Categoria: Mundo

  • Ação dos EUA na Venezuela ameaça paz na América do Sul, diz embaixador

    Ação dos EUA na Venezuela ameaça paz na América do Sul, diz embaixador

    Colômbia e Cuba repudiam sequestro de Maduro; Argentina defende EUA
    O governo brasileiro voltou a condenar a ação armada dos Estados Unidos na Venezuela, assim como o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira dama Cilia Flores, no último sábado (3).

    Durante a reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) nesta segunda-feira (5), o embaixador Sérgio França Danese disse que a paz na América do Sul está em risco.

    Segundo o diplomata, intervenções armadas anteriores no continente resultaram em regimes autoritários, violações de direitos humanos, mortes, prisões políticas, tortura e desaparecimentos forçados.

    “O recurso à força em nossa região evoca capítulos da história que acreditávamos ter deixado para trás e coloca em risco o esforço coletivo de preservar a região como uma zona de paz”, declarou Danese.

    “Reafirmamos com plena determinação o compromisso com a paz e a não intervenção em nossa região”.

    Linha inaceitável
    Para o Brasil, os Estados Unidos cruzaram uma “linha inaceitável” do ponto de vista do direito internacional. Danese afirmou que a ação norte-americana viola frontalmente normas das Nações Unidas.

    “A Carta da ONU estabelece como pilar da ordem internacional a proibição do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, salvo nas circunstâncias estritamente previstas. Essas normas não admitem que a exploração de recursos naturais ou econômicos justifique o uso da força ou a mudança ilegal de um governo”, disse Danese.

    O representante brasileiro afirmou que o futuro da Venezuela deve ser decidido exclusivamente pelo seu povo, por meio do diálogo e sem interferência externa, dentro do marco do direito internacional.

    “O mundo multipolar do século XXI, que promove a paz e a prosperidade, não deve ser confundido com esferas de influência. Não podemos aceitar o argumento de que os fins justificam os meios”, disse Danese.

    Colômbia e Cuba
    Outros países sul-americanos adotaram argumentos semelhantes ao do Brasil, ao condenar as ações dos Estados Unidos na Venezuela no último final de semana. Entre eles Colômbia e Cuba, ameaçados recentemente pelo presidente Donald Trump como possíveis novos alvos de Washington.

    A embaixadora colombiana Leonor Zalabata Torres disse que os EUA violam o direito internacional e a soberania venezuelana.

    “Não existe justificativa alguma, em nenhuma circunstância, para o uso unilateral da força nem para cometer um ato de agressão”, disse Torres.

    A embaixadora alertou para os impactos humanitários e regionais da crise.

    “Ações unilaterais contrárias ao direito internacional colocam em risco a estabilidade regional e agravam as já complexas condições da população civil, com efeitos devastadores que transcenderão as fronteiras soberanas da Venezuela”, disse Torres.

    “A Colômbia tem sido e continuará sendo um receptor solidário da população venezuelana, mas um fluxo migratório massivo exigiria um esforço significativo de recursos e capacidades”, complementou.

    O embaixador cubano Ernesto Soberón Guzmán acusou os Estados Unidos de terem como objetivo principal o controle da produção de petróleo venezuelano.

    “O objetivo final dessa agressão não é a falsa narrativa de combate ao narcotráfico, mas o controle das terras e dos recursos naturais da Venezuela, como foi declarado aberta e descaradamente pelo presidente Trump e por seu secretário de Estado”, disse Guzmán.

    “Falar em uma transição ‘segura e prudente’ significa, na visão dos Estados Unidos, impor um governo fantoche funcional a seus objetivos predatórios, particularmente o acesso irrestrito e a pilhagem dos recursos naturais que pertencem ao povo venezuelano”, complementou.

    O diplomata também negou que o país atue de forma secreta no território venezuelano, como dito pelo governo estadunidense.

    “Rejeitamos categoricamente as acusações de que Cuba mantém ativos de inteligência na Venezuela. Essas declarações não têm base factual e buscam desviar a atenção dos atos criminosos cometidos pelos Estados Unidos na região”, disse Guzmán.

