Categoria: Mundo

  • Trump anuncia novo ataque contra embarcação em águas internacionais

    Trump anuncia novo ataque contra embarcação em águas internacionais

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (19) que forças americanas fizeram um ataque contra uma embarcação na área de responsabilidade do Comando Sul, que cobre a América Latina e o Caribe. Segundo o republicano, três homens a bordo envolvidos no tráfico de drogas foram mortos.

    Trump não especificou o local do ataque. Também não informou a nacionalidade dos supostos traficantes. Em publicação na rede Truth Social, ele se limitou a escrever que o Pentágono ordenou “um ataque cinético letal” contra um navio ligado a uma organização terrorista acusada de fazer operações de narcotráfico na região.

    De acordo com o presidente, informações de inteligência confirmaram que a embarcação transportava drogas ilícitas e seguia por uma rota conhecida do narcotráfico, “a caminho de envenenar americanos”.

    “Nenhum membro das Forças Armadas dos EUA foi ferido neste ataque. PAREM DE VENDER FENTANIL, NARCÓTICOS E DROGAS ILEGAIS NOS ESTADOS UNIDOS E DE COMETER VIOLÊNCIA E TERRORISMO CONTRA AMERICANOS!!!”, escreveu ele, com as habituais letras maiúsculas.

    Na última terça (16), Trump disse que as forças de seu país tinham destruído três embarcações que teriam saído da Venezuela e que também estariam envolvidas com atividades criminosas. Ele não informou se a ação anunciada nesta sexta atingiu outro barco que partiu do país comandado por Nicolás Maduro.

    Os EUA acusam Maduro de liderar uma rede de tráfico de drogas, o Cartel de los Soles, cuja existência é negada por especialistas. Washington oferece uma recompensa de US$ 50 milhões (R$ 273 milhões) pela captura do venezuelano.

    O governo Trump invoca a legislação que os EUA aprovaram após os atentados de 11 de setembro de 2001 e que, em sua interpretação, permite tais ataques em águas internacionais. Ações letais fora do território americano têm sido utilizadas regularmente por governos republicanos e democratas nas últimas décadas, e também por outros países, como por exemplo no combate à pirataria no Golfo de Áden.

    Bahia Notícias

  • Gaza sofre apagão de telecomunicações

    Gaza sofre apagão de telecomunicações

    Internet e linhas telefônicas foram cortadas em todo o território

    Tanques israelenses foram vistos em duas áreas da Cidade de Gaza, que são portas de entrada para o centro da cidade, disseram moradores nesta quinta-feira (18), enquanto a internet e as linhas telefônicas foram cortadas em todo o território, um sinal de que as operações terrestres provavelmente vão aumentar em breve.

    As forças israelenses controlam os subúrbios do leste da Cidade de Gaza e, nos últimos dias, têm atacado as áreas de Sheikh Radwan e Tel Al-Hawa, de onde estariam posicionadas para avançar sobre as regiões central e oeste, onde a maioria da população está abrigada.

    “A desconexão dos serviços telefônicos e de internet é um mau presságio. Sempre foi um sinal ruim de que algo muito brutal está para acontecer”, disse Ismail, que só deu um nome. Ele estava usando um e-SIM para conectar seu telefone, um método perigoso, pois exige que se busque um lugar mais alto para receber sinal.

    “A situação ao meu redor é muito desesperadora. As pessoas nas barracas e nas casas estão muito preocupadas com suas vidas. Muitos não têm condições de sair, mas muitos não querem”, disse ele, falando de uma área costeira no oeste da cidade.

    Pelo menos 14 palestinos foram mortos em ataques israelenses ou tiros na Faixa de Gaza nesta quinta-feira, incluindo nove na Cidade de Gaza, disseram as autoridades de saúde locais.

    A Empresa Palestina de Telecomunicações afirmou, em comunicado, que seus serviços foram interrompidos “devido à agressão contínua e ao ataque contra as principais rotas de rede”.

    Em declaração à imprensa, as Forças Armadas israelenses disseram que as tropas estavam expandindo suas operações na Cidade de Gaza, desmantelando o que chamou de “infraestrutura terrorista” e “eliminando terroristas”. A nota não mencionou o apagão das telecomunicações nem forneceu detalhes sobre os movimentos dos tanques.

    Também informou que os militares continuam a operar em Khan Younis e Rafah, no sul.

    Centenas de milhares de palestinos fugiram da Cidade de Gaza desde que Israel anunciou, em 10 de agosto, que pretendia assumir o controle, mas um número ainda maior permanece no local, seja em casas destruídas entre as ruínas ou em acampamentos improvisados.

    Os militares estão lançando panfletos pedindo aos moradores que fujam para uma “zona humanitária” no sul do território, mas as condições lá são terríveis, com alimentos, medicamentos e espaço insuficientes e abrigo inadequado.

    Israel diz que quer esmagar o grupo militante palestino Hamas em suas fortalezas e libertar os últimos reféns ainda mantidos em Gaza, mas sua mais recente ofensiva, após dois anos de guerra devastadora, atraiu a condenação internacional.

    Agência Brasil

  • Big techs são parte da máquina de guerra dos EUA, alerta pesquisador

    Big techs são parte da máquina de guerra dos EUA, alerta pesquisador

    Sérgio Amadeu publica livro sobre uso de IA na guerra

    Em junho deste ano, o Exército dos Estados Unidos (EUA) revelou que executivos de gigantes da tecnologia como Meta, OpenIA e Palantir foram nomeados tenentes-coronéis do Destacamento 201, recém-criado para abrigar líderes da tecnologia.

    “A posse deles é apenas o começo de uma missão maior para inspirar mais profissionais de tecnologia a servir sem abandonar suas carreiras, mostrando à próxima geração como fazer a diferença no uniforme”, informou o Exército norte-americano.

    Em livro publicado neste mês, o sociólogo brasileiro Sérgio Amadeu da Silveira denuncia o uso da Inteligência Artificial (IA) pelas Forças Armadas dos EUA em parceria com as big techs como Google, Amazon e Microsoft.

