Salvador, 26 de outubro de 2026
Editor: Chico Araújo

Futebol sob pressão: como a saúde mental influencia no desempenho dos atletas em campo

Crédito das imagens: UOL

Psicanalista destaca a importância do preparo emocional no esporte de alto rendimento

Com a proximidade da Copa do Mundo, a atenção do público e da mídia começa a se voltar para o desempenho dos atletas dentro de campo. Mas, fora dele, um tema ganha cada vez mais destaque, a saúde mental no futebol. As disputas começam no dia 11 de junho, e a pressão por resultados, a exposição constante e as cobranças internas e externas têm levado muitos jogadores a enfrentarem um desafio ainda maior no esporte: o equilíbrio emocional.

“Hoje já se sabe que não existe performance sustentável sem equilíbrio emocional. A pressão constante, a cobrança pública e o medo do fracasso podem impactar diretamente a tomada de decisão, o foco e até o corpo do atleta”, explica a neurocientista e psicanalista Ana Chaves.

Casos recentes também reforçam como a saúde mental passou a ocupar espaço no debate esportivo. Em fevereiro deste ano, o futebol brasileiro foi surpreendido pela decisão do meia Philippe Coutinho, aos 33 anos, de romper seu contrato com o Vasco da Gama para priorizar o cuidado psicológico.

O astro do Real Madrid, o atacante Jude Bellingham, também falou publicamente sobre a dificuldade de admitir vulnerabilidades, reconhecer que precisava de apoio e se afastar de comentários externos para cuidar da própria saúde emocional. O jogador destacou ainda a importância de falar sobre sentimentos e buscar ajuda quando necessário.

Segundo Ana Chaves, o estresse crônico vivido por atletas de elite ativa mecanismos neurológicos que afetam o desempenho. “O cérebro sob pressão intensa pode entrar em estado de alerta constante, prejudicando funções como concentração, memória e controle emocional. Isso aumenta o risco de erros e até de lesões”, afirma.

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A especialista também destaca que o ambiente digital intensifica esse cenário. “As redes sociais ampliam a exposição e a cobrança. O atleta não lida apenas com o jogo, mas com uma audiência global que opina em tempo real sobre sua performance”.

Recentemente, o jogador Richarlison tornou pública a pressão psicológica enfrentada após a Copa do Mundo do Qatar, em 2022. Segundo ele, nas redes sociais, os que antes o idolatravam como herói se transformaram em críticos ferozes, desmedidos e, por vezes, até criminosos. O atacante afirmou ainda que buscar ajuda especializada foi essencial para superar a depressão.

Ana Chaves defende que o cuidado com a saúde mental deve ser incorporado de forma estruturada à rotina esportiva. “Treinar a mente precisa ser tão importante quanto treinar o corpo. Isso inclui acompanhamento psicológico, estratégias de regulação emocional e preparação para lidar com pressão e frustração”, pontua.

Ela completa que o caminho para o alto rendimento no futebol contemporâneo passa, necessariamente, por essa integração. “Não se trata apenas de formar atletas mais fortes, mas mais preparados para sustentar uma carreira longa, equilibrada e saudável”, finaliza.

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