    Argentina
    Um dos poucos países a se manifestar em defesa da ação militar dos Estados Unidos na Venezuela foi a Argentina. O embaixador na ONU Francisco Fabián Tropepi classificou o sequestro de Nicolás Maduro como um passo decisivo no combate ao narcoterrorismo e uma oportunidade para a restauração da democracia no país.

    “A República Argentina confia que esses fatos representem um passo decisivo contra o narcoterrorismo que afeta a região e, ao mesmo tempo, abram uma etapa que permitirá ao povo venezuelano recuperar plenamente a democracia, o Estado de Direito e o respeito aos direitos humanos”, declarou o diplomata argentino.

    Tropepi relembrou a concessão de asilo diplomático a seis líderes da oposição venezuelana em março de 2024 e a expulsão de diplomatas argentinos da Venezuela, depois que o governo de Buenos Aires reconheceu Edmundo González Urrutia como presidente eleito da Venezuela.

    “Apesar das pressões, a República Argentina manteve sua convicção inabalável de continuar denunciando a situação na Venezuela e de atuar em todos os fóruns internacionais disponíveis”, disse Tropepi.

    Agência Brasil

  • Direito internacional não foi respeitado em ataque dos EUA à Venezuela

    Direito internacional não foi respeitado em ataque dos EUA à Venezuela

    Declaração é da subsecretária-geral da ONU, Rosemery DiCarlo
    Na reunião de emergência convocada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) para discutir o ataque dos Estados Unidos à Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro no dia 3 de janeiro, a subsecretária-geral para assuntos políticos e de construção da paz da ONU, Rosemery DiCarlo, representando o secretário-geral António Guterres, abriu a reunião criticando a operação militar.

    “Estou profundamente preocupada que as leis do direito internacional não foram respeitadas na ação militar do dia 3 de janeiro”, disse nesta segunda-feira (5).

    Segundo ela, o uso da força contra a integridade territorial e a independência política de qualquer Estado não podem ser aceitos e a manutenção da paz mundial depende do comprometimento de todos os Estados-membros em respeitar a Carta das Nações Unidas.

    Rosemery conclamou as partes venezuelanas a se engajarem num diálogo democrático para que todos os setores da sociedade possam determinar seu futuro.

    “Isso pressupõe total respeito aos direitos humanos, o respeito à lei, e à soberania do povo venezuelano. Eu também apelo para que os países vizinhos da Venezuela e a comunidade internacional atuem no espírito de solidariedade e de obediência às leis que promovem a coexistência pacífica”.

    A subsecretária também disse estar “profundamente preocupada” com a intensificação da instabilidade na Venezuela, o potencial impacto na região, e os precedentes estabelecidos entre as nações.

    “Em situações confusas e complexas como essa que enfrentamos agora, é importante mantermos os princípios de respeito à Carta da ONU e a todos os mecanismos de manutenção da paz e segurança mundiais”, acrescentou.

    Ela citou o respeito a princípios como soberania, independência política e integridade territorial.

    “A proibição do uso da força e o império da lei devem prevalecer. Leis internacionais contêm ferramentas para lidar com questões como tráfico internacional de drogas, disputas sobre recursos naturais, e violações de direitos humanos. Esse é o caminho que precisamos tomar”, concluiu.

    Militares americanos retiraram à força Maduro e sua mulher, Cilia Flores, de território venezuelano, em uma ação que matou forças de segurança do presidente e causou explosões em Caracas, capital do país. Maduro foi levado para Nova York e, segundo o governo dos Estados Unidos, vai responder no país a acusações por uma suposta ligação com o tráfico internacional de drogas. O casal foi levado nesta segunda-feira ao Tribunal Federal, em Nova York, para uma audiência de custódia na Justiça norte-americana. Eles serão notificados de maneira oficial sobre seus supostos crimes. O casal está detido num presídio federal no bairro do Brooklyn, também em Nova York.

