Salvador, 20 de setembro de 2026
Editor: Chico Araújo

Um pouco sobre a Semana Santa

Grupo: Pedro Henrique, Júlia Lisboa, Pérola Lins

Origem Da Semana Santa: História e Significado Religioso
A Semana Santa é uma das celebrações mais importantes do calendário religioso cristão, marcada por rituais, tradições e reflexões que remontam a séculos de história. Sua origem está profundamente enraizada na trajetória do Cristianismo, refletindo eventos centrais da fé, como a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. No entanto, a comemoração da Semana Santa não surgiu de forma abrupta, mas evoluiu ao longo do tempo, influenciada por contextos históricos, culturais e religiosos diversos.

Ao explorar a origem da Semana Santa, podemos compreender melhor não apenas sua dimensão religiosa, mas também sua importância cultural e social ao redor do mundo. Este artigo buscará apresentar uma análise detalhada de suas raízes históricas, seus significados e como ela foi se moldando ao longo dos séculos, tornando-se uma das celebrações mais universais do cristianismo.
Contexto histórico do Cristianismo primitivo
O Cristianismo surgiu no século I na região da Judeia (atual Israel), em um período marcado por profundas transformações religiosas, políticas e sociais. Seus seguidores celebravam inicialmente eventos específicos do calendário judaico, como a Páscoa, que comemora a libertação do povo de Israel do Egito, conforme a narrativa bíblica.

Na sua essência, a Páscoa judaica, conhecida como Pesach, celebra a libertação do povo hebreu da escravidão, e esse evento influencia diretamente as celebrações cristãs. Jésus Cristo, durante a última ceia com seus discípulos — que ocorreu na noite antes de sua prisão — comemorou essa mesma festividade, estabelecendo uma ligação entre o evento judaico e o que viria a ser a celebração cristã da Sua paixão.

//////////////////////////////////

Semana Santa chegando e Ana Maria Braga já está prontíssima na televisão para ensinar sete receitas de bacalhau para o almoço de Páscoa em família. Querendo, você aprende com ela a fazer aquela receita que todo mundo vai elogiar e comer junto no feriado. Certo? Onde? Não te avisaram? A mim sim — e eu já sei que, em Salvador, mais uma vez, é tudo diferente. E se você decidir ouvir a Globo por aqui, vai ser bem esquisito.

Na Sexta-feira Santa em Salvador, a estrela do cardápio não é o bacalhau. E, convenhamos, nem o ovo de Páscoa — que por aqui vira quase lembrancinha, ficando atrás até da sobremesa. Como tudo nesta cidade é único, o que se come nesse dia sagrado é exclusivo e só se encontra aqui. Aquele peixe norueguês, branquelo, salgado, seco e sem cabeça, vindo de longe, definitivamente não é o protagonista da mesa. E isso pode causar surpresa para muita gente.

É que, em se tratando de Salvador, cada pedacinho da vida cotidiana, cada festa, cada forma de fazer, pensar e comer carrega um tanto de singularidade. A originalidade está em tudo — e, na Sexta-feira Santa, ela brilha com força.

Nesse dia, a gastronomia baiana revela, mais uma vez, a potência do seu patrimônio imaterial. E veja: a Páscoa é coisa séria por aqui. Herdada do catolicismo colonial português, essa tradição ainda influencia os modos de vida locais e impõe suas regras alimentares. A mais conhecida? Nada de carne vermelha na Sexta-feira Santa. A norma é observada por praticamente todos. Churrasco, nem pensar. Rodízio de carnes? Vazios. Até o açougueiro vai estranhar se você pedir um chã de dentro nessa data.

Mas é na força da cultura afro-brasileira que a Sexta-feira Santa ganha alma em Salvador. Rica, bela e ancestral, é ela quem dá o tom da festa e transforma qualquer refeição em rito. É por sua presença marcante que as famílias se reúnem ao redor da mesa para saborear um verdadeiro banquete dos deuses do Olimpo baiano: o belo, caldoso e saboroso caruru.

