Salvador, 8 de setembro de 2026
Editor: Chico Araújo

Ancelotti diz que deve encerrar carreira na Seleção Brasileira e chama Ronaldo de “melhor jogador que treinei”

O técnico da Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti, afirmou que deve encerrar a carreira no comando do Brasil e classificou Ronaldo Nazário como o melhor jogador que treinou ao longo de sua trajetória no futebol. Em entrevista concedida na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), no Rio de Janeiro, o treinador falou sobre sua carreira, relação com atletas brasileiros, racismo no futebol e o desafio de conquistar a Copa do Mundo de 2026.

Dono do maior número de títulos da Liga dos Campeões da Europa e único técnico a conquistar as cinco principais ligas do continente — Alemanha, Espanha, França, Inglaterra e Itália —, Ancelotti minimizou os feitos ao afirmar que “teve sorte”, mas destacou que a paixão pelo futebol segue sendo a principal motivação após quase 30 anos como treinador.

O italiano relembrou a infância em Reggiolo, na Itália, e contou que sua primeira memória marcante da Seleção Brasileira foi a final da Copa do Mundo de 1970, quando o Brasil venceu a Itália por 4 a 1. Segundo ele, nomes como Pelé, Jairzinho, Tostão e Carlos Alberto Torres marcaram sua infância.

Ao falar sobre jogadores brasileiros que comandou, Ancelotti destacou especialmente Kaká e Ronaldo. Sobre Kaká, afirmou que o ex-meia foi um dos primeiros atletas a unir talento e intensidade física no futebol moderno. Já Ronaldo recebeu elogios ainda mais enfáticos.

“Ronaldo, para mim, foi o melhor jogador que já treinei. Foi um talento puro, jogador de muita qualidade técnica”, afirmou o treinador.

Ancelotti também ressaltou a criatividade natural dos jogadores brasileiros e defendeu que a parte tática não deve limitar o talento individual. Segundo ele, o futebol moderno exige equilíbrio entre organização coletiva e liberdade criativa.

O técnico comentou ainda sobre o período em que trabalhou com Vinícius Júnior no Real Madrid e criticou os episódios de racismo sofridos pelo atacante na Espanha. Para Ancelotti, o jogador teve papel importante no enfrentamento do problema e conseguiu manter a humildade mesmo diante das dificuldades.

Sobre a pressão em torno da Seleção Brasileira, o treinador afirmou que os jogadores sentem o peso dos 24 anos sem conquistar uma Copa do Mundo, mas destacou que vestir a camisa do Brasil ainda representa algo especial para os atletas.

Ancelotti também comentou sobre o futuro da carreira e indicou que a passagem pela Seleção deve ser seu último trabalho no futebol.

“Creio que sim, só não sei ainda quando. Se vai ser em 2034, 2038 ou 2042”, brincou o treinador.

Morando atualmente na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, Ancelotti vive com a esposa Marian e a enteada Chloe, que produz um documentário sobre a infância do técnico na Itália. Além do futebol, ele revelou interesse por cinema e literatura, lembrando participações em produções italianas e até uma aparição em Star Trek.

Ao fim da entrevista, o treinador ainda prometeu cantar o Hino Nacional Brasileiro durante a próxima Copa do Mundo. “Na Copa eu vou cantar. Cem por cento”, garantiu.

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