    Agência Brasil

  • Após sequestro, Maduro e esposa são levados para Corte em Nova York

    Após sequestro, Maduro e esposa são levados para Corte em Nova York

    Ex-presidente venezuelano passará por audiência de custódia
    Nicolás Maduro, presidente da Venezuela sequestrado pelos Estados Unidos no sábado (3), e sua mulher Cilia Flores, já estão no Tribunal Federal, em Nova York, para uma audiência de custódia na Justiça norte-americana. Eles serão notificados de maneira oficial sobre seus supostos crimes. O casal está detido num presídio federal no bairro do Brooklyn, também em NY.

    Os venezuelanos vão depor a Alvin K. Hellerstein, juiz sênior no distrito Sul de Nova York. O depoimento acontece às 14h, no horário de Brasília.

    Maduro e sua esposa são acusados de comandar um governo corrupto e sem legitimidade. Também há acusações de promover o narco-terrorismo e conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos e conspiração para posse de metralhadoras e dispositivos explosivos.

    Além de Maduro e Cilia, o filho do presidente venezuelano e outras três pessoas também são acusados dos mesmos crimes. Estas três pessoas não foram capturadas pela ação militar dos Estados Unidos na Venezuela.

    Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, acusou Maduro, no sábado (3), de chefiar organização criminosa narcoterrorista. Rubio não apresentou provas.

    Os Estados Unidos não reconhecem Maduro como chefe de estado
    Agência Brasil

  • Após Venezuela, Trump ameaça tomar Groenlândia e atacar Colômbia

    Após Venezuela, Trump ameaça tomar Groenlândia e atacar Colômbia

    Após sequestrar Maduro, EUA ameaçam tomar território da Dinamarca
    Um dia após bombardear a Venezuela e sequestrar o presidente Nicolás Maduro, o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, ameaçou anexar a Groenlândia, território semiautônomo ligado à Dinamarca, e sugeriu uma ação militar contra o governo da Colômbia, de Gustavo Petro.

    A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, emitiu nota afirmando que os EUA não têm qualquer direito de anexar nenhum dos países do Reino da Dinamarca.

    “Tenho que dizer isso muito diretamente aos Estados Unidos: não faz absolutamente nenhum sentido falar sobre a necessidade de os EUA tomarem posse da Groenlândia”, disse Frederiksen.

    A chefe do Estado europeu lembrou que a Dinamarca faz parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e está coberta pela garantia de segurança da aliança militar, que é encabeçada pelos próprios EUA.

    “Já temos um acordo de defesa entre o Reino e os Estados Unidos, que concede aos EUA amplo acesso à Groenlândia. E nós, por parte do Reino, investimos significativamente em segurança no Ártico”, completou.

    A primeira-ministra da Dinamarca ainda apelou para o fim das ameaças.

    “Insisto veementemente para que os EUA cessem as ameaças contra um aliado histórico e contra outro país e outro povo que já deixaram bem claro que não estão à venda”, finalizou.

    Em uma rede social, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens Frederik Nielsen, disse que a ameaça é inaceitável.

    “Quando o presidente dos Estados Unidos fala “precisamos da Groenlândia” e nos liga com a Venezuela e intervenção militar, não é só errado. Isto é tão desrespeitoso. Nosso país não é objeto de retórica de superpotência”, comentou.

    Em entrevista à revista The Atlantic, Trump afirmou, nesse domingo (4), que Washington “precisa” da Groenlândia para a segurança nacional.

    “[Precisamos da Groenlândia] não por causa dos minerais, temos vários lugares para minerais e petróleo, mais que qualquer país do mundo. Precisamos da Groenlândia para nossa segurança nacional. Se você olhar para Groenlândia, olhar para cima e para baixo da costa, tem navios russos e chineses por todas as partes”, afirmou o chefe da Casa Branca.

    As ameaças para anexar o território no extremo-norte do continente americano vêm desde que Trump assumiu o governo, em janeiro de 2025.

