Salvador, 27 de outubro de 2026
Editor: Chico Araújo

Bahia registra 9,8 mil casos e lidera violência doméstica no Brasil, aponta levantamento inédito

Dados divulgados pela plataforma Escavador, referência jurídica no Brasil, mostram predominância do Norte e Nordeste na abertura dos processos.

Em meio à preparação para o Dia Internacional da Mulher, 8 de março, a plataforma Escavador divulgou nesta quinta-feira, 5, dados referentes à violência doméstica contra a mulher no Brasil. Segundo a amostragem, cerca de 55 mil processos foram instaurados ao longo de 2025, com destaque para a região Nordeste, que acumulou 24 mil ações, e o Norte do país, com 12 mil processos.

No detalhamento por região, o Escavador identificou 10 mil processos no Sudeste, seguido por 7 mil no Centro-Oeste e 788 processos no Sul. Já entre os estados, a Bahia liderou o ranking, com 9,8 mil processos. Tocantins aparece em segundo lugar, com 8,6 mil casos, seguido pelo Espírito Santo (5,7 mil), Distrito Federal (4,3 mil) e Ceará (3,7 mil).

A população feminina no Brasil, que representa 104 milhões de mulheres segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), continua enfrentando barreiras e vulnerabilidades diárias. Para se ter uma noção, a análise dos últimos 12 meses do Escavador mostra uma média de 151 processos por dia relacionados à violência doméstica, entre os meses de janeiro a dezembro de 2025.

Segundo Dalila Pinheiro, Senior Legal Analyst e DPO da plataforma Escavador, a análise detalhada dos processos permite antecipar tendências preocupantes. A especialista ressalta que, com os dados organizados por estado e região, é possível orientar políticas públicas, concentrando esforços onde a vulnerabilidade feminina é maior, sobretudo em locais com maior incidência de denúncias.

“Os números mostram que a violência doméstica não está distribuída de forma homogênea pelo país. A Bahia concentra uma quantidade alarmante de casos, maior do que a soma de todos os processos das regiões Sul e Norte. Isso evidencia desigualdades estruturais e aponta para a necessidade de políticas públicas mais direcionadas, que considerem não apenas a incidência, mas também fatores socioeconômicos e culturais que ampliam a vulnerabilidade das mulheres em certas regiões”, explica Dalila.

Ao longo de 2025, a abertura de processos apresentou oscilações mensais significativas. Nos primeiros meses, a tendência foi de leve queda: em fevereiro foram registrados cerca de 4,3 mil processos, 9% a menos que os 4,7 mil de janeiro. Já no segundo trimestre, a curva se inverteu, com crescimento de 4% em abril (5,1 mil) e 3% em maio (5,2 mil), indicando um aumento no número de denúncias.

No segundo semestre, os números se mantiveram elevados, com pico em setembro (5,4 mil), seguido por recuos graduais em outubro (4,5 mil) e novembro (4,1 mil), com fechamento do ano em dezembro (3,7 mil), cerca de 31% abaixo do pico. Dalila explica que as oscilações revelam que a ‘violência doméstica contra a mulher’ não ocorre de forma uniforme ao longo do ano, reforçando a necessidade de assistência direcionada para prevenção e apoio às vítimas.

“Os padrões observados ao longo do ano revelam que a violência doméstica não segue um ritmo uniforme: há meses com aumento expressivo de denúncias e outros com retração, mas mesmo nas quedas os números permanecem elevados. Isso indica que a vulnerabilidade das mulheres não desaparece em períodos de menor registro. A partir dessa análise, fica evidente que estratégias de prevenção precisam ser contínuas, adaptadas a cada realidade regional, e que campanhas educativas e políticas públicas devem ser reforçadas especialmente nos estados e períodos de maior incidência, para reduzir desigualdades e oferecer proteção efetiva às vítimas”, comenta a analista.

Referência nacional em dados jurídicos no país, o Escavador reúne mais de 600 fontes oficiais no cruzamento de informações, auxiliando mulheres a consultarem o histórico processual de possíveis parceiros. Para Dalila, esse recurso representa um apoio importante na prevenção e na identificação de agressores, desempenhando um papel social na luta contra a violência doméstica em todas as regiões do Brasil. “Informação também é um método preventivo na luta contra a violência doméstica. Quando as mulheres têm acesso a dados, elas ganham mais uma ferramenta para tomar decisões seguras e guiá-las nessa batalha”, conclui.

Confira a lista de processos por ‘violência doméstica contra a mulher 2025’:

Bahia (BA) – 9.819

Tocantins (TO) – 8.627

Espírito Santo (ES) – 5.744

Distrito Federal (DF) – 4.331

Ceará (CE) – 3.768

Alagoas (AL) – 3.741

Rio de Janeiro (RJ) – 3.588

Sergipe (SE) – 3.104

Pará (PA) – 2.755

Goiás (GO) – 2.592

Pernambuco (PE) – 2.056

Minas Gerais (MG) – 1.557

Paraíba (PB) – 780

Paraná (PR) – 746

Maranhão (MA) – 502

Rio Grande do Norte (RN) – 376

Mato Grosso (MT) – 304

Amazonas (AM) – 299

Roraima (RR) – 167

Piauí (PI) – 157

Rondônia (RO) – 130

Acre (AC) – 72

Amapá (AP) – 41

São Paulo (SP) – 37

Santa Catarina (SC) – 32

Mato Grosso do Sul (MS) – 24

Rio Grande do Sul (RS) – 10

Distribuição por região:

Nordeste – 24 mil

Norte – 12 mil

Sudeste – 10 mil

Centro-Oeste – 7 mil

Sul – 788

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