Salvador, 26 de outubro de 2026
Editor: Chico Araújo

Interesse feminino em esportes tem skate em alta e avanço do futebol

Copa no Brasil, em 2027, pode alavancar modalidade entre as mulheres
Os ouros de Sarah Menezes, Rafaela Silva e Beatriz Souza tornaram o judô feminino protagonista na modalidade que mais rendeu medalhas olímpicas ao Brasil. Uma trajetória que inicia na edição de Pequim (China), em 2008, com Ketleyn Quadros se tornando a primeira judoca brasileira em um pódio nos Jogos. Aquele bronze inspirou Larissa Pimenta a repetir o feito duas vezes, em Tóquio (Japão), em 2021, e Paris (França), em 2024.

“O Brasil é um país que está começando a ter muitas referências de mulheres no esporte. O que elas constroem motiva mais mulheres a virem, a quererem lutar e, consequentemente, termos mais mulheres [envolvidas com esporte] no geral”, afirmou Larissa.

De fato, o interesse feminino por esportes no país subiu 25% entre 2020 e 2025, segundo um estudo do Instituto Ibope Repucom, superando a média nacional (19%). E nenhum esporte cresceu tanto quanto o skate no período, marcado pelas medalhas olímpicas (prata em Tóquio e bronze em Paris) e os quatro títulos do circuito mundial de Rayssa Leal. O apelo da modalidade junto às mulheres evoluiu 49%.

“Ela [Rayssa] é uma referência aspiracional do esporte, mas o skate também tem um forte componente de estilo de vida. A partir do momento no qual o skate vira uma modalidade olímpica, nos Jogos de Tóquio, com alto desempenho e medalhas para o Brasil, ele ganha um novo patamar”, analisou o coordenador do Ibope Repucom, Danilo Amancio.

Futebol em alta
O esporte mais popular do país ainda não é o que encabeça o interesse feminino, mas está em alta. O estudo indica que 64% das mulheres se consideram fãs de futebol. A modalidade divide o terceiro posto na estatística com a natação e o vôlei de praia. A ginástica artística lidera com 72%, seguida pelo vôlei de quadra (69%).

“As mulheres apresentaram um crescimento na ordem de 5% ao ano. Alguns fatores são importantes, como a maior visibilidade dos produtos e torneios femininos, especialmente em TV aberta. E o mundo digital trouxe novas alternativas para um melhor e mais fácil relacionamento com novos nomes, novas atletas”, avaliou Danilo.

No evento em que o Sesi São Paulo recebeu o selo de Clube Formador da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pelo trabalho no futebol de base feminino, a reportagem da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) conversou com atletas da equipe sub-15 da agremiação. As referências da nova geração vão além dos nomes que se popularizaram ao longo dos anos, como Formiga, Cristiane e Marta.

A volante Marília, por exemplo, declarou ser fã de Angelina, do Orlando Pride (Estados Unidos) e capitã da seleção brasileira e que atua na mesma posição. Já Maria Teresa, a Teca, disse admirar a também goleira Lorena, que está no Kansas City Current, outro time da liga norte-americana, mas que sua referência é uma atleta já aposentada – e que já deu bastante trabalho ao Brasil.

“A [jogadora] que mais me inspira é a [ex-goleira norte-americana] Hope Solo. Era fora de série e acho que tinha um jeito de jogar parecido com o meu, o que é intrigante”, comentou Teca.

Vale lembrar que a TV Brasil transmite o Campeonato Brasileiro Feminino de futebol, ao vivo. No Fifa Series, torneio amistoso organizado pela Federação Internacional da modalidade (Fifa) e realizado em Cuiabá, que teve o Brasil campeão após triunfos sobre Coreia do Sul, Zâmbia e Canadá, a seleção verde e amarela teve 11 atletas que atuam na competição nacional.

Copa Feminina
O crescimento do apelo feminino no futebol se reflete no interesse demonstrado pela Copa do Mundo masculina de 2026 (71%). Em 2014, quando o Mundial foi no Brasil, o apelo era de 59%.

No ano que vem, o país será sede, pela primeira vez, da Copa Feminina. Segundo o estudo, 65% dos brasileiros – homens e mulheres – se declaram fãs do evento. De acordo com Danilo, do Ibope Repucom, há potencial para os números crescerem até 2027 e, quem sabe, superarem os de 2014, quando o percentual de interesse pela competição em casa foi de 67%.

“O Brasil ser o país-sede vai gerar maior interesse natural e pela ampla cobertura que teremos no dia a dia. O fator Copa 2026 e, logo na sequência, uma Copa do Mundo Feminina aqui, por todos os fatores de contato imediato, tendem a ser motores essenciais para acelerar o crescimento do interesse feminino, e geral, pelo futebol feminino”, concluiu o coordenador.

Agência Brasil

Veja também

Foto_Divulgação1
6ª Caminhada Outubro Rosa & Novembro Azul promove conscientização e prevenção ao câncer em Salvador
Realizado pelo Arte que Transforma e pela MGA Dular, evento acontece no dia 31 de outubro, na orla de...
261023 Doação de Resina ao HAM 01 - Foto Grabriel Gonçalves - Divulgação
Próteses produzidas com resina doada pela Braskem ajudam a resgatar a autoestima de mulheres mastectomizadas
Material doado ao Hospital Aristides Maltez deve beneficiar cerca de 800 mulheres em Salvador. Restaurar...
image (2)
Ilê Aiyê abre vendas de ingressos para festa de 52 anos no Pelourinho
Celebração acontece em 1º de novembro, no Largo da Tieta, e marca o lançamento do tema do bloco para...
Bola-de-Ouro-2022
Cerimônia do Ballon d'Or acontece nesta segunda; veja horário, onde assistir e brasileiros indicados
A cerimônia da Bola de Ouro 2026 acontece nesta segunda-feira (26), a partir das 17h, no horário de Brasília,...

Opinião

ucsal
UCSal: semeando saberes e sonhos ao longo de 65 anos