    A nova ameaça desse domingo foi rejeitada por outros chefes de Estado europeus, como dos vizinhos Finlândia, Noruega e Suécia. O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, disse que somente a Groenlândia e a Dinamarca devem decidir o futuro do território.

    “E a Dinamarca é uma aliada próxima na Europa, é uma aliada da Otan e é muito importante que o futuro da Groenlândia seja para o Reino da Dinamarca e para a própria Groenlândia, e somente para a Groenlândia e o Reino da Dinamarca”, disse Starmer à emissora pública inglesa BBC.

    Colômbia
    Além da Groenlândia, Trump ameaçou também de uma ação militar na Colômbia, do presidente esquerdista Gustavo Petro, crítico das políticas da Casa Branca para a América Latina. O presidente dos EUA disse que uma ação militar contra o governo Petro “parece bom”.

    “A Colômbia também está muito doente, administrada por um homem doente, que gosta de produzir cocaína e vendê-la aos EUA”, e ele não vai continuar fazendo isso por muito tempo”, disse Trump a jornalistas.

    O presidente da Colômbia rejeitou as acusações do presidente estadunidense.

    “Não sou ilegítimo, nem traficante de drogas; meu único bem é a casa da minha família, que ainda pago com meu salário. Meus extratos bancários foram tornados públicos”, lembrou.

    “Tenho enorme fé no meu povo, e é por isso que lhes pedi que defendam o presidente contra qualquer ato ilegítimo de violência. A forma de me defenderem é tomar o poder em cada município do país. A ordem para as forças de segurança não é atirar contra o povo, mas sim contra os invasores”, completou.
    Agência Brasil

  • Ações dos EUA na Venezuela representam riscos à ordem multilateral

    Ações dos EUA na Venezuela representam riscos à ordem multilateral

    Pesquisadores apontam desrespeito a sistema criado após a 2ª Guerra
    Os ataques feitos pelos Estados Unidos à Venezuela no sábado (3) para derrubar o presidente, Nicolás Maduro, representam, na avaliação de especialistas entrevistados pela Agência Brasil, riscos para organismos multilaterais e para os países da América Latina.

    Militares americanos retiraram à força Maduro e sua mulher, Cilia Flores, de território venezuelano, em uma ação que matou forças de segurança do presidente e causou explosões em Caracas, capital do país. Maduro foi levado para Nova York e, segundo o governo dos Estados Unidos, vai responder no país a acusações por uma suposta ligação ao tráfico internacional de drogas.

    Cientista político e professor de relações internacionais da Faculdade São Francisco de Assis (Unifin), Bruno Lima Rocha diz que o ocorrido na madrugada de sábado, quando se deu a incursão, é, antes de tudo, um ataque dos Estados Unidos à soberania de um país.

    “Primeiro, porque não existe, no direito internacional, um atestado para que os Estados Unidos operem como polícia do mundo”, diz Rocha.

    “Em segundo lugar, porque, mesmo que as acusações contra Nicolás Maduro fossem verdadeiras – o que, de fato não são –, a ONU ou o sistema de instituições internacionais não delegaram para os Estados Unidos poder para sequestrar, capturar ou intervir em um país soberano”, argumenta o professor.

    Entre as justificativas apresentadas pelo governo estadunidense para os ataques contra a Venezuela está a de que Maduro estaria ligado a grupos narcoterroristas que abastecem com drogas o mercado interno dos EUA.

    “Do ponto de vista legal, isso foi um absurdo. Uma agressão imperialista pura e simples”, disse Bruno Rocha, que classifica como “sequestro” a ação contra Nicolás Maduro e alerta que os EUA ameaçam roubar o petróleo da Venezuela, cujas reservas são as maiores do mundo.