    Com o título As big techs e a guerra total: o complexo militar-industrial-dataficado, o professor da Universidade Federal do ABC (UFABC) explica como a IA é usada para matar pessoas na Faixa de Gaza e defende o desenvolvimento nacional de infraestrutura digital que acabe com a dependência do Brasil das gigantes dos EUA.

    “As big techs são máquinas geopolíticas. Não vamos ter ilusão. A tecnologia não é só um meio para se atingir uma finalidade. A tecnologia é um dos principais instrumentos do poder político, econômico e militar global. O próprio Trump diz que as big techs são a linha de frente do poder americano”, explicou à Agência Brasil.

    Após os donos das big techs ficarem em lugar de destaque na posse de Donald Trump, os chefes da Meta (dona do Facebook, Instagram e Whatsapp), Apple, Microsoft e OpenIA jantaram, no início de setembro, com o presidente dos EUA na Casa Branca.

    Em entrevista à Agência Brasil, o professor explica a necessidade de o Brasil investir em infraestrutura própria e os riscos que se corre quando o governo contrata empresas estrangeiras e seus serviços em órgãos públicos, deixando os bancos de dados vulneráveis.

    No último dia 7 de setembro, o Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos – em parceria com o Serpro e a Dataprev – lançou a Nuvem Soberana para processar e guardar dados públicos em uma infraestrutura física sob gestão do Estado, ainda que com tecnologia de empresas internacionais. Para Amadeu, o lançamento é um avanço em um país como o Brasil, mas ainda não é suficiente diante das políticas expansionistas de Trump.

    Veja, abaixo, os principais trechos da entrevista.

    São Paulo (SP), 06.09.2024 – Sociólogo e professor da UFABC Sérgio Amadeu da Silveira. Foto: TV PUC/Reprodução
    Sociólogo e professor da UFABC Sérgio Amadeu da Silveira. Foto: TV PUC/Reprodução
    Agência Brasil: Como as big techs estão envolvidas com o negócio da guerra?

    Amadeu: As big techs nasceram de atividades nas redes sociais e como mecanismos de busca, mas foram se tornando verdadeiros oligopólios, engolindo outras empresas e entrando também nos negócios da guerra.

    Apesar de afirmarem que são empresas neutras, elas foram articuladas por aquilo que se chama o complexo militar-industrial dos EUA.

    No livro, mostro a introdução da IA e das big techs na guerra e a gravidade de você ter empresas usando nossos dados e as interações de milhões de pessoas no planeta para finalidades militares.

    Agência Brasil: O que é esse complexo militar-industrial-dataficado?

    Amadeu: O termo complexo militar-industrial, popularizado pelo presidente dos EUA Dwight Eisenhower (1953-1961), explica a fusão das empresas com o Pentágono. Um dos exemplos é a Lockheed, empresa que fabrica aviões e armas. Mas a Lockheed não participa das atividades de estratégia, de tática, de ações militares.

    Agora, é diferente. Como a inteligência artificial é desenvolvida em quantidades absurdas de coleta e tratamento de dados, que precisa de uma estrutura de data centers gigantesca e trabalhadores especializados, as Forças Armadas americanas trouxeram as big techs para o coração da estratégia e das ações táticas da guerra.

    As big techs integram o complexo de guerra americano, não como a Lockheed, mera fornecedora de produtos, mas elas estão dentro desse complexo dada a natureza da atividade.

    Hoje, os EUA têm contratos bilionários com as big techs. Tem o projeto Maven, da Google, alvo de protesto de funcionários da companhia, que depois incluiu a Amazon e a Palantir.

    A notícia que alguns diretores dessas big techs ganharam postos de militares de alta patente confirma essa hipótese de que o complexo militar foi dataficado [o termo “data” se refere ao processo de armazenamento e tratamento de dados realizado pelas big techs].

    Agência Brasil: A capa do livro são as ruínas de Gaza. Qual a relação das big techs com esse conflito?

    Amadeu: O primeiro grande laboratório do uso de IA para fixação de alvos militares foi a Faixa de Gaza. A IA já vinha sendo usada, mas não para mapear a população civil e encontrar alvos que deveriam ser eliminados fora de áreas de combate. Isso foi feito de maneira intensa na Faixa de Gaza uma vez que essas big techs atuam para o Estado de Israel.

    Local de ataque israelense em Jabalia, norte de Gaza
    13/4/2025
    REUTERS/Mahmoud Issa
    Local de ataque israelense em Jabalia, norte de Gaza 13/4/2025 – Reuters/Mahmoud Issa/Proibida reprodução
    Agência Brasil: Como funciona esse mapeamento da população civil para fins militares?

    Amadeu: A IA pode montar uma máquina de alvos que permite que você pegue dados de toda a população. Afinal, as big techs têm os dados do uso de redes sociais das pessoas em Gaza, além de outras bases de dados geográficos e de companhias de telefone.

    Elas fazem um tratamento desses dados e criam um modelo, um padrão, para identificar supostos militantes do Hamas. A partir dos rastros digitais deles nas redes sociais, a IA identifica, com base no padrão prévio, quem seria um militante do Hamas, um apoiador, um simpatizante, etc.

    A partir disso, eles matam os alvos fora da área de combate. Isso explicaria alguns ataques contra prédios em Gaza, que seriam para eliminar esses alvos. É uma fabricação de alvos a partir de dados de redes sociais.

    Agência Brasil: Quais outras funções as big techs têm na guerra?

    Amadeu: Elas oferecem serviços de nuvem, de desenvolvimento da IA para tipos de combates, de ações táticas. Oferecem soluções para momentos de confronto. Existe uma ampla gama de serviços, de inteligência computacional, de desenvolvimento de algoritmos, de arranjos tecnológicos, principalmente de sistemas automatizados para as Forças Armadas.

    Agência Brasil: As big techs oferecem esses serviços para todos os países?

