Salvador, 26 de outubro de 2026
Editor: Chico Araújo

Três em cada 10 entregadores de comida enfrentam insegurança alimentar

Com um trabalho que envolve passar grande parte do dia ao lado de alimentos, os entregadores de comida por aplicativos do Rio de Janeiro e de São Paulo têm que lidar com a fome e alimentação inadequada. Uma pesquisa realizada pela organização não governamental Ação da Cidadania mostrou que 32% deles vivem algum grau de insegurança alimentar.

A pesquisa Entregas da Fome constatou que 13,5% enfrentavam insegurança alimentar moderada (quando há redução na quantidade e qualidade dos alimentos) ou grave (quando há escassez de comida para todos os membros da família). A taxa é maior do que a média nacional (9,4%).

Considerando-se apenas a insegurança alimentar grave, que popularmente é conhecida como fome, 8% deles enfrentavam o problema.

A insegurança alimentar é apenas um dos problemas vividas por esses profissionais. Segundo a pesquisa, 56,7% trabalham todos os dias, 56,4% trabalham mais de 9 horas por dia, 72% não contribuem com a Previdência e 41% já sofreram acidentes de trabalho.

Além disso, 99% dos entrevistados afirmaram que pagam, do próprio bolso, o plano de dados móveis para o uso do aplicativo de entregas, 93,4% não têm seguro para o aparelho celular, 90,6% não possuem seguro de vida, 90% trabalham sem seguro saúde e 67,6% nem sequer pagam seguro do veículo usado nas entregas.

“Fica evidente para a gente que esse modelo de trabalho do jeito que está é um tipo de escravidão moderna, onde o trabalhador entra com todo o trabalho, o risco, o ferramental, o tempo e recebe em troca contrapartidas que não são suficientes para que essa pessoa possa ter uma vida digna”, afirma o diretor-executivo da Ação da Cidadania, Rodrigo Afonso.

Segundo Afonso, apesar de os entregadores “serem levados a crer que eles são empreendedores, livres, e que podem definir seus horários, no fim do dia, a gente avalia que quase 60% desses trabalhadores precisam que trabalhar todos os dias e também quase 60% deles mais do que 9 horas por dia”.

Agência Brasil

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