    Venezuela’s President Nicolas Maduro is led in custody from a U.S. federal airplane before his scheduled court appearance at Manhattan federal court, at Stewart Air National Guard Base in Newburgh, New York, U.S. January 3, 2026. ABC Affiliate WABC via REUTERS
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    Nicolás Maduro desembarca detido em Nova York, onde é mantido preso pelos EUA ABC Affiliate WABC/Reuters/Proibida reprodução
    Riscos
    Para o pesquisador, outros países da região que detêm riquezas minerais do interesse estadunidense correm riscos.

    No caso do Brasil, Rocha avalia que, na hipótese de o país decidir pelo monopólio estatal na exploração dos minerais críticos nacionais, esse risco poderia aumentar. Outros fatores que poderiam pesar para aumentar a tensão, na visão dele, seriam firmar acordos nessa área com a Rússia e China e utilizar moedas diferentes do dólar nessas transações.

    No entanto, ele acredita que a legislação brasileira não tende a ir por esse caminho, uma vez que o país não detém o monopólio real de minerais estratégicos e das terras raras, além de permitir que empresas estrangeiras explorem minerais e petróleo sob regulação de agências nacionais.

    Posição delicada
    Docente no Programa de Pós-Graduação Interunidades em Integração da América Latina da Universidade de São Paulo (USP) e professor da Universidade Católica de Brasília (UCB), Gustavo Menon acredtia que o Brasil se encontra em uma “posição muito delicada” neste atual contexto geopolítico.

    Na avaliação de Menon, a tendência é de que o Brasil mantenha a a estratégia de fortalecer a via da diplomacia e da cooperação, seguindo sua tradição de defender os direitos humanos, a não intervenção e a resolução pacífica dos conflitos.

    “O Brasil vê com muita preocupação essa intervenção armada direta em solo sul-americano”, disse o especialista. “Em termos do posicionamento, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro vem sinalizando exatamente pela legitimidade de Delcy Rodrigues [vice-presidente da Venezuela] como presidente interina”, diz o especialista em América Latina.

    “Essa ação sem precedentes por parte dos EUA acaba quebrando a América do Sul como uma região de paz”, acrescentou.

    Gustavo Menon diz que a ação estadunidense configura violação tanto dos princípios que regem o direito internacional como das normas domésticas daquele país. Ele aponta que não houve aprovação do Congresso dos Estados Unidos para essa incursão militar, nem expedição de norma ou mandado visando à captura de Nicolás Maduro.

    Instituições multilaterais
    Do ponto de vista internacional, os pesquisadores destacam que os sistemas multilaterais concebidos após a Segunda Guerra Mundial, com a criação do sistema ONU, saem feridos do episódio.

    “No fundo, estamos presenciando o colapso desse sistema multilateral. Essa institucionalidade simplesmente virou pó”, argumentou Menon.

    Para Bruno Rocha, a agressão dos EUA mostra que Donald Trump “colocou na lata do lixo” instituições criadas após a Segunda Guerra Mundial.

    “Do ponto de vista do Século 21, é um momento novo. O sistema ONU, uma tentativa de arranjo pós-Segunda Guerra, vem sendo desmontado pelos próprios Estados Unidos”.

    U.S. President Donald Trump holds a press conference as Secretary of Defense Pete Hegseth, U.S. Secretary of State Marco Rubio and General Dan Caine, Chairman of the Joint Chiefs of Staff, look on following a U.S. strike on Venezuela where President Nicolas Maduro and his wife, Cilia Flores, were captured, from Trump’s Mar-a-Lago club in Palm Beach, Florida, U.S., January 3, 2026. REUTERS/Jonathan Ernst
    Trump e ministros concedem coletiva de imprensa sobre ataque à Venezuela REUTERS/Jonathan Ernst/Proibida reprodução
    Próximos passos
    Menon chama atenção para a necessidade de se ficar atento aos próximos passos dos EUA na região. “Até porque sabemos que a questão do petróleo é elemento essencial, e que a Venezuela é o país com a maior reserva de petróleo no planeta, além de ser também um país amazônico”.

    O pesquisador destaca que é preciso pensar a América do Sul como uma região privilegiada do ponto de vista de recursos naturais, que entrou de forma mais intensa nesta que é uma corrida geopolítica e geoeconômica da contemporaneidade.