    Amadeu: Essa é uma grande questão porque a Amazon, e outros provedores de nuvem, oferecem serviços para as Forças Armadas de países que os EUA consideram aliados.

    Agora, obviamente, se esses países, ou qualquer país, não atuarem como o Estado americano pretende, as big techs ficariam do lado do Estado americano. Isso está mais do que evidente. Muitos serviços dessas big techs só são oferecidos para o Estado americano e, obviamente, para o seu capataz no Oriente Médio, que é Israel.

    Recentemente, o governo Trump, além de sancionar os juízes da Corte Penal Internacional (TPI) em retaliação ao mandado de prisão por crimes de guerra contra Netanyahu [primeiro-ministro israelenses], mandou bloquear o acesso aos e-mails e todos os arquivos digitais que esses magistrados tivessem na Microsoft.

    Do jeito que o mundo está hoje, você não pode deixar arquivos estratégicos e sensíveis na mão da Microsoft, da Google ou Amazon. Há todo um arcabouço legal americano que essas empresas têm que cumprir. O próprio Donald Trump diz que as big techs são a linha de frente do poder americano.

    As universidades brasileiras, toda a pesquisa da Universidade brasileira, por exemplo, está armazenada na Google e na Microsoft. O Ministério da Educação precisa desenvolver infraestruturas públicas sob controle total do Brasil, com baixo impacto ambiental, para as universidades.

    Agência Brasil: As big techs prestam serviços para o Ministério da Defesa do Brasil?

    Amadeu: Recentemente [julho de 2024], o governo fez uma parceria com a Amazon, por meio do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), para assuntos de defesa.

    Quando o grupo X, antigo Twitter, do Elon Musk, não quis acatar decisões judiciais brasileiras, se avaliou bloquear a Starlink, outra empresa do Musk de conexão por satélite.

    Tive acesso a um ofício das Forças Armadas alertando o Judiciário para não suspender a Starlink porque isso iria prejudicar a mobilização das tropas.

    Isso mostra que as Forças Armadas brasileiras têm a sua infraestrutura de conectividade na mão de uma empresa americana com interesses no Brasil e que trabalha, em última análise, para o Departamento de Estado americano. Mas esse alto comando militar brasileiro não se importa com essa dependência.

    Presidente dos EUA, Donald Trump, durante cerimônia, em Nova York
    24/05/2025
    Reuters/Eduardo Munoz/Proibida reprodução
    Presidente dos EUA, Donald Trump – REUTERS/Eduardo Munoz/Proibida reprodução
    Agência Brasil: A ofensiva de Trump contra a regulação das plataformas digitais no exterior tem relação com o uso das plataformas para a guerra?

    Amadeu: Tem uma relação indireta. Desde a posse, Trump coloca as big techs como fundamentais para manter a liderança norte-americana em IA. Há várias medidas para manter os EUA líderes incontestes no terreno da IA. Isso exige dados do mundo inteiro.

    Trump falou para não tributar essas empresas. Ele quer que essas empresas naveguem aqui no Brasil, tomem os dados que tem alto valor agregado e não são quantificados, levem embora e não paguem tributos. Esse é o imperialismo descarado.

    O governo Trump criticou o Pix porque o mecanismo engoliu os meios de pagamento no Brasil do Grupo Meta. O problema foi que o Pix saiu quando o grupo Meta estava querendo, por meio do WhatsApp, viabilizar um sistema de pagamento instantâneo, o que iria gerar grana para eles. O Pix atrapalhou os planos do Zuckerberg.

    Agência Brasil: Qual é o papel geopolítico hoje das big tehcs?

    Amadeu: Elas são máquinas geopolíticas. Não vamos ter ilusão. Parece que tudo bem fazer parcerias com a OpenAI, como fez a Enap [Escola Nacional de Administração Pública, ligada ao Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos]. Isso é lamentável.

    Nós deveríamos estar discutindo incentivar sistemas de gestão próprios. Tem setores do Estado brasileiro comprando acessos de programação da OpenAI. Ao fazer isso, você pega documentos que são estratégicos e entrega para a OpenAI.

    A tecnologia, para alguns gestores públicos, é só um meio para se atingir uma finalidade. Mas a tecnologia é um dos principais instrumentos do poder político, econômico e militar global.

    Agência Brasil: Quais políticas públicas o Brasil deveria desenvolver para alcançar a soberania digital?

    Amadeu: Não há soberania nacional hoje, sem soberania tecnológica e digital. Isso é básico e é economicamente fundamental. O Brasil pode, por exemplo, organizar infraestruturas digitais federais, de baixo impacto ambiental, para as universidades, com data centers controlados e à disposição das universidades brasileiras que fazem a pesquisa.

    Os dados do setor público não podem estar na mão das big techs, ainda mais no momento onde elas são linha de frente do poder político de Trump e que há quase uma relação direta entre extrema direita e big techs.

    Não dá para você deixar os dados da saúde brasileira na Amazon. Temos que ter infraestruturas públicas, nacionais ou sob o controle de capital nacional.

    É preciso recuperar as empresas públicas de dados que surgiram nos anos 60 e que o neoliberalismo desvirtuou. Hoje você tem o Serpro, a Dataprev, que estão contratando as big techs. Essa política tem que ser anulada, tem que ser alterada.

    Essas empresas têm condição de bloquear as máquinas, de roubar dados dela, e isso está cada vez mais evidente. Os sistemas têm que ser atualizados o tempo todo, ou seja, as big techs lá de fora têm acesso a essas máquinas aqui de dentro.

    Agência Brasil: Qual avaliação você faz do programa recém-lançado Nuvem Soberana do governo federal?

    Amadeu: Lançar um programa de nuvem soberana é um avanço em um país como o Brasil. Os dados estratégicos do governo, do SUS, do desempenho escolar dos adolescentes, das universidades estão nas mãos das big techs. Temos que tomar cuidado, pois tanto o Serpro quanto a Dataprev alocam dados do setor público nas nuvens dos oligopólios digitais norte-americanos. Ter a nuvem da Amazon ou da MIcrosoft localizada no Brasil não é suficiente diante das políticas expansionistas de Trump. O Cloud Act e outras leis americanas fazem com que uma máquina e os sistemas das big techs estejam submetidos ao Estado norte-americano.

