Salvador, 17 de janeiro de 2026
Editor: Chico Araújo

AfroEstima 2025 celebra 422 formandos e reforça Salvador como referência do afroempreendedorismo

A Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult) e do Programa Salvador Capital Afro, realizou nesta sexta-feira (12) a cerimônia de formatura do AfroEstima 2025, no Auditório Makota Valdina, na sede da Secult. Nesta edição, 422 participantes concluíram o ciclo formativo, que se consolida como uma das principais iniciativas de qualificação e fortalecimento do afroempreendedorismo nas áreas de cultura, turismo e economia criativa. De 2021 a 2025, foram certificados 2.122 afroempreendedores.

A cerimônia também foi marcada por uma homenagem à empreendedora Aury Félix, aluna do AfroEstima e responsável pela abertura da aula inaugural do programa em 2025. Aury faleceu na última quinta (11) e sua trajetória será reconhecida como símbolo de resistência, criatividade e legado para toda a rede do afroempreendedorismo da cidade.

O evento contou com a certificação dos Top 10 e a premiação dos três primeiros colocados nos pitchs realizados durante o Festival Salvador Capital Afro Territórios, reforçando o compromisso do município com a inovação, a autonomia econômica e a visibilidade de negócios liderados por pessoas negras.

A vice-prefeita e secretária municipal de Cultura e Turismo, Ana Paula Matos, destacou que a formatura representa muito mais do que a entrega de certificados. Segundo ela, cada participante retorna para sua comunidade, negócio, empresa ou espaço profissional levando consigo um novo patamar de reconhecimento e autoestima.

“Quando conseguimos unir discurso e prática, saber e fazer, construímos o caminho do sucesso. O que acontece aqui é maior do que qualquer diploma. Cada pessoa que participou do AfroEstima já é força viva da cidade, já constrói Salvador. Agora, volta para casa dizendo: além do que eu sou e do que já sei, estou capacitada. Isso é identidade, é a base de uma cidade antirracista. O Salvador Capital Afro entende quem somos e, a partir disso, constrói caminhos coletivos”, afirmou a vice-prefeita.

Para a secretária da Reparação, Isaura Genoveva, o AfroEstima está entre as ações mais importantes do município para enfrentar o racismo estrutural, fortalecendo caminhos de autonomia econômica e cidadania. “A Prefeitura de Salvador tem sido vanguarda no enfrentamento ao racismo e ao preconceito racial. O AfroEstima faz parte de um conjunto de políticas públicas que mostram ao mundo como podemos enfrentar o racismo com ações concretas, formação e fortalecimento da nossa gente. Que este programa tenha vida longa”, pontuou.

A chefe do Gabinete Salvador Capital Afro, Ivete Sacramento, ressaltou o papel central do programa na inclusão produtiva e no reconhecimento do valor da criação negra. Para ela, o AfroEstima cumpre a missão de inserir empreendedores negros em um mercado historicamente excludente.

“A nossa produção precisa ser monetizada. Nós, pessoas negras, ficamos séculos fora dos processos empresariais do país, e cabe ao poder público reparar essa ausência. O AfroEstima foi criado para isso: para que cada ofício seja reconhecido e valorizado de forma empresarial”, afirmou Ivete.

Relatório – Os avanços alcançados pelo AfroEstima estão documentados no Relatório de Monitoramento e Avaliação 2024, que aponta melhorias significativas no desenvolvimento de competências técnicas e comportamentais, no planejamento dos negócios, na inovação e no fortalecimento de redes entre empreendedores.

O relatório revela que mais da metade dos participantes estruturou ou aprimorou seus planos de negócio, cerca de 60% aumentaram a receita em até seis meses após a formação e quase 70% desenvolveram novos produtos ou serviços. Os dados reforçam a efetividade do programa como estratégia de transformação econômica e social.

Como parte da programação, a Feira AfroBiz Salvador aconteceu até as 18h deste sábado (13), na Praça Maria Felipa, no Comércio. Com financiamento do Conselho Britânico, a feira reúne 100 empreendimentos e funciona como vitrine para negócios de diferentes linguagens, fortalecendo a geração de renda e a circulação da produção afrocentrada na cidade.

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