    O professor da USP e da UCB diz ainda não ser possível saber como será a tutela sobre a Venezuela anunciada por Donald Trump, no sentido de controlar os recursos petrolíferos venezuelanos.

    “O que vejo, por enquanto, são os EUA enviando uma mensagem clara a Pequim e a Moscou, no sentido de que a América Latina é uma região historicamente influenciada pelos EUA. E, mais do que isso, no sentido de prevalecer cada vez mais a lei do mais forte”, acrescentou Menon.

    Bruno Rocha diz ser preocupante ver uma superpotência com um governante de extrema direita invadir um país soberano na América Latina.

    “Isso representa ameaça a todos os demais países. Seja por uma interferência direta militar, como na Venezuela; seja por uma ameaça de prêmio financeiro, como na eleição legislativa da Argentina; ou seja por uma operação de fraude, como em Honduras”.
    Agência Brasil

  • China pede aos EUA a libertação imediata de Maduro e sua esposa

    China pede aos EUA a libertação imediata de Maduro e sua esposa

    País afirma que Estados Unidos violaram o direito internacional

    O Ministério das Relações Exteriores da China pediu hoje (4) que os Estados Unidos libertem imediatamente o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, que foram capturados ontem (3) em Caracas e estão sendo mantidos sob custódia em uma prisão federal no Brooklyn, em Nova York.

    Para o governo chinês, que é um dos principais parceiros políticos e econômicos da Venezuela, a ação deflagrada pelos Estados Unidos “violou claramente” o direito internacional e as normas básicas das relações internacionais, além dos propósitos e princípios estabelecidos pela Carta da Organização das Nações Unidas (ONU).

    No comunicado, a China pede que os Estados Unidos garantam a segurança pessoal de Maduro e de sua esposa e cessem com a tentativa de derrubar o governo venezuelano. Além disso, afirma o governo chinês, os Estados Unidos precisam garantir que esse problema seja resolvido “por meio do diálogo e da negociação”.

    Esta foi a segunda manifestação oficial da China sobre o caso. Ontem (3), o Ministério das Relações Exteriores da China já havia condenado o uso da força pelos Estados Unidos contra Maduro, dizendo estar “profundamente chocado” com a ação deflagrada ontem.

    “A China condena veementemente o uso flagrante da força por parte dos Estados Unidos contra um país soberano e sua ação contra o presidente de outro Estado”, afirmou a chancelaria.

    Uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas deve acontecer amanhã (5) para discutir a situação da Venezuela.

  • Ataque dos EUA demonstra ofensiva para fortalecer a extrema-direita

    Ataque dos EUA demonstra ofensiva para fortalecer a extrema-direita

    Avaliação é da professora de relações internacionais Clarissa Forner

    O ataque militar dos Estados Unidos contra a Venezuela demonstra uma ofensiva do presidente Donald Trump para fortalecer a extrema-direita transnacional na América Latina. A avaliação é da professora Clarissa Nascimento Forner, do Departamento de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

    Clarissa explica que a aproximação de governos que se posicionam mais à extrema-direita já vem sendo parte do projeto do governo Trump na região. “Por outro lado, [há] uma ofensiva clara a governos que se colocam na contramão dessas ideologias de extrema-direita.”

    “Isso reafirma esse aspecto estratégico que a gente observa no Trumpismo, que é a articulação das redes transnacionais de extrema-direita. Portanto, fortalecendo a extrema-direita na região e enfraquecendo possíveis governos ou partidos de oposição”, explicou a professora.

    Além disso, Clarissa Forner aponta que os Estados Unidos se reafirmam como um fator de instabilidade regional e global:

    “Pensando no território venezuelano, agora a tendência é que a gente observe esse cenário de instabilidade interna necessariamente e que dificilmente vai se solucionar com um período de intervenção ou de administração militar pela parte norte-americana, conforme colocado pelo Trump na coletiva”, disse, ao se referir ao pronunciamento do presidente estadunidense, neste sábado (3).