    Agência Brasil

  • A Otan está envolvida na guerra contra a Rússia, diz Kremlin

    A Otan está envolvida na guerra contra a Rússia, diz Kremlin

    Acusação ocorre em meio a acirramento de tensões entre a Rússia e a Otan por conta de incidentes com drones russos violando o espaço aéreo de países-membros da aliança militar, o que despertou reação da aliança militar.

    O Kremlin afirmou nesta segunda-feira (15) que a Otan está envolvida na guerra contra a Rússia, fala que deve escalar ainda mais as tensões entre russos e europeus.

    “A Otan está de fato envolvida nesta guerra. A Otan está fornecendo apoio direto e indireto ao regime de Kiev, (…) pode-se dizer com absoluta certeza que a Otan está lutando contra a Rússia”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, a jornalistas.

    A fala de Peskov ocorre em meio a um acirramento de tensões entre a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) por conta da invasão dos espaços aéreos polonês e romeno —dois países-membros da aliança militar— por drones russos nos últimos dias.

    A Rússia negou ter a intenção de enviar drones à Polônia, e disse não ter relação com o drone que entrou na Romênia neste final de semana. Ambos os incidentes ocorreram durante bombardeios massivos ao território ucraniano, e em ambos os casos os drones foram abatidos por caças da Otan, algo que até semana passada nunca tinha acontecido na guerra da Ucrânia, iniciada após a invasão russa em fevereiro de 2022.

    O ex-presidente russo e aliado de Putin, Dmitry Medvedev, também falou em guerra nesta segunda-feira ao criticar e ironizar a iniciativa da Otan de reforçar seu flanco oriental após os incidentes com os drones. Segundo o secretário-geral da aliança militar, Mark Rutte, a proposta é aumentar a segurança dos membros mais próximos da Rússia, como os países bálticos, o que envolve maior mobilização de tropas e veículos de guerra na região. (Leia mais abaixo)

    “Falando sério, implementar a ideia provocativa de Kiev e de outros idiotas de criar uma ‘zona de exclusão aérea sobre a Ucrânia’ e permitir que países da Otan derrubem nossos drones significará apenas uma coisa: a guerra da Otan com a Rússia”, disse Medvedev.
    Ao mesmo tempo, a Rússia está realizando exercícios militares com seu aliado Belarus. A operação iniciou dois dias após o incidente de drones na Polônia, e será finalizada nesta terça. A Rússia testou um novo míssil hipersônico durante os exercícios, que estão sendo acompanhados de perto pelo Ocidente.

    Rutte afirmou no domingo que a nova leva de mísseis russos é capaz de chegar a capitais no oeste da Europa poucos minutos após serem lançados.

    O porta-voz do Kremlin disse nesta segunda-feira que as negociações com a Ucrânia pelo fim da guerra estão suspensas, e chamou o governo ucraniano de inflexível.

    Reforço das fronteiras
    Na sexta, a Otan anunciou planos para reforçar a defesa do flanco oriental da Europa, na primeira ação do tipo durante a guerra da Rússia na Ucrânia.

    O reforço ocorre após a invasão de drones russos na Polônia, que Varsóvia classificou como uma tentativa da Rússia de testar as capacidades de resposta da Polônia e da Otan.

    Durante o lançamento do plano emergencial, os EUA se juntaram aos aliados ocidentais em uma declaração para expressar preocupação com a incursão dos drones e acusar Moscou de violar a lei internacional e a Carta da ONU.

    A Rússia alegou que suas forças estavam atacando a Ucrânia no momento das incursões dos drones e que não tinha a intenção de atingir alvos na Polônia.

    O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, chamou as incursões de “imprudentes e inaceitáveis”.

    “Não podemos ter drones russos entrando no espaço aéreo dos aliados”, disse ele ao anunciar a operação de reforço, batizada de “Sentinela Oriental”.

    A missão, que já começou na noite de sexta, envolverá uma série de recursos que integram bases aéreas e terrestres, entre os aliados que se comprometeram, incluindo Dinamarca, França, Reino Unido e Alemanha. Outros devem se juntar a ela, disse Rutte.
    O principal oficial militar da Otan, o general da Força Aérea dos EUA Alexus Grynkewich, disse que a aliança vai defender cada centímetro de seu território.

    “A Polônia e os cidadãos de toda a aliança devem estar seguros de nossa resposta rápida no início da semana e de nosso anúncio significativo aqui hoje”, disse Grynkewich na mesma coletiva de imprensa na sede da Otan em Bruxelas.

    Grynkewich disse que a Sentinela Oriental foi projetada como uma operação flexível para reforçar as defesas ao longo de todo o flanco oriental da Otan, que se estende dos estados bálticos, ao norte, até a Romênia e a Bulgária, ao sul.

    A Otan já tem forças substanciais no leste da Europa, com milhares de soldados. Não foi especificado quantas tropas adicionais estariam envolvidas na nova operação.

    O anúncio detalhou um contingente modesto de recursos militares adicionais — dois caças F-16 e uma fragata da Dinamarca, três caças Rafale da França e quatro caças Eurofighter da Alemanha. O Reino Unido disse que vai fazer sua parte e detalhar sua contribuição em breve.

    Em resposta ao comentário de Trump na quinta-feira (11) de que a incursão poderia ter sido um acidente, o primeiro-ministro polonês Donald Tusk respondeu no X: “Também gostaríamos que o ataque de drones à Polônia fosse um erro. Mas não foi. E nós sabemos disso.”

    Trump disse em uma entrevista à TV americana “Fox News” na sexta que sua paciência com Vladimir Putin estava “meio que se esgotando e se esgotando rapidamente”, e neste sábado (13) propôs à Otan um novo pacote de sanções à Rússia.

