Salvador, 23 de outubro de 2026
Editor: Chico Araújo

Dia Mundial da Alfabetização e a importância de respeitar etapas do aprendizado da leitura

Foto: Samara Garcia

* Luciana Brites, Doutoranda em Ciências do Desenvolvimento Humano e Mestra em Distúrbios do Desenvolvimento

Celebrado em 8 de setembro, o Dia Mundial da Alfabetização nos ajuda a refletir sobre os desafios enfrentados por alunos, professores e famílias. Também ressalta a importância de compreender o desenvolvimento da leitura e analisar quais estratégias favorecem esse processo.

Para ler uma palavra, o cérebro utiliza dois caminhos principais. O primeiro é a chamada rota fonológica, responsável pela leitura inicial e pela decodificação de palavras. Nesse processo, a criança junta sons e letra por letra. Essa etapa é mais lenta e exige esforço cognitivo e construção gradual da habilidade.

O segundo caminho é a rota lexical. O cérebro já reconhece a palavra visualmente e consegue identificá-las de maneira rápida e automática, sem precisar soletrar, por exemplo. O desenvolvimento da leitura acontece de forma eficiente quando os dois caminhos funcionam em equilíbrio.

A dificuldade surge quando se tenta acelerar o processo, priorizando o reconhecimento visual antes que a criança consolide habilidades fundamentais relacionadas à consciência dos sons. Quando a alfabetização se apoia na memorização visual, a criança pode apresentar dificuldades diante de palavras novas, demonstrando dependência da memória e insegurança na leitura.

Alguns sinais podem indicar que o processo não está consolidado. Por exemplo, a criança que consegue nomear letras isoladamente, mas não consegue unir sons para formar palavras completas. Outro indicativo é a dificuldade em perceber rimas e semelhanças sonoras entre palavras, demonstrando fragilidade na percepção dos sons da fala.

A leitura não é uma habilidade adquirida de maneira natural. Trata-se de uma construção que exige treinamento e adaptação cerebral. Com isso, a consciência fonológica aparece como habilidade central no processo de alfabetização. Ela envolve a capacidade de perceber que palavras são formadas por unidades sonoras menores e de manipular esses sons de diferentes formas. Atividades como rimas, aliterações e exploração sonora contribuem para fortalecer essa base, favorecendo a construção da leitura e da escrita.

No Dia Mundial da Alfabetização, a reflexão proposta deve ir além do acesso à leitura. Ela deve reconhecer que alfabetizar envolve conhecimento, estratégia e compreensão profunda sobre como o cérebro aprende. Entender a ciência por trás da alfabetização é o que diferencia o mestre de um instrutor.

(*) Luciana Brites é CEO do Instituto NeuroSaber, psicopedagoga, psicomotricista, Doutoranda em Ciências do Desenvolvimento Humano e Mestra em Distúrbios do Desenvolvimento pelo Mackenzie, palestrante e autora de livros sobre educação e transtornos de aprendizagem. Instituto NeuroSaber https://institutoneurosaber.com.br

Veja também

unnamed (1)
Já com mais de 40 jogos no ano, Igor Fernandes valoriza ‘empenho coletivo’ do Náutico e projeta confronto com o Juventude
Jogando fora de casa pela Série B do Brasileirão, o Náutico somou um ponto importante diante do Goiás....
AME Pirajá
Multicentro AME Pirajá realiza Dia D do Outubro Rosa com oferta de mamografias
O Multicentro AME Pirajá, da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Salvador, realiza, neste sábado (24),...
Prefeito Bruno Reis na Câmara de Salvador-Foto-Betto Jr
Bruno Reis repudia violência sexual contra agente de endemias em Salvador: “Episódio revoltante, covarde e inaceitável”
O prefeito de Salvador, Bruno Reis, repudiou, nesta quinta-feira (22), o caso de uma agente de combate...
Blue Run Salvador - edição 2025 - Crédito - Fotoshow 2
Meia Maratona Blue Run Salvador Mater Dei terá mais de R$ 33 mil em premiações
Com percursos de 5, 10 e 21 km, prova acontece em 1º de novembro e recebe inscrições até 30 de outubro...

Opinião

ucsal
UCSal: semeando saberes e sonhos ao longo de 65 anos