    Ela atribui ao governo Trump o modus operandi de produzir instabilidade como forma de viabilizar respostas que, muitas vezes, escapam à dimensão da legalidade:

    “Então [há] o próprio uso da força e esse processo de sequestro do presidente Maduro e da sua esposa como sendo um exemplo desse tipo de ação que escapa a qualquer tipo de norma de legalidade e sendo legitimada por essa ideia de que há uma crise em curso, de que há um combate ao crime.”

    A instabilidade sinaliza também, segundo Clarissa Forner, a potencialidade de futuras intervenções por parte dos Estados Unidos.

    “Fica muito em aberto, no discurso da coletiva de imprensa, que a Venezuela não é o último caso, o último dos ataques possíveis, que há uma perspectiva de que outros casos possam a vir acontecer na região”, mencionou.

    Entenda
    O ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela marca um novo episódio de intervenções diretas de Washington na América Latina. A última vez que os EUA invadiram um país latino-americano foi em 1989, no Panamá, quando os militares norte-americanos sequestraram o então presidente Manuel Noriega, acusando-o de narcotráfico.

    Assim como fizeram com Noriega, os Estados Unidos acusam Maduro de liderar um suposto cartel venezuelano De Los Soles, sem apresentar provas. Especialistas em tráfico internacional de drogas questionam a existência desse cartel.

    O governo de Donald Trump estava oferecia recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão de Maduro.

    Para críticos, a ação é uma medida geopolítica para afastar a Venezuela de adversários globais dos Estados Unidos, como China e Rússia, além de exercer maior controle sobre o petróleo do país, que é dono das maiores reservas de óleo comprovadas do planeta.

  • Maduro passa primeira noite preso em Nova York e será apresentado à Justiça dos EUA nesta segunda

    Maduro passa primeira noite preso em Nova York e será apresentado à Justiça dos EUA nesta segunda

    O líder venezuelano Nicolás Maduro passou a primeira noite detido no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn, em Nova York, após ser capturado por autoridades dos Estados Unidos durante uma operação realizada na madrugada de sábado, 3. Segundo o governo americano, Maduro será submetido a uma audiência de custódia nesta segunda-feira, 5, quando deverá ser apresentado a um tribunal federal em Manhattan.

    A procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, divulgou um documento de 25 páginas com o detalhamento das acusações contra o dirigente venezuelano. Além de Maduro, o texto cita outras cinco pessoas: Diosdado Cabello, ministro do Interior, Justiça e Paz; Ramón Rodríguez Chacín, ex-ministro da mesma pasta; Cilia Flores, esposa de Maduro; Nicolás Maduro Guerra, filho do presidente; e Niño Guerrero, apontado como líder do grupo criminoso Tren de Aragua.

    De acordo com o Departamento de Justiça, Maduro responde a quatro acusações principais: conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos e conspiração para a posse desse tipo de armamento.

    Na noite de sábado, a Casa Branca divulgou um vídeo de 12 segundos que mostra Maduro caminhando em uma unidade da Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA), em Nova York. Nas imagens, o venezuelano aparece usando roupas escuras e chinelos, escoltado por agentes federais, enquanto segura uma garrafa plástica. Em inglês, ele diz “Good night” (boa noite) e “Happy new year” (feliz ano novo).

    Maduro chegou a Nova York por volta das 18h30 de sábado, após ser capturado em Caracas, segundo informações oficiais do governo americano. O avião que transportava o presidente venezuelano e a primeira-dama Cilia Flores pousou na Base Aérea da Guarda Nacional de Stewart, no estado de Nova York. O líder venezuelano desembarcou algemado e foi escoltado por mais de uma dúzia de agentes federais, vestindo uma roupa cinza clara.

    A aeronave, um Boeing 757-200 do Departamento de Justiça dos EUA, partiu da Baía de Guantánamo, em Cuba, com destino ao território americano. Durante a operação, o espaço aéreo da região do Caribe chegou a ser fechado.

