Salvador, 24 de outubro de 2026
Editor: Chico Araújo

Fanfarras abrilhantam desfile do 2 de Julho em Salvador

 

O 2 de Julho, data magna da Independência do Brasil na Bahia, ganhou mais cor, som e cadência com a presença vibrante das fanfarras municipais no desfile que aconteceu nesta quarta-feira (2), em Salvador. Este ano, o tema “Eu sou o 2 de Julho” reforçou a identidade popular da data e o papel fundamental das bandas marciais, que foram responsáveis por abrir alas e conduzir o ritmo do cortejo logo após a passagem do carro com o Caboclo e a Cabocla, símbolos da luta pela independência.

 

A concentração começou às 13h nas proximidades da Praça Castro Alves e seguiu em cortejo até o Campo Grande, reunindo famílias, turistas e estudantes em uma celebração que transformou as ruas em um espaço de memória e orgulho baiano. Foram 17 fanfarras vindas não apenas de Salvador, mas também de diversas cidades do interior baiano, como Vitória da Conquista, Simões Filho, Belmonte e Dias D’Ávila.

 

De acordo com o presidente da Associação de Pais e Mestres do Instituto Cultural Escola São Joaquim, de Salvador, Alves Ramos, as fanfarras, que muitos consideram o coração rítmico do desfile, representam não apenas um momento de celebração, mas também um projeto pedagógico que conecta os alunos com a história da independência. “Nós somos uma associação filantrópica sem fins lucrativos, temos mais de 1.200 alunos, incluindo alunos autistas e da inclusão, que participam do 2 de Julho como parte de um projeto que começa na sala de aula”, explicou.

 

Ramos complementou ainda que o desfile é uma extensão prática do aprendizado histórico, onde os alunos representam personagens como Maria Quitéria, Maria Felipa e Joana Angélica. “Eles conhecem as histórias desses personagens, porque isso aqui é uma aula de campo, uma forma de não perdermos nossa tradição e mostrarmos na prática como foi a Independência do Brasil na Bahia”, destacou.

 

Além do aprendizado histórico, o desfile fortalece a disciplina, a musicalidade e o senso de pertencimento dos jovens participantes. “A banda marcial do Colégio Edilson Souto Freire participa do 2 de Julho desde 2013, sempre com um repertório variado. Atualmente somos 60 alunos e 10 pessoas no apoio”, disse o maestro Joia Oliveira, responsável pela Banda Marcial Olímpica de Dias D’Ávila.

 

Para ele, o ato de estar na fanfarra está diretamente ligado ao desempenho escolar, já que os estudantes precisam manter boas notas para integrar o grupo. “Eles aprendem a ler partitura, aprendem disciplina e se tornam cidadãos melhores. A gente sabe que o mundo está violento, e quanto mais tirarmos essas crianças da violência e das drogas, melhor para todos”, afirmou.

 

A tradição também se renova por meio de grupos formados por ex-componentes, como a Fanfarra Elos de Ouro, que reúne músicos veteranos e jovens que mantêm viva a chama da música de rua no 2 de Julho. “Estamos com cerca de 80 componentes este ano, misturando pessoas antigas e novos integrantes. Eu participo no desfile do 2 de Julho há 46 anos”, salientou Jorge Bartolomeu, um dos integrantes da fanfarra, reforçando o vínculo de gerações com a data.

Fotos: Lucas Moura/Secom PMS

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