Salvador, 7 de novembro de 2026
Editor: Chico Araújo

Bahia pela Paz amplia oportunidades e impacta trajetórias de jovens baianos

Fotos: Matheus Landim/GOVBA

O artista negro e candomblecista Ítalo Andrade, de 30 anos, conhecido como Oxóssi de la Rua, idealizador e cofundador do projeto Resistência Cultural, celebrou um marco em sua trajetória: o ingresso no curso de Letras da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Morador do bairro de Nova Constituinte, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, ele encontrou no Coletivo Bahia pela Paz de Paripe suporte para trilhar o caminho até o ensino superior.

Há um ano, Ítalo passou a frequentar o espaço em busca de acolhimento psicológico e acesso à internet, fatores que contribuíram para a manutenção do foco e o desempenho nos estudos.

A conquista tem forte valor simbólico. Segundo o estudante, o apoio da iniciativa foi decisivo para a aprovação. “A universidade sempre pareceu inalcançável para quem vem de onde eu venho. Quando as angústias e as barreiras surgiram, foi no Coletivo Bahia pela Paz que encontrei acolhimento para seguir”, relata.

Ele também destaca o impacto do atendimento: o programa, segundo ele, vai além da oferta de serviços, ao promover cuidado integral e fortalecer a autoestima de jovens das periferias. “O Bahia pela Paz enxerga a juventude preta e da periferia, provando que a gente tem o direito não só de sonhar, mas de ocupar os bancos de uma universidade federal com a cabeça erguida”, concluiu Ítalo.

A trajetória exemplifica a atuação do Bahia pela Paz, um programa estratégico do Governo do Estado focado na prevenção e redução da violência de forma integrada. Pautada no antirracismo, a política pública direciona esforços para as camadas mais vulneráveis, articulando promoção de direitos com esporte, cultura, profissionalização e empreendedorismo.

A iniciativa possui 12 unidades em funcionamento, distribuídas entre oito coletivos em Salvador e na Região Metropolitana, além de quatro no interior da Bahia. Na capital, os bairros de Águas Claras, Liberdade, Paripe e São Caetano, além das localidades de Conceição e Mangabeira, em Feira de Santana, somam mais de 20 mil atendimentos.

Outros seis coletivos, implantados em outubro de 2025, estão em fase inicial, com ações de escuta comunitária, mapeamento de serviços e articulação com redes locais. Para a psicóloga Elilma Lopes, o projeto é sobre escutar os jovens e através do protagonismo deles, criar novas possibilidades de existir nas áreas periféricas.

Instituído no Plano Plurianual (PPA) 2024-2027, o Bahia pela Paz concentra suas ações prioritárias em adolescentes e jovens de 12 a 29 anos, faixa etária com maior exposição à vulnerabilidade social. Em paralelo ao programa, a estratégia do Governo da Bahia também abrange a ampliação de investimentos em inteligência, tecnologia e na qualificação em Direitos Humanos para as Forças de Segurança Pública.

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