Salvador, 27 de outubro de 2026
Editor: Chico Araújo

Governo da Bahia entrega unidade de Castramóvel para fortalecer controle populacional de cães no semiárido

Foto: Manuela Cavadas

O Governo da Bahia entregou, nesta quarta-feira (11), no município de Capim Grosso, uma unidade de Castramóvel ao Consórcio Público de Desenvolvimento Sustentável do Território Bacia do Jacuípe. O equipamento integra o Programa Estadual de Controle Populacional de Cães, coordenado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri).

A unidade móvel é equipada para realizar castrações e microchipagem de forma itinerante, ampliando a capacidade de atendimento nos 15 municípios que compõem o território: Ipirá, Baixa Grande, Mairi, Várzea da Roça, São José do Jacuípe, Quixabeira, Serrolândia, Várzea do Poço, Capim Grosso, Gavião, Nova Fátima, Capela do Alto Alegre, Pintadas, Riachão do Jacuípe e Pé de Serra. O investimento na estrutura foi de R$ 501.515,40.

Segundo o secretário estadual da Agricultura, Pablo Barrozo, o Castramóvel fortalece as ações de controle populacional e contribui para reduzir problemas enfrentados por criadores da região. “Com o astramóvel, aliado à microchipagem e à vacinação, conseguimos controlar a população de animais e reverter esse quadro. A situação já apresenta melhora significativa para quem tinha pequenos rebanhos e vinha sendo prejudicado”, afirmou.

De acordo com o secretário, o programa representa uma solução que protege tanto os produtores da agricultura familiar quanto os próprios animais, por meio de um controle populacional responsável. “A iniciativa atua de forma integrada para reduzir a população de cães abandonados e evitar ataques a rebanhos”, destacou.

A nova unidade móvel também vai reforçar o trabalho das cinco clínicas veterinárias credenciadas que já atuam no território. As castrações já estão em andamento nos municípios de Riachão do Jacuípe, Nova Fátima e Capela do Alto Alegre, e devem começar em breve em Capim Grosso e São José do Jacuípe.

De acordo com o presidente do consórcio e prefeito de Capim Grosso, Sivaldo Rios, mais da metade das castrações previstas já foi realizada, e a chegada do novo Castramóvel deve acelerar o atendimento nos municípios que ainda não iniciaram as atividades.

“A entrega do Castramóvel marca apenas o início de um trabalho que precisa ser contínuo. Temos que conduzir esse processo de forma permanente. Não adianta tratar como uma ação pontual”, alertou o presidente do consórcio, ressaltando que o controle populacional permanente é fundamental para proteger os criadores da região.

Ao todo, estão previstas 4.782 castrações e microchipagens nos 15 municípios do território, com média de 318 procedimentos por localidade.

Resultados

O prefeito Laurindo Nazário lembrou o cenário que motivou a demanda pela iniciativa. “Chegamos a um ponto em que muitos criadores deixaram de criar. Quem mais estava sendo prejudicado era o homem do campo”, afirmou.

O Programa Estadual de Controle Populacional de Cães no Semiárido Baiano é uma parceria entre o Governo do Estado, consórcios intermunicipais e prefeituras, coordenado pela Seagri. A iniciativa prevê a castração de até 10 mil animais em 36 municípios do semiárido baiano, com investimento inicial de R$ 5 milhões.

Do controle animal à saúde pública

Para a médica-veterinária Geana Oliveira, responsável técnica pelo programa no território, o Castramóvel representa uma mudança na forma como o poder público enfrenta o problema dos animais em situação de rua. Gaena destacou também que, o controle populacional, e não apenas ações pontuais contra ataques, é o que garante resultados duradouros para os criadores de caprinos e ovinos.

“O mecanismo é direto: a castração das fêmeas reduz a formação de matilhas, principal causa das investidas contra rebanhos.Quando a gente castra a cadela, elimina automaticamente a formação dessas matilhas”, explicou.

Com menos animais abandonados nas ruas e menos grupos em circulação, os efeitos se acumulam ao longo do tempo: redução dos ataques, diminuição do abandono e, a longo prazo, retomada da criação de ovinos e caprinos nas propriedades rurais.

O programa também gera impactos positivos para a saúde pública. Segundo Geana Oliveira, a iniciativa contribui para reduzir zoonoses, como a esporotricose, doença transmitida de animais para humanos que tem avançado no interior da Bahia, e a leishmaniose.

Além das ações veterinárias, o programa inclui atividades de educação ambiental. Palestras em escolas sobre bem-estar animal, vacinação e controle reprodutivo têm contribuído para mudar a percepção da população sobre o cuidado com os animais.

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