por seis meses ou até por um ano qualquer manipulação de qualquer uma dessas drogas injetáveis para o tratamento da obesidade”, defendeu.

    “Não se tem estrutura, na agência, suficiente para fiscalizar e fazer tudo isso com um volume de 20 milhões de doses. Então, num ponto crítico como esse, eu defenderia o bloqueio da manipulação, nem que seja por um período transitório, até que se tenha outras medidas mais cabíveis pra isso.”

    Benefícios x riscos
    Ao comentar os benefícios das canetas emagrecedoras para pacientes com obesidade e diabetes, o médico explicou que os medicamentos atuam por meio de três mecanismos de ação: ajudam no controle da glicose; retardam o esvaziamento do estômago ou esvaziamento gástrico, fazendo com que a pessoa mantenha uma plenitude alimentar mais prolongada; e atuam no cérebro, reduzindo o apetite por meio do aumento da saciedade.

    “Com isso, eles promovem uma menor ingesta de alimentos e, por meio de mecanismos fisiológicos e da interrelação com outros hormônios, eles promovem uma perda de peso bastante substancial. A semaglutida, por exemplo, tem uma média de 15% de perda de peso e a tirzepatida pode chegar a 22% ou 25%, variando de pessoa para pessoa, dependendo da dose, do acompanhamento de um profissional, além da adesão a outras medidas, como mudança de estilo de vida e melhoras na alimentação.”

    Dornelas destacou que todo medicamento pode apresentar efeitos colaterais e que, no caso das canetas, os principais efeitos são náuseas, vômitos e demais sintomas gastrointestinais.

    “Com o uso indiscriminado, comprando de fontes não seguras medicamentos não bem armazenados ou transportados, esses riscos aumentam muito”.

    “A Anvisa começou a registrar efeitos colaterais mais severos, como a pancreatite. A gente que é médico, que avalia, sabe que a pancreatite já é uma doença, infelizmente, muito frequente. No Brasil, são em torno de 40 mil internações por ano. Mas ela habitualmente é causada por dois grandes fatores: bebida alcoólica em exagero ou pedras na vesícula.”

    “Esses medicamentos, por si só, quando se faz o retardo do esvaziamento gástrico, eles promovem uma maior parada do líquido que fica dentro da vesícula biliar. E o fato desse líquido, utilizado no processo da digestão, ficar mais tempo parado dentro vesícula pode facilitar a formação de cálculos. Isso poderia aumentar o risco, para algumas pessoas, de pancreatite. Esse é o maior risco hoje.”

    Pilares da segurança
    O presidente da Sbem descreveu ainda o que os médicos chamam de quatro pilares da segurança e da responsabilidade em meio ao uso de medicamentos:

    Utilizar um produtor seguro e legal, com registro no Brasil;
    Ter a prescrição de um médico com registro e que faça, inclusive, o acompanhamento adequado, desde o diagnóstico;
    Saber quem está vendendo, preferencialmente farmácias e drogarias em que a compra possa ser feita com segurança;
    Usar doses corretas, seguindo a orientação médica, além de nunca comprar em mercados paralelos.
    “Quando a gente fala de efeitos colaterais, não significa que é pra pessoa sentir isso. Náuseas, por exemplo, podem ocorrer entre 30% e 40% dos casos, mas, em tese, não é para acontecer. Então, se a pessoa está usando a medicação e não há efeito colateral, isso é muito bom. Não significa que a medicação não esteja atuando. Entre 60% e 70% das pessoas não sentem nada.”

    “Mas náuseas mais intensas, vômitos e, principalmente, dor abdominal importante que não melhora – a dor é o sinal de alerta. Se há dor importante na parte superior do abdômen, temos que pensar na possibilidade, ainda que rara, de uma pancreatite. A dor é o mais preocupante”, concluiu.

  • Vacinação nas escolas segue até dia 30 e meta é imunizar 27 milhões

    Vacinação nas escolas segue até dia 30 e meta é imunizar 27 milhões

    Governo reforça uso da Caderneta Digital de Vacinação da Criança

    A Semana de Vacinação nas Escolas tem meta de imunizar 27 milhões de estudantes de escolas públicas do país até a próxima quinta-feira (30). A campanha que começou nesta sexta-feira (24) visa atualizar a caderneta de vacinação de crianças e adolescentes de 9 meses a 15 anos com a oferta de seis tipos de imunizantes.

    As vacinas ofertadas são: HPV, febre amarela, tríplice viral, tríplice bacteriana (DTP), meningocócica ACWY e covid-19. A estratégia também inclui a vacinação contra o HPV para jovens de 15 a 19 anos que ainda não se imunizaram.

    A vacinação é realizada por profissionais de saúde, mediante autorização dos pais ou responsáveis.

    A ação integra o Programa Saúde na Escola (PSE), parceria entre os ministérios da Saúde e da Educação.

    O governo também reforça o uso da Caderneta Digital de Vacinação da Criança, disponível no aplicativo Meu SUS Digital. Lançada em abril de 2025, a ferramenta já soma mais de 3,3 milhões de acessos e permite acompanhar o histórico de vacinas e consultar as próximas doses.

    Agora, o aplicativo tem uma nova funcionalidade e passou a enviar lembretes automáticos para pais, mães e responsáveis, de acordo com a idade das crianças, incentivando a atualização da caderneta.

    Cobertura vacinal
    Em comunicado, o Ministério da Saúde destacou a reversão da queda histórica nas coberturas vacinais registrada nos anos anteriores, agravada pelos impactos da pandemia de covid-19. De acordo com a pasta, em 2025, todas as vacinas do calendário infantil apresentaram aumento de cobertura em relação a 2022.

    A tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, chegou a 92,96% de cobertura, ante 80,7% em 2022, mantendo o Brasil livre do sarampo, mesmo diante do avanço de casos na América do Norte.

    A vacinação contra o HPV, que previne o câncer de colo de útero, também avançou. A cobertura chegou a 86,11% entre meninas de 9 a 14 anos e a 74,46% entre os meninos. No público feminino, o índice é cinco vezes superior à média mundial.

    No caso da meningite, a cobertura da vacina meningocócica ACWY passou de 45,8% em 2022 para 67,75% em 2025.
    Agência Brasil