Salvador, 16 de janeiro de 2026
Editor: Chico Araújo

COATO Coletivo realiza o Liquidificador de Mídias – Ano 6 de 21 a 23 de janeiro na Casa do Benin

Entre pesquisa, experimentação e criação, o projeto Liquidificador de Mídias – idealizado pelo COATO Coletivo – chega a sua sexta edição entre os dias 21 e 23 de janeiro de 2026, na Casa do Benin (Pelourinho), com o tema “Expansão de territórios artísticos: entre o local e o global”. Realizado desde 2017, o evento se consolida como um espaço de encontro entre diferentes campos da criação artística contemporânea, em uma programação interdisciplinar que tensiona permanentemente os modos de pensar e fazer arte.

Durante os três dias, o Liquidificador de Mídias propõe um diálogo com o público, pesquisadores e artistas sobre sobre território, identidade e memória, atrelado às experiências no Brasil e em outros territórios. O tema também contempla as possibilidades de interconexão digital com outros locais, permitindo a troca de saberes com comunidades em diferentes partes do planeta, fortalecendo redes de criação, pensamento crítico e circulação simbólica.

Atividades

A programação tem início na quarta-feira (21), das 10h às 12h, com a Workshop “Chão que somos”, conduzida por Caboclo de Cobre, com inscrições gratuitas através de formulário disponível no perfil @coatocoletivo no Instagram. A vivência propõe uma refundação da história para o desvelamento da real identidade, tendo as palavras “comunidade” e “ancestralidade” como pilares metodológicos.

Caboclo de Cobre realizará uma prática que tem como objetivo restaurar o apagamento das contribuições indígenas e afro-brasileiras na construção identitária do povo brasileiro. “Salvador é território sagrado indígena, é território Tupinambá. Chão Que Somos é um despertar de sensações de pertencimento e de familiaridade à matriz originária do Brasil e busca através da ritualização aguçar os sentidos dos partícipes para a percepção destas culturas no dia a dia da urbanidade”, destaca Caboclo de Cobre.

O processo se desenvolve em três etapas — investigação, experimentação e criação — articulando práticas corporais, técnicas vocais, ritualizações, cultura oral e narrativas pessoais, culminando na construção de estados de presença e performance que reafirmam o corpo como espaço de memória, identidade e insurgência. A oficina resulta numa criação performativa coletiva. A atividade é voltada para pessoas a partir de 18 anos.

Às 14h, acontece a Mostra de Curtas, com curadoria das artistas e pesquisadoras Ixchel Castro e Natielly Santos – integrantes do COATO Coletivo. A seleção reúne obras que abordam dinâmicas de resistência e reexistência de comunidades e povos tradicionais da Bahia, mapeando a defesa de territórios, culturas e modos de vida frente à desigualdade social, à especulação imobiliária e ao capital extrativista, sem abrir mão do olhar poético da arte.

Integram a mostra os curtas “SSA – Suspiros e Sussurros de Acordar” – de Heder Novaes e Mirian Fonseca (2024), “Não consigo respirar” – com direção de Lucas Sato (2020), além de uma produção audiovisual resultante dos experimentos realizados durante o Lab.Ex – Laboratório de Experimentação Cênica na circulação do COATO em Lençóis, Barreiras e Cachoeira no segundo semestre de 2025.

Ainda no primeiro dia, às 15h30, ocorre a apresentação do espetáculo “Árvore-ser”, seguida de bate-papo. A obra, idealizada e performada pelo dançarino Thiago Cohen, é uma investigação corpo/poética que nasce da experiência do vazio durante a pandemia da Covid-19 e do estudo do tempo em relação às entidades Árvores que resistem no caos urbano. A proposta se constrói como um rito de descoberta de um corpo da espera, que busca raízes, denuncia a desconexão corpo/natureza e convoca o devir árvore como potência poética e política.

Na quinta-feira (22), a programação retoma pela manhã com a continuidade da oficina de teatro com Caboclo de Cobre, das 10h às 12h. Já no período da tarde, das 14h às 15h30, acontece a Mesa Redonda “Arte e terra: pela dignidade de existir”, com a participação da deputada estadual Lucinha do MST, da artista transdisciplinar e mestra em antropologia Clara Domingas e do professor antirracista e agente territorial de cultura Fernando Ferreira.

A mesa propõe o diálogo de saberes e experiências sobre a defesa do território — planeta e corpo —, a luta pela (re)existência digna dos povos e a preservação dos entornos naturais frente ao “cis-tema” que opera a destruição do que não lhe representa, enfatizando o impacto social, simbólico e ancestral do agir coletivo na política e na arte.

Às 15h30, o público é convidado para o Slam, com a participação da trupe Slam Dê Ideia – formado por slamers da Cidade Baixa em Salvador, em uma batalha de poesia, música e resistência que transforma o Liquidificador em espaço de troca de olhares, alegria e coletividade, celebrando a palavra como ferramenta de mobilização e pertencimento.

Encerrando a programação, na sexta-feira (23), às 15h, acontece a apresentação da palestra-performance “Inflexo Teatro”, seguida de bate-papo. O trabalho, de Danilo Lima, discute a linguagem teatral a partir de uma perspectiva crítica, refletindo sobre os processos de colonização, catequização e apagamento cultural operados desde o período colonial, ao mesmo tempo em que propõe deslocamentos estéticos e políticos para a cena contemporânea.

O Liquidificador de Mídias – Ano 6 reafirma-se como espaço de experimentação, escuta, intercâmbio e produção de pensamento crítico sobre as artes, os territórios e as múltiplas formas de existência, fortalecendo conexões entre práticas locais e debates globais, entre ancestralidade, tecnologia, presença e futuros possíveis. Esta sexta edição está atrelada ao projeto de manutenção “Território Expandido: Arte Local e Global”, que marca o fortalecimento da pesquisa continuada do COATO.

Este projeto foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia e tem apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado via PNAB, direcionada pelo Ministério da Cultura – Governo Federal.

SERVIÇO

O quê: Liquidificador de Mídias – Ano 6 | Expansão de territórios artísticos: entre o local e o global – COATO COLETIVO

Quando: 21 a 23 de janeiro de 2026

Onde: Casa do Benin – Pelourinho, Salvador (BA)

Programação: Workshops, mostra de curtas, espetáculo, mesa redonda, slam e palestra-performance

Inscrições: Workshop gratuita, via formulário disponível no Instagram @coatocoletivo

Quanto: Gratuito

Informações: @coatocoletivo (Instagram)

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