Salvador, 29 de julho de 2026
Editor: Chico Araújo

Dois anos após casamento nas Pirâmides de Gizé, Bárbara Carine e Thiago Thomé lançam dia 08 de agosto livros autorais na FLIPELÔ e apresentam ao público o selo Atotô Editorial

Há histórias que começam com um casamento. Outras começam com uma viagem. A de Bárbara Carine e Thiago Thomé reúne as duas experiências e transforma uma celebração de amor em um projeto editorial. No dia 8 de agosto, exatamente dois anos após realizarem uma cerimônia simbólica de casamento nas Pirâmides de Gizé, no Egito, a escritora, educadora e vencedora do Prêmio Jabuti e o multiartista lançam, durante a Festa Literária Internacional do Pelourinho (FLIPELÔ), no Largo Tereza Batista, às 16h, os livros “O Velho Mundo: Egito Negro nas Escolas” e “Jorge Obaína e o Tesouro de Nefertári”.

A ocasião marca também a apresentação da Atotô Editorial, selo criado pelo casal em parceria com a Editora Caxinguelê, dedicado à publicação de obras comprometidas com perspectivas negras, afrocentradas e decoloniais. Antes de Salvador, os livros ganham lançamento nacional no Rio de Janeiro, no dia 03 de agosto.

A chegada à FLIPELÔ representa um reencontro entre as obras e um território profundamente marcado pela memória africana. É nesse contexto que os livros chegam aos leitores baianos: como resultado de uma travessia que uniu pesquisa, imaginação, ancestralidade e literatura. Ambos os livros já estão com pré-venda na Amazon, no valor de R$59,90 (cada).

“Celebrar esses livros na Bahia, durante a FLIPELÔ, tem um significado muito especial. Foi daqui que partimos para viver uma experiência que transformou nossas vidas e foi para cá que voltamos com o desejo de escrever. Lançar essas obras exatamente dois anos depois da cerimônia nas Pirâmides de Gizé é reconhecer que aquela viagem continua produzindo conhecimento, afeto e novas possibilidades de criação”, afirmam Bárbara Carine e Thiago Thomé.

Uma viagem, dois livros

Em agosto de 2024, Bárbara Carine e Thiago Thomé atravessaram o Egito durante dez dias. Da região do Cairo ao extremo sul do país, na fronteira com o Sudão, percorreram templos, museus, sítios arqueológicos e comunidades núbias, em uma imersão que extrapolou o turismo e se transformou em experiência de investigação histórica, espiritual e afetiva.

Ao retornarem ao Brasil, compreenderam que aquela vivência precisava continuar.

Mas, cada um escolheu um caminho diferente para contar essa história. Bárbara transformou a experiência em um livro de não ficção que revisita Kemet a partir de uma perspectiva afrocentrada, reunindo história, arqueologia, filosofia, geografia, educação e relações étnico-raciais. Thiago escreveu um romance de aventura que acompanha um arqueólogo negro brasileiro em uma investigação repleta de mistérios, conspirações e disputas pela preservação do patrimônio africano.

As duas obras inauguram também a Atotô Editorial, um selo que nasce comprometido com a publicação de livros que ampliem o espaço para autores e autoras negros, fortaleçam perspectivas afrocentradas e promovam novas formas de compreender a história, a literatura e a produção de conhecimento. “A Atotô nasce porque queremos publicar livros que ampliem repertórios, fortaleçam outras narrativas e contribuam para que mais autores negros encontrem espaço no mercado editorial brasileiro”, destaca Thomé.

O Egito negro como território de memória

Em “O Velho Mundo: Egito Negro nas Escolas”, Bárbara Carine convida o leitor a percorrer uma jornada que articula pesquisa acadêmica, relato de viagem e reflexão educacional para revisitar uma das civilizações mais importantes da humanidade. Distanciando-se das interpretações eurocêntricas que historicamente afastaram o Egito de sua identidade africana, a autora apresenta evidências históricas, arqueológicas e filosóficas que reafirmam Kemet como uma civilização negra.

Num diálogo íntimo com o leitor, Bárbara Carina demonstra como esse apagamento repercute, ainda hoje, na educação, na produção de conhecimento e na construção das identidades negras. Sem assumir o formato de um livro didático, a obra aproxima rigor científico e escrita sensível, transformando a experiência vivida pela autora em um convite para que leitores, estudantes, educadores e pesquisadores reconstruam suas referências sobre a história da África e da humanidade.

Protagonismo Negro

Se em “O Velho Mundo: Egito Negro nas Escolas” Bárbara Carine transforma a viagem em investigação histórica, Thiago Thomé percorre outro caminho. Em “Jorge Obaína e o Tesouro de Nefertári”, o escritor apresenta seu terceiro livro e inaugura uma saga protagonizada por um arqueólogo negro brasileiro — um personagem ainda raro na literatura de aventura contemporânea.

A narrativa se passa em 2050, quando Jorge Obaína, já reconhecido internacionalmente, é provocado pelo neto a contar como um professor universitário brasileiro se tornou um dos arqueólogos mais importantes do mundo. A resposta conduz o leitor ao Cairo, onde um simples papiro adquirido como lembrança revela uma escrita impossível, reunindo hieróglifos, árabe arcaico e símbolos adinkra.

A descoberta desencadeia uma investigação que atravessa pirâmides, templos, museus e cidades históricas do Egito, colocando Jorge e a arqueóloga egípcia Nádia El-Din diante de uma rede internacional de tráfico de patrimônio, disputas geopolíticas e segredos preservados há milhares de anos.

Entre suspense, romance, arqueologia e memória, o livro propõe uma reflexão sobre pertencimento e reparação histórica, questionando quem tem o direito de proteger, interpretar e contar a história das grandes civilizações africanas. Ao criar Jorge Obaína, Thomé também amplia os horizontes da ficção brasileira ao oferecer aos jovens leitores um protagonista negro em uma narrativa de aventura de fôlego internacional.

“Durante muito tempo consumimos histórias de aventura protagonizadas quase sempre pelos mesmos perfis de personagens. Quis imaginar um arqueólogo brasileiro, negro, inteligente e profundamente conectado com a história africana. Jorge Obaína nasce desse desejo de ampliar o nosso imaginário e mostrar que também podemos ocupar esses lugares na literatura.”, afirma Thiago Thomé.

Literatura, memória e novos futuros

Embora pertençam a gêneros distintos, os dois livros compartilham a mesma origem: uma experiência vivida em solo africano que transformou uma celebração íntima em um projeto coletivo de produção de conhecimento. Enquanto Bárbara Carine revisita a história para fortalecer práticas educativas comprometidas com a valorização das matrizes africanas, Thiago Thomé utiliza a ficção para criar novos heróis, deslocar imaginários e aproximar jovens leitores de temas como arqueologia, ancestralidade e identidade.

Ao transformar uma viagem em literatura, o casal reafirma que as histórias também são lugares de encontro — entre passado e futuro, pesquisa e imaginação, memória e invenção. No caso de “O Velho Mundo: Egito Negro nas Escolas” e “Jorge Obaína e o Tesouro de Nefertári”, esse encontro começou diante das Pirâmides de Gizé e agora segue seu percurso pelas mãos dos leitores.

SERVIÇO

Lançamento da Atotô Editorial e livros na FLIPELÔ

Livros

O Velho Mundo: Egito Negro – KMT, de Bárbara Carine

Jorge Obaína e o Tesouro de Nefertári, de Thiago Thomé

Data: 8 de agosto de 2026, às 16h

Evento: Festa Literária Internacional do Pelourinho (FLIPELÔ)

Local: Largo Tereza Batista – Pelourinho

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