    G1

  • Brasil dá exemplo de democracia aos EUA, diz New York Times

    Brasil dá exemplo de democracia aos EUA, diz New York Times

    Artigo elogia condenação de Bolsonaro por tentativa de golpe

    Um artigo publicado no jornal The New York Times (NYT) nesta sexta-feira (12) afirma que o Brasil teve sucesso onde os Estados Unidos (EUA) fracassaram, ao comentar a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, entre outros crimes.

    Escrita por um dos autores do livro Como as Democracias Morrem, o professor de Harvard Steven Levitsky, e pelo professor Filipe Campante, o artigo afirma que a democracia do Brasil deu um exemplo à dos EUA ao condenar um ex-presidente por tentar anular a eleição.

    “Apesar de todas as suas falhas, a democracia brasileira é hoje mais saudável do que a americana. Conscientes do passado autoritário do país, as autoridades judiciais e políticas brasileiras não deram a democracia por garantida. Seus pares americanos, por outro lado, fracassaram na tarefa. Em vez de minar os esforços do Brasil para defender sua democracia, os americanos deveriam aprender com ela”, escreveram os especialistas.

    Os professores norte-americanos fazem um paralelo do julgamento de Bolsonaro com o caso de Donald Trump que, ao perder as eleições de 2020, não reconheceu o resultado e instigou apoiadores a invadir o Capitólio em 6 de janeiro de 2021, na tentativa de impedir a diplomação do democrata Joe Biden.

    “O Supremo Tribunal Federal brasileiro fez o que o Senado dos EUA e os tribunais federais tragicamente falharam em fazer: levar à justiça um ex-presidente que atacou a democracia”, disse o artigo do NYT.

    Filipe Campante e Steven Levitsky lamentam que as instituições dos EUA não puniram o atual presidente dos EUA.

    “Ao contrário dos Estados Unidos, portanto, as instituições brasileiras agiram com vigor e, até o momento, de forma eficaz, para responsabilizar um ex-presidente por tentar anular uma eleição. É justamente a eficácia das instituições brasileiras que colocou o país na mira do governo Trump”, escreveram.

    Para os especialistas, as tarifas de Trump contra o Brasil e as sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, alteram uma política que a Casa Branca tinha na América Latina desde o fim da Guerra Fria.

    “Em um movimento que evoca algumas das intervenções mais antidemocráticas dos EUA na Guerra Fria, os Estados Unidos estão tentando subverter uma das democracias mais importantes da América Latina”, avaliam os colunistas do NYT.

    Proteger a democracia
    Os autores alertaram ainda que as democracias não podem ser defendidas sozinhas e lembrou os movimentos autoritários que tomaram conta da Europa entre 1920 e 1930, como o fascismo italiano e o nazismo alemão.

    “Como os liberais europeus aprenderam naquele período, a passividade diante de tais ameaças pode custar caro. As democracias não podem se defender. Elas precisam ser defendidas. Mesmo os freios constitucionais mais bem elaborados são meros pedaços de papel, a menos que os líderes os exerçam”, argumentaram Campante e Levitsky.

    Os especialistas citam que “inúmeras evidências” da Polícia Federal indicaram que Bolsonaro e aliados militares conspiraram para anular a eleição e bloquear a posse de Lula.

    “Após os eventos de 8 de janeiro de 2023 deixarem claro que Bolsonaro representava uma ameaça à democracia, a Justiça brasileira agiu agressivamente para responsabilizá-lo — e impedir seu retorno ao poder”, destacaram.

    Trump
    O artigo do jornal nova-iorquino também denuncia o “autoritarismo” do novo governo Trump e culpa as falhas institucionais do país norte-americano.

    “O segundo governo Trump tem sido abertamente autoritário, instrumentalizando agências governamentais e mobilizando-as para punir críticos, ameaçar rivais e intimidar o setor privado, a mídia, escritórios de advocacia, universidades e grupos da sociedade civil. Ele tem rotineiramente burlado a lei e, por vezes, desafiado a Constituição. Menos de nove meses após o início da segunda presidência de Trump, os Estados Unidos provavelmente já cruzaram a linha do autoritarismo competitivo”, declararam os especialistas.

    Agência Brasil

  • Charlie Kirk: Trump diz que suspeito de matar ativista foi detido

    Charlie Kirk: Trump diz que suspeito de matar ativista foi detido

    Um homem suspeito de ter assassinado o ativista de direita dos Estados Unidos Charlie Kirk foi detido e está sob custódia policial, anunciou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta sexta-feira (12).

    Em entrevista à rede de TV Fox News, Trump afirmou que o pai do suspeito e um pastor ajudaram na captura, e afirmou que vai pedir a pena de morte para o autor do crime.

    A polícia do Utah ainda não havia se pronunciado sobre a captura anunciada por Trump até a última atualização desta reportagem.

    Kirk, um influenciador republicano de 31 anos aliado do presidente dos EUA, Donald Trump, morreu na quarta-feira (10) após ser baleado no pescoço enquanto falava em um evento na Utah Valley University. O suspeito do crime foi filmado em um telhado da universidade.

    A captura ocorre no 3º dia de buscas pelo atirador, que mobilizaram policiais locais e o FBI.

    Na noite de quinta-feira, novas imagens da universidade registraram o momento em que um homem pula de um telhado e corre logo após o crime (veja acima).

    O suspeito do assassinato continuava foragido até a última atualização desta reportagem.

    Sem novas informações, o diretor do FBI, Kash Patel, permaneceu em silêncio durante uma entrevista coletiva na noite de quinta-feira, durante a qual as autoridades não aceitaram perguntas e reforçaram o pedido de ajuda ao público.
    “Precisamos de toda a ajuda que possamos ter. Qualquer vídeo ou foto que tenham, devem ser enviados para nossa página de pistas”, disse o governador de Utah, Spencer Cox.

    Cox afirmou ainda que pedirá pena de prisão perpétua ao criminoso.

    “Eu acho que o pegamos”, disse o presidente norte-americano, que afirmou “ter alto grau de certeza” tratar-se do atirador.