Nos dias que antecedem a Sexta-feira, é tradição acompanhar pela televisão o preço do quiabo e do camarão seco — e, claro, reclamar deles. Também é costume ir à feira, quebrar a pontinha do quiabo (pra ver se está no ponto!) e levar uma bronca do feirante. Afinal, é assim que manda a tradição. Época também de verificar se tem azeite de dendê em casa — e não o de oliva, mas o legítimo, com a borra decantada no fundo e aquele dourado de raio de sol engarrafado.

Sim, na cidade, o bacalhau passa longe do protagonismo. O que todo mundo quer mesmo é um caruru completo, com vatapá, xinxim de galinha (não de frango), arroz, feijão e, claro, farofa. Pimenta? Também pode, mas aí é gosto pessoal. E para abrir o apetite, acarajé e abará de entrada, como tira-gosto, garantindo sua presença desde o primeiro instante.

É assim: na Bahia, nada se faz sem uma tradição própria. Tudo aqui tem história, tem alma, tem sabor. Por isso, se te chamarem para um caruru de Sexta-feira Santa, lembre-se de vir de lá pequenininho e pisar nesse chão devagarzinho. Fica aí o aviso. Assim eu te garanto: você vai ser recebido com um almoço de Sexta-feira Santa como não se vê igual em nenhum outro canto do mundo.

//////////////////////////////

A Semana Santa, um dos períodos mais significativos do calendário cristão, reúne milhões de fiéis em celebrações que marcam a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. A tradição, que antecede o Domingo de Páscoa, é vivida com intensidade em diversas regiões do Brasil, combinando manifestações religiosas e costumes culturais.

A programação tem início no Domingo de Ramos, data que simboliza a entrada de Jesus em Jerusalém. Neste dia, é comum a participação em missas e procissões com ramos, que representam acolhimento e devoção.

Ao longo da semana, as igrejas promovem celebrações que reforçam momentos importantes da história cristã. A Quinta-feira Santa relembra a Última Ceia, enquanto a Sexta-feira Santa, também chamada de Paixão de Cristo, é dedicada à reflexão sobre a crucificação, sendo considerada um dos dias mais solenes do calendário religioso.

Já o Sábado de Aleluia marca o período de ожид e preparação para a ressurreição, celebrada no Domingo de Páscoa — momento que simboliza renovação, esperança e vida nova para os cristãos.

Leia Também
Licença-paternidade no Brasil terá aumento gradual a partir de 2027
Memória da ditadura militar: 62 anos após o golpe, busca por justiça e desaparecidos continua

No Brasil, além das celebrações litúrgicas, a Semana Santa também é marcada por manifestações culturais, como encenações da Paixão de Cristo, procissões tradicionais e a confecção de tapetes religiosos em algumas cidades. Outro costume bastante difundido é a substituição da carne vermelha por peixe na Sexta-feira Santa.

A data mantém sua relevância tanto no campo religioso quanto cultural, sendo considerada um período de introspecção, fé e fortalecimento de valores como solidariedade, perdão e renovação espiritual.

Veja também

Foto: ECVitória
Dentro de casa e de virada, Vitória perde para o Cruzeiro
O Cruzeiro venceu o Vitória por 3 a 1, neste domingo, no Barradão, pela 28ª rodada do Campeonato Brasileiro....
image (4)
Semana Maluca: cinema do Shopping Center Lapa estende ingressos a R$10
Promoção segue até 23 de setembro e reúne opções de animação, comédia, ação e terror Quem gosta de cinema...
700 novos ônibus Salvador - Fotos - Betto Jr - Secom PMS (2)
Prefeitura inicia entrega de 700 novos ônibus com ar-condicionado na maior renovação de frota da história de Salvador
A Prefeitura de Salvador iniciou neste sábado (19) a entrega de cerca de 700 novos ônibus ao sistema...
1704-Curso-de-transformacao-do-azeite-de-dende-em-sabao-Lucas-Moura-Secom-PMS-10
Procura por azeite de dendê cresce nos supermercados
Ingrediente tradicional da culinária baiana ganha espaço nas compras, às vésperas dos festejos de São...

Opinião

jolivaldo
Do Supremo do Império ao STF: crise de confiança atravessa os séculos