A auditoria financeira pública no Brasil está no centro dos debates em Salvador, durante o 3º Encontro Nacional de Auditoria Financeira dos Tribunais de Contas do Brasil (ENAF-TC), que foi aberto na manhã desta segunda-feira (7.7), na sede do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), unindo presencialmente cerca de 200 auditores de diversos estados brasileiros e conectando mais de 300 participantes de forma online, incluindo representantes de países como Angola, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Espanha e Portugal. Com um alcance que transcende fronteiras, o evento, que se estende até terça-feira (8.7), mergulha no tema central “O presente e o futuro da Auditoria Financeira nos Tribunais de Contas do Brasil”, buscando aprimorar e institucionalizar as práticas de auditoria financeira no cenário nacional.
O encontro tem como objetivo principal estimular a troca de experiências entre os responsáveis por auditorias financeiras no setor público, com foco nos Tribunais de Contas e nos órgãos de controle interno. É um importante fórum para debater a fiscalização das contas públicas da União e dos entes subnacionais, com a apresentação de boas práticas e soluções inovadoras no planejamento, execução e reportes associados a esse tipo de fiscalização.
No auditório do TJBA, a cerimônia de abertura contou com a presença de importantes autoridades, que destacaram a relevância do encontro para o controle externo brasileiro. O presidente do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE/BA), Marcus Presidio, falou sobre a honra de realizar o 3º ENAF-TC em parceria com o Instituto Rui Barbosa (IRB) e o Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM/BA) e reafirmou o compromisso com a formação e valorização dos auditores, reconhecendo a auditoria financeira como um instrumento vital para a transparência e responsabilidade na gestão pública.
AUDITOR DO SÉCULO 21
O presidente do IRB, conselheiro Edilberto Pontes (TCE/CE), destacou a abordagem tecnológica que o evento proporciona, tendo em vista que o papel do auditor nos tribunais de contas evoluiu significativamente, exigindo não apenas conhecimentos tradicionais, como contabilidade pública e legislação, mas também habilidades em análise de dados, big data e inteligência artificial.
“O auditor do século XXI precisa saber big data, inteligência artificial. Se ele não estiver afinado com isso, ele é uma pessoa de outro tempo. (…) se não falar em análise de dados, a gente é um tribunal do século passado, e tudo isso vai ser discutido ao longo desse evento, ou seja, normas internacionais, adaptação, esse novo perfil do auditor, a convergência com os padrões internacionais, a utilidade da auditoria financeira como instrumento de decisão e de prestação de contas para a sociedade, a accountability, que é um papel fundamental que, se não estiver blindado, não existe controle efetivo”, afirmou.
Ainda compuseram a mesa de abertura do 3º ENAF-TC, o presidente da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), conselheiro Edilson Silva (TCE-RO), o conselheiro do TCE/BA e vice-presidente de auditoria do IRB, Inaldo Araújo, o 1º vice-presidente do TJBA, desembargador João Bosco, o senior financial management specialist do Word Bank, Leonardo Nascimento, a procuradora-geral adjunta do Ministério Público da Bahia, Norma Angélica Cavalcanti, a 1ª vice-presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, deputada Fátima Nunes, a procuradora-geral do Estado da Bahia, Bárbara Camardelli, e o conselheiro do TCM/BA, Nelson Pellegrino.
HOMENAGENS
Durante a abertura do encontro ainda houve um momento marcante com uma homenagem prestada ao conselheiro do TCE/BA Inaldo Araújo, que também é o presidente da Comissão Pedagógica do 3º ENAF-TC. Inaldo recebeu uma placa que reconhece a sua dedicação em prol do aprimoramento da auditoria financeira a cargo do Sistema dos Tribunais de Contas do Brasil, sendo declarado patrono do instrumento de fiscalização no contexto do controle externo governamental do país.
“A gente precisa lutar pelo que a gente acredita, e desde o momento que eu cheguei no Tribunal de Contas do Estado da Bahia há 38 anos, eu tinha convicção que o Tribunal é uma casa de auditoria. É uma casa de auditores para auditores. E receber esse reconhecimento diante de tantas autoridades, com mais de 400 participantes de diversos países, é uma honra imensa”, finalizou o conselheiro Inaldo Araújo, que também aproveitou o momento para lançar, e distribuir entre os participantes do evento, a primeira edição da Revista Brasileira de Auditoria do Setor Público. A obra foi produzida pelo IRB e reúne artigos elaborados por servidores públicos que atuam nos tribunais de contas, com foco em temas estratégicos para a melhoria da gestão pública.
Além do conselheiro Inaldo, também foram homenageados pela comunidade de auditoria do setor público, o presidente do IRB, Edilberto Pontes, e ao diretor de auditoria do IRB e conselheiro do TCM/BA, Ronaldo Sant’Anna.