Salvador, 31 de outubro de 2026
Editor: Chico Araújo

Virada Cultural Amazônia de Pé mobiliza sociedade para proteger bioma

Artistas e comunidades defendem florestas públicas não destinadas

A 4ª edição da Virada Cultural Amazônia de Pé será realizada de 19 a 21 de setembro, em todo o Brasil, com mobilizações que antecedem em 50 dias a COP30, em Belém (PA). O movimento busca chamar atenção para a proteção de 50 milhões de hectares de Florestas Públicas Não Destinadas (FPNDs), consideradas essenciais no combate à crise climática.

As ações vão ocorrer nas cinco regiões do país, unindo artistas, ativistas e sociedade civil organizada sob o lema: “50 dias para a COP, 50 milhões de hectares a serem protegidos”. O movimento também enviará ofícios aos governadores da Amazônia Legal solicitando audiências para apresentar propostas de gestão das florestas.

Belém (PA), 19/09/2025 – Virada Cultural Amazônia de Pé mobiliza sociedade para proteger bioma. Foto: Amazônia de Pé/Divulgação
Virada Cultural Amazônia de Pé mobiliza sociedade para proteger bioma. Foto: Amazônia de Pé/Divulgação
“Desde o começo do Amazônia de Pé, o nosso grande objetivo é fazer com que na Amazônia, a produção do bioma e dos povos que vivem nela, não fosse um assunto regional, que acabasse por aqui. Que expandisse as fronteiras e fizesse esse chamado de comprometimento coletivo de lutar por esse território”, disse Catarina Nefertari, Gestora de Comunicação e Mobilização da Amazônia de Pé.

“Proteger a Amazônia é uma das maiores contribuições que o Brasil pode fazer pelo futuro do planeta. Esse território contribui muito para a justiça climática e o balanço climático do mundo.”

Em Belém, cidade-sede da COP30, estão previstas 64 atividades, incluindo oficinas de remédios naturais, cineclubes, rodas de conversa e apresentações culturais. A chef indígena Tainá Marajoara lidera um manifesto em defesa da cultura alimentar amazônica, enquanto coletivos como o Chibé promovem debates sobre mudanças climáticas em feiras e espaços públicos.

No Sudeste e Sul, a programação inclui a Feira Onça, em Magé (RJ), que reúne economia popular e debate climático, e atividades em Porto Alegre (RS), onde o coletivo SOS Floresta do Sabará atua na defesa de áreas de Mata Atlântica remanescentes após as enchentes de 2024.

O movimento também articula o Projeto de Lei de Iniciativa Popular Amazônia de Pé, que já reuniu mais de 300 mil assinaturas físicas e precisa alcançar 1,5 milhão para começar a tramitar no Congresso. A proposta busca dar destinação legal às FPNDs, alvo frequente de desmatamento, queimadas, grilagem e garimpo.

“As áreas destinadas para povos indígenas e quilombolas são as que menos têm incidência de crimes ambientais. Se a gente quer que o Brasil continue caminhando para um desenvolvimento econômico e social, promovendo justiça social, precisa destinar essas florestas para quem sempre as protegeu. E, assim, garantir que esse bem que é de todos fique de pé e continue por gerações promovendo uma vida melhor para todos”, disse Catarina.

Dados recentes do Observatório das Florestas Públicas mostram que, entre janeiro e julho de 2025, 262,5 mil hectares foram desmatados na Amazônia, 25% deles em FPNDs. No mesmo período, 59,7 mil hectares dessas áreas foram atingidos por queimadas – três quartos em terras federais. O Pará concentrou 59% das áreas destruídas pelo fogo.

De acordo com especialistas, as FPNDs podem armazenar até 5 bilhões de toneladas de carbono. Se destruídas, podem liberar 19 bilhões de toneladas de CO₂, o equivalente a 51% das emissões globais estimadas para 2024.

Para a gestora de Comunicação e Mobilização da Amazônia de Pé, engajar a sociedade a proteger a Amazônia é inspirar o ativismo mais amplo em defesa de todos os biomas do país.

“Eu quero a Amazônia de pé, mas eu também quero a Caatinga de pé, o Cerrado de pé. Entender essa interdependência entre os biomas é fundamental. Assim como eles estão super conectados, nós seres humanos também estamos com a natureza. Muitas pessoas que se aproximaram do movimento, conseguiram entender melhor o seu próprio território e conseguiram também se conectar com o seu chão, retomar sua ancestralidade, retomar a sua cultura”, disse Catarina.

Agência Brasil

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