Salvador, 8 de setembro de 2026
Editor: Chico Araújo

Polícia conclui que não houve racismo em abordagem a jovens negros

A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre a abordagem policial a três jovens negros filhos de diplomatas, ocorrida em julho deste ano, na zona sul da cidade do Rio de Janeiro. A Delegacia Especial de Atendimento ao Turista (Deat) concluiu que não houve racismo por parte dos policiais militares que abordaram os jovens. O inquérito concluiu que tampouco houve o crime de injúria racial, que é uma modalidade típica do crime de racismo. 

Os jovens faziam turismo na cidade do Rio de Janeiro e foram abordados por policiais militares quando estavam na porta de um prédio, em Ipanema, junto com um amigo branco.

De acordo com a Polícia Civil, em depoimento, os três adolescentes negros e o amigo branco não relataram o uso de xingamentos e nem de palavras ofensivas, de cunho racial, discriminatórias ou humilhantes por parte dos policiais militares.

Além disso, os policiais teriam agido da mesma forma com os quatro jovens. “Na abordagem não houve tratamento diferenciado e todos foram revistados, sem distinção de cor. O relatório final do inquérito conclui que, do que se depreende das imagens obtidas e dos depoimentos prestados, não houve dolo do crime de injúria racial, modalidade típica do crime de racismo ou do próprio crime de racismo”, informou a Polícia Civil.

Em sua defesa, pouco antes do fato envolvendo os jovens negros, os policiais afirmaram que um turista estrangeiro os abordara e informara ter sido vítima de roubo. A análise das imagens das câmeras corporais dos PMs confirmou a versão dos PMs.

Ainda segundo o inquérito, o turista teria dado informações aos policiais sobre as características dos suspeitos. Os PMs então avistaram o grupo de jovens negros e fizeram uma “abordagem padrão”.

Segundo o inquérito policial, os PMs “não elegeram suspeitos com base na cor da pele, pois estavam atrás de suspeitos seguindo a descrição de vítimas estrangeiras que tinham acabado de sofrer um crime na praia de Ipanema”.

Defesa

A advogada Raquel Fuzaro, que acompanhou os jovens nos depoimentos à Polícia Civil, disse que as famílias receberam o relatório do inquérito policial com “surpresa e indignação”. “E efetivamente com um sentimento de injustiça. Com a repercussão desse relatório, houve uma revitimação dessas crianças, que foram vítimas de um caso grave”, disse.

Segundo ela, as imagens falam por si e mostram que “o menino branco que estava junto com os outros entrou no prédio, sem que os policiais sequer falem com ele, enquanto os amigos negros foram abordados de forma violenta e arma na cabeça. Difícil um relatório que não vê o que está explícito: abordagem discriminatória por perfilamento racial”.

Agência Brasil

Veja também

PDCE Divulgação Codesal
Defesa Civil de Salvador dá continuidade ao PDCE em setembro em sete escolas municipais
A Defesa Civil de Salvador (Codesal) dá continuidade, neste mês de setembro, às atividades do Programa...
Setembro Verde_Foto Magnific
Setembro Verde: mais de 60% dos casos de câncer colorretal são diagnosticados em fases avançadas
Na Bahia, a estimativa é de 2170 novos diagnósticos da doença em 2026, sendo 590 em Salvador Especialistas...
Dr Alexandre Ibrahim (Divulgação)
Estresse e doenças reumáticas: cuidar da saúde mental também faz parte do tratamento, afirmam especialistas
Períodos de maior tensão emocional podem estar relacionados ao aumento da percepção da dor, da fadiga...
Caf_teatro_Nilda_Spencer_Foto_Jefferson-Peixoto_Secom_Pms-3
Barroquinha ganha programação especial em setembro com Ocupação Côro Comeu e Festival da Primavera
Durante todo este mês de setembro, a região da Barroquinha recebe a Ocupação Côro Comeu, projeto promovido...

Opinião

WhatsApp Image 2026-08-24 at 12.03
Opinião: Formação profissional em jornalismo: o debate que o futuro exige