Salvador, 1 de maio de 2026
Editor: Chico Araújo

Alergias oculares se intensificam no outono e agravam quadros inflamatórios

Couple in a park. Guy in a white t-shirt. Golden autumn.

Durante a estação, condições climáticas favorecem o aumento de casos e exigem atenção aos sinais; especialista reforça a importância do acompanhamento oftalmológico para evitar complicações

Durante o outono, as mudanças nas condições climáticas e nos hábitos cotidianos favorecem o aumento de problemas respiratórios e também de alergias oculares, um quadro comum, mas muitas vezes subestimado. A redução da umidade do ar, aliada à maior concentração de poeira, ácaros e poluentes, cria um ambiente propício para o surgimento ou agravamento dos sintomas, especialmente entre pessoas mais sensíveis.

“O ar mais seco e a maior presença de partículas irritantes no ambiente favorecem crises alérgicas. Além disso, há uma tendência de permanência em locais fechados, o que intensifica a exposição a esses agentes”, explica o Dr. Lucas Assis Costa, oftalmologista especialista em Retina e Vítreo do IOBH – Instituto de Olhos de Belo Horizonte.

Entre os quadros mais frequentes nessa época estão a conjuntivite alérgica sazonal, relacionada a fatores ambientais específicos, e a forma perene, geralmente associada à poeira doméstica. Em situações mais raras, pode ocorrer a ceratoconjuntivite vernal, que costuma atingir principalmente crianças e jovens e exige atenção especializada. “São condições que variam em intensidade, mas todas têm em comum o impacto direto na qualidade de vida do paciente”, afirma.

Os sinais costumam ser bastante característicos e incluem coceira intensa, vermelhidão, lacrimejamento, sensação de areia nos olhos, ardor e inchaço nas pálpebras. Apesar disso, muitas pessoas ainda confundem o quadro com infecções oculares. “Na alergia, a coceira é um sintoma marcante e geralmente acomete os dois olhos, sem presença de secreção purulenta. Ainda assim, a avaliação oftalmológica é indispensável para um diagnóstico correto”, destaca.

Fatores ambientais têm papel central no agravamento dos sintomas. A baixa umidade compromete a lubrificação natural da superfície ocular, tornando os olhos mais suscetíveis à irritação. Ao mesmo tempo, o aumento de poeira e ácaros intensifica o contato com substâncias que desencadeiam reações alérgicas. Esse cenário afeta diferentes faixas etárias de maneiras distintas. “Crianças tendem a ter um sistema imunológico mais reativo, enquanto idosos frequentemente apresentam olho seco, o que facilita o surgimento de desconfortos oculares”, explica.

Um hábito comum, mas prejudicial, é coçar os olhos. A prática, além de não aliviar de forma efetiva, pode agravar significativamente o quadro. “Coçar aumenta a inflamação, intensifica a coceira e pode causar lesões na córnea. Em casos prolongados, existe até risco de desenvolvimento de doenças como o ceratocone”, alerta.

A prevenção passa por medidas simples, mas eficazes, como manter os ambientes limpos e ventilados, evitar o acúmulo de poeira, higienizar mãos e rosto ao chegar da rua e utilizar colírios lubrificantes quando indicados. A atenção aos sinais também é fundamental para evitar complicações. “Quando os sintomas são intensos, persistentes, recorrentes ou acompanhados de dor, secreção ou piora da visão, é essencial buscar avaliação com um especialista”, orienta.

O tratamento varia de acordo com a gravidade de cada caso, mas, de modo geral, envolve o uso de colírios antialérgicos, como anti-histamínicos e estabilizadores de mastócitos, além de lubrificantes oculares. Em situações mais severas, pode ser necessária a prescrição de corticoides, sempre com prescrição e acompanhamento médico. “O controle dos fatores desencadeantes é parte essencial do manejo, garantindo mais conforto e qualidade de vida ao paciente”, conclui o Dr. Lucas Assis Costa.

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