    Investigações

    Enquanto policiais locais e o FBI procuram pelo atirador, investigadores já entrevistaram mais de 200 pessoas e coletaram mais de 7.000 pistas, segundo a polícia.

    Na quinta, o FBI divulgou imagens de um homem considerado “o potencial atirador” e anunciou uma recompensa de US$ 100 mil dólares (cerca de R$ 630 mil) por informações que levem à sua identificação e captura.

    As imagens mostram um homem com um boné preto, óculos escuros, tênis e uma camiseta preta com uma estampa que parece ser a bandeira norte-americana.

    ‘Contra a violência’
    Kirk foi atingido por um tiro no pescoço quando debatia com estudantes no campus. As autoridades acreditam que um único tiro foi disparado de um telhado a quase 200 metros de distância.

    Um fuzil de alta potência foi localizado em uma área arborizada que a polícia acredita ter sido a rota de fuga do suspeito.

    Embora a identidade do suspeito ou a motivação do crime não sejam conhecidas, Trump responsabilizou a esquerda, mas na quinta-feira foi mais comedido.

    “Ele defendia a não violência. É dessa maneira que quero que as pessoas respondam”, disse o presidente sobre o assassinato de um de seus mais importantes aliados, considerado responsável por impulsionar sua vitória presidencial ao conquistar o eleitorado jovem.
    Quando um jornalista perguntou sobre os possíveis motivos do crime, Trump limitou-se a responder: “Tenho uma pista, sim, mas contarei mais tarde”.

    O corpo de Kirk foi levado na quinta-feira para Phoenix, Arizona, no avião do vice-presidente JD Vance, que ajudou a carregar o caixão. A viúva, Erika Kirk, também estava a bordo da aeronave.

    ‘Mudou o clima político’
    O crime foi condenado por ambos os lados do espectro político, em uma rara demonstração de consenso na extremamente polarizada opinião pública americana.

    No entanto, teorias conspiratórias e mensagens confrontadoras proliferam nas redes sociais. “Eles estão em guerra contra nós”, reagiu na quarta-feira o jornalista Jesse Watters, da Fox News.

    Kirk foi assassinado justamente enquanto respondia à pergunta de um jovem sobre os tiroteios nos Estados Unidos.

    Trump foi quem anunciou oficialmente a morte de Kirk, a quem concederá a Medalha Presidencial da Liberdade, a principal honraria civil dos Estados Unidos.

    Pai de dois filhos e defensor de valores conservadores e cristãos, Kirk era muito conhecido no cenário político norte-americano por fundar a organização “Turning Point USA” em 2012, cuja missão era promover ideias conservadoras entre os jovens.

    Ele tinha uma imensa audiência nas redes sociais e comparecia regularmente a universidades para debater em pleno campus, sob uma tenda, com os estudantes.

    “Ele realmente mudou o clima político nos campi americanos, levando os jovens a considerarem as ideias conservadoras de maneira diferente”, disse Dave Sanchez, que participava do evento de quarta-feira.
    O crime chocou o país, que registrou um aumento da violência política nos últimos anos. Trump foi vítima de duas tentativas de assassinato durante a campanha eleitoral de 2024.

    Este ano, a congressista democrata Melissa Hortman e seu marido foram assassinados, e a casa do governador da Pensilvânia, Josh Shapiro, foi incendiada.

  • Venezuela aumentará tropas em estados para combater tráfico de drogas

    Venezuela aumentará tropas em estados para combater tráfico de drogas

    Anúncio foi feito depois de EUA enviarem mais 10 caças a Porto Rico

    A Venezuela prometeu nesse domingo (7) aumentar drasticamente as tropas nos estados costeiros para combater o tráfico de drogas – medida que ocorre depois que os Estados Unidos (EUA) determinaram o envio de mais dez caças a Porto Rico para realizar operações contra os cartéis na região.

    O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, ordenou o envio de mais tropas para a região de Guajira, no estado de Zulia, e para a península de Paraguaná, em Falcón, disse o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, acrescentando que a área constitui “rota do tráfico de drogas”.

    A presença militar na ilha de Nueva Esparta e nos estados de Sucre e Delta Amacuro também será ampliada. Cerca de 25 mil soldados devem ser enviados, em comparação com os 10 mil que foram enviados aos estados de Zulia e Táchira, que fazem fronteira com a Colômbia, segundo Padrino.

    “Ninguém virá e fará o trabalho por nós. Ninguém vai pisar nesta terra e fazer o que devemos fazer”, disse o ministro em vídeo postado nas redes sociais.

    As tensões entre a Venezuela e os EUA aumentaram na esteira da nova abordagem do presidente Donald Trump para combater o narcotráfico ilegal.

    O envio dos jatos se soma ao acúmulo militar dos EUA no Caribe e ocorre após um ataque militar, na semana passada, que matou 11 pessoas e afundou um barco da Venezuela que, segundo Trump, estava transportando drogas.

    Maduro acusou os EUA de buscar uma mudança de regime.

    Trump afirmou, na sexta-feira (5), que os Estados Unidos não estão falando de uma mudança de regime, mas comparou as mortes de centenas de milhares de norte-americanos por overdose a mortos de guerra, enquanto procurava justificar a atividade militar no Caribe.

    O presidente norte-americano está avaliando as opções para novos ataques, incluindo possíveis alvos suspeitos de cartéis de drogas na Venezuela, informou a CNN na sexta-feira, citando várias fontes informadas sobre os planos do governo. O ataque marcaria uma grande escalada

    Agência Brasil

  • Líderes do Brics discutem como ampliar mecanismos de comércio no bloco

    Líderes do Brics discutem como ampliar mecanismos de comércio no bloco

    Presidente Lula organizou cúpula virtual nesta segunda-feira

    Os líderes dos países do Brics discutiram, nesta segunda-feira (8), como ampliar os mecanismos de comércio entre as nações do bloco de países emergentes.

