Salvador, 18 de maio de 2026
Editor: Chico Araújo

Estudantes de Serrinha produzem podcast com conteúdo educativo antirracista

Mais do que fazer parte do currículo escolar da rede estadual de ensino, a educação antirracista consiste em um importante debate acerca do reconhecimento, do enfrentamento e da adoção de estratégias educativas e intervencionistas para o combate ao racismo. Dentro deste contexto, as estudantes Rainara Martins e Ariane Menezes, do Centro Territorial de Educação Profissional (Cetep) Sisal, no município de Serrinha, protagonizam o projeto “Combatendo o racismo por meio de podcast”, uma das ações do Coletivo Daomé, que é formado por mulheres negras da unidade escolar. A ação contempla o cumprimento da Lei Federal nº 10.639, que estabelece a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afro-brasileira nas escolas.Em um mundo cada vez mais conectado, destaca a professora-orientadora Rafaella de Lima Capistrano, das disciplinas História e Mundo do Trabalho, os podcasts emergem como uma poderosa ferramenta de comunicação e educação. “Eles têm o poder de educar, inspirar e unir comunidades em torno de temas importantes e urgentes. Este projeto, que reúne duas alunas negras produzindo o conteúdo do podcast, nasceu com a proposta de divulgar os livros da biblioteca de autores negros e foi utilizado para divulgar a resenha desses livros e incentivar a sua leitura na comunidade escolar. Entretanto, além de divulgar os livros de autores negros, os podcast se tornaram fonte de análise aprofundadas e de debate na luta por igualdade racial”, avalia a educadora.A estudante Rainara explica que um dos objetivos do podcast que produziu, juntamente com a colega Ariane, é fazer com que as meninas negras saibam que são acolhidas e que suas dores são compreendidas. “No ambiente escolar, onde muitas de nós já sofremos por sermos negras, queremos que essa realidade mude e um dos meios que temos para conscientizar as pessoas sobre o que é racismo é via podcast, por meio do qual podemos falar de nossas origens, dos nossos descendentes. Podemos quebrar as limitações que a sociedade impõe sobre as pessoas pretas. Já recebi muito relatos de meninas que sofreram muito bullyng por conta de suas origens, diminuindo sua autoestima. Nosso maior intuito, portanto, é contribuir para a autoaceitação das meninas negras, ajudando elas a entenderem que os nossos traços são lindos”, relata.Os podcasts são passados na hora do intervalo das aulas, bem como são utilizados grupos de WhatsApp para divulgar o conteúdo dessas publicações de áudio. “Mas estamos projetando lançar em outra plataforma digital quando recebermos o dinheiro do Edital Makota Valdina. Esse dinheiro será essencial para comprar aparelhos específicos”, revela a professora Rafaella, destacando, ainda, que o projeto é sobre ação. “Além de oferecer um conteúdo educativo por meio do podcast, o Coletivo Daomé se compromete com a promoção de eventos e atividades comunitárias que ampliem o alcance de nossa mensagem e incentivem a mudança prática em nossa comunidade escolar”.

Deixe um comentário

Veja também

convocacao_ultima_selecao_2025
Ancelotti confirma Neymar e deixa Luciano Juba de fora da Copa do Mundo
Sem muitas surpresas, o técnico da Seleção Brasileira, o italiano Ancelotti divulgou há pouco, no Museu...
morta
Canabrava: casal é encontrado morto dentro de casa; caso é investigado pela Polícia Civil
Um casal foi encontrado morto dentro da casa onde morava, no bairro de Canabrava, em Salvador, no domingo...
Lula
Terras raras: "Brasil não abre mão de sua soberania", diz Lula
Presidente inaugurou linhas de luz síncrotron do Projeto Sirius O presidente da República Luiz Inácio...
Fiocruz
Justiça Federal manda derrubar perfis com desinformação sobre Fiocruz
Ação indica publicação de fake news como dados oficiais da instituição A Justiça Federal do Rio de Janeiro...

Opinião

WhatsApp Image 2026-04-10 at 12.30
Compra de terras por estrangeiros no Brasil: o problema real pode estar no processo, não na lei