    Maduro permanecerá detido no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn. Segundo o jornal The New York Times, a chegada do venezuelano ao local mobilizou um forte esquema de segurança, com policiais correndo para um estacionamento nas proximidades. Próximo à unidade, cerca de 100 manifestantes, muitos envolvidos em bandeiras da Venezuela, aplaudiam atrás de barricadas policiais.

    O Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn já abrigou outros presos de grande notoriedade internacional, como Joaquín “El Chapo” Guzmán, ex-chefe do Cartel de Sinaloa; o rapper Sean Combs, conhecido como P. Diddy; e José Maria Marin, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que também ficaram detidos provisoriamente no local.

  • Vice-presidente da Venezuela exige dos EUA prova de vida de Maduro

    Vice-presidente da Venezuela exige dos EUA prova de vida de Maduro

    Delcy Rodriguez disse que forças cívico-militares vão defender o país
    A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez, exigiu na manhã deste sábado (03) provas de vida do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, cujo paradeiro é desconhecido após os ataques dos Estados Unidos.

    Rodriguez denunciou o bombardeio militar norte-americana na capital e nos estados de Aragua, Miranda e La Guaira, que resultou na morte de civis.

    Segundo a vice-presidente, o presidente Maduro já havia alertado a população sobre um possível ataque dessa natureza, que afetaria civis em diversas partes do país. Em resposta à situação, a defesa nacional foi acionada seguindo as instruções do presidente.

    “O ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, as Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB), o povo venezuelano organizado em milícias e agências de segurança cidadã, em perfeita integração policial, militar e cívico-militar, receberam instruções para defender a pátria”, afirmou Rodriguez.

    A vice-presidente enfatizou que ninguém violará o legado histórico de Simón Bolívar nem o direito da Venezuela à independência, ao seu futuro e a ser uma nação livre, sem tutela externa. “Jamais seremos escravos. Somos filhos e filhas de Bolívar.”

    Rodriguez lembrou que a Venezuela tem consistentemente caracterizado essas manobras como parte de uma estratégia para desestabilizar a região e minar sua soberania nacional, denunciando o que considera uma tentativa de intervenção armada para impor uma mudança de regime favorável aos interesses imperialistas.

    A Rede de Intelectuais, Artistas e Movimentos Sociais em Defesa da Humanidade (REDH) e organizações como a Coalizão Resposta condenaram o que chamam de “crime contra a paz” e uma flagrante violação da Carta das Nações Unidas, apelando à solidariedade internacional e à mobilização global contra o que consideram uma guerra colonial pelo petróleo venezuelano.
    Agência Brasil

  • Trump ataca Venezuela e diz que Maduro foi capturado

    Trump ataca Venezuela e diz que Maduro foi capturado

    Ainda não se sabe para onde Maduro e a esposa foram levados
    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado (03) um ataque em larga escala à Venezuela. A capital Caracas e outras cidades teriam sido atingidas por vias aérea e terrestre. Em manifestação nas redes sociais, Trump afirmou que houve sucesso e o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados e retirados do país.

    “Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque em larga escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado e levado para fora do país juntamente com sua esposa”, disse o presidente norte-americano.

    “Esta operação foi realizada em conjunto com as forças policiais dos EUA. Mais detalhes em breve. Haverá uma coletiva de imprensa hoje, às 11h, em Mar-a-Lago. Obrigado pela atenção!”

    O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, rejeitou a presença de tropas estrangeiras no país e classificou o ataque de “vil e covarde”. Padrino pediu ajuda internacional.

    Trump acusa Maduro de liderar uma organização criminosa voltada para o tráfico internacional de drogas. Bombardeios norte-americanos a barcos nas águas do Caribe ocorreram nos últimos meses.

    No entanto, por diversas vezes, o presidente da Venezuela negou envolvimento com o tráfico e também pediu apoio de organismos internacionais.
    Agência Brasil