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva organizou uma cúpula virtual com o objetivo de coordenar estratégias centradas no multilateralismo, em meio à nova política dos Estados Unidos de elevar as tarifas de parceiros comerciais.

    “O comércio e a integração financeira entre nossos países oferecem opção segura para mitigar os efeitos do protecionismo”, afirmou em discurso aos chefes de Estado.

    Para Lula, o grupo de potência do Sul Global tem “a legitimidade necessária para liderar a refundação do sistema multilateral de comércio em bases modernas, flexíveis e voltadas às nossas necessidades de desenvolvimento”.

    Em seu discurso, ele citou o papel do Novo Banco de Desenvolvimento (banco do Brics) na diversificação das bases econômicas e as complementariedades entre os países.

    “Juntos, representamos 40% do PIB global, 26% do comércio internacional e quase 50% da população mundial. Temos entre nós grandes exportadores e consumidores de energia. Reunimos as condições necessárias para promover uma industrialização verde, que gere emprego e renda em nossos países, sobretudo nos setores de alta tecnologia. Reunimos 33% das terras agricultáveis e respondemos por 42% da produção agropecuária global”, disse.

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    Para o presidente brasileiro, a crise de governança “não é uma questão conjuntural” e cabe ao Brics mostrar que a cooperação “supera qualquer forma de rivalidade”.

    “A Organização Mundial do Comércio [OMC] está paralisada há anos. Em poucas semanas, medidas unilaterais transformaram em letra morta princípios basilares do livre comércio como as cláusulas de Nação Mais Favorecida e de Tratamento Nacional. Agora assistimos ao enterro formal desses princípios. Nossos países se tornaram vítimas de práticas comerciais injustificadas e ilegais”, disse.

    “A chantagem tarifária está sendo normalizada como instrumento para conquista de mercados e para interferir em questões domésticas. A imposição de medidas extraterritoriais ameaça nossas instituições. Sanções secundárias restringem nossa liberdade de fortalecer o comércio com países amigos. Dividir para conquistar é a estratégia do unilateralismo”, acrescentou.

    Neste ano, o Brasil está na presidência do Brics. No contexto de mudanças da geopolítica mundial, em diversos fóruns internacionais, desde o início deste terceiro mandato, Lula vem defendendo a reforma de instituições multilaterais de governança global, como o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e a OMC.

    “Precisamos chegar unidos na 14ª Conferência Ministerial da OMC no próximo ano, no Cameroun”, defendeu Lula ao discursar aos chefes de Estado.

    A reunião foi privada e o discurso do presidente foi divulgado pelo Palácio do Planalto.

    “A reunião foi também ocasião para compartilhar visões sobre como enfrentar os riscos associados ao recrudescimento de medidas unilaterais, inclusive no comércio internacional, e sobre como ampliar os mecanismos de solidariedade, coordenação e comércio entre os países do Brics”, diz outra nota da Presidência do Brasil.

    Tarifaço
    O tarifaço da Casa Branca tenta reverter a relativa perda de competitividade da economia do país norte-americano para a China nas últimas décadas.

    Especialistas consultados pela Agência Brasil avaliam que a medida do presidente Donald Trump também é uma chantagem política com objetivo de atingir o Brics, já que o grupo de potências do Sul Global tem sido encarado por Washington como uma ameaça à hegemonia estadunidense no mundo, em especial, devido à proposta de substituir o dólar nas trocas comerciais.

    A reunião extraordinária de hoje ocorre dois meses após a Cúpula do Brics no Rio de Janeiro, momento em que Trump voltou a ameaçar os países que se alinhem às políticas do bloco.

    Durante seu discurso, o presidente da China, Xi Jinping, também falou sobre a criação da Iniciativa de Governança Global (IGG), possível embrião de uma nova ordem mundial.

    A proposta foi divulgada durante encontro no início do mês com a presença de 20 líderes de países não ocidentais, incluindo o russo Vladimir Putin e o indiano Narendra Modi, também membros do Brics.

    Brics
    Criado em 2009, o Brics é formado por Brasil, Rússia, Índia, China – que são os países fundadores – África do Sul – que integrou o bloco logo após a criação, em 2011 – Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã – admitidos em 2024.

    Guerras e COP30
    Em seu discurso, Lula ainda abordou o “fracasso” mundial na solução de conflitos entre os países, como a guerra na Ucrânia e genocídio na Faixa de Gaza.

    “Quando o princípio da igualdade soberana dos Estados deixa de ser observado, a ingerência em assuntos internos se torna prática comum. A solução pacífica de controvérsias dá lugar a condutas belicosas”, disse.

    No mesmo sentido, Lula fez referência à presença de submarino e navios militares dos Estados Unidos no Caribe, na costa da Venezuela, sob argumento do combate ao narcotráfico.

    O governo estadunidense acusa o governo venezuelano de Nicolás Maduro de liderar um cartel narcotraficante. Maduro rejeita as acusações e diz que Washington usa esse argumento para promover uma “troca de regime” no país sul-americano, dono das maiores reservas de petróleo do mundo.

    Para Lula, tanto o terrorismo quanto os desafios de segurança pública que muitos países enfrentam são fenômenos distintos e que “não devem servir de desculpa para intervenções à margem do direito internacional”.

    “A América Latina e o Caribe fizeram a opção, desde 1968, por se tornar livres de armas nucleares. Há quase 40 anos somos uma Zona de Paz e Cooperação. A presença de forças armadas da maior potência do mundo no Mar do Caribe é fator de tensão incompatível com a vocação pacífica da região”, disse.

    Ainda, o presidente brasileiro reforçou o convite aos líderes para participar da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), em Belém, em novembro próximo.

    Lula ainda sugeriu a criação de um Conselho de Mudança do Clima da ONU, que articule diferentes atores, processos e mecanismos que hoje “se encontram fragmentados”.

    “O impacto do unilateralismo também é grave na esfera ambiental. Os países em desenvolvimento são os mais impactados pela mudança do clima. A COP30, em Belém, será o momento da verdade e da ciência. Além de trabalhar pela descarbonização planejada da economia global, podemos utilizar os combustíveis fósseis para financiar a transição ecológica. Precisamos de uma governança climática mais forte, capaz de exercer supervisão efetiva”, disse.

