Salvador, 1 de novembro de 2026
Editor: Chico Araújo

Apenas 25% da população LGBTQIA+ conseguiu emprego formal em 2023, revela estudo inédito

O Fundo Positivo e o Instituto Matizes, com o apoio da Wellspring Philanthropic Fund (WPF), acabam de divulgar os resultados de um estudo inédito sobre a inclusão econômica da população LGBTQIA+ no Brasil. Intitulado “Inclusão Econômica e Geração de Renda da População LGBTQIA+ no Brasil: Desafios, Iniciativas e Financiamentos”, o levantamento, realizado entre 2023 e 2024, oferece uma visão abrangente das barreiras enfrentadas por essa comunidade no mercado de trabalho e no empreendedorismo.

Uma pesquisa realizada pelo Fundo Positivo, em colaboração com o Instituto Matizes, revela que apenas uma em cada quatro pessoas LGBTQIA+ conseguiu um emprego com carteira assinada em 2023. Ou seja, apenas 25% dos participantes captados por organizações que participaram da pesquisa e desenvolvem ações de empregabilidade ou geração de renda conseguem manter um emprego formal ou sustentar um empreendimento por mais de 12 meses.

Os dados expõem o número de projetos direcionados à geração de emprego e renda para a população LGBTQIAP+, o que representa 63% entre 2021 e 2023. Apesar dos esforços das organizações sociais, o mercado de trabalho formal ainda encontra dificuldades para absorver essa mão de obra qualificada.

A sustentabilidade financeira dos projetos também é um ponto crítico. A pesquisa indica que 69,2% das organizações relatam dificuldades em captar recursos, e quase metade nunca recebeu apoio financeiro. Apenas 68,1% das iniciativas contam com financiamento externo, o que evidencia a necessidade de maior comprometimento por parte de empresas e do governo para garantir a sustentabilidade das ações de inclusão econômica.

As iniciativas de inclusão econômica dão prioridade à população trans, que enfrenta altos índices de exclusão econômica devido ao preconceito: 51% dos projetos atendem mulheres trans, 49% travestis e 39% homens trans. Apesar dos desafios, o estudo ressalta que há um movimento significativo de projetos de inclusão econômica liderados pela própria comunidade LGBTQIA+. Esses projetos se concentram principalmente em treinamento profissional e cursos de empreendedorismo, sendo que 77,9% das iniciativas oferecem qualificação profissional e 51,9% incluem formação em empreendedorismo.

Entre os principais desafios para a inserção dessa comunidade na economia, 45,2% das organizações apontam a falta de apoio governamental. Além disso, 42,3% ressaltam a necessidade de maior engajamento da iniciativa privada. O surgimento de novas vagas afirmativas e a implementação de políticas inclusivas são mencionadas como estratégias com efeito positivo para efetivar a inclusão econômica da população LGBTQIA+ no mercado formal.

Somente 30,4% dos projetos voltados para a inclusão econômica e produtiva para a população LGBTQIAP+ são financiados por editais do poder público. A iniciativa privada financia 49,3% desses projetos, enquanto 29% são representados por captações e doações de empresas e organizações sociais.

O lançamento deste estudo marca um passo importante para a compreensão e enfrentamento dos desafios econômicos da comunidade LGBTQIA+ no Brasil. As informações reveladas expõem a necessidade da criação de políticas públicas mais eficazes, mas também inspiram iniciativas privadas a contribuir de forma mais significativa para a promoção da justiça econômica. O relatório completo está disponível para download no site do Fundo Positivo (www.fundopositivo.org.br) e no site do Instituto Matizes (www.institutomatizes.org).

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