Salvador, 31 de outubro de 2026
Editor: Chico Araújo

Com tarifaço dos EUA, Fiesp mantém projeção de alta do PIB em 2,4%

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiespe) atualizou seu boletim de estatísticas e expectativas em índices econômicos e manteve a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2,4% para 2025. A entidade pretendia revisar o índice para 2,6%, mas manteve a expectativa anterior. 

A manutenção se deveu a uma piora em condições internacionais, com o início do tarifaço do governo dos Estados Unidos. 

Nesta semana, o mercado financeiro reviu para baixo as expectativas de crescimento da economia, projetando, para o final de 2025, um PIB de 2,21%.

“A gente antes estava trabalhando com uma perspectiva de viés de alta que por hora se dissipou, até levando em conta a questão das tarifas, mas também é importante destacar que quanto à questão das tarifas, a gente fez um cálculo que o impacto potencial no PIB para 2025 é de 0,2, então na verdade esse 0,2 era o possível viés de alta que a gente podia ter. A gente não fez nenhum tipo de revisão para baixo por enquanto”, explicou Igor Rocha, economista-chefe da Fiesp e um dos responsáveis pelo Fiesp Data Tracker, à Agência Brasil.

Embora a perspectiva ainda seja positiva, a análise da Federação é de queda em alguns setores pontuais, com recuo de 0,6% para a agropecuária e de 0,7% para a indústria de transformação. É esperada ainda uma queda moderada do consumo dos governos, de 0,4%, e do nível de investimentos, com recuo de 0,7% nos recursos mobilizados.

“De uma maneira geral, para o segundo semestre, como já antecipado, era esperada essa desaceleração. Nessa acomodação com redução de atividade, os investimentos e o consumo do governo também figuram como variáveis que estão desacelerando. Esse é um movimento de acomodação natural”, ponderou o analista.

No caso da indústria de transformação, essa variação está ligada principalmente ao desaquecimento da economia previsto para o segundo semestre. “É importante destacar que uma das questões que estão colocando empecilhos e deixando o ambiente econômico mais desafiador para o setor são as restrições financeiras internas e externas”, completa Rocha, se referindo ao cenário de crédito, ou seja, aos juros nos mercados externo e interno.

Essa restrição financeira em âmbito internacional é um dos fatores decisivos também para a queda nos investimentos, e se soma com a incerteza natural em anos eleitorais, com a aproximação da sucessão presidencial e nos estados em 2026, e com o aumento de tarifas ao Brasil e a diversos outros parceiros comerciais dos Estados Unidos. As importações também tendem a cair, refletindo a diminuição do ritmo da atividade, recuando em 1,5%.

Consumo das famílias e serviços

Entre os indicadores que continuam aquecidos, o monitoramento apontou uma tendência de crescimento moderado de 0,4% para o setor industrial como um todo e de avanço de 0,3% para o setor de serviços.

O consumo das famílias também tende a aumentar, com expansão da demanda em 0,6%. Mesmo com a incerteza internacional a entidade mantém expectativa de crescimento das exportações, com um discreto avanço de 0,2%.

Agência Brasil

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