    Por fim, os líderes trocaram impressões em preparação à 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, que ocorre em Nova York, no fim deste mês. Para Lula, será a oportunidade de defender “um multilateralismo revigorado” e tratar sobre a arquitetura multilateral no âmbito digital.

    “Sem uma governança democrática, projetos de dominação centrado em poucas empresas de alguns países vão se perpetuar. Sem soberania digital, seremos vulneráveis à manipulação estrangeira. Isso não significa fomentar um ambiente de isolacionismo tecnológico, mas fomentar a cooperação a partir de ecossistemas de base nacional, independentes e regulados”, disse.

    Participaram da cúpula virtual desta segunda-feira os líderes de China, Egito, Indonésia, Irã, Rússia, África do Sul, além do príncipe herdeiro dos Emirados Árabes Unidos, do chanceler da Índia e do vice-ministro das Relações Exteriores da Etiópia.

    Agência Brasil

  • Jerusalém: ataque a tiros em ônibus deixa 6 mortos e mais de 10 feridos

    Jerusalém: ataque a tiros em ônibus deixa 6 mortos e mais de 10 feridos

    Um ataque a tiros dentro de um ônibus em Jerusalém deixou, nesta segunda-feira (8), ao menos seis mortos e mais de dez feridos, entre eles seis em estado grave, segundo autoridades israelenses e serviços de emergência.

    De acordo com a agência Associated Press (AP), dois homens armados entraram no veículo e abriram fogo contra passageiros. A polícia informou que os suspeitos foram “neutralizados” no local.

    “Este é o mal que Israel enfrenta. Dois terroristas abriram fogo contra um ônibus em Jerusalém — mirando passageiros, transeuntes, qualquer pessoa ao alcance. A guerra que Israel trava é por todos que se levantam contra o terror”, afirmou o governo Benjamin Netanyahu em publicação na rede social X.

    O número de feridos diverge entre autoridades. A polícia fala em 11, o serviço de resgate Magen David Adom menciona 12, e o gabinete de Netanyahu afirma que são “mais de 12”. O ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar, confirmou a morte de seis pessoas: um homem de 50 anos, uma mulher na casa dos 50, três homens de aproximadamente 30 anos e uma pessoa que não teve a identidade revelada.

    O ataque ocorreu em um cruzamento na entrada norte de Jerusalém, em estrada que leva a assentamentos judaicos em Jerusalém Oriental, região da Cisjordânia. O episódio acontece dias após a aprovação pelo governo israelense de uma ampla expansão dos assentamentos, medida considerada ilegal pela comunidade internacional e que aumenta tensões com a população palestina.

    Vídeos do local mostram correria de dezenas de pessoas, em meio a disparos, próximo a pontos de ônibus lotados no horário de pico. O grupo Hamas, que trava guerra contra Israel desde outubro de 2023 na Faixa de Gaza, elogiou a ação de dois “combatentes da resistência palestina”, mas não reivindicou responsabilidade.

    Após o ataque, Netanyahu visitou a área acompanhado de autoridades de segurança, mas não fez pronunciamento público. O Exército israelense informou ter enviado tropas para reforçar a segurança e buscar possíveis cúmplices.

    Embora Israel tenha registrado ataques esporádicos nos últimos meses, o último ataque em massa com vítimas fatais ocorreu em outubro de 2024, quando dois palestinos abriram fogo em Tel Aviv, matando sete pessoas. O braço armado do Hamas assumiu a autoria naquela ocasião.

    Segundo dados do Escritório da ONU para Assuntos Humanitários, entre outubro de 2023 e julho de 2025, pelo menos 49 israelenses foram mortos por palestinos em Israel ou na Cisjordânia. No mesmo período, forças e civis israelenses mataram ao menos 968 palestinos nesses territórios.

    Bahia Notícias

  • Reunião virtual de líderes do Brics deve abordar tarifaço e guerras

    Reunião virtual de líderes do Brics deve abordar tarifaço e guerras

    Presidente Lula participa de vídeo chamada na manhã desta segunda

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa, na manhã desta segunda-feira (8), de reunião virtual com líderes dos países membros do Brics.

    A cúpula foi organizada pelo Brasil, que está na presidência rotativa do bloco de países emergentes, com o objetivo de coordenar estratégias centradas no multilateralismo, em meio à nova política dos Estados Unidos de elevar as tarifas contra parceiros comerciais.

    O fortalecimento de acordos e o uso de moedas nacionais e mecanismos alternativos de comércio devem ser discutidos, bem como as guerras na Ucrânia e na Faixa de Gaza e a necessidade de reformas nas instituições de governança global.

    Lula ainda deve reforçar o convite aos líderes para participar da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), em Belém, em novembro próximo.

    O tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump tenta reverter a relativa perda de competitividade da economia do país norte-americano para a China nas últimas décadas.

    Especialistas consultados pela Agência Brasil avaliam que a medida do governo estadunidense também é uma chantagem política com objetivo de atingir o Brics, já que o grupo de potências do Sul Global tem sido encarado por Washington como uma ameaça à hegemonia dos Estados Unidos no mundo, em especial, devido à proposta de substituir o dólar nas trocas comerciais.

    A reunião extraordinária de hoje ocorre dois meses após a Cúpula do Brics no Rio de Janeiro, momento em que Trump voltou a ameaçar os países que se alinhassem às políticas do bloco.

    O Brics é formado por Brasil, Rússia, Índia, China – que são os países fundadores –, África do Sul – que integrou o bloco logo após a criação –, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã.

    A reunião será fechada e o governo deve divulgar uma nota após o encontro com detalhes do que foi tratado na reunião. Em sua fala, Lula deve reforçar a defesa da soberania do país e a importância de ampliação e diversificação comercial entre os países do Sul Global.

    Agência Brasil